Porquê eu gosto de K-ON!…

Em Julho do ano passado, quando do fim da série de K-ON, eu fiz um post em memória da série e lá dá para perceber o por quê deu gostar dessa que, para muitos, é mais uma série banal focada no moe. Porém, o filme de K-ON finalmente ficou disponível para nós, ocidentais (graças ao blu-ray japonês ter saído) e creio que essa seja uma boa oportunidade para deixar claro meus motivos para ser fã da série e, de quebra, falar do filme em si.

Se você ainda não conhece K-ON, fique tranquilo. A série basicamente segue o dia-a-dia de um grupo de garotas que decidem reviver o clube de música-leve de sua escola mas diferente de um clube de música comum, elas passam mais tempo tomando chá, comendo doces e batendo papo do que praticando de verdade.

Como grande parte dos animes slice-of-life, K-ON não tem uma história fixa e linear a ser contada durante a série. Por ser guiada por seus personagens, a série apresenta um monte de sub-histórias que ao se unirem nos fazem conhecer mais as personagens e criar uma conexão com elas. Em um paralelo simplório, seria como os sitcoms americanos (Friends, Seinfield, etc). Só que até aí temos uma enorme quantidade de séries que seguem esse princípio, como Azumanga Daioh e Lucky Star. Por quê então K-ON se destaca dessas e das demais?

Séries como Azumanga Daioh e Lucky Star se focam muito na comédia. Diria que SÓ se focam na comédia. Sendo assim, os laços criados com o espectador são meras “piada-reação”. Ao terminar tais séries não há uma sensação de que se conhece as personagens, mas sim de que você gostou da piada X, ou no momento Y você riu bastante e etc. K-ON por outro lado resolveu investir no lado mais “humano” da coisa. Decidiu que não bastava só focar na comédia, tinha que focar nos momentos simples do dia-a-dia das personagens, nos momentos de angústia, nos emocionantes, nos felizes, nos tristes… eles resolveram colocar em exposição uma grande variedade de sentimentos que pouco a pouco foi mostrando para quem assistia quem eram aquelas meninas e os laços criados com elas se tornam muito mais “fortes” que com as personagens de um Azumanga Daioh ou Lucky Star.

Por causa disso que, se você se deixou levar pela série, é muito provável que você tenha se emocionado com cenas como no episódio 20 da segunda temporada onde as meninas, após um show na escola, relembram de vários dos momentos que passaram juntas. Ao mesmo tempo que você relembra, você também percebe que irá sentir falta, assim como as próprias personagens.

Dessa forma, é até fácil entender o por quê de muitas pessoas terem assistido e gostado de K-ON. A série não se apoia só no moe para existir e criar um fandom. Se assim fosse, ela seria só mais uma de tantas. Ela fez algo além. Ela pegou o moe, fundiu com o conceito de slice-of-life e deu no que deu. Um enorme sucesso.

Mas tudo bem, isso é o que fez K-ON um sucesso de público, mas e para mim? O que EU considero como ponto que me fez gostar tanto de K-ON e me faz até hoje defender a série perante acusadores de que não passa de só mais uma série moe genérica?

A amizade.

É comum falarmos sobre amizade quando falamos de shounens. Um dos pilares do gigante One Piece é a amizade entre os “nakama” (仲間, palavra que significa amigos, companheiros, parceiros). Mas e se esse conceito amplo de amizade fosse aplicado a um slice-of-life? E se esse slice-of-life já se destacasse pela identificação do público com suas personagens? Seria uma boa mistura? Claro que sim.

Em K-ON, o que mais me chama a atenção não é a relação do público com as personagens, mas sim a relação delas com elas mesmo. Nós acompanhamos o dia-a-dia delas de forma tão pura que dá pra absorver bastante da relação entre elas. Seja relações como colegas de classe, como membros do mesmo clube, como amigas, como familiares (no caso da Yui com a Ui e da Ritsu com o irmão dela), etc. Para mim, não há anime que tenha exposto isso de forma tão crua e bem construída que nem K-ON. Isso acontece pois a coisa flui de forma tão natural que nem parece ter um roteiro por trás disso tudo. E já deixo claro que isso é mérito do anime pois tal sensação não existe de forma alguma no mangá (muito por causa do seu formato em yon-koma, tirinhas curtas de 4 quadros cada).

Apesar de tudo que eu falei aqui, não considero K-ON uma obra prima, algo revolucionário ou um dos melhores animes de todos os tempos. Longe disso. Mas se tem uma categoria que posso colocá-lo é na de anime que melhor sabe se relacionar com seu espectador e isso eu respeito. É um anime que tem como objetivo criar esse laço com o espectador e, se ele consegue (e como sabemos conseguiu com MUITA gente), ele já se destaca de muito anime considerado “sensacional” por aí que depois de pouco tempo é esquecido por todos.

É aí que aproveito para entrar no filme de K-ON que assisti nessa madrugada. Curiosamente, não sei se vocês repararam ao acessarem o link que coloquei logo no início do post, faz quase um ano que K-ON terminou e ainda hoje as pessoas comentam sobre a série. Seja para falar bem, para falar mal ou simplesmente tentar entender o seu sucesso.

Encerro esse post por aqui pois ele está bem grandinho. Se quiserem ver o post específico do filme de K-ON, cliquem aqui. No mais, quero muito saber a opinião de vocês sobre a série e sobre o que acharam do que escrevi aqui, então não deixem de comentar.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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