Slice of Life: "Mas nesse anime não acontece nada…"

Você provavelmente já ouviu ou leu a frase acima. Se você for fã de animes no estilo slice of life então é quase certeza. Essa é uma crítica bem comum ao gênero e vem me chamando a atenção recentemente.

Slice of Life, que em português significa “Pedaço/Fatia/Porção de Vida”, é um gênero bem comum na animação japonesa que se caracteriza por estórias baseadas na realidade, com personagens mais verossímeis, geralmente no tempo presente e que normalmente exploram situações do dia-a-dia. Exemplos de animes e mangás slice of life são Genshiken, K-ON, Bakuman, Kuragehime e Kimagure Orange Road.

O me atrai nesse gênero é o potencial de explorar o desenvolvimento de personagens, característica que eu aprecio muito em um anime, série, filme, o que seja. O que se entende como desenvolvimento de personagem é o autor conseguir, durante a história, fazer o leitor/espectador conhecer e acompanhar a evolução emocional, intelectual, etc, do mesmo. Isso cria uma aproximação do espectador com a história e um envolvimento maior com ela.

Porém, venho ouvindo constantemente a afirmação do título: “Mas nesse anime não acontece nada…”. Comecei a me intrigar com ela quando comentava K-ON no fórum Multiverso [email protected] e essa crítica continuou agora quando comento Bakuman. Foi então que eu decidi realmente levar isso em consideração e ver se essa crítica é válida, se realmente não acontece nada nesse tipo de anime e eu que estou errado.

A conclusão em que cheguei foi bem simples. Tudo depende de sua expectativa para com o anime.

Se você assiste o anime para acompanhar a vida do personagem, de ver seus problemas, suas soluções, suas qualidades, seus defeitos, você não vai se decepcionar (se o autor for bom). Se o personagem decide fazer uma ação que irá afastá-lo momentaneamente de seu melhor amigo ou se outro desistiu de participar daquele show importante porque encontrou no backstage uma antiga inimiga do passado, significa que aconteceu alguma coisa para esse espectador. Ele ficou intrigado e curioso para saber como vai ser o futuro do personagem a partir daquilo. Mas nem todos pensam dessa maneira.

É bem comum, mais do que eu imaginava, pessoas que acham que animes tem que ter um ritmo frenético. Em que cenas épicas e que mudam o universo tem que acontecer a todo o episódio. Caso um anime “falhe” nesse quesito, já é considerado lento e potencialmente chato.

O que leva uma pessoa a pensar assim? Por que um anime não pode ter um episódio dedicado ao desenvolvimento de um de seus personagens sem que isso altere a vida de todos os outros personagens ou seja de extrema importância para o plot central? E eu não posso dizer que cheguei a uma resposta certa quanto a isso, mas uma teoria que chego a considerar bastante é a de que isso é culpa da própria indústria.

Os animes tem diminuído sua “longevidade”. Animes com mais de 13-14 episódios são exceção. Em um anime curto, ter um episódio em que pouca coisa acontece significa que o anime não irá chegar ao seu final, terá um “final aberto”, está “perdendo tempo com coisas irrelevantes para o plot central”. Ou seja, a indústria deu base a ideia de que a história é prioridade frente a bons personagens e não que os dois andam juntos, como deveria ser.

Esse assunto tem me deixado curioso. Vocês acham a mesma coisa? Que é necessário ter um desenvolvimento explícito do plot central ou o episódio é considerado “sem graça”? Gostaria de ouvir a opinião dos leitores. Não deixem de comentar.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

Você provavelmente já ouviu ou leu a frase acima. Se […]

38 thoughts on “Slice of Life: "Mas nesse anime não acontece nada…"”

  1. O problema que alguns pessoas racionais colocam na mesa é que slice-of-life vira desculpa para certos animes seguirem um cronograma simples, óbvio e pobre. Há animes “sobre o nada” que são muito bons, como Hidamari Sketch [exemplo extremo até, com seus episódios baseados em 1 ou 2 dias das vidas das personagens] e animes que tem slice-of-life como uma das temáticas e são ruins [vários, que não consigo lembrar o nome de nenhum… graças!].

    Em um outro ponto, Code Geass R2 é a prova que muita gente quer um ritmo alucinante, mesmo que não faça o menor sentido.

    1. Code Geass R2 não foi perfeito, mas tinha um plot; teve reviravoltas e chegou num ponto, como qualquer história. Não adianta comparar.

