Morte ao moe! Abaixo o ecchi! A democracia do fã.

Yo!

Bem-vindo ao XIL, seu blog de polêmicas e mimimi! Bora ver!

Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-lo

-Voltaire (só que não. Na verdade, Evelyn Beatrice Hall, para biografia do filósofo.)

A capacidade criativa do mangá como mídia cultural é ilimitada. Nas páginas preto e branco de papel jornal mal impresso das antologias japonesas, você pode ler histórias sobre praticamente qualquer coisa que você imaginar. Impressionante, ainda, saber que existem até mais de um sobre assuntos tão exclusivos, como degustação de vinho, apreciação de quadros e air guitar. Um conjunto de variáveis do mercado japonês possibilita essa variedade única de histórias e assuntos, que você não encontra em nenhum outro mercado ou momento da história no mundo.

Uma dessas variáveis é o respeito japonês. A abertura de opinião do Japão de hoje em dia é tão grande e ímpar que as pessoas são abertas para agir da forma que bem entenderem. Claro que os japoneses também protestam e são contra muitas coisas, existindo até mesmo grupos de extrema direita anti-estrangeiros fazendo anúncios com megafone nas ruas e o PTA (Associação de Pais e Mestres) do Japão que é muito chato. Mas ainda assim, o geral, a regra que define as coisas, é favorável a um ambiente aberto. Não é à toa que a lei que proíbe a exploração da imagem infantil de forma sensual fica flutuando sem ser aprovada. Isso não é sinal de que o Japão aprova a pedofilia, mas que o país tem um medo enorme de abrir jurisprudência para a censura.

Claro que em nosso ódio emotivo, isso tudo parece um absurdo dito em juristês, mas o incentivo ao abuso infantil já é crime no Japão, seja na forma de penas duras contra o ato em si, seja na forma da lei contra apologia ao crime. Leis específicas podem acalmar ânimos exaltados em vista de casos específicos, mas a bem da verdade, japoneses detestam emendar seu livro de leis, que já é bem grandinho sem revisões. E se está funcionando, não existe motivo, que não seja o político. Afinal, agitar e acalmar sempre dá votos nas eleições.

Dessa forma, o Japão acaba sendo um dos poucos países onde a censura é feita no balcão. É cortado e defenestrado somente o que os leitores não querem comprar. Todo o resto tem espaço nas enormes prateleiras japonesas, abastecidas toda semana com mais mangás e livros do que você conseguiria ler. Se alguém quer contar e alguém quer ler, essa história existirá, doa a quem doer.

Isso gera peculiaridades da cultura japonesa que nós, em nossa tradição hipócrita e monoculturista, vemos com curiosidade. É impressionante como o japonês pode externar suas tendências ao bizarro, sem vergonha nenhuma. Como podem fazer histórias sobre gays voltadas para meninas que gostam de gays? Como podem fazer histórias de romance para garotos que não querem viver romances? Não dá pra acreditar em uma história de sexo que não envolve um encanador e uma menina descuidada. Como crer que os japoneses são tão criativos em suas fantasias?

Mas será que os eles não ficam ultrajados com isso? Onde está a vigilância do bom costume para tirar de circulação essas historinhas de morte, demônios, sexo e perversão? Ela está exatamente onde está a nossa. Tentando forçar a retirada desse material. A diferença é que isso raramente afeta de alguma forma efetiva a circulação de um mangá. Será isso o poder do mercado milionário das páginas em preto e branco? Ou a política que se faz no Japão não é séria?

A verdade é que em um país relativamente seguro como o Japão, é difícil alarmar as pessoas bradando que o mangá incentiva um comportamento violento ou a prática de crimes. Porque, mesmo que isso seja verdade, a política de segurança preventiva se mostra eficiente e mesmo quando casos absurdos de assassinato, estupro e maltrato acontecem, fazem parte do que impede o país de ser uma utopia da segurança pública e comprovam que o ser humano simplesmente pode ser perverso às vezes.

Mas sob os binóculos de nossa ignorância, vemos toda essa loucura vinda do oriente como sinais de preconceito e de pensamentos impuros, de quem deseja espalhar uma cultura imunda. Presos que somos, em nossas barreiras mentais, livres em tese, amordaçados pelo “bom senso” em nossa voz interna, não conseguimos ver a liberdade de expressão como uma forma de olhar o mundo pelos olhos de outros, mas enxergamos nela uma nova bitola, que vai nos impedir de ver o que deveríamos ver. A opinião alheia, aquela que difere da nossa, dói em cada centímetro de nossa falta de capacidade de debater, e então proibimos, felizes celebrando nossa própria ditadura enquanto nos enganamos dizendo que venceu a democracia.

Não acho, em minha inocente opinião, que a censura proteja nossas crianças (e nossos adultos iletrados) da influência negativa do que quer que seja, muito pelo contrário. Quanto menos as pessoas souberem, quanto menos opiniões se chocarem com as delas, mais elas estarão em perigo. Só o conhecimento pode armar alguém contra a influência externa e somente o debate pode derrotar de vez o monstro da ignorância. São escudo e espada do nosso caráter.

A tolerância, como qualquer outra virtude que valha, não existe em um ambiente estéril e monossilábico. Ela é como a luz, você só vai entender quando estiver no escuro. Você não tolera quem concorda com você. Tolera aquele que discorda de pés juntos e que não muda e nem mudará sua opinião. Para exercitar sua tolerância, você precisa se deparar com aquilo que você mais abomina e, se dentro dos direitos dele, esse seu inimigo estiver apenas exercendo uma opinião sem cometer nenhum crime, deverá aceitar que isso existe e, estando certo, errado ou apenas diferente, você vai precisar lhe dar o direito de existir. Fazer acender uma luz na escuridão da ignorância.

