Mangá Grátis – Opção 3 – Mangá Made in Brasil! e uma mensagem pra você

Yo!

Pro terceiro dia falando sobre opções de leitura de mangá totalmente gratuítos e legalize da rede, tenho que falar das opções em português! Sim, material original, na nossa língua nativa, pra quem quiser ler! Vamos lá?

Pra abrir, quero citar o persistente XDragoon, do Felipe Marcantonio. Eu conheci ele por dois meios: um, o Júnior, da NeoTokyo na época (e meu chefe na NewPOP) que havia publicado algumas histórias de XDragoon na NT e pessoalmente, no AnimeFriends (acho que era 2010), onde ele tinha seu espaço na área de fanzines. Sendo bem sincero, não é meu tipo de história, e eu li pouco, mas sempre ouço falar dele, e sua postura profissional e pra frente me fazem sempre querer dar uma força. Felipe ainda esteve envolvido naquele projeto de animação de Holy Avengers, lembra?

Outro que não pode fugir é Ledd, de JM Trevisan e Lobo Borges. Conheci o projeto lá no começo, na época em que eu me metia em uma furada. Admito que via o Lobo como um desenhista regular nas primeiras páginas que vi, mas não bastou muitas páginas pra ele mudar no meu conceito. Com um traço firme e detalhista, o Lobo se sai bem fazendo praticamente tudo da história e é um exemplo de como a frequência e dedicação criam um traço perfeito. A história do Trevisan também acompanha e, depois de um primeiro arco bem movimentado, ele tem trabalhado no desenvolvimento dos personagens e isso tá ficando muito bom! O projeto de Ledd é bancado pela Editora Jambô que, corajosamente, paga artista e roteirista todo mês e lança o encadernado quando a quantidade de páginas chega. Em breve, sai o segundo. Junte uns trocos e compre se gostar, a história é a mesma, com páginas coloridas inéditas abrindo, mas assim você pode guardar ela na prateleira e leva extras de produção e de quebra, faz dois autores mais felizes (mesmo que não ricos).

Combo Rangers, de Fábio Yabu. Na verdade, eu gostaria de poder ter um link com as histórias em Flash, mesmo as primeiras, tosquíssimas. Mas ainda assim, vale a pena ver essas páginas que ele postou bem depois que ele parou com a série. Meu elo com os CR foi muitos anos atrás, quando eu descobri o site do Yabu em algum fórum ou revista (internet da época era osso!) e lia, religiosamente, todo dia de capítulo novo. Pra terem uma ideia, ele foi o primeiro fenômeno da webcomic no Brasil (se pá, no mundo) e tinha milhares de acessos diários! Ele derrubava servidor com web comic, na era da internet discada! Fiz um fanfic de Combo Rangers nessa época (com uns dezoito anos) e tive até a oportunidade de trocar uns e-mails com o Yabu por causa disso. Hoje, ele nem toca no assunto, não fala em Combo Rangers nem nada, mas se ele voltasse, eu acho que acompanharia. Dá pra achar download de todas as séries em Flash por ai, não-oficialmente, por isso não linkarei, mas quem se interessar, busque que vale a leitura.

Metarukiri, de Jussara Gonzo. Conheci ela por causa da Comunidade do Facebook da Ação, como mais uma porrada de artistas novatos e veteranos. Acho que foi uma das primeiras pessoas a mandar um longo e-mail de crítica à revista depois do lançamento, e como eu cuidava dessa parte de interagir com os leitores, fui o primeiro a ver. Além de quadrinhos, Jussara estreou como escritora, no livro Confraria dos Aventureiros, da Editora Oráculo. Pra falar a verdade, não tinha muito interesse em ver esse material quando vi sua postagem, mas dei uma chance e achei bem interessante. O clima tenso combinou bem com o traço e o robô com estilo steampunk-retrô-ficção ajuda a passar a atmosfera. Acho que falta uma intimidade com o pincel e um certo trabalho de narrativa, acelerar e frear mais o ritmo, mas nada que impeça a sua leitura de começo.