      E a culpa de um “anime sobre o nada” ser visto com cautela não é a “falta de percepção da profundidade artística” das pessoas, mas sim a forma como muitos animes são conduzidos, com várias horas de encheção de linguiça. Qualquer um que já tenha se deparado com “fillers” vai considerar o bom ritmo uma qualidade louvável num anime. Ainda assim, acho que gostar do slice-of-life não te torna melhor ou pior apreciador de animes, apenas denota que você tem mais paciência e gosta de empregar seu tempo de maneira diferente.

  2. Essas criticas são feitas por pessoas que já estão submersas na narrativa hollywoodiana atual que ignora os personagens em detrimento dos acontecimentos, a idéia dessas pessoas de animação/filme/hq é de que deve-se seguir uma estrutura de começo – problematica-resolução dessa problematica e fim.

    Só faltou citar Honey and Clover ai, se não viu recomendo. Melhor anime ever.

  3. Bom, eu pretendo discutir um pouco sobre isso futuramente em um artigo que estou trabalhando já a bastante tempo. Mas aqui vai a minha opinião sobre este ponto.

    Tudo depende muito do critério pessoal de cada um. Isso é algo subjetivo e não existem medidas de certo e errado quanto a gêneros. Eu posso achar, por exemplo, Kimi ni Todoke muito fofo mas ainda assim muito parado, ainda que eu goste de alguns slice of life.

    Será que estou me expressando bem? Além de ter isso de “eu dou mais valor ao personagem e como vai se desenvolver” ou “eu quero ação e coisas fantásticas acontecendo” existe ainda mais coisas que levam uma pessoa a determinar se aquilo é “parado” ou “sem objetivo”.

    Todos tem critérios pessoais, por isso cultura nunca haverá consenso, porém esses critérios são ainda mais sutis do que parecem. Voltando ao exemplo de Kimi no Todoke – ainda que eu goste de ver personagens evoluindo, ou sua vida cotidiada, existe o outro lado que eu detesto ver “água com açucar” em exagero, o que me leva a gostar e não gostar DE VER a série.

    E o pior de tudo, ainda existem aquelas horas em que abrimos excessões a nossos próprios critérios, aí fica realmente complicado explicar (somos humanos afinal!).

    Mas concluindo de modo mais simples – nem os que jogam pedras no slice of life nem os que adoram tudo de slice of life estão errados, afinal, isso é CULTURA, é ENTRENIMENTO ou seja…. é SUBJETIVO. E todos tem que expressar suas opiniões, sejam elas “justas” ou não, sejam elas bem argumentadas ou simplesmente uma implicância (eu ODEIO Oreimo ainda mais porque tenho birra agora, fica registrado). O importante é que temos que respeitar a opinião dos outros, pois tudo fica mal quando alguém começa a profetizar que seu ponto de vista está correto e é único.

    Ops, falei demais, é um assunto que eu me empolgo… hehehe, outro dia acrescento mais com meu próprio texto ^^

  4. @Qwerty

    Não tenha dúvida que existem muitos slice of life ruim, por isso que fiz questão de dizer que depende muito do autor. Porém, o mais interessante, é que escuto essa frase de pessoas que viram os animes em questão e que não se ligam em classificações de gênero. Mais um motivo preu ter ficado curioso.

    @Ymor

    Rapaz, não sei se jogaria a culpa toda em Hollywood. Ele tem uma parcela, mas a indústria causa essa reação.

    @Lilian

    Não falou demais não. Eu entendi o que você disse e concordo. Respeito tem sempre que existir.

  5. Olha, sinceramente – existe uma diferença muito grande em não acontecer nada e uma história ter uma pegada mais realista. Bakuman, mais na versão mangá do que na Anime (onde a história tem sido bem esticada) é um drama, ponto – mas há metas, há objetivos – com direito a derrotas e vitórias – e se pensarmos bem, estruturalmente ele se torna bem parecido com um quadrinho de esportes. Não se pode colocar Bakuman no mesmo balaio de gatos de um K-On!, este sim, uma história onde… não há história de verdade, apenas um bando de meninas bonitinhas mostrando como são adoráveis para um bando de espectadores que já chegaram ao ponto de não se importar mais com a existência de uma história.
    E querem um bom exemplo de como uma história pode, sim, ser ancorada no cotidiano e ter uma meta de desenvolvimento? Rocky, o Lutador! Sim, o primeiro filme, não o que a série se tornou a partir do segundo e terceiro. Podem reparar, só há uma luta no final. O resto acompanha todo mundo – e a transformação que acontece em todos com o esforço de Rocky (e podem reparar, isso foi alterado no brasil pela dublagem: ele PERDE NO FINAL, por pontos – mas sua meta não era ganhar, era FICAR DE PÉ ATÉ O FIM). Daí a grande força da história.
    Vou voltar a defender bakuman aqui: no mangá, as coisas não param de acontecer – e acredito que isso irrite algumas pessoas, inclusive. No anime, a opção de expandir a história adicionou alguma gordura. Mas ela tem uma rota de curso, do começo ao fim. Há drama. Há conflito (e todo drama é conflito). E isso é muito diferente de “não acontecer nada”.