Dentro desse pano de visão, a repórter que teve sua opinião amputada por ameaça estatal não foi uma vitória, muito pelo contrário. Perdeu muito, a incompreendida democracia. Porque sempre que calamos uma opinião, ainda mais a de um jornalista, abrimos terreno para que a democracia, aquela dos direitos igualitários, seja ferida, desnuda e presa a um poste. E nós achamos isso justo, aplaudindo a barbárie desse nosso circo de horrores, como justiceiros do sofá.

A bem da verdade, esse tipo de situação e suas consequências só destacam o quanto somos covardes ao lidar com nossos problemas. Sempre buscamos um elo fraco para ser atacado, um ponto mais fácil de partir do que a raiz de nosso problema. Porque já aceitamos que não iremos resolver nada no âmbito político. Se um assassinato foi cometido? Proíba o RPG! Um estupro? Culpa das roupas curtas! Atacar esses elos fracos é fácil, gera resultados mais imediatos e isso cria a catarse que precisamos para nos sentir mais justos e honestos. Pessoas de Deus.

Mas, sinto informar, isso vai continuar a acontecer. Sem RPG, será o Heavy Metal, o mangá. De burca, iremos presenciar estupros ainda mais violentos, como no Oriente Médio. Mesmo o machismo, racismo, homofobia, tudo isso só irá caminhar para uma solução quando pensarmos seriamente sobre política, cobrando mais educação e mais condições de vida justas. E não o absurdo de pedir para nos tirarem o direito da liberdade de expressão. Eu posso não concordar com você, mas sempre irei lutar para que possa falar suas besteiras para que eu discuta com você.

Se não concorda com a visão de um autor, não o compre. Se não concorda com a ideologia de uma empresa, boicote. Se não quer ler moe, leia outra coisa. Se acha que o ecchi deve morrer, viva o que lhe satisfaz. Mas dê o direito a outras pessoas para que desfrutem da variedade que você não deseja, das opções que você não concorda. Discorde, com todas as suas forças. Mas se alguém decidir que deve acabar com elas de forma arbitrária, impeça. Porque, em uma democracia falida, amanhã pode ser você na mordaça.

E você? Está lutando por seus direitos ou para que lhe tirem ele?

44 ideias sobre “Morte ao moe! Abaixo o ecchi! A democracia do fã.”

  1. Cara, você enfeitou um pavão danado para transmitir uma ideia absurdamente equivocada de liberdade de expressão.

    Se você quer falar o que quer, tem que aceitar o que vier. Não vivemos sozinhos, vivemos em sociedade! A Liberdade tem duas vias! Só que nós sabemos que o ser humano não é lá uma espécie que lida bem com a liberdade total. Por isso existe legislação, por isso existe crime, por isso existem DIREITOS E DEVERES. Nada te impede, por exemplo, de pegar uma faca, sair na rua e matar uma pessoa aleatória que esteja passando. Só que você está tirando o direito da outra pessoa viver. Portanto, matar virou um crime. O que te impede de matar uma pessoa hoje é a LEI. Nós somos ensinados que matar é errado, e com total razão! Afinal, se hoje você sai na rua e esfaqueia alguém, amanhã você pode ser o esfaqueado! Ok, com crimes hediondos fica fácil entender o limite da liberdade. Vamos melhorar esse exemplo!

    Como eu disse, não vivemos sozinhos. Tudo oq somos, TUDO, é absorvido do nosso entorno. Nossos valores morais e éticos, nosso conhecimento, nossos padrões de comportamento. Nem mesmo nossas opiniões são assim tão individuais. Somos um mosaico doq vemos, ouvimos e sentimos. Portanto, se o nosso entorno aceitar determinadas atitudes, a chance de eu aceitar essa atitude é grande. MUITO grande. Quer um ótimo exemplo de como isso é verdade? O Japão, que você diz no seu texto ser um país segurissíssimo, é um dos países que MAIS COMETE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. Dos países ditos desenvolvidos é líder isolado! Uma pesquisa da ONU mostra que, apesar do baixo índice de homicidio no Japão, mais de 50% deles tem como vítima a mulher. Dados sobre estupros e abusos são ainda mais alarmantes! 4 entre 5 mulheres já foram molestadas nos trens e metros do Japão! 4 EM 5! Isso é um problema gravíssimo no Japão! Mas isso é tratado por muitos como fetiche, e é vendido como fetiche. Pegue a indústria pornográfica japonesa, ou os hentais. A grande maioria trata o estupro e o abuso como FETICHE! Se você acessar um dos maiores portais hentai em lingua inglesa do mundo, o fakku, há uma sessão só pra abuso no trem!!!!!!!!!!!! Uma sessão fetichista para abusos no trem, que afetam 4 em 5 mulheres japonesas!!!!!!!!!!!! Isso não é liberdade de expressão, isso é perpetuação de crime! É incentivo ao estupro e ao abuso sexual!! E olhando as estatísticas, tem dado muito certo! “Aaaaaaiiiiin mais a taxa de estupro no Nihon é baixa”. A taxa reportada às autoridades é baixa. Numa sociedade onde mais de 50% das vítimas de homicidio são mulheres, onde o estupro é visto como fetiche, onde a violência doméstica é alta, e que as políticas publicas de apoio às mulheres começou em 2002, não é dificil de imaginar o quão complicado é falar sobre isso, quanto mais denunciar. E convenhamos, essa baboseira de exaltar o Japão como o país perfeito desu é foda! Segurança preventiva?? O Japão tem graves problemas sociais! É um ótimo país, rico, organizado, lindo, que respeita sua história, mas não é Shangri-la! É um país com alta taxa de suicídio, com alta taxa de abuso contra a mulher, com mais de 1 milhão de pessoas trancadas em casa (os famosos Hikikomoris) por não suportarem viver na sociedade japonesa. A natalidade é tão baixa que as autoridades já falam em fim da sociedade japonesa em algumas gerações!!!!! Há planos governamentais para aumentar a taxa de natalidade!!!!!!!! E a taxa tá lá embaixo justamente por causa do machismo exacerbado na sociedade japonesa!

