35 curiosidades para 35 anos de Gundam

Yo!

Uma lista legal para um anime legal. Bora ver!

Separei dos meus arquivos alguns fatos curiosos da franquia Gundam, que faz 35 anos. Alguns são clássicos das trivias da série, outros, bastidores citados em entrevistas. Eu podia fazer um “Gundam – Curiosidades Level Master”, mas acho que falta muita coisa ainda e tem potencial de ser bem grandinho, maior que o de One Piece, por exemplo. Fica pro futuro (junto de muitos outros posts).

Então vamos lá? (SPOILERS – Vá por sua conta e risco).

35 – Se você pensou em começar esse post com um “Amuro, ikimasu!”, vai achar essa interessante. A famosa frase, usada milhares de vezes quando se fala da série original, na verdade, só foi falada uma vez na série inteira. Mas ficou tão marcada que todo mundo acha que o Amuro sempre diz isso antes de partir pra batalha. É como o “Omae wa mou shindeiru” do Kenshiro, de Hokuto no Ken. É icônico, mas só foi usado uma vez. E sequer foi para quando ele saiu de Gundam.

34 – Amuro deveria ter uma cabeleira muito mais responsa. Seu visual original incluia um afro hair bem anos setenta e seu nome, Amuro, é um trocadilho com a palavra Afro. O nome ficou, o cabelo foi passado adiante, para o protagonista da série Ideon, que é cuspido e escarrado o Amuro, mas com estilo.

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Afro, ikimaaaasu!

33 – Nos créditos das séries de Yoshiyuki Tomino, criador da franquia, várias funções são exercidas por funcionários fantasma. Nos créditos, nomes fictícios aumentam o elenco, mas na verdade, o Tomino fez tudo praticamente sozinho, só com a ajuda dos colaboradores famosos, como o Kunio Okawara e Yoshikazu Yasuhiko.

 

32 – Em ZGundam, o protagonista da série anterior, Amuro Ray, deveria morrer. Sua participação seria rápida e antes mesmo da cena de reencontro com Char, Amuro deveria morrer. Sua função no roteiro acabou agradando, e ele foi mantido. Mataram Katsu no lugar. Se ele tivesse morrido, a própria franquia teria um destino bem diferente.

 

31 – Ainda em ZGundam, outra personagem que deveria voltar e ter uma participação ativa na série era Sayla Mass. Só que por conta de uma longa viagem da dubladora You Inoue à Índia e outros países, sua participação foi limada. Ou quase, sua aparição na piscina foi curta e silenciosa.

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30 – A banda Van Hallen quase foi escolhida pra tocar a abertura de ZGundam. Uma música inédita deles caiu nos ouvidos da produção, que quase decidiu ir atrás dos direitos. No fim, as coisas não andaram e o tema ficou para Hiroko Moriguchi, que estreou com Mizu no Hoshi he Ai wo Komete.

 

29 – o “Z” da série, diferente de Dragon Ball, que era referência à última letra do alfabeto romano, indicando o fim, referenciava a sétima letra do alfabeto grego, Zeta. Nas artes da série, o Z é sempre representado pela letra grega, mas como as diferenças praticamente não existem, nos textos, todo mundo usa o Z romano.

 

28 – A Bandai tentou empurrar o design do Psycho Gundam para a Sunrise como o design oficial do Zeta Gundam. A produtora, como toda prestadora de serviço, aceitou a “sugestão”, mas usou como o mecha da manipulada Four Murasame. Mensagem sutil?

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27 – Antes da Bandai dominar, ela foi a patrocinadora menor de animes, e teve a Clover à sua frente, bancando os animes para vender seus brinquedos, como em Gundam. A franquia nasceu em um horário que a empresa financiou. Em troca, a Sunrise faria animes que pudessem render brinquedos. Tomino fez diversas séries de mecha em sequência, mas sempre sofreu intervenções tipo “faz o Gundam ser um robô com gattai (quando duas ou mais partes se unem, tipo um Megazord)” ou “as crianças preferem armas de girar, como bolas com correntes ao invés de rifles”. A empresa foi engolida pela Bandai em 1983, ano em que a famosa empresa de brinquedos comprou outras sete empresas diversas do ramo. A Sunrise e a empresa de brinquedos mantém uma boa relação até hoje, fazendo séries que geram brinquedos e, claro, os gunpla, modelos de resina dos mechas de Gundam.