    1. @Alex

      Eu concordo em partes com o que você disse. Bakuman não tem o mesmo nível de “nada” que tem em “K-ON”. Bakuman tem sim um objetivo e uma história bem presente em todos os momentos, mas tem capítulos que esse tipo de pessoa considera sim como “não acontecendo nada”. Episódio 16, por exemplo.

      E belo exemplo com Rocky, O Lutador. Um filme que mescla bem o que eu venho dizendo.

      Mas posso dar outro exemplo que defende quem gosta de animes como K-ON, mesmo eu sabendo que você não gosta. Seinfield. Declaradamente uma série sobre nada e que eu não consigo dizer que era ruim. Só que o foco não era a história e sim os personagens. Não acho errado animes focarem nesse tipo de coisa. É um estilo diferente, mas não pode-se simplesmente taxar um anime de ruim por ter esse foco.

  6. Penso que acompanhar o desenvolvimento de personagens seja algo que nem todas as pessoas estão dispostas a fazer, sobretudo o cara que assiste animes de vez em quando. Esse tipo de pessoa não está lá muito interessado em saber o que o protagonista ou qualquer outro personagem aprendeu sobre a vida ou enxergou numa situação simples do dia-a-dia. E por isso existe a tendencia a se preferir sérias que deixem explicações ou desenvolvimentos de lado e partam para algo mais rápido e direto. E nesse sentido ser uma série slice of life se torna um aspecto ruim.

    Recentemente assisti os filmes de Haruhi e Gundam 00, e confesso que fiquei mais ligado na ação frenética de Gundam do que no desenvolvimento lento e sublime de Haruhi. A história de 00 não faz o menor sentido pra mim, mas o clima de catastrofe é muito mais chamativo do que o ambiente parado de um simples clube escolar.

  7. @didcart – Esses comentários muitas vezes partem de um pré-conceito geralmente contrário a esse tipo de anime “parado”, aonde “não acontece nada”. E o ritmo insano de nossos tempos ajuda nisso – os videogames foram uma revolução ao exigir das outras mídias que se adequassem a velocidade de uma que é interativa por excelência.

    @Alexandre – Acho que mesmo animes em que não acontecem nada são válidos, desde que honestos. Azumanga Daioh e Hidamari Sketch são bem honestos ao indicar que não há história nenhuma acontecendo, apenas estamos acompanhando o cotidiano de meninas no Ensino Médio [Azumanga consegue ter um final conclusivo, o que me surpreendeu]. Gosto de K-ON!, mas tenho que reconhecer que ele tenta dar a impressão de que há um drama quando não há [primeira temporada] ou sua existência é discutível [segunda temporada].

  8. Não sou um fã de Slice of Life. Não vejo graça em assistir um anime que mais parece uma novela das 8.
    Pior ainda quando só “o primeiro e os dois últimos episódios” seguem o plot e os demais episódios são histórias aleatorias que não acrescentam em nada a história.
    Mas isso não quer dizer que eu não goste. Não sei se os animes que irei citar são de fato Slice of Life ou se são apenas comédia, mas gostei muito de: Kuragehime, Suzumiya Haruhi, The World God Only Knows, Chobits, Lovely Complex.

  9. Mas acontece algo no 16 (vou ser breve senão isso perde o foco): Takagi entra em crise criativa e a dupla tem sua primeira ameaça de racha, porque cada um sofre pressões diferentes (e o anime realmente faz a Miyoshi parecer um pouco vítima das circunstâncias, mas quem leu o mangá sabe: ela estava atrapalhando naquele momento sim, monopolizando Takagi para que ele a ajudasse a escrever para celular – algo que não deu em nada, aliás). Eu acho que omitir a culpabilidade dela ajudou a dar a sensação de que nada acontecia, mas algo estava realmente acontecendo.

  10. Ah, Slice of Life, ou como eu gosto de escrever, “Slife”! Um dos meus gêneros favoritos!

    Acho que é preciso analisar três coisas aqui.