    Isso reflete em qualquer tipo de comportamento social! Discursos de ódio, apologias ao crime, preconceitos, etc, influenciam e muito o comportamento social! O antissemitismo sempre existiu, mas seu ápice ocorreu durante a Segunda Guerra. Hitler muito provavelmente não matou um judeu sequer, mas os discursos que ele fazia, toda a propaganda nazista, convenceram grande parte da Alemanha a aceitar a aniquilação de 6 milhões de judeus! Um preconceito que, dentro do contexto social alemão no periodo entre guerras mais um discurso de ódio amplamente propagado, desencadeou um dos maiores genocídios da história. E temos amplos exemplos na História de que quando uma ideia ou discurso surgem limitando direitos de um determinado grupo, a coisa descamba pra violência e pro genocídio. Eugenia social, segregação racial, homofobia, xenofobia, intolerância religiosa… Tudo isso começa com discursos! Então sim, precisamos ter bom senso e SIM precisamos criticar e discutir isso. Liberdade de expressão não acontece aceitando o racista, o classista, o homofóbico, o machista, etc, e sim o combatendo! Essas pessoas existem, e existem pq esses preconceitos são socialmente aceitos. Não dá mais pra tolerar violência e preconceito. Isso já é regra desde o Egito Antigo!

    E não, lutar contra isso não é amordaçar. Até pq essas ideias estão amordaçando certos grupos há muitos séculos. A luta é pra tirar as vendas. E eu já tirei algumas dos meus próprios olhos.

    1. Você nem leu o texto todo ou só leu o que queria ler. Muito do que você critica nem tá no texto, reli pra ter certeza. Por favor, releia o texto e procure onde suas críticas cabem. E esfria a cabeça, amigo.

  2. muito bem escrito e concordo com tudo, quem não gosta de algo não precisa assistir, vai assistir outra coisa e não enche o saco de quem gosta o/

  3. Bem, na minha opinião(desculpe iniciar a frase assim, é mania), o ecchi, o moe, o BL, o BDSM descritos para fins de fanservise e derivados não é o problema. Mas em relação a certas situações.

    No caso, o “fetiche” de estrupo que decorre principalmente em Hentais, mas também em outros gêneros e o próprio lolicon e shotacon. Há aqueles que declaram que quem ver tal material de estrupo, no caso, não quer dizer que automaticamente é um estuprador em potencial. No entanto, se olha psicologicamente, isto COM CERTEZA não se trata de um fetiche, nosso cérebro ao contrario do que se pensa não vê diferença entre o real e o não real do modo que pensamos(Por causa disto, uma pessoa louca não sabe que é louca, não cérebro não nos “avisa” sobre isto). Levei a este questionamento visando o pensamento “Como alguém pode se sentir excitado com uma cena de estupro?(Seja 2D ou 3D, no caso dos pornos com cena de estupro)”.

    Há também quem diga que o Lolicon e o Shotacon para certos casos serve como modo de suprir pedófilos para ele se manter apenas na “fantasia” e no “material”, mas eu não acredito nisto. Claro que ter estou falando apenas do caso dos animes lolicon, shotacon e
    Toddlercon “hardscore”, eu acredito que moe e a questão das lolitas seja uma coisa, mas uma história visivelmente sobre um adulto que estupra uma criança é algo bem diferente. Não é fetiche, é um problema serio.

    Eu concordo com você sobre liberdade de expressão sem duvidas, mas minha opinião diverge em certos pontos, mesmo assim, parabéns pelo texto. Claro que a regra “Se há quem goste, haverá algum para produzir e vender para o público alvo”, mas, não podemos simplesmente dizer que qualquer material do gênero deva ser publicado mesmo em um país como o Japão. Talvez meu comentário tenha saído do foco, mas era justamente esta reflexão que eu queria deixar aqui.

    1. Valeu pelo comentário! Tou voltando um pouco pro XIL, tô muito tempo no Genkidama! Heheh!

      Eu entendo que é até doloroso fazer alguns tipos de concessões, ainda mais quando se trata de assuntos graves, como estupro e pedofilia. Mas da mesma forma que não podemos julgar as pessoas e dar a sentença como justiceiros, não podemos também julgar alguém que simplesmente viu ou leu algo. Devemos culpar os criminosos.

      Sei que a linha que separa a apologia ao crime de obras simplesmente fetichistas é muito tênue, mas quando ela deixa de existir, outras linhas também são ultrapassadas antes mesmo de percebermos.

      1. Boa observação, mas é justamente essa linha tênue que me intriga, gosto de refletir sobre a mesma, as vezes. Sim, por isso postei aqui, é errado da minha parte dizer que x ou y é isto ou aquilo, mas as vezes não posso evitar, é de natureza humana…rsrs
        Eu já sabia pelo texto e pelos comentários que o verdadeiro assunto do texto não era focado na questão dos animes, mas na divulgação e censura de outras mídias, eu só queria, digamos, deixar um diferencial, afinal, é uma discussão aberta! XD

  4. Bom, eu entrei nesta página esperando sua opinião e argumentos em oposição ao moe e ao ecchi.

    E me deparo com um desabafo à respeito de liberdade de expressão. O texto está bem claro, redigido, convincente, só que exclamei: WTF? depois de lê-lo.
    Realmente não entendi o real propósito.

    Quanto ao caso da repórter do SBT não tive oportunidade de comentar com ninguém, já que você citou-a ao longo do texto, colocarei minha opinião:

    Aquela seção em que ela demonstrava sua opinião, era uma das melhores partes e que me fazia assistir aquele jornalismo, que já era bom por não ser unidirecionado e manipulado como é o da maior emissora deste país (não vejo necessidade em citar seu nome).
    Claro que devo entender que aquela era a opinião da jornalista, quanto ao caso do menor, mas o que me chocou naquele momento, foi que o pensamento dela não era diferente de um pensamento bárbaro que é compartilhado pela grande maioria da população. Compartilhado assim, mas de forma secreta, pois poucos tem coragem de admitir frente ao seu senso de moralidade, que são fanáticos por uma adoção de “Lei de Talião”.