Mushi-san Comics. Funciona como um site de compartilhamento de fanzines. Acho que conheci o Mushi-san muitos anos atrás, com outro site, e nem acompanho (não acompanho nada pra falar a verdade, só tenho lido à trabalho), mas ele se tornou uma referência no meio. Se você fuçar nos arquivos do site, encontra materiais antigos do Rogério Hanata e da Petra Leão, por exemplo. Garimpando, dá pra passar um bom tempo.

Nanquim Digital. Uma das “crias” da Ação. Hoje em dia, uma das poucas coisas que me deixam ter orgulho em ter feito a revista é ver que inspirou muita gente a sair da toca e aparecer. E isso é muito importante. Mais do que mostrar que é bom ou revolucionar alguma coisa, publicar, seja em um fanzine xerocado, seja online ou em bancas, independente ou com editora acreditando, é o mais importante. Produzir com regularidade, como eu falei do Lobo, vai criar artistas mais completos, vai dar experiência, afiar roteiros. Sinceramente, muito do que tem eu nem li, mas alguns materiais, como Pirates! (que já era famoso em seu próprio website e a Ação havia chamado para participar – ele recusou por falta de tempo) e Chaos me deixaram bem animado. Como ponto negativo foi uma certa falta de unidade. Parece um apanhado de histórias, o tamanho e tipo das fontes mudam direto (e usam COMIC SANS!!). Preciso folhear (é feito no Issuu, plataforma que imita revistas de papel) as outras edições, mas você pode fazer isso antes de mim e deixar sua opinião aqui.

Conexão HQ. Pra falar a verdade, eu tinha mais empatia com esse outro projeto saído do grupo de leitores da Ação (porque reconheci uma frase da minha mensagem de despedida na mensagem de criação deles). Havia um potencial grande, alguns artistas realmente de alto nível e eu não sei como está e nem o que pretendem fazer (online? Issuu? Impresso?), mas o preview que eles lançaram é até que animador (nem tudo, mas tem coisa boa, sim). Artistas como o Desenheiro e o Wal Souza têm um nível profissa. Espero que saia algo disso tudo.

(NOTA: Pesquisando para este post, descobri que o Desenheiro, idealizador do Conexão HQ, faleceu. Eu realmente acho uma pena, ele tinha muito talento e eu o cogitava para um trabalho em andamento na NewPOP. Espero que os companheiros dele não deixem o projeto acabar e continuem até poderem dedicar uma edição especial à ele.)

 

Vendo estes links e procurando algo pra ler, você deve se perguntar “putz, que diferença pros japas dos outros posts…” Eu sei, eu sei. Fora Ledd, que é um esquema mais profissa e dedicado, e os Combo Rangers, que já provou o que tinha e o que não tinha que provar, todo o resto é de gente bacana, mas que talvez você não desse um troco na mão pelas histórias. Ainda assim, se você está buscando algo pra ler, eu sugiro que dê uma garimpada. Continue a acompanhar estes projetos, estes autores. Talvez nem todos eles se dediquem. Sendo realista, eu já vi projetos aos montes que hoje, só dois ou três ainda sequer desenham. Mas destes autores, algum vai se destacar. Talvez vários deles. Alguns já estão num nível agradável de leitura e outros até me dão uma espécie de Síndrome de Akaboshi (conhece? No fim do texto eu explico).

