DEADMAN WONDERLAND Vol. 1 – Sangue e Circo Para o Povo

A Panini trouxe para o Brasil uma publicação que vem acompanhada de um interesse grande do público: Deadman Wonderland. Esse interesse se deve ao fato do anime de DW ter sido exibido na última temporada lá no Japão. Assisti aos primeiro episódios mas logo parei justamente por causa do anúncio de que o mangá viria para cá. Pessoalmente prefiro ler o mangá à ver o anime na maioria dos casos e como ainda ouvi boatos de que a série animada estava um tanto “suavizada” eu não tive dúvidas em me guardar para o papel.

Em Deadman Wonderland nós acompanhamos a história de Igarashi Ganta, um menino aparentemente normal que, em um dia comum avista uma figura humana ensanguentada e flutuando do lado de fora da janela da sala de aula. Ele desmaia e quando acorda está em um cenário completamente caótico. Corpos e sangue para todos os lados. Seus amigos mortos. E o ser que aparentemente os matou está lá pronto para atacá-lo. Porém, ao invés disso, o misterioso humanoide insere uma pedra vermelha no peito de Ganta, fazendo-o desmaiar.

Ao acordar novamente, ele está no hospital e é dada a ele voz de prisão por suspeita de assassinato de seus colegas, já que ele foi o único sobrevivente do massacre. No julgamento, não há nem como Ganta se defender, ele é logo declarado culpado e é sentenciado a pena de morte, cumprida na única penitenciária privada de todo o Japão, a Deadman Wonderland.

E é bom abrirmos um parêntese aqui para falar sobre a Deadman Wonderland. No universo do mangá, o Japão sofreu com um grande terremoto que fez a cidade de Tóquio ficar destruída. Para tentar revitalizar a área devastada e reavivar o turismo na região, foi criada a Deadman Wonderland, uma penitenciária privada cujos detentos deveriam, durante o cumprimento de sua pena, entreter o público em atrações, que iriam desde shows à competições de força. Algo como um parque de diversões ou um grande circo.

Porém, essa é a teoria e o que o grande público sabe a respeito da Deadman Wonderland. Na realidade, a penitenciária é um lugar muito mais perigoso para se cumprir pena. O tratamento dos carcereiros é extremamente rígido. Principalmente quando a chefe da guarda Makina está em cena. Ela não tem pena de seus prisioneiros e não pensa duas vezes antes de feri-los com sua espada quando eles a desobedecem ou escondem algo.

Além da rigidez, os presos tem que dar tudo de si nas competições de entretenimento para o público pois é lá que eles conseguem dinheiro. Em Deadman Wonderland todos os presos estão sujeitos a um sistema monetário próprio que os possibilita comprarem praticamente tudo. Desde um prato de comida mais requintado, passando por uma cela mais luxuosa e chegando até a uma possível redução de pena. Isso faz com que a competição dentro da penitenciária seja muito intensa. Conflitos entre presos são muito comuns. Não é um lugar bom para os mais fracos.

E sobre as “competições”, apesar delas serem anunciadas como armadas e cheias de efeitos especiais para o público, os presos na verdade apostam suas vidas nas arenas. Quando eles são cortados ao meio por uma lâmina enorme que deveriam desviar, não é computação gráfica, são pessoas reais sendo mortas. Mas o público não consegue perceber, para eles não passa de um show de aberrações com muito sangue e violência.

É para essa penitenciária que Ganta foi levado. E ele é um completo otário. Não tem outra palavra pra defini-lo melhor… talvez um coitado também. Ele simplesmente aceitou seu destino e tenta viver sua vida na prisão de forma a ter o menor número de problemas, mesmo que isso prejudique pessoas que nada tem a ver com a história.

Para servir de contra-ponto a Ganta, temos a estranhíssima menina Shiro. De longos cabelos brancos, cílios e sobrancelhas brancas, usando uma roupa muito justa e branca, e com olhos vermelhos como sangue, Shiro parece uma menina jovial, muito energética e com uma boa habilidade atlética. Completamente fora da realidade que a cerca. O total oposto a Ganta. Porém, ela se apresenta na história como se conhecesse Ganta, como se fosse uma velha amiga de infância.

Apesar dos dois não se darem muito bem no começo, era questão de tempo até que tudo isso mudasse. O primeiro evento a motivar uma união entre os dois é quando Ganta é atacado por um grupo de prisioneiros. Shiro aparece para ajudá-lo, consegue dar uns ataques, mas acaba sendo nocauteada com um golpe na cabeça. Porém, naquele mesmo momento, um grande objeto metálico se desprende de seu suporte e ameaça cair bem em cima de Ganta e Shiro. É aí que nós descobrimos o que aconteceu com a pedra que o ser estranho afundou no peito de Ganta. Ao que parece, ela dá ao menino um tipo de poder que, naquele momento o protegeu da queda do objeto.

Em outro momento é a vez de Shiro salvar Ganta em uma competição de vida ou morte. Ela ajuda Ganta a chegar ao final do percurso sem morrer, mesmo que isso custe a ela alguns machucados fortes. Era evidente que os dois iriam se aproximar.

Há ainda outros personagens importantes nessa história, como Minatsuki, uma menina aparentemente tímida e avessa a violência e opressão dos mais fracos, e Yoh, um jovem prisioneiro que aparece para Ganta como amigo, mas na verdade está é tramando um plano contra o garoto.

É esse o cenário criado pelos autores Jinsei Kataoka e Kazuma Kondou em Deadman Wonderland. Obra em 10 volumes publicada bimestralmente pela Panini a R$9,90.

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Eu pessoalmente me interessei muito por Deadman Wonderland e digo que o mangá me pareceu realmente mais intenso que o anime. O ritmo é muito mais acelerado e as cenas parecem acontecer a uma velocidade que deixa até o leitor desnorteado. Toda a parte inicial, até o fim do julgamento, toma míseras 34 páginas das mais de 200 que compõe o volume.

Temos personagens entrando a todo momento, coisas acontecendo, relações se formando, mistérios sendo apresentados… tudo muito caótico. Mas ainda que caótico, dentro do clima proposto pelo mangá e completamente compreensível e igualmente interessante.

Deadman Wonderland é uma leitura recomendada. Não para todos, fato. Não vá esperando uma série de comédia ou uma violência cartunesca. A ideia aqui é entregar um cenário caótico em que o personagem principal e o leitor são inseridos sem serem perguntado se gostariam ou não.

Quanto aos aspectos técnicos da edição, pouco tem a se dizer. A tradução está boa e apesar da impressão estar com uma boa resolução, ela ainda sofre por causa do papel escolhido pela Panini. A falta de páginas coloridas foi compensada por duas contra-capas muito legais.

Outros pontos de vista sobre o mangá:

– Video Quest -> Deadman Wonderland vol. 1, o último lançamento da Panini

– Elfen Lied Brasil -> Shiro no país das Maravilhas: Bem vindo à Deadman Wonderland

– Chuva de Nanquim – O circo dos horrores de Deadman Wonderland!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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