CLAMP sendo CLAMP: Gate 7 – Vol. 01

Chikahito finalmente conseguiu realizar seu desejo de viajar a Kyoto, a antiga capital do Japão. Lá ele conhece Hana, uma jovem guerreira que combate seres sobrenaturais com o auxílio de Tachibana e Sakura. Os três formam o Urashichiken Hanamachi, uma sociedade secreta cuja função é combater criaturas de outro mundo que apareçam em Kyoto.

Embora esse plot seja bem simples, duas coisas particularmente me atraíram em Gate 7:

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Comecemos pelo fato de todo esse lance do Urashichiken ter começado lá no período Sengoku, a grande era de guerra entre generais de várias províncias pelo controle do Japão, quando tais generais, visando derrotar seus adversários, fizeram acordos de sangue (que afetam toda sua linhagem) com seres espirituais chamados de Oni para adquirirem maior poder. Os “herdeiros” desses generais do passado hoje lutam entre si em busca do corpo perdido do famoso general Oda Nobunaga, cuja lenda dizia ser o possuidor do Oni mais poderoso.

Como sempre gostei muito de história, esse tipo de ficção que mistura fantasia e realidade de eventos passados me interessa bastante, mas, além disso, dá uma considerável melhorada no plot. Não é só uma organização de caçadores espirituais que tem que enfrentar monstrinhos que aparecem no seu caminho. Pelo visto, isso é só um bico enquanto buscam seu objetivo maior de encontrar o corpo de Nobunaga.

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O primeiro volume trabalha bem essa dinâmica, deixando para revelar apenas em seu final todo esse background histórico, o que deixa o leitor com vontade de seguir para o volume seguinte e acompanhar a história. Mas não só isso. É também deixado em aberto o papel de Chikahito nisso tudo e esse é a segunda coisa que me atraiu.

A princípio ele parece ser apenas um garoto normal com fascínio pela história do Japão antigo (conveniente, não?), mas no decorrer do volume vão sendo dado dicas de que ele não é tão “normal” assim. Poderes ele não tem, pelo menos não nesse início, mas ele se mostra “neutro” aos poderes dos demais seres e isso faz com que seu destino seja incerto até para os que conseguem prever o futuro. Assim sendo, nem nós nem nenhum personagem tem ideia do que será de Chikahito e o porquê dele estar ali, o que cria uma vontade de ver onde aquilo vai dar.

Gate 7 é escrito e desenhado pelo CLAMP (Sakura Card Captors, XXXHolic, Tsubasa Reservoir Chronicles, dentre outros) e segue bem o estilo visual padrão do grupo, o que para alguns pode ser algo bom e para outros nem tanto. É um estilo bem marcado e com forte influência vinda de mangás shoujo dos anos 90 (o grupo é composto todo de mulheres e começaram sua carreira desenhando em revistas para meninas), com traços finos, personagens esguios, olhos marcantes, etc.

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O mangá chegou ao Brasil em 2013 pelas mãos da NewPOP, que fez um bom trabalho na adaptação do material. A edição está muito boa e a tradução conseguiu ao mesmo tempo ser fluida e manter certos termos no original, o que colabora com a ambientação da história, de temática bem japonesa. Infelizmente há algumas falhas de revisão por parte da editora, mas nada que, acredito eu, prejudique sensivelmente a experiência de quem está lendo.

É uma pena que Gate 7, que começou a ser publicado em 2011 no Japão, esteja em hiato há mais de dois anos tendo só quatro volumes publicados. Não há planos para o CLAMP retornar com a série, o que deixa em dúvida se vale a pena começar a lê-la ou não. Eu, sinceramente, não gostaria de ver esse plot sendo jogado no lixo tal qual eles fizeram, lá em 2003, com o amado/odiado X/1999.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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