    Primeiro, e acho que foi o que a Lilian levantou, qualquer pessoa pode não gostar do estilo mesmo, faz parte. Pessoalmente não vejo problemas em acompanhar uma obra baseado no cotidiano nos personagens, mas certamente existem pessoas que querem de uma obra um desenvolvimento constante, como o Ymor colocou, começo–problemática-resolução. E aqui entra meu segundo ponto, que foi algo que você levantou, a intolerância de episódios slife dentro de animes que não são slife. O problema se dá quando o anime, que tem um objetivo, uma problemática a ser resolvida, não consegue se resolver em tempo. E aí fica a pergunta, para que aquele episódio slife se esse não era o objetivo do anime? É preciso ver qual é a prioridade da obra, se o anime, mesmo “gastando” episódios consegue terminar de forma satisfatório, não vejo do que reclamar.
    Por último estão as obras que são realmente slife: Lucky Star, K-ON!, Sketchbook ~full colors~ etc. Dizer que nada acontece é besteira, é óbvio que muitas coisas acontecem, só não é seguido o esquema começo–problematica-resolução. A verdade é que muita coisa acontece, não se coloca o foco em um evento somente, tudo é importante. É a exploração dos personagens na frente do enredo. Como o Ymor comentou, somos influenciados pelas formas comuns de narrativa que sempre colocam o enredo como principal. É claro que a união de bom desenvolvimento do enredo+personagens é sempre bom, mas os dois itens são importantes, não acho que algum delas seja mais importante que o outro, então não vejo problema em Slife.

    Gyabbo!

  11. @Alex

    Eu sei que acontece muita coisa no 16, mas esse tipo de espectador espera que Bakuman seja uma sequência de cenas como a do Eiji “desenhando na velocidade da luz” e esse não é a proposta. Isso acaba confirmando a minha teoria de que as expectativas quanto ao anime falam mais alto que o anime em si.

    @Feiquiboy

    Kuragehime é Slice of Life, mas tem uma história bem definida do começo ao fim (no anime pelo menos, não sei o mangá).

  12. Há tempos que não assisto anime, mas tentarei assumir um ponto de vista sobre o assunto ^^

    Acho que são as pessoas muito pragmáticas ou as meio megalomaníacas que pensam assim. Como quem gosta de ter uma postura majoritariamente racional diante da vida; quem sente admiração por grande poder e grande autoridade; ou quem admira o misticismo explorado pelas obras de fantasia ou a grandiosidade da ciência abordada nas de ficção científica.

    E acho que essas duas posturas são meios de “fuga” da realidade. O pragmatismo supostamente te livra de lidar com os sentimentos das outras pessoas de forma aprofundada e até mesmo com seus próprios. E ficar com a cabeça nos “mistérios do passado” ou nos “milagres futuros” é meio como fugir de enfrentar as questões mais urgentes que a vida impõe.

    Confesso que gosto de cenas “mentirosas” como se diz por aí. O que me importa é ver uma cena “legal” e isso não implica nela ser verossímil ou realista. O que não significa que uma obra mostrando coisas comuns da vida não possa me cativar, afinal “comum” não é obrigatoriamente “fútil” ou “banal”. Mas nesse caso é como você diz, os personagens têm que ser muito bem criados e explorados. Eles têm que agir de modo inesperado algumas vezes e previsível outras, têm que nos fazer adorá-los em algumas situações e odiá-los em outras.
    Podem até seguir estereótipos, desde que não se prendam a eles e nos surpreendam de vez em quando, como aquele personagem extremamente inteligente que comete ma burrice uma vez, ou aquele completo covarde que uma vez consegue agir com coragem. E ai entra o bom senso do autor, para que essas “reviravoltas” de comportamento não sejam exageradas a ponto de parecerem risíveis nem tímidas a ponto de mal serem notadas.

    Acabei fugindo um pouco do assunto, mas em resumo é isso: para quem aprecia “a vida como ela é” um anime slice of life pode ser muito bem vindo (porque esse parece ser o “plot central” de um desse tipo de anime), mas para quem só pensa na “vida como ela poderia / deveria ser”, talvez não.

  13. Saudações

    Acredito demasiadamente que o gênero “slice-of-life” é muito bom, contando com muitos animes de referência, e que de alguma forma agregam em curiosidade, o que vem à chamar a atenção.

    Da parte de minha humilde pessoa, títulos como “Binbou Shimai Monogatari”, “Lucky Star”, “Honey and Clover”, “Working!!”, “K-ON!”, “Azumanga Daioh” ( este título em específico possui forte apelo na área da comédia, também ), “Hidamari Sketch” e “Sketchbook Full Colors” chamam bem a atenção neste quesito onde, cada um à sua forma, mostra claramente o chamado “viver” de seus personagens, em variadas situações.

