Little Witch Academia (2017) – Primeiras Impressões

Little Witch Academia virou um dos meus xodós dos animes desde que pude assistir os OVAs originais. Foi uma mistura de personagens carismáticos, uma boa dose de diversão e um excelente time de animadores que deu muito certo. Tão certo que chegamos ao anime para a TV que acabou de estrear. E, para a nossa felicidade, posso garantir que a produção conseguiu transpor com maestria toda a magia dos OVAs para a TV.

 

A série se propõe a começar a história do zero, recontando ,com direito a algumas mudanças, os eventos que vimos nos OVAs. Nesse primeiro episódio acompanhamos Akko, uma jovem que cresceu encantada com as apresentações mágicas de Shining Chariot e decidiu entrar na escola de magia (que recentemente começou a aceitar pessoas que não nasceram em famílias de bruxas). Ainda no caminho para a escola, Akko percebe a grande diferença entre ela e as outras crianças que nasceram em um ambiente mágico. Sua falta de habilidade mágica a faz acabar conhecendo duas outras alunas, Lotte e Sucy e envolvendo todas numa perigosa batalha contra uma galinha gigante com rabo de dragão que solta fogo… oh yeah.

Sem a necessidade de correr com o início para chegar logo “na parte que importa” que o limite de tempo dos OVAs necessitava, o anime de Little Witch Academia parece que vai levar as coisas com um pé no freio. Isso por si só não é algo ruim, ainda mais que eles parecem não ter abandonado a intensidade e empolgação das cenas de ação. Esse ritmo mais lento no desenvolvimento do plot e dos personagens acabará propiciando uma melhor exploração de todo o elenco, não só o principal. Exemplo disso são a própria professora Ursula (que quem tá atento e/ou já viu o nome dos dubladores tá ligado quem realmente ela é), ou até mesmo a Diana, que teve uma boa participação nos OVAs, mas que pouco foi aproveitada de fato.

Ainda assim, Little Witch Academia pouco inova em seu plot. É aquela velha história do peixe fora d’água. Akko ser a única garota “normal” na escola toda, mas que, no fundo, irá revelar um “poder escondido” e por aí vai. Nada de novo no front. Mas também não descartemos o plot logo de cara por não ser totalmente original. Até porque, se depender do que vimos nos OVAs, esse plot será muito bem usado como plataforma para os conflitos entre os personagens e, mais importante ainda, para os momentos de pura diversão da série.

E aproveitando que falei dos conflitos, essa série não exita em beber de Harry Potter e as comparações acabam sendo inevitáveis. Aqui também temos uma escola, e todo um mundo, de magia escondido dos humanos “comuns”. Por causa dessa distância, as outras alunas (e até mesmo professores) da escola tem bastante preconceito pela Akko de uma família de “trouxas”. Não só isso como também por ela ter como ídolo a Shining Chariot, uma bruxa que há 10 anos não é mais vista e que hoje poucos parecem se importar com (mas que pode estar mais perto do que… deixa pra lá…).

Apesar dessas semelhanças, Little Witch Academia segue uma direção bem diferente de Harry Potter e se distingue ao evocar aquela gostosa sensação de deslumbramento com o mundo, tão particular do universo infantil e que os filmes do estúdio Ghibli conseguem capturar de maneira exemplar. A empolgação e o entusiasmo da Akko em descobrir aquele universo totalmente novo e cheio de magia (literal e figurativamente falando) é contagiante. O mundo criado por Yoh Yoshinari, Michiru Shimada e companhia é recheado de magia em todos os sentidos (ok, chega com essa metáfora).

Méritos também precisam ser dado para todo o resto da equipe do estúdio Trigger que está envolvida no projeto. Muitos também participaram da feitura dos OVAs e isso ajudou bastante a manter a coesão visual dessa série para a TV. Está tudo lindamente animado, com movimentos suaves, expressões energéticas, enfim, tudo que queríamos ver em um anime de Little Witch Academia. Claro que não dá pra esperar o mesmo nível de detalhamento dos OVAs. As cores não estão tão vibrantes e os planos de fundo estão mais simples, mas ainda assim temos uma qualidade geral de animação BEM acima da média. As personagens parecem vivas não só nas cenas de ação, que normalmente exigem mais quadros de animação, mas também nas cenas mais calmas, onde geralmente imagens quase estáticas são usadas. Que kami-sama permita essa qualidade ser mantida no decorrer de todos os 25 episódios da série.

Estou muito empolgado com Little Witch Academia. É aquele anime leve e gostoso de assistir, conduzido por uma excelente equipe técnica e com tempo suficiente para desenvolver mais os personagens e, quem sabe até, seu plot. Infelizmente o anime não está sendo exibido de maneira oficial em lugar nenhum fora do Japão. O Netflix detêm os direitos sobre a série e só deve colocá-la no ar quando ela estiver completa. Um banho de água fria em quem estava esperando poder acompanhá-la semana a semana, mas ao mesmo tempo um alívio de que, uma hora ou outra, teremos ela disponível para nós.

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Os OVAs de Little Witch Academia estão disponíveis no Netflix, inclusive com uma excelente dublagem.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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