Kiseiju – Parasyte ganha versão totalmente colorida

Yo!

Olha a Kodansha acertando de novo. Bora ver!

Da série “Eu te disse que quadrinho online tava mudando as coisas”.

A série Kiseiju (no ocidente, Parasyte) vai ganhar uma nova edição completamente colorida antes do lançamento do primeiro filme com atores baseado na série e do anime, que devem estrear juntos.

O mangá, cultuado por alguns mas bem desconhecido, ganhou força entre os leitores japoneses ainda durante sua publicação. Logo foi para os EUA e lá despertou o interesse dos gringos, que compraram o direito da obra para fazer um filme, que nunca saiu. Quando o contrato expirou, os japoneses não perderam tempo e assinaram.

Apesar desse sucesso aparente, Kiseiju não é um sucesso de vendas grande o bastante pra justificar esse tipo de mimo, que aconteceu com séries mais cultuadas, como Hokuto no Ken e Highschool of the Dead. No entanto, a forma como isso irá acontecer é que viabilizou o projeto.

Kiseiju Full Color Version será publicado em diversos sites de publicação digital, como o Kindle, Applestore e outras quarenta outras lojas virtuais japonesas. Assim, sem custos de impressão, a republicação da série se tornou possível e será estratégico para o lançamento do filme e anime.

Na trama, Shinichi sobrevive a um ataque alienígena, de uma raça que infecta seu hospedeiro e toma controle de seu corpo. O ser que deveria tomar Shinichi não consegue se alojar no cérebro de sua presa e fica em sua mão direita. Agora, os dois precisam evitar a invasão alienígena.

Os primeiros cinco volumes foram lançados hoje, dia 21 de Fevereiro, o restante dos 10 volumes será publicado na sequência, com quinze dias de um volume pro outro.

Se quiser conferir o resultado, o primeiro capítulo está disponível para leitura gratuíta no site da Kodansha, o Moai, que reune a versão digital dos mangás das revistas Morning, Afternoon e Evening, a linha adulta da editora.Vale dar uma olhada.

Primeiro capítulo de Kiseiju colorido, CLIQUE AQUI

Fonte: Comic Natalie

O que eu acho? Quadrinhos digitais irão viabilizar muitos títulos impossíveis e ideias editoriais que não se vendiam no papel antigamente. Esse Kiseiju colorido é um bom exemplo, mas temos outras notícias que mostram que o mercado japonês finalmente abriu os olhos para as possibilidades do digital.

Temos All You Need Is Kill, o novo de Takeshi Obata (de Death Note) sendo publicado quase simultaneamente na web, o sucesso de One-Punch Man e outros mangás nascidos na internet e hoje disputando prêmio com os grandes da mídia tradicional… Converso muito com japoneses e a maioria diz que tem aderido aos mangás para tablet ou celular por serem práticos e baratos. E isso pode ser uma revolução pra forma de se fazer mangá no futuro.

Todo mundo sabe que os mangás são publicados nesse formato por necessidade e não por charme ou por que é bonito. Preto e branco torna tudo mais barato e o sistema de serialização em antologias faz os leitores acompanharem mais de uma série, ajuda o sistema a girar. Mas na internet, isso não se faz necessário. Cores são tão caras quanto o preto no seu monitor, e pra fazer leitores conhecerem outras séries, é só colocar um link e fazer um sistema para apresentar as séries certas para os leitores certos. Com o tempo, pode até matar as antologias de 500 páginas de papel reciclado e manter só os tankohons para os colecionadores e quem curte papel.

Mas isso não é tudo, pois o corte de custo que isso daria pode alimentar ainda mais o mercado em outras áreas. O Japão, hoje, trabalha com antologias por falta de opção. O formato já não é rentável como era antes e é encarado como um custo planejado. Eles perdem dinheiro durante alguns meses publicando a antologia e recuperam com tankohon e venda de direitos.

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Cena de Mangirl, onde esse sistema é explicado.

Essa versão de Kiseiju é mais um exemplo de que projetos editoriais inviáveis no passado vão se tornar mais comuns no futuro não tão distante. Republicações de materiais esgotados, histórias soltas lendárias, que jamais foram republicadas em tankohon, tudo isso vai se tornar tão comum quanto as músicas extras dos CDs japoneses de bandas gringas, que antigamente faziam colecionadores importar as versões japonesas por causa de uma música ou duas e hoje em dia, você baixa no iTunes de boa.