Página do Desenheiro

A verdade é que se faz POUCA webcomic no Brasil. Muito menos do que há gente dizendo que “vai revolucionar”, “só falta as editoras acreditarem”, etc… Não sei se há um medo de críticas (ou pior, do descaso) ou se é o preciosismo, aquilo que nos faz esconder nossa história dos invejosos plagiadores, como se fosse o anel de Senhor dos Anéis… Pois são esses Golluns que ficam se escondendo do público, fazendo páginas e páginas para si mesmo, ou em troca de um “Mamãe achou incrível, filho!” e assim, nunca melhoram. O desenho, especialmente o de quadrinhos, é um aprendizado de fases. No começo, desenhar sem parar é o melhor. Mas em certo momento, você precisa mudar a estratégia e tombar um pouco. Ganhar cicatrizes. E isso significa ouvir críticas, aprender com seus erros, ter um foco pros treinos.

Você não precisa fazer uma webcomic, mas você PODE fazer uma quando quiser, hoje em dia é fácil. Ouça as críticas, pondere sobre cada uma e tente melhorar num próximo trabalho. Sempre num próximo. NUNCA volte a um trabalho, tentando apagar os seus passos e fingir que não tropeçou. Isso te prende, não te leva pra frente e não prova nada a ninguém. Faça com o melhor de si mesmo hoje e não se preocupe se amanhã isso parecer vergonhoso. Significa que você evoluiu.

Quando eu pensei em fazer Ganbaru! não foi simplesmente para criar algo, revolucionar ou ficar famoso. A intenção aqui é produzir. Ter uma boa desculpa pra fazer o que eu gosto, sem pensar em vender ou agradar, pelo menos não tanto quanto quando é trabalho e me pagam pra isso. Ainda não é a hora em que eu posso arriscar no mercado. Sou meio burrão, mas tenho uma estratégia de carreira, não estou desesperado pra ter uma estrela na calçada da fama dos quadrinhos.

Se chegar o dia de nós termos a cara de pau dos japoneses, a vontade faminta que eles têm de se expressar, e começarmos a publicar, nos mostrar, independente de estarmos prontos ou não, vai chegar também o dia em que uma editora vai poder fazer sua Ura Sunday com material brasileiro, ou que um site de compartilhamento vai poder ser como o Nico Nico Seiga. Não pode é depender das pessoas. Mande testes, vá a eventos, busque editores, peça dica a autores (e seja educado com eles, claro!) e principalmente, produza. Faça quadrinhos se você quer trabalhar com quadrinhos e não com ilustração. Termine suas histórias e publique, mostre, apareça. Não espere “aquele projeto que vai me alavancar” ou “a chance da minha vida na editora x”. Faça, mostre, faça de novo, faça outro, mas coloque ações nesse personagem da sua vida.

Nós só temos que sair do loop eterno em que estamos do “eu preciso fazer uma obra prima” -> “não estou pronto ainda” ->”as pessoas não entendem meu trabalho” ->”não preciso da sua opinião” -> “na verdade, eu preciso dela, porque quero te calar a boca” -> “eu preciso fazer uma obra prima”. E pra isso, algum destes pontos precisa ser destruído. Você precisa ceder.

Fazendo este post, mais do que nunca eu senti a necessidade de começar a produzir. A gente tem que produzir. Porque tem gente que não pode mais. Tem muita gente que encontra um fim antes do começo e isso é mais triste do que publicar e não virar um sucesso de uma vez, como todo novato espera. Produza, com garra, com fome e com desejo. Seja perseverante. Cresça. E encontre seu lugar neste mundo, seja ele publicando em editoras, editando material dos outros, como assistente, não importa. Realize seu sonho antes que seu tempo na terra acabe. Depois você pode ficar bom, você pode ser o melhor. Antes de mais nada, seja.

 

Amanhã, o último destes posts, falando de outro projeto japa, mas desta vez, um bem ambicioso!

*Akaboshi foi um mangá da Shonen Jump, que durou 3 volumes. Quando saiu na Jump, eu li empolgadão. Pra mim, era o novo Naruto, acho que a última vez que havia sentido aquilo era quando li o oneshot de Katsura Hoshino, Continue, antes de D Grayman. Mas a história foi decepcionando, decepcionando e acabou sendo cancelado. E eu apostava em Medaka Box na época, pra ser cancelado!