    Infelizmente o slice-of-life ( por se tratar de um gênero onde a ação propriamente dita não caminha par e passo em seus títulos ) acaba sendo deixado de lado por boa parte dos fãs de animes, o que é triste. Boa parte destas pessoas não têm a noção do que estão perdendo ao assistir a um anime que seja do gênero em questão…

    Há cenas memoráveis em alguns dos animes por mim citados, que não saem de minha memória, pela simples razão de terem acertado em cheio naquilo que gosto de ver em boa parte dos animes que assisto, que é a consistência em seus enredos ( ou seja, que a estória do anime se encaixe de forma perfeita no personagem que dele faz parte, e vice-versa, onde há demonstrações de fatos da vida real – ou próximo à isso – com clareza ).

    Acredito que minha opinião não seja lá muito esclarecedora, mas gostaria sinceramente que mais pessoas assistissem ou lessem títulos do gênero slice-of-life…

    Até mais!

  14. Dissertando de forma bem crua o meu pensamento. Um bom anime, ou melhor, uma boa história, é aquela que desperta algum sentimento. Se ela consegue me fazer rir, chorar ou refletir, não importa se seja Slife ou de Ação, até porque não me prendo a classificações, provavelmente me agradará. Mas se a história se passa e eu continuo com a mesma “poker face” (ou “cara de bunda” como dizem por aqui) de quando cemecei acompanhá-la, é porque ou estou muito entediado ou porque a história é mesmo muito ruim.

  15. yo!

    Olha, eu acho injusto comparar K-on com Bakuman. Não por execução, competencia ou qualquer outro detalhe, mas são leituras diferentes. K-on é exatamente sobre nada. Meninas no colégio, tem uma banda, e as coisas acontecem. Bakuman é traçado como um combo shonen, usando reviravoltas típicas de mangas de esporte, de battle manga, com gags fortes, love comedy, drama. Eles tem uma trama principal explícita, e um desenvolvimento de trama em paralelo do desenvolvimento de personagens. Nana pra mim, parece um paralelo mais próximo de K-On, tirante o fato de que Nana é mais dramático e que as situações em efeitos mais drásticos.

    Voltando ao assunto em si, eu acho que o público de hoje, com a popularização da pirataria em massa, assiste de tudo, assiste muitas coisas, a ponto de se saturar. Não vejo muito um espírito crítico no público de hoje, nem do que se trata de seu gosto pessoal. Eles querem assunto pra conversar com os amigos, e não se entreter, receber cultura ou pensar em alguma coisa. Eles querem mais é estar na moda, não importa o que seja ela.

    E chega o ponto das pessoas que gostam de criticar por que está na moda. Sempre existiu esse tipo, mas não tanto quanto hoje em dia. Vão criticar uma banda emo, mesmo se ela for um Beatles atual (não que ela já exista), por que são emos, vão criticar um remake por que o original é perfeito, etc. Mas colocaria aspas em todos esses criticar, por que em geral, não se trata de críticas, mas de simples reprovação pessoal. “Não gosto” dito em outras palavras, muito mais subentendidas.

    E, do contrário, tem o mesmo tipo de “crítica” de pessoas que não viveram ou não viram o original e chamam só de “velho, ultrapassado”. Tratam com desdém o que está fora da moda atual.

    As pessoas hoje querem ter sua “opinião”, seja ela emprestada na moda, na sua tribo, no seu gueto, e não nivelam mais as coisas como gostei ou não gostei, bom ou ruim, mas de acordo com padrões aceitáveis pela sua postura, seu grupinho.

    Não critico mais nada por que simplesmente não acho justo. Ainda mais quando tem quem goste. Se eu não gosto, não vejo e não dou minha opinião. E o que eu gosto, gosto e que se fodam os outros.

  16. Só complementando.

    K-On, salvo engano, era uma tira de quadrinhos, o que explicaria a falta de um desenvolvimento de cenário. Seria como exigir o mesmo de Charlie Brown, Calvin e Haroldo ou Sazae-san. Sua função é criar cenas curtas auto contidas, e não uma trama completa. Outro ponto que eu diferenciaria de séries como Kimagure Orange Road.

    Alias, Adachi e Takahashi Rumiko tem uma carreira em fazer histórias disso que você falou.

  17. @Feiquiboy

    Interessante maneira de ver isso. Basicamente você busca diversão e não tem nada de errado com isso. Interessante.

    @Fábio

    Se deu essa impressão de querer comparar K-ON com Bakuman ou Kimagure, não era essa a intenção. Era simplesmente para exemplificar animes do gênero… e todos esses o são, mesmo sendo parte de outros também.

