Mobile Suit Gundam AGE – Para velhos ou novos fãs

Quando foi anunciado, Gundam AGE foi escrachado por um monte de gente. Diziam que a franquia tinha se prostituído e que agora tudo ia ficar infantilizado e idiota. Meu primeiro pensamento, enquanto fã de Gundam, foi bem diferente: “Nossa… o protagonista agora parece que, de fato, tem 14 anos”. Pode parecer algo idiota mas eu sempre me incomodei com os protagonistas das séries (e muitos dos coadjuvantes) parecerem muito mais velhos do que realmente são. Essa pequena mudança pode significar algo muito grande. É o motivo para muita gente ter desgostado e pra muita gente ter gostado de Gundam AGE. Eu sou um dos que gostou.

A história não é muito diferente: Flit perdeu sua mãe quando ele era ainda bem jovem. Sua colônia foi atacada por um grupo conhecido como UNKNOWN ENEMY, UE (“inimigo desconhecido”, em inglês), que a EARTH FEDERAL FORCES, EFF (Forças Federais da Terra, em inglês), não conseguiram combater. O resultado foi a total obliteração da colônia e a morte de quase todos seus habitantes. Flit sobreviveu e recebeu de sua mãe, em seus últimos suspiros de vida, um aparelho que continha as plantas para a construção do Gundam. Sete anos se passaram desde então e Flit agora está na colônia militar Nora. Ele cresceu lado a lado com a construção do Gundam, criação de sua família. Quando chega a vez de Nora ser atacada pela UE, Flit toma o controle do Gundam para protegê-la.

Você provavelmente deve estar se perguntando nesse momento por quê você deveria assistir a um anime com uma história dessas que não traz nada de novo. Qual o atrativo de Gundam AGE? Por que vale a pena assistir aos 50 episódios que a série está programada para ter?

Vamos por partes.

Para os que já assistiram alguma coisa de Gundam antes, sabem que um dos grandes atrativos das séries da franquia é todo o universo que há em torno do plot central. Temos uma infinidade de robôs, veículos, unidades militares, armas, etc, todos com nomes, modelos e esquemas de uso prontos para serem explorados pelo espectador quase como se ele vivesse naquele mundo. É muito comum você ver fãs de Gundam citando modelos específicos que apareceram em poucos episódios, muitas vezes sem nome mencionado dentro da série, mas sim em outros tantos guias internet a fora. Entrar no universo da série faz a experiência ficar bem interessante.

Eu, pessoalmente adoro tudo isso. Não sou o maior conhecedor de Gundams, mas tenho lá meus modelos favoritos. Mas e além disso? O que mais?

Uma das coisas que mais me atraiu em Gundam AGE e que serve como atrativo tanto para fãs ou não-fãs da franquia, é o fato de que a história se passará num período de cem anos. Ou seja, os personagens vão crescer, se desenvolver e “passar o bastão” para seus sucessores. Flit é o protagonista do início da série, mas muito provavelmente não irá terminá-la vivo. Teremos, muito provavelmente, três gerações de protagonistas. Isso me deixa muito empolgado. Como a guerra irá se desenvolver? Como os personagens irão crescer? Como será a tecnologia daqui a 50 anos na série? É um universo com um enorme número de possibilidades e isso me deixa completamente curioso.

Outra coisa que eu achei incrível foi o próprio status do Gundam. Ele é uma lenda no universo da série. Um grande robô guerreiro que já salvou a humanidade séculos e séculos atrás, na época das grandes guerras na Terra. Porém, mesmo tendo sido tudo isso, ele aparece na série não como uma máquina extremamente poderosa e exageradamente superior a seus inimigos que já chega destruindo tudo e todos os inimigos. O Gundam aqui é simplesmente a única arma humana capaz de enfrentar a UE. Haviam se passado quatorze anos desde o primeiro ataque e só agora, com o Gundam, foi que eles conseguiram derrotar o primeiro inimigo. Já pararam pra pensar quão tenso é isso? Ele tem muito poder, mas esse poder só chega ao ponto de ser equivalente ao poder inimigo não superá-lo de cara. A tendência é o próprio Gundam evoluir ao passar da série.

Se eu tivesse que pontuar uma única coisa que não me agradou em Gunda AGE, não foi a história, nem a arte, nem a animação, nem nada disso, mas sim o ritmo desse primeiro episódio. Pareceu tudo corrido demais. Fora do comum para a franquia. Parece que o diretor quis chegar logo no momento da ação e isso acabou acelerando muito os acontecimentos. Porém, apesar de acelerado, você consegue absorver as motivações do protagonista de forma clara. Será necessário desacelerar um pouco nos próximos episódios, para termos bons desenvolvimentos, mas não creio que isso não será feito.

Fiquei feliz com o resultado final de Gundam AGE. E, se alguma vez na vida você já quis ver um Gundam mas nunca teve a oportunidade, começar com Gundam AGE parece ser a melhor opção. Um Gundam que tem tudo pra ser, provavelmente, o mais indicado de toda a série para se começar.

E se quiserem um bom guia para irem acompanhando lado a lado com a série, recomendo esse aqui da Gundam Wiki.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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