Mangá Grátis – Opção 5 – Tonari no Young Jump

Yo!

Depois de um bom tempo, volto com essa seção. O Mangá Grátis, que mostra boas opções de mangás que são distribuídos na internet, de graça e de forma legalizada, onde você contribui com os autores e ainda se diverte! Desta vez, com o primeiro projeto grande desse tipo com o selo Jump de qualidade.

O projeto de mangás originalmente feitos para internet da Shueisha, editora da Shonen Jump, aquela, é chamado internamente de “a irmã caçula”, a antologia mais recente da linha “Jump”. O nome Tonari no Young Jump significa O Vizinho Young Jump (a revista seinen da editora recebe o Young), a Jump que mora ali do lado (Passa um dólar aí!). A intenção deles é abrir espaço para artistas que ainda não estão publicando nas páginas das revistas. A própria descrição diz “mangás com qualidade profissional, mas com as possibilidades do amador”, que se refere à dar espaço para ideias que jamais seriam aceitas em revistas de linha. Todas as histórias realmente são inusitadas e passam o gosto de projetos pessoais que costumam permear os blogs de artistas. Mas não se engane. Existe um cuidado profissional com a qualidade final, com detalhes da produção. Você não vê nada “com potencial”, mas sim materiais semelhantes ao que a Jump costuma soltar no mundo, feito por artistas com algum renome já.

E não tem forma melhor de falar disso do que comentando uma por uma, certo?

-Nekogurui Minako-san

de Aoki Shin.

O autor saiu da @Bunch, publica atualmente na Young Gangan e trouxe um mangá de amor aos gatos para o selo da Jump. Minako é apaixonada por seus gatos. Mais do que isso, ela é viciada, tarada por eles. Ao ponto de imaginar os gatinhos como personagens moe e babar, literalmente, por cada coisinha engraçadinha que eles fazem. Sem o menor pudor, a história chega a ser constrangedora às vezes, nojenta até. Mas quem já teve ou tem algum gato, vai se identificar com várias situações. A arte é simpática e bem trabalhada. Algumas gags recorrentes são chocantes no começo, mas com o tempo, ficam até cansativas. É para compartilhar com os outros viciados em gatinhos, pois é difícil quem não é tão fã assim se sentir à vontade.

 

-Funingyo

de G3 Ida

Uma 4koma (tirinha) sobre uma sereia que encontra um garoto pela primeira vez. Só que ela já fazia alguma ideia de como seriam os garotos humanos… porque ela havia lido um MANGÁ BL! Sim, a visão do mundo dos humanos que ela tem é de mangás Boys Love, aquele onde garotos bonitinhos se pegam. O nome é em referência às Fujoshis, garotas que ficam imaginando um mundo onde o Boys Love é regra. O pouco que li parece bater sempre na tecla do equívoco. A sereia vive imaginando clichês de BL em tudo que vê e o garoto a vê como um projeto de ciências e/ou uma estrangeira, com uma cultura bem diferente. Com essas duas bases, eles vão cometendo gafes dos dois lados. A arte é bonitinha, no máximo, nenhum primor, mas serve bem ao “propósito”, dando fan-services tanto para as fujoshis quanto para os fãs de moe. Difícil de enquadrar, mas eu diria que é um 4koma moe sobre BL.

 

-Okusama Gutentag

de Carolin Eckhardt

A autora é alemã, viveu um ano no Japão durante o colegial e voltou depois, decidida a realizar seu sonho. E conseguiu. Ela publica seu mangá, com selo Jump, uma coisa que muita gente no mundo almeja. A história é uma comédia romântica açucarada sobre o relacionamento entre um japonês de clichés e uma alemã, que para impedir o inevitável retorno da menina para seu país, se casam sem pensar muito bem e passam a conviver com o choque cultural. É bem feitinho, mas a história é tão corrida que você não consegue acompanhar em uma leitura, entender o por quê de tudo. Não por menos, está em último entres as séries. Mas ainda assim, bato palmas para uma menina que realizou seu desejo e tem uma história sua na vitrine da Shueisha.