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26 – Pra provar o lado maldoso da Bandai, a série G Gundam deveria ser um retorno, que já era há muito esperado, ao Universal Century, a linha do tempo original. Durante as reuniões de brainstorm do projeto, a gigante dos brinquedos soltou um “Street Fighter faz sucesso hoje. Os robôs não podem lutar e representar países?”. Faltava apenas quatro meses para começar o trabalho e todo o roteiro precisou ser alterado, os designs sofreram modificações e… a festa estava armada!

 

25 – Um dos designs recusados de G Gundam foi usado para fazer o Gundam Wing da série Gundam W.

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24 – Heero Yui, protagonista de Gundam W, foi descrito na ideia original como “Yuki Uchida (cantora e atriz japonesa) com boa interpretação e a alma de Joe Yabuki (de Ashita no Joe)”. E em que ponto isso começou a dar errado? Se bem que se pegar Ashita no Joe 2, o Joe e o Heero têm muito em comum. Cheios de mimimi.

 

23 – Elpie Puru é considerada a mãe do moe, o sub-gênero das meninas bonitinhas. Ela fez a ponte entre o lado mais hard core do lolicon da época, que sensualizava a imagem de meninas menores de idade, com o mainstream dos animes.

22 – O nome da personagem faz referência à revista Lemon People, uma espécie de Shonen Jump da putaria japa da época. Lemon People, L. People (na pronúncia japa, Eru Pi-puru). Por isso, muitas vezes, seu nome recebe a grafia Elpeo Ple.

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21 – A primeira série de Gundam usa a cor rosa pontualmente, como nas explosões e nos beam saber. Mas é porque a Sunrise estava com um estoque muito grande de tinta rosa e precisava gastar.

 

20 – Job John, um apagado coadjuvante na White Base, se tornou um personagem recorrente. Apesar de ainda apagado. Além de estar na lendária nave dos newtype da Guerra de Um Ano, ele participou do projeto de engenharia do F-90 e do F-91, e foi mecânico da equipe do velho Romero, em VGundam.

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19 – A família Zabi, os usurpadores de Zeon, na verdade, eram cinco irmãos. Um deles, Sasro Zabi, morreu antes dos acontecimentos do anime. Mas no mangá Gundam Origin, sua história é mostrada em detalhes, inclusive com uma participação grande de Dozle, o pai da Minerva, que ganha sua cicatriz no incidente.

 

18 – Haro não pertence à Amuro. Ele, na verdade, é um robô mascote que Frau Bow deixou na casa de Amuro para ele consertar. Sua personalidade irritante e sua repetição em loop chamando Amuro é por causa disso.

 

17 – Aliás, Haro é um design não aproveitado de Mechamaru, o robô mecânico da série anterior do horário de Gundam, Muteki Kojin Daitarn 3. Só que Mechamaru servia pra algo.

 

16 – Voltando para Zeta Gundam, seu design foi bem ousado pra época, pensando que aquilo deveria virar brinquedo e tudo mais. Com suas formas menos retangulares e sua transformação em Wave Rider, o trabalho para acertar os detalhes acabou atrasando todo o projeto do anime. Para resolver, jogaram o mecha para o final da segunda temporada e quebraram o galho se aproveitando de design de fãs da série original e de material extra de revistas especializadas, que reinventaram o Gundam original com armadura mais trabalhada, trabucões, etc. Gundam Mark II foi feito como uma mistura do Heavy Gundam com o Full Armor Gundam.

 

15 – Uma história não contada no anime torna algumas cenas sem importância em algo mais rico. Em ZGundam, Hayato Kobayashi, o piloto do Guntank na série original, vai a um museu e vê uma réplica de um Guncannon, outro mecha que ele pilotou na época da Guerra de Um Ano. Essa réplica teria sido construída como homenagem ao casamento de Hayato com Frau pela Federação, que o considera um herói de guerra. Só que o número do mecha é C-108. Na verdade, o Guncannon de Hayato era o C-109, o 108 era pilotado por Kai Shiden. Pra ver como ele sempre se dá mal. Essa passagem é explicada no mangá Day After Tomorrow, onde Kai é o protagonista.