    Ora, ela tem sua opinião, assim como todos o têm. Porém, ali, em sua profissão, ela não deve interferir com sua pessoalidade. Ela não deve misturar o que sente com o que trabalha. Ela é uma comunicadora de uma entidade séria que se espera que, apesar de ser uma entidade privada, aja, no minimo, em conformidade com aquilo que se extrai de nossa Constituição.

    Nossa Constituição não tolera tal atitude. Se ela desejava que assim o fosse, tudo bem, mas ela poderia ter comentado isto em casa, ou até nas ruas segurando cartazes e placas, não na função em que ela desempenhava.

    Não sei se fiz-me claro, ou se fugi demais ao assunto, mas é isto.

    1. Arthur,
      em editoriais, jornalistas são pagos para terem voz. Ela foi contratada para ter opinião. Então, ela exercia sua função muito bem. Em um mundo onde as pessoas acham a humildade uma virtude mais importante do que a sinceridade, ter voz e personalidade é pecado. Enquanto nos nivelamos em médias, matamos nossas diferenças em prol desse ambiente neutro e estéril do debate. Minha posição no texto é que as diferenças devem ser mantidas, debatidas e respeitadas. Um mundo de unanimidades é um mundo burro.

    2. “Nossa Constituição não tolera tal atitude.”

      Cara, tu leu a besteira que escreveu? Me aponte na Constituição aonde ela delitou. É exatamente o contrário, a Constituição nos dá o direito à liberdade de expressão e foi justamente isso o que ela fez. Não assisto televisão mas aos poucos vídeos dela que eu vi ela não fez apologia a crime nenhum, nem disse que os criminosos estavam “certos”.

      Enquanto isso eu vejo jornalistas defendendo em sites, jornais e revistas os criminosos do mensalão dizendo que “eles não fizeram nada ilegal”. Mas eles tem todo uma massa de zumbis que trabalham para eles então esse tipo de opinião não faz barulho.

      1. Devo ter me expressado mal, não o fiz de forma clara e por isso, peço desculpas.

        Em momento algum disse que a Constituição não tolera a liberdade de expressão. Disse que a Constituição não permite vingança privada, marco característico do período de terror. Atualmente vivemos em um “período humanista”

        Vou até citar a frase utilizada por ela, pra que haja melhor compreensão (até para aqueles que não viram o vídeo):

        “A atitude dos vingadores, é até compreensível.”

        A legítima defesa, é auto-explicativa. Porém, Veja só, ela aparentemente defende que deveria ser legítimo o uso de vingança pessoal.
        Eu entendo que dá indignação o descaso do Estado, a impunidade, a violência em níveis absurdos. Concordo plenamente.
        Mas o que você acha que soluciona o problema? Mais violência? Acho que não…

        Em termos bem coloquiais: Suponhamos que um sujeito perdeu um ente querido, assassinado por X.

        Por mais que você sinta angústia, raiva, você irá matar X por causa disso? Você pode lutar legalmente pra vê-lo punido, isto a lei garante. “A ATITUDE QUE A CONSTITUIÇÃO NÃO TOLERA” é que você mesmo mate o sujeito por satisfação pessoal.

        Interessante é que ela ainda critica os defensores dos direitos humanos, mas, por mais que as pessoas achem a ideia dos D.H ineficaz, sem eles, não haveria um pingo de regularização quanto à questões morais, voltaríamos à barbárie.

        Quero até pedir desculpas e ratificar que realmente me exaltei neste tema.

        Aquela parte em que coloco o profissionalismo e a pessoalidade, também ficou dúbia, já que é óbvio que se necessita um juízo para uma opinião. Mas irei mantê-la no post original pra demonstrar até para mim mesmo, meu próprio erro.

        Realmente era a opinião dela, tudo bem. Só que além de não concordar (mas devo ter o devido respeito quanto à opinião alheia [este por sinal é o “x da questão” em seu texto] , acreditava que aquela não era a situação para que ela expusesse tal opinião, uma vez que tem(mesmo que mínima) relação com a estrutura estatal.
        Errônea e precipitadamente acabei levando também para o lado pessoal, mas afinal, esta também não seria minha própria opinião?

        1. Mas vê bem o vídeo, Arthur. A frase que você destacou, em contexto, só diz que ela entende a indignação que resultou, ela não diz para continuarem ou pararem de fazer o que fazem. Se ela realmente tivesse feito o que você acha, ela seria processada e com razão, incitação ao crime. Mas isso não existiu. E então, pra haver a catarse, apelaram. Não vai pela justiça, arranjam uma porta dos fundos. É isso que eu acho desprezível, porque é exatamente o que os justiceiros fazem, só que sem a justificativa da indignação e impotência.

  5. Muito bom esse seu texto cara, Um dia talvez chegaremos a um mundo onde
    cada um respeite a opnião do outro, pode demorar mais algumas décadas,
    séculos ou milênios pela frente para todos entenderem a mensagem óbvia e
    racional que Deus passou para nós(Nunca li a Biblia, mas deve ser
    essa), a natureza sempre encontra o jeito mais facil de existir que é
    compartilhando, ou seja mantendo um equilibrio, por exemplo um atomo que
    compartilha suas cargas. É algo tão óbvio, mas é da natureza do ser
    humano querer ser algo grande, escondendo suas fraquezas atrás de poder,
    mas é assim que é, errando que se aprende. A solução esta dada agora é
    só fazer o certo, Nada de branco(nem PT) nas eleições galera.

    1. Meditando sobre isso, eu imaginei que o dia em que nós aprendermos a respeitar diferenças, nós inclusive deixaremos de comer carne, pois o próximo passo após a tolerância entre humanos é a tolerância entre as diversas formas de vida.