 

-Makai no Ossan

de ONE

O prolífero autor de web comics está em todos os principais projetos que estão saindo. ONE está em dois aqui na TYJ (abreviei). O primeiro é esse, em que ele trabalha sozinho. Uma gag mangá sobre um tiozinho demônio, vivendo sua vida mundana no mundo dos monstros. Situações cotidianas extrapoladas pelo fato de todo mundo ser levemente diferente. Não é tão brilhante quanto One Punch-man ou Mob Psycho 100, que ele publica na Ura Sunday. Mas, ei, é o cara que publica na JUMP e na SUNDAY ao mesmo tempo. Mas eu pulei.

 

-One Punch-Man

de ONE, arte de Yusuke Murata

A primeira reação que alguém que conhece os mangás tem com esse mangá é “UOU”. O que você espera de uma história completamente bizarra de super herói, desenhada por um dos maiores talentos saídos da Shonen Jump nos últimos anos, em uma webcomic em conjunto com um autor que há um ano, não era ninguém? E as possibilidades que vem à cabeça são enormes. Mas One Punch-Man extrapola tudo e vai além. Tudo que você espera acontecer é traído, a começar pelo herói, um moleque que resolve qualquer luta com um único soco. O anti-clímax da situação dá a volta e fica muito bom. Você não sabe o que esperar. E é difícil classificar este mangá. Talvez seja um novo sabor para os mangás de luta, ou uma gag mangá, devida às suas origens. Mas o que fica claro é que One Punch-Man não é apenas o carro chefe da TYJ, mas seu motivo de ser.

One Punch-Man nasceu no site de ONE (ainda não tive a confirmação, mas o nome que ele assina deve ser por causa do título desta história) como uma história nojenta de tão mal desenhada. Escrotíssima! Mas muito legal. Ele fez 87 capítulos e seu nome com OPM, saindo do anonimato e se tornando “o carisma das webcomics”, como tanto a Sunday quanto a Jump o consideram. Seria muito desperdício deixar essa história tão legal dormindo no site, como “a obra antiga de ONE, que é feia demais pra ser republicada”. E foi ai que chamaram um dos desenhistas mais respeitados na casa. Murata desenhou Eye Shield 21, o mangá de futebol americano da Shonen Jump que elevou a popularidade do esporte no país. Ele ainda foi o substituto de Akira Toriyama no Manga Hetappi (publicado aqui como Mangaká, de Akira Toriyama, pela Conrad), quando uma versão mais recente foi feita. É dele também os dois posteres comemorativos com vários personagens da história da Shonen Jump. Seria como um compositor novato ter sua música interpretada pelo Strokes.

A ideia por trás de One Punch-Man é incerta pra quem foi criado longe do Japão, mas o nome original já denuncia para a maioria dos japoneses. Wanpan-Man é uma paródia de Anpan-Man, um personagem infantil de muito apelo no Japão, que tem uma cabeça feita de anpan (um famoso pão doce, com “an”, doce de feijão) e luta contra o Baikin-Man (homem bactéria), usando seu golpe especial, o AnPunch, um soco que resolve quase tudo. O desenho é feito para crianças de até uns cinco anos, por isso é bem simples, não existem grandes problemas existenciais ou lutas elaboradas. E essa simplicidade é transportada para o terreno dos mangás de luta seinen em One Punch-Man. E é isso que é genial!

One Punch-Man é a realização de uma coisa que eu falo pra muita gente. Se você tem uma boa história mas não sabe desenhar ou não é muito bom nisso, faça ela ainda assim. No final das contas, uma boa história sempre se sobressai.

 

Existem sempre boas opções de leitura na internet e projetos novos, explorando as possibilidades da webcomic. Já está na hora de perceber esse valor.