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14 – Em Gundam W, uma série de mechas recebe o nome das constelações do Zodíaco. Só que no filme Endless Waltz, essa série recebe a adição da suposta 13ª constelação, o da Serpente.

 

13 – O nome de Quattro Bageena, alter ego de Char em ZGundam, tem uma origem fácil. É o quarto nome adotado pelo personagem. Char nasceu como Casval Ren Daikun. Após o golpe em Zeon, ele foge e é adotado por Teavolo Mass, ganhando o nome de Edwal Mass. Para se disfarçar dentro do exército de Zeon, ele troca de lugar com Char Aznable, roubando seu nome. Para se manter em low profile, ele troca sua identidade mais uma vez, para Quattro Bageena. A palavra vem da numeração em grego, assim como Zeta.

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12 – Existe um crossover entre Gundam e sua série sucessora, Ideon, chama de Kidou Senshi vs Densetsu Kyojin. Ele é oficial, não é fanzine. O mangá saiu pela divisão editorial da Bandai, na revista Cyber Comic e foi feito por Yuichi Hasegawa, conhecido pelo mangá Crossbone Gundam.

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11 – Em ZGundam, existe um Gundam-type secreto que poucos sabem de sua origem. A Anahein, empresa que trabalharia no projeto do Zeta Gundam, criou para a Federação um mobile suit que misturava características de um dos mais impressionantes ms de Zeon, o Rick Dom, com a engenharia do Gundam original. Por causa da liga de Gundalion Gama usada em sua fabricação, o ms ganhou o nome de Gundam Gama. Foi Quattro Bageena, o Char, que pediu para mudar o nome para Rick Dias, uma homenagem à Bartolomeu Dias, navegador português que cruzou o extremo sul da África pela primeira vez.

 

10 – Amuro pilotou um Dijeh em ZGundam. O Dijeh é um Rick Dias pirateado. Como a Anahein se recusou a entregar Rick Dias para Jaburo, eles fizeram um modelo novo, baseado no projeto de Rick Dias. Ou seja, é uma versão brasileira do sucesso de fora, tipo as músicas do Latino. Fora do anime, o designer que criou o Dijeh o fez pensando em um mobile suit para Haman Karn, por isso ele tem detalhes que remetem à Zeon.

 

9 – No mangá de V Gundam, três pilotos receberam o nome de Senna, Prost e Schumacher, que formam o Thunder Impulse.

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8 – A música tema de V Gundam, Winners Forever, do INFIX, foi criada originalmente para ser tema de Kamen Rider ZO. O nome da música também era outro, Rider Forever. No filme que enterraria os Kamen Rider até o retorno, anos depois.

 

7 – O nome no roteiro original do primeiro episódio de ZGundam mostra o quanto a série foi alterada no andar das reuniões. “Gyakushuu no Char” deveria mostrar uma série com o rival da série original como protagonista, armando uma grande vingança. O capítulo mudou o nome para “Kuroi Gundam” e introduziu Camille Bidan como protagonista. A vingança de Char ficou guardada para o longa que herdou o nome do capítulo, Char’s Counterattack.

 

6 – Beltorchika Irma, namorada de Amuro no final de ZGundam, foi limada de Char’s Counterattack. Aparentemente, os japoneses ficaram com medo de ter um protagonista pai de uma criança, indo para a morte. Isso porque a versão original da história, narrada em um livro, mostrava que os dois foram morar juntos e durante a história do filme, Beltorchika estaria grávida de Amuro. Para exercer o papel de Beltorchika, criaran Chan, que apareceu no filme fazendo exatamente o que Beltorchika fazia no livro, mas sem filho.

 

5 – Amuro é pegador nos livros. No que reconta a primeira série, um desejo do criador da série, Yoshiyuki Tomino, é atendido e Amuro e Sayla tem um caso, que fica muito mal resolvido. Isso criou a má fama da personagem entre os fãs de Gundam, por causa de sua postura, usando o sexo para manipular um garoto de 15 anos.

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4 – No evento de 20 anos da série, quando anunciaram Turn A Gundam, mostraram apenas lá um vídeo curto chamado Gundam -Mission to the Rise-, dirigido por Katsuhiro Otomo, de AKIRA.