      Mas visto por esse ponto, é bem claro o porquê de resistirmos à sermos mais tolerantes.

      1. Não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra. Não é porque eu “como animais” que vou deixar de respeitá-los.
        [sem contar que é muito difícil seguir uma dieta vegetariana 100% saudável, já que nosso corpo “não foi feito” para comer só vegetais]

        1. Sim, mas um pensamento leva ao outro. Na verdade, é como o debate filosófico de ficção científica sobre robôs com consciência artificial. Até que ponto eles são ferramentas úteis ou seres que exploramos de forma desumana? Então, em um mundo de completa compreensão entre os seres humanos, em minha ideia de merda, iriam se entusiasmar com essa virtude e passar a pensar mais profundamente no papel de cada vida para o mundo. Talvez isso seja levado ao extremo de criar formas alternativas de se conseguir proteína animal de qualidade, talvez desencadeie apenas uma consciência ecológica maior. Mas o processo de se ter empatia com vidas totalmente desligadas da sua inevitavelmente levaria a pensar em um equilíbrio maior com a vida animal.

          1. Me perdoe, mas ainda acho esse raciocínio meio “longe demais”. Mas se para alguns isso é tão importante, talvez num futuro próximo isso vire realidade, por causa da carne de laboratório q vc citou [esqueci desse troço].

            Quanto ao lance dos robôs, tipo, tenho um certo conhecimento em programação e até onde sei, é praticamente impossível criar um ser com consciência porque a forma de um computador “pensar” é diferente da nossa. Ele pode até ser programado pra aprender coisas sozinho por exemplo, mas há um limite, ele não poderia ter emoções por exemplo, por que, mesmo se ele possa ter pensamento de opinião, as emoções são “feitas” por nosso cérebro de uma outra maneira por exemplo. É por isso que a única obra que muitos ainda comentam é exterminador do futuro, porque apesar de ser exagerado, é algo no limite do possível que nossos modelos teóricos atuais [parece q o computador quântico poderia mudar o jogo, mas os atuais ainda não conseguem fazer muita coisa além de cálculos].

    2. Só por dizer, eu leio a Bíblia e pra mim, a mensagem passada é, em resumo, algo como “seja uma pessoa melhor”. [até aí nada de diferente de outras religiões mas para mim, o que muda é que na Bíblia há “técnicas mais eficazes” para ser uma pessoa melhor. Claro, é minha opinião, continuo respeitando as outras crenças]

  6. Aplaudindo de pé!

    Mas sinceramente, acho que já seria utópico demais querer o Brasil no mesmo nível do Japão, e tenho plena consciência de que lá não é nenhuma utopia.

    Pra mim, o ser humano ainda tem que evoluir muito pra conseguir viver em uma sociedade que seja realmente, e tão somente, racional…

    1. Ainda que as metas pareçam distantes e inalcançáveis, se é o que parece ser o mais correto, não lutar por esse ideal acaba sendo quase imoral. Um dedinho de compreensão que eu dedique a alguém pode ser irrelevante, mas não é por isso que evitarei de dar. Vamos todos evoluir, assim como o inseto que criou asas, devagar, pra virar uma mosca, mais ainda assim vai ser algo incrível.

      1. Sim sim, com certeza.

        “Um dedinho de compreensão”, exatamente sobre o que se trata seu texto. Como ser humano não podemos fazer muita coisa.

        A sociedade pode ser boçal. Mas só de continuar pensando, de não se deixar alienar, já ajudamos ela a mudar pelo menos um pouquinho.

        Independente de concordar ou não com o que você está falando, expressar seus pensamente assim instiga as outras pessoas a formarem sua própria opinião. E eu acho isso incrível.

        Posso até parecer pessimista, mas realmente acredito que estamos melhor agora do que a dez anos atras, e melhor ainda daqui a mais dez anos.

  7. Tem gente que JURA que o atual governo é ditatorial e estamos perto de um golpe comunista, ai meu kamisama, onde é que o governo cala as emissoras? Ainda mais o SBT? A Globo toda poderosa vive minando o governo, os principais veículos de comunicação são da oposição, e ainda assim tem quem caia na balela de que a Veja, a Globo são tudo miguxinhas da Dilminha. Se o governo nunca calou a Globo, porque calaria o SBT? Se fala tanto em calar quem representa o povo, mas não esquecem que a reação contra a jornalista veio das pessoas. O que derrubou ela foi a reação popular, afinal tv é concessão pública, não a casa da mão Joana aonde eu ou fazer o que eu quiser e quem não gostar não assiste.

    É isso que as pessoas não entendem sobre democracia. Acham que liberdade de expressão é fazer o que quiser, mas a nossa liberdade termina onde começa a dos outros.

    Tem uma penca de sites por aí que fazem apologia ao estupro, ao racismo, e pedofilia, eu não vou ler, mas não deveria denunciar? E se essas merdas forem pra tv (que sabem muuito bem se regulamentar sqn) basta não assistir?

    Eu nunca vou lutar pelo direito dessas coisas existirem, porque elas por si só ferem os direitos e a dignidade de outros.

    Só pra terminar, porque quando a imprensa critica, ela está omitindo uma opinião, mas quando ela é criticada já fica chorando e falando “CENSURA”. Assim como veículos de comunicação desempenham um papel social e através dele mudanças podem ser feitas, porque não o contrário?
    Porque podem fazer matérias denunciando, mas não podemos denunciar as loucuras que a Sherazade fala? Se ela falasse algo racista, não deveria ser repreendida? Ou incitar a tortura (entre outras coisas) não é tao grave assim?

