LEDD – E quem disse que bons ‘shonens’ não podem ser feitos no Brasil?

O que torna os japoneses tão bons em fazer quadrinhos? De maneira geral, é o grande incentivo que recebem. Foram décadas e décadas de um mercado interno que se desenvolveu tendo, a principio, só a si mesmo como meta. Aqui no Brasil, nós temos a total inversão desses valores. Achamos que tudo que produzimos aqui é inferior ao que vem de fora. No mercado de histórias em quadrinho então, isso é ainda pior. Não incentivamos nossos próprios artistas e só reconhecemos sua qualidade quando eles são chamados para trabalhar fora do país (onde seu trabalho é amplamente elogiado e reconhecido).

Nesse contexto, apresento a vocês uma história em quadrinhos nacional, com uma excelente narrativa, personagens criativos e uma arte de qualidade. LEDD, de autoria de J.M. Trevisan (Tormenta RPG, Dragão Brasil, Rolling Stone Brasil) e arte do estreante Lobo Borges: Ledd perdeu a memória. Está preso em uma terrível prisão, mas não sabe seus crimes. Lá, ele conhece o mago Ripp, gorducho e careca. Juntos eles planejam uma fuga. Só que a vida desses dois não será fácil na prisão e fora dela. Você pode ler na integra todos os capítulos online, sem custo, 24 páginas cada, sendo 12 a cada quinzena, no site oficial da HQ.

Criada em cima do cenário de Tormenta (mesmo cenário usado em Holy Avenger, criado em 1999 por Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J.M. Trevisan) a história oferece elementos bem originais e é trazida a vida seguindo a estética dos quadrinhos japoneses. Lobo Borges é, sem dúvida, um talentoso desenhista que por pouco não viveu a vida inteira no amadorismo como tantos outros. Se afirmasse que sua arte é impecável, estaria mentindo. Ele tem o que melhorar, mas sua qualidade é inegável e não há duvidas que com o tempo a evolução será notável. Nos 4 capítulos já lançados, fica evidente esse crescimento. Fico na expectativa sobre o que ele vai oferecer no futuro.

Quanto ao roteiro do Trevisan, ele não é nenhum novato. Sabe como fazer uma HQ. Narrativa ágil, com um ritmo intenso, nos faz entrar na história e conhecer bem seus personagens. Me pergunto de onde ele tirou a ideia para o mago Ripp. O gorducho careca usa cabelo para fazer suas magicas. Exatamente… CABELO! Um careca que precisa de cabelo para fazer suas mágicas. Já viram onde isso vai dar né? Muitas situações engraçadas são geradas através desse personagem.

Fico feliz em anunciar, também, que LEDD será lançada em versão impressa no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), Belo Horizonte, dia 11. Outras duas cidades também receberão lançamentos: Rio de Janeiro, dia 16 às 19h na Saraiva do Botafogo Praia Shopping, e São Paulo, dia 18 às 18h30 na Livraria Cultura da Av. Paulista. Além dos 4 capítulos já lançados, a edição receberá mais de 20 páginas de extras inéditos, como esse (clique para ampliar):

Se gostaram do que leram online, prestigiem os autores e comprem a edição impressa. Com certeza ler no papel será bem melhor que a versão original e os extras são bem interessantes de se ver. Ela está em pré-venda com preço de capa R$22,90 no site da editora Jambô, mas com preço promocional de R$19,90 no momento em que esse post foi finalizado. O material será impresso em papel offset (nada de papel jornal), num total de 144 páginas, com coloridas e acabamento em brochura.

Termino o post frisando que não estou elogiando essa HQ só porque ela foi feita no Brasil. Eu realmente achei a história e arte interessantes. Não compartilho da política de incentivar só porque é nacional, mesmo que seja de baixa qualidade. Com LEDD temos um exemplo de como o Brasil pode produzir bons quadrinhos. É só começarmos a dar valor aos nossos produtos que merecem, de fato, ser elogiados.

Confiram também outros textos publicados sobre a HQ e mais exemplos dos extras que encontrarão na edição impressa em: Maximum Cosmo, Chuva de Nanquim, Video Quest, Sushi Pop, Gyabbo! , JWave e Mithril.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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