5+1 últimas páginas antes do cancelamento

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Yo!

O destino cruel que mangás cancelados recebem, principalmente na Shonen Jump, acaba sendo representado em últimas páginas dolorosas. Bora ver alguns exemplos.

O formato editorial peculiar da Shonen Jump criou uma tradição em finais corridos e soluções praticas mas não criativas. O bom e velho “era tudo um sonho” foi usado algumas vezes. Em outras, sobra o “a aventura começa aqui!!!” como se negasse o próprio fim. Por que isso não acontece em outras revistas? Porque a Shonen Jump é a única que não tem muito controle com o que vai ser cancelado. A Sunday, por exemplo, sempre dá tempo para que o autor termine sua história e os poucos casos em que a história termina às pressas são quando há problemas entre a editora e o autor. Que infelizmente, são mais do que a gente imagina, a Shogakukan tem muito ex-autor a odiando.

Vamos ver aqui 5 exemplos recentes.

1 – Shaman King

O final de Shaman King, um exemplo bem conhecido de cancelamento às pressas, reúne em uma única história de fechamento todas as piores características de uma história cancelada. “Foi tudo um sonho”, “a história ainda não acabou”, “vamos pessoal, amanhã será um longo dia”… Até um easter egg frustrado foi feito! Tudo, menos a última batalha contra Hao. Pior. Na última página, tivemos um tal de “Princess Hao“, que surpreendeu todo mundo. WTF?!

Ah, o easter egg é a tangerina ao lado de “FIM”. Em japonês, mikan. E, trocando as letras, mikan pode significar “incompleto”, palavra que também ronda finais de mangás cancelados.

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2 – Makuhari

O polêmico mangá de Yasuaki Kita (atualmente, fazendo Kenka Shoubai, tão polêmico quanto este), trazia a comédia à um nível abaixo do que se considerava baixo, falando de tudo que não se deve falar. Pra começar, era um mangá de beisebol onde nunca se jogou beisebol. Se concentrava mais em falar mal de editores e autores da própria Shonen Jump. Kita sempre adorou isso.

Em seus momentos finais, Kita discutia com Hiroshi Gamou, autor de Tottemo Luckyman, usando as páginas finais da Shonen Jump, onde fica o ToC e tem declarações curtas dos autores. Kita disse uma vez que “não é preciso saber desenhar para fazer um mangá, não é Gamou?” e foi respondido na semana seguinte com “mangá só precisa de amor, não é Kita?” que culminou na página dupla que fecha Makuhari, com um “Gamou hen Kan” (final da Saga de Gamou). Todos esperavam por uma continuação (impressionante era que Makuhari tinha muitos fãs), mas Kita saiu por não aguentar mais a revista. Suas últimas palavras foram “ESTOU LIVREEEE!!” e partiu para a concorrente, Shonen Magazine, onde fez a famosa página dupla em que conseguia tirar sarro de Tohru Fujisawa, autor de GTO e Yoshihiro Togashi, autor de Hunter x Hunter, em uma única piada, que foi censurada no volume encadernado. Quem ganhou com a saída de Kita foi Yu Gi Oh, que já tinha seu cancelamento programado e voltou, a tempo de ser salvo e virar o sucesso dos card games que nós conhecemos.

A tempo: Hiroshi Gamou é o roteirista de Death Note e Bakuman, Oba Tsugumi. E o primeiro a soltar este segredo foi Yasuaki Kita.

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3 – P2

Esse aqui deve ter doido. P2 – Let’s Play Pingpong foi o primeiro mangá serializado de Tatsuma Ejiri. Ele usava suas memórias de jogador de tênis de mesa para fazer a história, contar as regras e detalhes do jogo. Mas era massacrado por leitores que falavam da incoerência na arte, onde a raquete e a trajetória da bola não batiam, o ângulo da mesa… Leitores podem ser muito cruéis em seu detalhismo. Muito desses erros foram atribuídos ao uso de fotos para pegar poses mais difíceis.

Quando a série completou um ano de publicação, ganhou páginas coloridas e teve votação de personagem mais popular. Até uma entrevista com um jogador famoso foi feita para comemorar. No entanto, logo depois da celebração, veio o cancelamento, perto de um momento em que parecia que começaria um torneio que poderia ficar interessante. A última página mostra um cenário e um balão com “Ready!”, mostrando que algo estaria começando, mas nós nunca iremos ver.

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4 – Seikimatsu Leader Den Takeshi

O final mais comentado provavelmente é este aqui. Takeshi, em sua época, tinha tanta fama na Shonen Jump quanto One Piece e Hunter x Hunter, um anime seu estava engatilhado já, antes de seus dois concorrentes. Seu autor é Mitsutoshi Shimabukuro, que depois voltaria à Jump com Toriko. Mas o que aconteceria para cancelar um grande sucesso como esse?