    1. Juliana, onde é que os direitos de outras pessoas foram violados? E quando é que teve campanha popular contra a Sheherazade? Eu só vi reclamarem na internet, mas até onde eu sei, a popularidade dela era alta exatamente porque o povo, que consome esse tipo de telejornal, se identificava.
      E, como eu frisei no texto: se foi cometido um crime, ela deve ser acusada, julgada e, se culpada, pagar por ele. Isso é justiça. Se ela realmente cometeu apologia ao crime em rede nacional, ela será processada por promotores ou até mesmo por ação civil. Você mesma pode entrar com essa ação.

      Você pode denunciar os crimes cometidos, mas se o que você acredita ser um crime só o é dentro de seu conceito pessoal, ou você deve lutar para a lei mudar ou deve rever seus conceitos. Justiça não é julgar à beira do sofá.

      No fim, lembro mais uma vez. É na escuridão que entendemos o sentido da luz.

  8. O dinheiro é o guia moral das grandes empresas.

    A Sherazade recebeu corda enquanto muito nego que compartilhava da visão dela adorava e uma minoria discordava. Só que agora a maré virou e a maioria a detesta… então cortam ela por razões econômicas.

    Da mesma forma um mangá sobre um tema polêmico está fazendo sucesso, mas se começar a incomodar MUITO ele será limado ou modificado conforme a vontade dos ‘fãs’. O mesmo pode-se dizer dos neonazistas franceses (olha a contradição!) que sempre foram perseguidos e criminalizados… mas agora, com os tempos difíceis na França, estão voltando a aparecer na midia e sendo bem acolhidos por um pequeno grupo.

    Isso acontece em qualquer lugar do mundo, em qualquer parte. A diferença é a intensidade: no Japão existem menos pessoas com tempo hábil para perder tempo com estas besteiras, no Brasil tem mais. Países em crise têm sempre mais pessoas com tempo de se incomodar com coisas estúpidas.

    A ‘direita’ sempre avança em tempos de crise e, quando fica insustentável, é a hora da ‘esquerda’ vir. O Brasil de hoje está ‘no meio’, até esta inflação represada começar a comer o nosso couro daqui a pouco…

    1. Ah, esqueci de citar: o Brasil JAMAIS será um país deste tipo, com um ideal Voltariano, porque não faz parte da ‘criação’ dele, digamos. Somos um país de pessoas com fogo nas veias e sangue nos olhos… repare! Quanto mais ‘amigável, afetuoso e apaixonado’ é um povo, MENOS ele será imparcial… sobretudo na política. (alias o Japão também teve uma época assim no período das guerras)

      Suecos, dinamarqueses, islandeses e outros escandinavos são constantemente elogiados como sendo os melhores políticos do mundo porque lá ideologias não se sustentam se não tiverem um plano MUITO sólido por detrás das palavras bonitas. Casos de ‘extrema paixão’ como daquele noruegues de extrema-direita que assassinou todo mundo são tão raros quanto o cometa Harley… ou mais! Na Suécia o índice de corrupção é próximo do zero… mas lá as pessoas não te olham na cara.

      Países ‘apaixonados’ como Brasil, Argentina, Venezuela e Estados Unidos sempre serão cegados por ideologias que nos fazem amá-las e, ao mesmo tempo, detestar tudo o que é diferente delas.

      1. Como eu disse em outro comentário, se o ideal é utópico ou inimaginável, mas ainda assim, é o correto, não seguir ele é imoral, poque sabemos o que é o certo e escolhemos o errado por ser mais conveniente, mais fácil ou mais prático. Se o mundo estiver errado e nós tivermos consciência disso, o certo não é dar de ombros, e sim começar a mudar, nem que seja apenas as suas próprias ações.

        Pessoas mudam e se elas mudam, mudam países, mudam ideologias, muda-se até o destino. Se acontecesse no Brasil, não seria a primeira vez para a humanidade.

    2. Não concordo, até onde eu sei, a audiência dela continuou alta até o dia em que ela parou de fazer editoriais. O que aconteceu foi uma comoção enorme em redes sociais, que ninguém sério usa como indicador de opinião pública, ainda mais em um ambiente tão amplo como é o do público da televisão popular.

      Exatamente por isso que agora, parece que ela terá um programa só dela pra opinar abertamente.

      E no Japão, existem muito mais pessoas que VIVEM para criticar os outros, o PTA de lá é fortíssimo. Mas a diferença é que em um país organizado, se acusa, se julga e se condena, não se pula estágios, condenando antes de se dar um julgamento justo. É o erro de se ter opinião formada para tudo, colocamos bitolas para enxergar somente a frente. E damos nosso parecer antes de saber dos detalhes.

  9. Não foi censura estatal.O Estado não chegou lá no SBT, e baixou um decreto governamental. Ele foi lá como um investidor (porque, afinal, o Estado paga um dinheiro em troca de um serviço do SBT) e disse, “Ela tá me incomodando. Se você não der um sossega leão nela, eu vou tirar o meu investimento”. Foi uma pura decisão de negócios, tal qual o cancelamento de um mangá. Se manter uma série (ou um “profissional” no caso do SBT) significa a perda de dinheiro, o dono da empresa tem todo o direito de limitar as concessões que ele fez àquele profissional. Não foi censura.

  10. Caramba!! Muda o título do POST !! Eu cheguei com esse título aqui quase desligando o cérebro esperando algo sobre moe e ecchi tem isso, aquilo que faz as pessoas se afastarem dele pouco a pouco e que se fosse justificar o porque algum dia esse gênero poderia acabar… dai me deparo com um artigo sobre democracia política e cultural. Esse texto me fez refletir de tantas formas, inclusive pessoal mesmo. Fala a verdade Sakuda, quando você idealizou esse post não estava pensando nos mangás e só os encaixou esses temas no título, introdução e no último paragrafo pra ficar adaptado ao site. Esse foi o primeiro Post que fiz questão de compartilhar no modo público no meu face!