    Quanto ao lance de ficar na modinha e isso ser um gerador de opiniões “pré-formadas” dependendo do circulo social da pessoa é de fato algo facilmente observável. Principalmente hoje em dia onde, como você disse, temos um número BEM maior desse tipo de pessoa.

    O “consumo” livre e o acesso fácil aos animes que temos hoje em dia faz com que as pessoas não tenham um certo “padrão” para o que assistir ou o que não assistir. Afinal, ninguém tira um tostão do bolso pra ver um anime. Até antigamente você tinha que ir comprar a fita de um fansub.

    Obviamente não é para generalizarmos, mas é facilmente constatado como maioria.

  18. Creio que tudo esteja relacionado à proposta do anime em questão: se ele se propõem apenas a narrar o cotidiano de um personagem ou grupo sem apresentar uma trama central, uma vez que em todos os episódios os personagens passarem por situações novas e vivenciarem novas experiências, o anime estará cumprindo sua proposta. K-ON é um bom exemplo disso. Mas existem aqueles que fazem quase que o caminho inverso, começando com uma história de cotidiano, mas, com o passar do tempo, revelando uma trama maior. Kanon é aquele que me vem a mente quando penso no exemplo anterior. E há ainda aqueles que conciliam ambas as coisas, mesclando o cotidiano corriqueiro dos personagens perfeitamente com uma trama mais centrada, como é o caso de Clannad ( sobretudo na segunda temporada). Also, como tudo na vida, acho que é uma questão de aceitar ou não a proposta.

  19. Existem slice-of-life que eu defenderia e outros que eu falaria a mesma coisa: são chatos e entediantes. É como vc disse, depende da expectativa de cada pessoa perante uma obra. Eu pessoalmente prefiro os slice-of-life tipo shoujo/josei que se aprofundam na psicologia, romance e drama dos personagens, mas também gosto de moe e humor.

    Fora a expectativa de cada um, tem também aquilo que condiciona a pensarmos assim. Parece meio idiota e simplista, mas o fato de eu ser uma garota também influencia meu gosto. Há muito homem com complexo de macho que não vai sair assistindo Kimi no Todoke, por exemplo. Passei raiva assistindo esse anime do lado de alguém que só queria saber quando o cara ia pegar a mina.

    Em parte até concordo com o Ymor, essa questão da narrativa “lenta” VS a narrativa “apressada”. O cinema e os quadrinhos americanos/ocidentais são diferentes e interessantes, mas quem tá acostumado só com isso vai achar estranho os japoneses “enrolarem” o enredo com situações simples e cotidianas.

    Outra coisa é afinidade. Quando penso em slice-of-life imagino retratar fragmentos da vida, ser próximo da nossa realidade, ver personagens vivendo situações iguais a minha e gostar deles. K-ON me irrita por mostrar uma realidade muito feliz e, de certa forma por causa da minha personalidade rabugenta mesmo, não consegui me identificar com as personagens. Já em Honey and Clover me identifiquei bastante porque eu tava vivendo (e ainda estou) algumas incertezas do futuro que os protagonistas enfrentavam.

    Enfim, acho que já repeti muita coisa que disseram por aqui. Só quero dizer que acho que são várias as razões que levam alguém a gostar ou não desse gênero. E devemos respeitar isso.

  20. Slice of life é meu gênero favorito…claro que já vi alguns que foram entediantes,mas,muitos eu gostei e que não foram nem um pouco ruim…kuragehime é um exemplo =] genshiken tbm…

  21. Binbou Shimai Monogatari é excelente , Honey And Clover tambem!, Azumanga Daioh é clássico , o legal é que animes ‘Slice Of Life’ vem acompanhados boas doses de romance, comédia ou drama . Um grande anime Slice Of Life bastante conhecido e apreciado por muitos é o ‘Great Teacher Onizuka’ , mais conhecido como GTO, porém boa parte dos que assistiram GTO nem classificariam ele como Slice Of Life rsrssrs

    Após assistir vários animes desse genero eu cheguei a uma conclusão: esse tipo de anime é muito bom! o anime ‘flui’ , você vê muitos episódios e nem percebe, e ainda quer ver mais! A história na maioria das vezes não é forçada e rápida, ela tem todo um desenvolvimento e tal (isso que é legal), faz você se sentir no dia a dia dos personagens, é uma sensação muito boa!