Shimabukuro foi flagrado saindo de um motel com uma menina de 16 anos que ele conheceu em um site de relacionamento. O caso virou notícia e a Shonen Jump, depois de algumas semanas pensando, decidiu cancelar a história, independente do sucesso. Logo depois, ele foi indiciado novamente, acusado por mais duas garotas de 16 anos. Shimabukuro ficou preso por dois anos. Voltou publicando na Super Jump, revista adulta do selo da Shueisha. Depois, ele ainda terminaria Takeshi na mesma revista e ensaiaria o retorno para a Shonen Jump. Engraçado foi que Toriko estreou de forma tímida para uma série de um autor de sucesso, ainda com medo de atrelar o autor ao passado sombrio.

E Kita, que é amigo de Shimabukuro desde a época em que publicavam junto, hoje homenageia o autor de Toriko em Kenka Shoubai com o personagem Professor Shimada, muitas vezes confundido com Professor Shimabukuro. O personagem é conhecido como o “carrasco das colegiais” e passa dicas ao protagonista da série para transar com suas colegas.

A última página de Takeshi foi essa, um esclarecimento dos editores da Shonen Jump sobre o fim da série. Pior que isso é muito difícil.

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5 – Akaboshi -Ibunsuikoden

A grande decepção. Akaboshi estreou com a cara de ser o novo grande sucesso da Shonen Jump. Veio cheio de espectativas, mas capítulo a capítulo, a coisa ficava mais tensa. Parecia que o autor não sabia muito bem o que fazer e se desesperava a cada resultado de votação da Jump. A história nunca engatilhou e apesar de ter momentos legais e uma arte deslumbrante, durou poucos meses e foi cancelada. O autor, Yoichi Amano, tentou outras vezes, inclusive com uma série na Jump SQ, com outros dois autores fazendo o roteiro. Que acabou sendo cancelado em menos tempo ainda.

Ele voltou para a Shonen Jump recentemente, com um one-shot, ensaiando o retorno com uma nova série. Pessoalmente, espero que ele consiga, gosto muito de Akaboshi, apesar de tudo, e tenho os três volumes.

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Extra!

Quer ver o que é um exemplo de verdade de cancelamento?

Depois de dois grandes sucessos, o autor Masami Kurumada já tinha o respeito do público e dos editores da Shonen Jump. Então, ele decidiu fazer sua obra prima, a história de sua vida! Dizia, na época da estreia, que havia começado a fazer mangá só para contar esta história. Não, não era Cavaleiros do Zodíaco!

Otoko Zaka durou seis meses e foi o grande choque de Kurumada. Planejou a série por dez longos anos, enquanto fazia outras coisas que alavancavam seu nome, como Ring ni Kakero e Fuuma no Kojiro, seus dois primeiros sucessos. Seu plano era de transformar Otoko Zaka em um mangá eterno, como Doraemon, Hi no Tori e Cyborg 009, clássicos considerados os mangás da vida de seus autores.

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Eu só comecei a escalar agora… Esta longa estrada dos homens… MIKAN (incompleto)

Na encadernação, ele pedia desesperado aos leitores “Para Otoko Zaka voltar a ser publicado, eu preciso da ajuda de vocês” e foi ignorado. Posteriormente, uma nova edição de Otoko Zaka foi publicada, por causa do sucesso de Kurumada com Saint Seiya. Nesta nova edição, ele usa as páginas finais para mandar uma mensagem. “Eu sei porque Otoko Zaka não continuou e porque os leitores não me ajudaram a trazê-la de volta. Porque Otoko Zaka não é divertido. (…) mas eu não cheguei a minha resposta definitiva quanto à Otoko Zaka.”

Ele pensa em voltar com isso algum dia!!

Por coincidência, depois disso, seus mangás na Jump sempre terminaram cancelados, inclusive Saint Seiya, independente do sucesso.

Otoko Zaka ainda virou uma espécie de meme pré-internet, todo mundo brincava com a página dupla que fecha a série. Recentemente, o mangá Hayate no Gotoku! fez uma página dupla imitando Otoko Zaka, em uma “homenagem”.

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Em tempo. Depois de Cavaleiros, a Jump publicou Silent Knight Shou, um escorregão duro de engolir. O pior é o final, ainda mais estúpido que o de Otoko Zaka. Dá pra fazer ele aqui, em texto. Isso foi uma página dupla.