3 – Com 550 milhões de ienes (5.4 milhões de dólares), a Mitsubishi fabricaria um Gundam. Essa história ficou famosa por aí, mas o que aconteceu de real é que em um evento realizado pela empresa de tecnologia (a Mitsubishi faz de tudo, de lápis à máquinas industriais pesadas) para universitários, um dos projetos levantados foi a ideia de fazer um mobile suit, como os de Gundam. Engenheiros e muitos profissionais renomados da empresa se juntaram e avaliaram que é possível fazer algo desse tipo, mas seria caro demais para algo que não teria nenhuma função no mundo de hoje. E estipularam um valor. Mas isso não significa que eles tenham o projeto pronto e que só precisam do dinheiro pra começar a vender mobile suits para ricaços excêntricos.

 

2 – Voltando à Clover, ela foi responsável pelo cancelamento da primeira série de Gundam. Após um knock out nas vendas de seus brinquedos da franquia, a empresa desistiu da série, independente do público, e ordenou o fim antecipado. Os 52 capítulos do projeto inicial se tornaram 43, reduzindo drasticamente a trama. No entanto, a qualidade do roteiro acabou fazendoo público se animar a assistir e fez a emissora entrar em um acordo com a patrocinadora para bancar uma reprise. Os brinquedos da Clover tinham uma qualidade muito baixa e não eram sequer baseados nos designs usados no anime, e além disso, o público era um pouco mais velho do que a meta, e não brincavam mais com brinquedinhos. A Bandai se deu bem, lançando uma linha que ela batizou de Gunpla, com modelos bem fiéis dos mechas da série. Ah, a Clover também vetou a participação de Char na série, e é por isso que ele passa boa parte dela fora do foco, mas o público tratou de resgatar ele, enchendo a emissora de cartas.

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1 – Gundam originalmente se chamaria Freedom Fighter, não teria robôs e foi inspirado no sucesso de Uchuu Senkan Yamato (Patrulha Estelar, o maior sucesso daquela época), onde uma tripulação jovem iria enfrentar alienígenas no espaço, à bordo de sua nave, Pegasus. No fim, a influência do patrocinador acabou alterando para o bom lado, incluindo robôs (que vendiam muito na época, por causa do boom da ficção científica) e fazendo a história toda mudar.  Vamos ver como foi criado a ideia de Gundam.

O nome Gundam saiu de uma mistura. Eles queriam usar o nome do filme Convoy, de Sam Peckinpah, e por algum motivo, mudaram para Gunboy (na pronúncia japa, Convoy fica Conboi). E um comercial da época, de uma linha de perfume masculino da Mandom (conhecido hoje pela linha Gatsby de cosméticos masculinos), popularizou a frase “hm… Mandom”, na voz e imagem de ninguém menos que Charles Bronson.

A Mandom é abreviação de “Man Domain”, porque começou se especializando no público masculino, mas em pouco tempo eles mudaram para “huMan & freeDom”. Na mesma vibe, o nome Gundam seria abreviação de Gun e Freedom (na pronúncia japa, furidamu).

Se precisava de robôs, Tomino queria algo que fosse realista e as pessoas pudessem acreditar, e não os brinquedos gigantes para crianças. Ele se inspirou em Starship Troopers e seus exo-esqueletos para jogar a ideia ao designer Kunio Okawara.

Dessa mistura, nasceu o projeto de Gundam, que falharia como anime na TV, seria cancelado e, tempos depois, reeditado para o cinema, faria filas dobrarem quarteirões, entrando pra história por seu sucesso póstumo. A Sunrise, que produziu as animações do horário, não conseguiu sequer apoio do canal de Tóquio que apoiava seus outros projetos, e acabou conseguindo espaço somente na retransmissora Nagoya TV. Depois de Gundam, outras séries no horário tentaram se manter, sem sucesso. A Bandai se tornaria a maior patrocinadora do horário, e tratou de exigir a volta de Gundam, em ZGundam, para não deixar a popularidade da franquia cair.  Hoje, a série é uma das franquias mais lucrativas dos animes no Japão.

 

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Ah, e esse final de semana, dias 17 e 18 de maio, eu estarei no Anime Sampa, que vai rolar em Pirituba, pra duas maratonas de Gundam com o pessoal do Principado Zeônico, com os seis capítulos de Gundam UC no sábado e um cardápio variado no domingo! É de graça, só colar lá!

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Rua Tomás Lopes Ferreira, 110 – São Domingos, São Paulo – SP, 05125-090