O site de mangás da Jambô, anos-luz de todas as outras editoras

Yo!

Por que a Jambô está matando a pau a publicação de material nacional? Bora ver!

Ontem, a Jambô anunciou seu site de quadrinhos online, encabeçado pelo vizinho de Genkidama, o Ledd, mas com outras presenças de tão alto nível quanto as histórias de JM Trevisan e Lobo Borges.

Teremos:

  • 20 Deuses, com o mestre da Tormenta, Marcelo Cassaro, com a estreia do artista Rafael Françoi.
  • Khalifor, com JM Trevisan e Ricardo Mango, o artista reconhecido pela Kodansha em seu concurso internacional, em uma nova história.
  • Sir Holland, de Zambi.

Além de Ledd, que eu já falei. E devem vir novas histórias e novos autores, até onde eu sei. (Mentira, tenho insiders, sei de muito mais que vocês podem saber!)

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Ledd, do Trevisan e do Lobo. Saindo do Genkidama, para alçar novos horizontes.

E tudo isso DE GRAÇA pra você ler, reler, arrebentar o monitor de tanto ver e fazer isso sem remorsos, com o aval dos autores. Depois, a história é encadernada e pode ser colecionada em formatos físicos.

Clique para entrar no site da Jambô

Mas é de graça só pra você. A Jambô banca os artistas, a estrutura (que não é barata, vide Genkidama) e tudo mais para que as histórias saiam da caverna das cabeças pensantes e ganhe a luz do mundo através dos pontos dos monitores. Banca tudo a longuíssimo prazo, porque como não entra dinheiro algum no começo, só quando você compra os volumes encadernados é que a editora terá algum retorno.

Essa é a história de sucesso de um formato alternativo de se publicar mangá como é o mangá japonês aqui, no Brasil. E o sucesso da fórmula é provado com a expansão. O que começou em Ledd, com uma proposta do Trevisan à Jambô, virou agora algo muito maior. E o mérito é geral, pra todos os envolvidos. Porque ser pioneiro exige uma certa dose de coragem e boa vontade.

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Cassaro e Françoi em 20 Deuses, voltando depois de um período na Dragon Slayer

Publicar na internet, para lerem de graça? Empurrar essa ideia para uma editora seria loucura, mas o legal disso tudo é que o dono da Jambô, Guilherme dei Svaldi, não só abraçou a ideia como deu total apoio. E o resultado é esse. O único caso de sucesso de publicação nacional do tipo dentro de qualquer editora brasileira. O medo das editoras brasileiras é sempre a pirataria e a influência dela nas vendas, mas o que não se dá valor é na fidelização que se cria com esse estreitamento de relacionamento. Quase não se ouve falar de pirataria de Ledd (deve ter um ou outro idiota, o mundo tá cheio deles) e o fato de ler online não afetou as vendas. Quem compraria, comprou de qualquer jeito. Quem não compraria, ficou na dele.

Fato é que isso vem mantendo a história, que só tem crescido, junto com os autores. Quem pegar a primeira história e a última não vai reconhecer o traço do Lobo, de tanto que ele evoluiu na produção. E a própria interação entre ele e o Trevisan também parece muito mais forte hoje. A história tem muito mais ritmo e qualidade. Nada como a possibilidade de produção constante para amadurecer um artista! E a dupla de Ledd pode se colocar num patamar especial por poder fazer isso.

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Por enquanto, é a única coisa que temos de Khalifor, do Trevisan com o Mango.

No Japão e nos EUA já se notou a mudança das tendências. Cada vez mais as pessoas migram dos formatos impressos imediatos, como as antologias japonesas e as histórias avulsas americanas, para volumes encadernados. A venda de tankohon hoje é o que mantém as revistas japonesas de mangá, que em sua grande maioria, dão prejuízo mesmo com tiragens de 500 mil cópias. Nos EUA, a Shonen Jump local perdeu o formato físico e virou uma revista digital, com muito sucesso. Estamos no meio da transição, mudando tradições, e até aqui, o que parece é que nem a turma do tudo digital e nem a do tudo papel venceu. Por enquanto, ainda há espaço pros dois, mas com limites mais estabelecidos.

Essa mudança já estava pairando no ar faz anos, e os mais atentos percebiam isso. Agora, temos a Tonari no Young Jump, publicando sucessos como Mob Psycho 100 e One-Punch Man, vendendo tantos tankohons quanto os primos de publicações físicas. Praticamente todas as editoras grandes do Japão já abriram seus sites de mangá online gratuíto e estão colhendo os frutos, com os primeiros animes e vendas muito satisfatórias de seus tankohons. E as pequenas editoras já apontam para a extinção das antologias para elas, o que daria muito mais gás para gastar na produção de novos títulos, aumentando as opções ao invés de continuar bancando um dinossauro no jardim.

Resta agora saber se outras editoras que investem em material nacional pretendem se inspirar na iniciativa da Jambô, se vão dar um passo adiante e se podem dar um passo além.  Mas a largada, todas já perderam pra Jambô…

Site oficial da Jambô  (Agradecimentos ao Trevisan pelas infos e imagens)

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