    Na maioria das vezes esse tipo de anime narra histórias da vida cotidiana (Honey And Clover , Azumanga Daioh) , outros acrecentam uma boa dose de romance no slice of life (Toradora, Boys Be, Chobits, Maison Ikkoku, Hana Yori Dango, Midori No Hibi) , outros acrescentam comédia ao slice of life ( Ranma 1/2, Golden Boy, Great Teacher Onizuka) , outro adicionam humor negro no slice of life (Sakigake Cromartie Koukou)

    Espero ter contribuído com minha opinião sobre o gênero euheuheuhe , se alguem quiser trocar ideias de animes comigo, me adicione no msn: whiteburp arroba gmail ponto com

  22. Cada um com suas opiniões e gostos, é muito dificil você ver um fã de Shounen que está acostumado com animes de super poderes e cheio de ação gostar de um anime “slice of life” ou melhor “vida cotidiana” .

    Assim como pessoas que gostam de Seinens e animes “inteligentes” discriminam aqueles que gostam de animes de mahou shoujo e Ecchi por se sentirem “superiores de forma inteligente”

    Mais a questão é que alguns animes de vida cotidiana mostra alguns “tapa buracos” no anime, ou seja cenas desnecessárias e ja li isso em outro forum em Japones, essas “enrolações” todas normalmente são planejadas para que a pessoa que se interessou pelo anime e quer saber a continuação vá atrás desesperadamente do mangá.

    Uma Jogada de marketing, intende ?

    Animes como K-on mostram a vida cotidiana de suas personagens mais tem todo um desenvolvimento em si, elas não são como o anime Sazae-san que ja faz 40 anos que está no Ar e os personagens nunca mudam.
    No Caso de K-on elas vão passando de ano no colegial até se formarem e no meio disso tudo tem a questão da Banda, das pessoas do colégio, das viagens, do clube de chá e tudo mais ,NÃO tem como você esperar que do nada as personagens saiam soltando Hadouken e Kame-hame-ha né ?

    Minha conclusão é que se deve dar ouvidos apenas a fãs do gênero, pessoas que não gostam ou não intendem o gênero, merecem ser ignoradas.

  23. O motivo pelo qual os animes do gênero slice of life não fazem sucesso aqui no Brasil é que já estamos saturados de vida real através da telenovela.O que buscamos na animação japonesa é o ineditismo das situações envolvendo o sobrenatural,a ficção científica,de um modo que mesmo Hollywood não faz mais.Até podemos aceitar obras mais realistas como Perfect Blue ou Millennium Actress porque são longa-metragens,mas acompanhar um seriado deste estilo parece um desperdício das amplas possibilidades que a animação oferece ao artista.

    1. @Dom Sanglau

      Rapaz, generalizar o público dizendo que eles buscam a animação japonesa pelo sobrenatural, ficção científica, etc é bem complicado e um tanto impreciso. Eu mudaria um pouco essa afirmação e diria que as pessoas buscam a animação japonesa pois ela tem uma enorme pluralidade de gêneros. Sendo assim, ela atrai pessoas que gostam de slice of life a sci-fi sobrenatural… essa é uma rande força da animação japonesa em contraste a outras formas de entretenimento.

  24. Não vou mudar uma linha do que disse antes.Quando me referi a nós que preferimos o anime no que ele tem de inédito em relação á outras mídias,deixei claro que há um nicho de público neste segmento que não se entusiasma com o estilo slice of life e apresentei os motivos que considero prováveis.Não é uma generalização e tampouco uma declaração de guerra,apenas a constatação de um fato:as pessoas que declaram não acontecer nada no gênero esperam por coisas que ele não oferece.E não devem ser poucas,visto que no texto de introdução do debate foi dito que esta questão sempre vêm á tona nas discussões do assunto.Essa força da animação japonesa á que te referes,capaz de abranger tão diferentes assuntos,é o principal motivo pelo qual eu amo esta arte.Mas,contudo,eu estaria mentindo para ti se dissesse que gosto de tudo que ela oferece.Valeu pelo toque!

  25. Vou facilitar a vida pra qualquer um que ler este comentario:

    Só que tem tempo de “apreciar” esse tipo de anime vai gostar. Se voce tem uma vida interessante nao tem tempo nem cabeça pra se preocupar com tanta profundidade com um personagem de animação.

    isso é SÓ entreterimento comercial. nada mais.

