Pimeiras Impressões – Animes de Primavera 2016 – Parte 2

Vamos lá para a 2ª parte das Primeiras Impressões com quatro animes. Infelizmente, como nem tudo são flores, nem todos os animes foram agradáveis de se assistir. Hora de falar de Endride, Kuma Miko, Boku no Hero Academia e Macross Delta!


Endride – Direção: Keiji Gotou – Roteiro: Touko Machida – Estúdio: Brain’s Base

Endride - 01

O primeiro episódio de Endride mostrou muito pouco e, o que mostrou, foi tão genérico que não sei se consegui ter uma visão geral de pra onde as coisas vão. O início do episódio foi até bem bacana com seu paralelo entre os dois personagens principais vivendo em seus dois mundos diferentes, mas de certa forma “sincronizados” em suas ações, só que quando o “cara do futuro” vai para o mundo de fantasia é que a coisa meio que se perde. Um moleque normal, que até meio segundo atrás estava indo atrás do pai que por se focar tanto no trabalho esqueceu de comemorar o próprio aniversário com a família, agora se via de posse de uma espada mágica que sai de dentro dele e ele a usa para matar outros sem dó nem piedade. Sabe aquele clichê de “cara do mundo moderno vai prum mundo de fantasia e vira herói”? Pois é… o diferencial é que nesse o protagonista é loucaço por cristais e isso deve ser usado em algum momento no decorrer da série.

Somando o fato da animação e da direção de arte não estarem lá essas coisas também (apesar de não serem ruins per se), esse anime provavelmente vai cair na categoria de “só mais um dentre muitos parecidos com ele”. Se você curte esse tipo de história e tá com tempo livre, não acho que vá se arrepender muito de assistir, mas, se, como eu, você não estiver mais com tanta paciência, talvez seja melhor deixar pra lá.


Kuma Miko – Direção: Kyoshi Matsuda – Roteiro: Masao Iketani e Pierre Sugiura– Estúdio: Kinema Citrus e EMT²

Kumamiko - 01

Eu já vi muita coisa ruim, mas Kuma Miko foi difícil, ein.

A começar pela abertura sofrível. Ao passar por ela, e depois de um aneurisma causado pela música tenebrosa, temos uma primeira parte em que ainda estamos nos acostumando com a ideia de um Urso falante que é tido como algum tipo de divindade viver com uma garotinha sacerdote num templo nas montanhas, mas é na segunda parte e em sua sequência de piadas terríveis que chegam a envolver a lenda de que o “primeiro urso” e a “virgem lendária” tiveram uma relação sexual que gerou essa interação entre humanos e ursos na região e bla bla bla…

Foi realmente difícil terminar de assistir o episódio, mas pra piorar eles ainda conseguiram arranjar um encerramento que era ainda pior que a abertura. É a deixa pra fechar o caixão e deixar Kuma Miko se enterrar sozinho. Não tenho como recomendar esse anime pra ninguém.


Boku no Hero Academia – Direção: Kenji Nagasaki – Roteiro: Yousuke Kuroda – Estúdio: Bones

Boku no Hero Academia - 01

A ideia de se adaptar um mangá para anime é, através de cores, som e movimento, ampliar a experiência da história original. Boku no Hero Academia acertou em cheio nesse ponto e entregou um primeiro episódio extremamente divertido, empolgante e visualmente impecável.

Quando li pela primeira vez o mangá, eu pensei imediatamente como um anime dessa serie seria legal. Sabe aquele tipo de mangá que você lê e já imagina as coisas acontecendo em movimento, efeitos sonoros, etc? Pois é, Boku no Hero Academia é desses e parece que não sou só eu que achei isso já que mesmo tendo poucos volumes publicados, a adaptação já saiu.

O estúdio Bones chegou chutando a porta e dando o seu melhor nesse primeiro episódio. Sempre ficamos naquela dúvida de se a qualidade irá permanecer alta no decorrer da série, mas considerando o fato de que teremos apenas 12 episódios nessa primeira temporada, arrisco dizer que sim. Além disso, o número limitado de episódios provavelmente significa que a história será bem fiel ao material original e acredito que com um bom ritmo também, afinal eles terão que se focar apenas em um ou dois arcos apenas pra ficar um negócio legal. Basta ver que o primeiro episódio não chegou nem a adaptar todo o primeiro capítulo do mangá (uma decisão bastante acertada).

Visualmente, como disse acima, o anime está impecável. O design dos personagens ficou extremamente fiel ao original e a animação está no ponto. Tudo feito para ampliar nossa experiência com essa história. Tenho certeza que ri muito mais com a cena do Midorya preso à perna do All Might no anime do que no mangá graças ao trabalho dos animadores, dubladores, etc.

O que eu vi nesse episódio me empolgou de verdade. Ri em diversos momentos, me emocionei com a breve história do passado do Midorya — NÃO TEM como não se identificar com esse personagem — e vibrei com as cenas de porradaria. Uma estreia perfeita, sem tirar nem por.


Macross Δ (aka Macross Delta) – Direção: Shoji Kawamori – Roteiro: Toshizou Nemoto – Estúdio: Satelight

Macross Delta - 01

O último anime que vi nessa leva foi Macross Delta e foi pra fechar com chave de ouro. Esse é o primeiro anime novo da franquia que vemos em 8 anos, desde que Macross Frontier saiu, e deu pra ver que Shoji Kawamori (criador de Macross) veio com tudo nessa nova série para compensar os fãs pela demora. Tudo nesse anime está maior, mais brilhante, mais épico…

É possível perceber também algumas influências de trabalhos recentes de Kawamori, como AKB0048, em especial no uso de efeitos especiais em CG, que trazem um certo frescor à formula que episódios introdutórios da franquia tendem a seguir. Sim, em Delta também temos o piloto que não sabe que é excepcional e a menina inocente que só quer ser cantora mas na verdade tem um poder muito maior do que imagina em sua voz. Algo faz os dois se encontrarem e, bem, vocês já sabem o resto (principalmente se já viram algum Macross antes). Porém, como eu disse, Kawamori veio com tudo e quando percebemos que depois de tanta coisa que nos foi apresentada só passaram cerca de 24 minutos, é de se impressionar.

Além dos dois protagonistas, nós conhecemos um pouco sobre o problema da Síndrome de Var, um tipo de infestação que faz pessoas supostamente normais ficarem enfurecidas e violentas; conhecemos também as Walkure, grupo de cantoras/lutadoras que usam o poder de sua voz para, junto aos pilotos do Pelotão Delta, buscar uma solução para o problema e proteger os civis; e também sabemos da existência de um tal Reino do Vento que chegou atacando do na da o Pelotão Delta e as Wulkure.

Ao que tudo indica, esse Macross tem tudo para ser épico. Ao final do primeiro episódio eu estava na ponta da cadeira com o coração acelerado de empolgação. Esses caras sabem como dar um show… literalmente. Até os mechas em CG me incomodaram menos do que eu achava que incomodariam.

Sobre Diogo Prado

Tradutor, podcaster, jornalista, amante de cinema, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

Vamos lá para a 2ª parte das Primeiras Impressões com […]