  11. Tudo isso faz parte de uma ordem econômica que geram lucros exorbitantes para as editoras,primeiro a de se elogiar a qualidade do texto,seu domínio sobre o assunto e simplesmente sublime alem da concordância gramatical perfeita,segundo não acho que os Japoneses produzam algo pensando no que o mundo vão achar deles,quando vejo brasileiros criticando algum anime Moe ou ecchi penso na falta de compreensão desse cidadão que o mercado de Animes não e destinado pra nosso publico,ai a frase citada no texto se encaixa perfeitamente ”não quer ler moe, leia outra coisa.” ainda acrescentaria ”se não quiser ver ecchi não veja” não sei muito das leis ou politicas nipônicas mais acredito que um pais extremamente capitalista não cortarias uma fonte de lucro ”porque pagam impostos de cada produto comprado” por puro conservadorismo,acredito que tenha muitas pessoas poderosas e influentes por traz de menininhas com orelhas de gatos falando oni-chan.

  12. Ótimo texto Sakuda ! Na sua opinião,Você acredita que o dia em que as pessoas aprenderem a conviver com as diferenças de opinião,ideologia e estilo de vida ainda está muito distante ?

    1. A pessoa que reclama do Moe provavelmente não se contenta em não ver Moe, não quer que ele exista. Assim como as pessoas que são contra mutilacão feminina não se contentam em não mutilar as mulheres, mas querem lutar contra a mutilacão que outras pessoas fazem a mulheres, por exemplos, em outra cultura. A coisa não eh, nem de perto, tão simples assim. Vc aceita diferenca de opniao que leve a infanticidio, como por exemplo em tribos nativas brasileiras? Ou a homicidio por vendetta?

      1. A diferença está no crime existir ou não. E se a pessoa é a favor de infanticídio mas não comete, ele não é criminoso. Se ele emite uma posição favorável ao estupro mas jamais estuprou, ele ainda pode ser acusado de apologia ao crime, e isso é condenável penalmente.

        Acho que tirando uma média do que todo mundo comentou, o que mais fica claro é que as pessoas tomam a decisão de que eu estou pregando a festa da fruta das opiniões polêmicas, quando a única coisa que eu defendi é o direito de uma pessoa que esteja vivendo sua vida sem molestar a dos outros tem de achar e pensar o que ela quiser, inclusive, sim, quando isso é ultrajante e confronta a moral de outras pessoas.

        Imagine que era repugnante o ato de se defender a igualdade racial há não muitos anos atrás. Imagine que era imoral dizer que o mundo é redondo. Imagine que era proibido acreditar em um deus que não é o dos outros do seu povo. E se hoje não se prende ou queima-se na fogueira os hereges, ainda assim vemos o paredão da opinião pública condenar sem julgar.

        Não, não é um assunto fácil. Mas se for pra ficar só no easy, esse post poderia ser trocado por um dos vários onde eu tenho um monte de joinhas e comentários do tipo “gostei”. Não que eles sejam errados, mas se na minha condição de merda de gerar esse tipo de conversa saudável como estamos tendo todos aqui eu não o fizesse, seria como ter um pão, ter a fome e ver o pão apodrecer.

  13. Sim.

    Antes de qualquer coisa, tudo o que foi dito em seu texto acho ser o mais importante de tudo nessa discussão. Só para deixar claro que o foco que você deu para o assunto é o melhor possível, além de já ter mostrado que o preconceito – que muitas pessoas costumam associar com o conservadorismo no Japão, o que, sem contar ser relativo, é uma besteira, pois lá eles justamente usam o ‘respeito’ para resolver a maioria das intrigas – é muito maior aqui em nossa terra, que limita os tipos de discursos e pontos de vista. Tudo analisando o contexto geral de cada cultura, certamente.

    Posto isso, só quero fazer uma ressalva quanto ao “calar” a repórter. Legalmente, ela não foi silcenciada. A dita-cuja ganha tanto quanto perde com essa história. No pior dos casos, a senhora terá que sair de seu atual emprego e ser contratada por uma emissora que pagará um salário igualmente injusto para ela continuar falando o que sempre disse. A agora apenas âncora deve seguir o papel a ela designado pelo seu “chefe”, uma emissora financeiramente (óbvio) vinculada ao Governo Brasileiro. Dentre tudo isso, a ética por trás das “censuras implícitas” praticadas em todo lugar de nosso País já deveria ser pauta há muito tempo – ainda mais em época de legislações que intervêm na internet, único lugar que, até o momento, servia como mecanismo de liberdade de expressão. Quem aplaude o que foi feito com ela é, sim, ignorante no assunto, porém defendê-la cegamente não é muito melhor.

    Meu maior ponto aqui é que, embora seu artigo tenha ficado genial, muitos que associem tudo o que foi dissertado nele com ideologias podem perder-se. Afinal de contas, nos é sabido que um simples comentário irresponsável em rede nacional pode começar a incentivar pessoas a praticar atos hediondos – e nem falo me embasando em lei atual de “incitação ao crime”. Todo vício na mídia, na política e nas massas cria padrões desonestos. Deixar o moe fluir livremente na sociedade deveria ser comum, porém, como a censura, propriamente dita, não existe no Brasil, os meios usados nos fazem ver o quão ridículas são as instituições com poder – sabe-se lá se elas não vão começar a censurar de verdade quando realmente precisarem, nós já vimos isso ano passado.

    Há tanta coisa errada nessas bandas que já me perdi. Estou mais é soltando no ar as causas e consequências dos problemas básicos que temos, estruturais e sociais. Seu texto fala muito bem sobre o assunto, só gostaria que este comentário pudesse fazer qualquer um perceber o quão precisa sua escrita foi sobre aquilo que nem precisava ser discutido tanto – censura.

    1. Mas é exatamente de forma legal, dentro da lei, que deveriam poder tirar ela do ar. Se ela cometeu um crime, se ela pode ser julgada, incriminada e condenada, então seria o certo. Mas quando passamos por cima das regras e, pior, quando um político tem poder para dar carteirada e obrigar pela forma que seja a não veiculação de algum conteúdo, cria a ruptura da confiança no meio de comunicação, afinal, foi encontrado o limite para sua liberdade de falar, e o governo sabe, e nós sabemos, que o SBT pode ser calado quando fala algo que desagrada o governo.