NEVER END

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Parece que Kurumada entendeu o que acontece com seus mangás…

 

23 ideias sobre “5+1 últimas páginas antes do cancelamento”

  1. Shaman King foi fodástico, mas não foi tudo um sonho como aparenta ser na matéria, na verdade apenas a ultima saga do continente de mu, os acontecimentos, foram uma espécie de visão antes do grupo do Yoh ter ido, foi uma espécie de premonição

  2. comentando algo q esqueci quando li esse post a primeira vez acho q Double Arts manga do mesmo autor de Nisekoi deveria estar ai tipo esse sim foi uma decpção por que quando estreou foi um grande sucesso tendo seu primeiro volume muito bem vendido mas depois disso caiu rapidamente parece q o autor quis dar uma enrolada e ninguem ficou com saco pra esperar e ai manga foi cancelado

  3. Uma vez li em algum lugar que quando Yu Gi Oh estava preste a ser cancelado Yasuaki Kita falou para o autor de YGO para ler o mangá Kaiji. Passou-se um tempo e Yasuaki Kita voltou e declarou que havia mandado o autor de Yu Gi Oh ler Kaiji para se inspirar não para plágiar o mangá, se referindo ao arco de Kaiji no navio, que YGO copiou.

  4. Nunca tinha ouvido falar que o mangá de shaman king tinha sido cancelado,O de CDZ tambem nunca tinha ouvido falar.Oque eu acho que foi apresado para acabar e teve um final muito ruim foi o katekyo hitman reborn,para min aquilo foi um cancelamento.O mangá foi muito bom mais o final foi um lixo,muita coisa podia acontece ainda.

  5. Excelente texto. Eu até hoje não entendo o cancelamento de Shaman King, acho a arte do Takei sensacional e a história era mt interessante, apesar de ter caído no redemoinho do “torneio de luta”. Mas confesso que a informação que mais me chamou atenção foi essa “revelação” da verdadeira identidade do Tsugumi Ohba. Há anos eu estava curioso pra saber, e querer entender o porque dele usar um pseudônimo, e apesar de parecer q esse rumor já circula na rede há mt tempo, eu nunca tinha me deparado com ele. E se o cara da polêmica soltou essa eu não duvido que seja verdade.

  6. Adorei a materia Fábio…. se puder faça mais dessas curiosidades assim que dão vontade de ler.
    Qto a CDZ não acho que os editores cancelariam como se cancela as séries atuais (dão cinco capítulos e fim), da mesma forma que acho que eles não cancelariam Bleach, ainda mais que achar battle shonens hj ta bem dificil.

  7. No caso de Cavaleiros, o último Capítulo foi publicado na primeira edição da V-Jump em 1991.

    E Kurumada lamenta mesmo o cancelamento do Otoko Zaka, lembro no Volume 1 de CDZ que ele falava do triste cancelamento dessa série. =P Mas ela poderá voltar mesmo, pois recentemente em um dos capítulos de Next Dimension, há um anuncio para a continuação de um mangá do Kurumada, que não revelam o nome, só mostra que são dois caracteres e provavelmente é o xodó dele. =P Mas na boa, preferiria que fosse Silent Knight Shou (eu li), que é bem mais bacana. Aquele Never End ali é muito trágico.

    E eu tinha ouvido falar do final de Shaman King, mas nunca tinha visto. Que escrotice! @[email protected]

      1. Pelo que falam parece um CDZ na escola ao invés de Santuário.
        1º Ano = Bronze
        2º Ano = Prata
        3º Ano = Ouro

  8. Mas, hey, não sabia q CDZ tinha sido cancelado. Não me dá sensação de cancelamento aquele final (a não ser que houvessem planos pra tal Saga do Céu – q tem o filme Prólogo e tal) desde o começo. É isso?

    1. Pra falar a real, eu conheço mais a lenda. Nunca li Cavaleiros. Mas a história de que foi cancelado é antiga. Nos últimos meses, ele já não tinha mais fôlego e ficava nas últimas posições, foi bastante comparado com Shaman King, dois sucessos que foram cancelados depois.

      1. Eu dei uma olhada nos ranks de Cavaleiros na Jump uma vez, e a queda de popularidade do mangá começou com o fim do anime, e se agravou quando Kurumada resolveu matar os popularíssimos Cavaleiros de Ouro de uma vez só. Depois daquilo, o mangá só durou mais dois volumes, mas Kurumada conseguiu fechar a saga de Hades direitinho, sem dar a impressão de final corrido.

        Quanto à saga do Céu, Kurumada sempre dizia que tinha a história inteira planejada, mas que desenhá-la “daria muito trabalho”, tanto que até hoje ele está enrolando com Next Dimension. Minha suspeita é que ele ficou foi aliviado quando Cavaleiros acabou, mas hoje se vê obrigado a continuar a série por ela ser seu maior sucesso, mesmo não sendo sua obra favorita.

        Há alguns anos eu já tinha lido um artigo sobre finais truncados de mangás, mas este daqui tem umas informações a mais que achei bem interessantes, principalmente os comentários de Kurumada sobre Otokozaka e a homagem feita por Hayate no Gotoku.

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