    1. Pelo contrário. Animes desse tipo faturam menos que shounens de pancadaria, e estão bastante ligados à idéia do mangaká/criador deles. São animes onde o diálogo manda mais que a ação frenética. Imagino como deve ser interessante a sua vida…

  26. Não conhecia este gênero e após terminar de ler Bakuman, fiquei uma semana procurando algo do tipo, mas não encontrei.
    Hoje, vejo que o que eu estava procurando era um mangá do tipo Slice of Life. Agora, vou procurar as melhores recomendações deste gênero. *-*

    A discussão realmente começa nos comentários. Gostei de vários. Parabéns ao pessoal que postou, muitos estão bem embasados e são muito sensatos.
    Realmente, Rocky e Seinfeld, são ótimos exemplos onde o foco são os personagens. E é impossível não gostar dessas 2 obras.

    Pra mim, um episódio onde mostra o desenvolvimento de um personagem relevante na série, não é desperdício de tempo, muito pelo contrário, acho extremamente importante que isso seja mostrado em uma série.

    Uma pessoa falar: “Nesse anime não acontece nada”, chega a ser leiga, o que ela quer que aconteça? Que os personagens saiam soltando Hadoukens e Kame-hame-has?

  27. Vou confessar que fiquei realmente surpresa com a qualidade dos comentários aqui postados. Talvez porque esteja acostumada àqueles comentários de sites de download de animes onde a maioria dos que comentam são pré-adolescentes sem muita preocupação a respeito de argumentação e principalmente uma boa gramática. E fico feliz por ver o que vi aqui.
    Engraçado que quando eu era adolescente não era assim tão fã de animes, embora tenha começado com o clássico Cavaleiros do Zodíaco (coisa que hoje não tenho lá mais muita paciência para assistir), mas agora aos 29 (28 no caso porque foi ano passado) é que comecei a assistir um anime atrás do outro.
    E então pensei: meu blog que andava já há um tempo parado, poderia voltar à ativa de uma maneira que estimularia minha escrita e também a cachola, resenhando os animes que assisto.
    E foi justamente escrevendo essas resenhas que comecei a analisar cada anime com mais carinho e atenção. E foi aí também que descobri o quanto aprecio um bom desenvolvimento de personagens.
    O primeiro anime que mexeu muito comigo nesse sentido foi Death Note, e eu achei que depois disso dificilmente encontraria um anime de que fosse gostar tanto. Mas pouco tempo depois assisti Nana, que foi arrebatador. E então Fullmetal Alchemist: Brotherhood. Mas semana passada terminei Azumanga Daioh, e foi para resenhar esse anime e pesquisando mais sobre o gênero Slice of Life (ou “Slife”, como alguém citou aí pra cima) que acabei parando nessa postagem.
    Muito me agradam animes com uma história bem desenvolvida e cheia de ação e reviravoltas, é claro, mas ainda acho que nada supera um personagem bem desenvolvido. Também não me incomodo com um anime de “ação” dedicar um ou dois (ou mais) episódios exclusivamente a isso, porque tem coisa mais gostosa do que chegar ao final de um anime e sentir que você vai sentir SAUDADES desse ou daquele personagem?

    Enfim, assistir animes hoje é uma das coisas que mais gosto de fazer, e analisá-los faz com que agora eu goste ainda mais, justamente pela dificuldade de ter que salientar pontos positivos e/ou negativos de cada um. Parabéns pela postagem, e parabéns a todos pelos comentários de altíssimo nível!

    1. @Julie Way

      Nossa, Julie, que bom que gostou. Fico muito feliz com o reconhecimento.
      Espero que continue lendo o Anikenkai e qualquer coisa que quiser comentar, fique a vontade. Saiba que leio todos os comentários aqui postados e tento respondê-los na medida do possível.

  28. Bom, eu gosto de animes energéticos que as coisas vem tão rápido que nem dá para respirar direito de tão alucinante~
    Mas, eu adoro aqueles mais quietos que te envolvem mais, te deixam mais próximos as personagens, como Higurashi. (claro! Tem sua aventura, mas para quem assistiu, ele é bem monotono)

    Eu acho que tudo depende da pessoa. Tem gente que acha que ver anime é só adrenalina e qualquer coisa que saia disso ele não precisa, é inútil para seu mundo.

  29. Belo discurso :3 Só acho que as partes de “slice of life” de alguns animes (que fazem parte de fillers e ovas) são muito fracas e repetitivas :S Deviam caprichar mais na quantidade de informações 😛

  30. Ayukawa Madoka de “Kimagure Orange Road”.
    Tai uma personagem fascinante da qual me espelhei ao criar meu perfil no Disqus.
    Acho que este anime faria sucesso caso fosse feita uma adaptação para os tempos modernos, mas não do jeito que estão fazendo com a Sailor Moon Crystal.
    As personagens comportadinhas com olhos tristes e a falta de humor, por enquanto estão me decepcionando.

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