      Isso é inconstitucional e torna os meios de difusão de informação um ambiente viciado ou possivelmente viciado e por isso, tão difícil de acreditar quanto a televisão norte coreana. E se perdermos a confiança nela como população, perderíamos mais um caminho de conhecimento, algo que já é raro no Brasil.

      Desgosto da opinião da Sheherazade e acho que ela seria intragável em uma conversa de bar, mas ainda assim, em seu papel de jornalista, seu acordo é entre o Silvio Santos e ela. E o velho estava feliz, provavelmente porque ela representa uma boa massa do povo, sim. E mesmo que um grupo grande seja contra (não vi cartazes na frente do SBT e nem nada fora da internet), eles não deveriam poder calar, assim como não deveriam poder calar os direitos dos negros, homossexuais, o direito religioso e até mesmo o discurso político.

      Quando ela calou, não vi uma opinião sendo calada, mas uma arma sendo apontada. Quantas vezes essa mesma arma vai ser levantada agora, nos bastidores, pra calar a verdade? Quantas vezes ela já não foi usada sem sabermos? Sem confiança, como vamos poder nos informar como povo e ter opiniões e discutir os assuntos, exercendo a tolerância?

      E se você não quer assistir, mude de canal. Não abra os vídeos no Youtube. Coloque na lista de filtro em suas redes sociais. Afinal, nesse caso, ninguém te obriga a fazer o contrário.

      1. Ela ser silenciada é decisão do SBT, e apenas dele. Se o Governo tem influência, é outra história. A emissora tem sua própria política, e a Sheherazade não foi calada para sempre. A conveniência da emissora com o Governo é uma coisa; ela demitir ou limitar o papel de um funcionário em prol de sua imagem é outra. O Governo “censurar” a Sheherazade não é um fato direto que ocorreu, pois, caso ela deseje continuar falando o que quer, pode ir muito bem trabalhar em outro lugar, em um jornal, em outro canal, na internet… Eles só disseram “se você quer continuar aqui, fale o que é bom para nós”.

        Agora, outro assunto, que parece estarmos misturando, é a própria voz das pessoas na TV aberta e outras mídias tradicionais. Apesar de estar obviamente relacionado indiretamente com o que aconteceu com a Sheherazade, esse é aquele problema do vício que estamos falando. Não é constitucional, e sim uma manipulação dos eventos. O pior de tudo é que nem podemos prever exatamente de onde essa manipulação está vindo – vincular tudo ao governo como se fosse uma instituição única, sem divisões é bem complicado. Do jeito que as coisas parecem andar, a liberdade de expressão é ‘total’ na internet. Colocar o discurso que você bem entende na Televisão nunca foi uma realidade no Brasil, ao menos desde que conheço-me por gente. Quando essa liberdade começar a ser atingida negativamente fora da mídia tradicional, então teremos um verdadeiro problema – por isso mencionei subjetivamente o Marco Civil. Por ora, o simples fato de haver tanta comoção por uma repórter não ter poder sobre o Sílvio Santos – e este, por sua vez, não ter sobre o Estado – já mostra que a população, no geral (sempre haverá os que defenderão algum lado sem embasar-se), pelo menos está consciente de que a censura é um mal terrível.

        Que as coisas deveriam ser diferentes, ao meu ver, sim, concordo com “trocarmos de canal” caso nos incomodemos. Contudo, se o canal prefere modificar-se para satisfazer uma parcela das pessoas, o único jeito de mudar alguma coisa é mexendo na cultura em si do País.

      2. Até onde eu vi, o SBT defendia a Sheherazade até ameaçarem cortar a mamadeira estatal. Ela foi demitida na Paraíba, se não me engano, exatamente por não se adequar a linha do jornalismo deles, mas o SBT a trouxe exatamente para manter esse papel. Portanto, acho muito estranho eles “adequarem” a linha editorial exatamente depois da ameaça.

        Uma coisa leva a outra, e o Marco Civil é o resultado, quando escolhemos abrir mão da privacidade em troca de o governo fazer o que deveria fazer sem marco nenhum, que é exigir que as empresas de internet e qualquer outras empresas atuem de forma responsável.

  14. Sakuda,você acha que,com o tempo,as pessoas vão aprender a respeitar e conviver com a opinião das outras pessoas e com diferentes visões de mundo mostrados através das mídias (mesmo que controvérsias aos olhos do senso comum ou do senso de um grupo social ) que podem acabar vir de encontro com suas as opiniões e visões de mundo ? Será que isso é esperar muito da sociedade,de um modo geral ?

  15. Só discordo da parte que fala que a remoção da jornalista foi arbitrária e antidemocrática. A mesma pessoa ainda possui meios e capacidade de se expressar perante a sociedade. A única coisa que lhe foi tirada foi um dos meios, por sua opinião não agradar à direção desse meio como uma resposta à manifestação de uma parcela expressiva da sociedade. Todos tem o direito de expressar o quiserem, mas ninguém tem o dever de escutar (nem o direito de calar, veja bem.)
    No mais, bom texto. Ótimo ver o XIL de volta. Abraço.

    1. Paulo, o grande problema é um veículo de jornalismo poder ser controlado tão facilmente pelo governo. Pra começo de conversa, pra que o governo precisa de propaganda? E por que é tão fácil bloquear esse dinheiro e tão difícil aprovar uma PEC que libera medicamentos de impostos?

      O governo precisa de distanciar dos veículos de comunicação para que o jornalismo seja feito. Esse momento foi a prova de que isso não existe, e o governo pode sim, ameaçar criminosamente as emissoras de TV, o que mina completamente a confiança de que eles vão falar dos erros do governo sem medo.

      Continuo no outro comentário, pra não ficar grande só aqui….

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