Análise – anime Nisekoi

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Com uma história cheia de exageros e muitas garotas bonitas, Nisekoi chega com a difícil missão de se desvencilhar da temática de outros harém animes famosos.

Nisekoi (Falso Amor, em tradução livre) surgiu nas páginas da revista Shonen Jump em novembro de 2011.  Escrito e desenhado por Naoshi Komi, está atualmente no seu 12° volume encadernado e já faz bastante sucesso no Japão.

A adaptação para anime foi anunciada pelo estúdio Shaft em maio de 2013 e acabou gerando bastante expectativa por parte dos fãs, afinal, o diretor responsável seria o cultuado Akiyuki Shinbo (Sayonara Zetsubō Sensei, Madoka Magica). O anime foi exibido de janeiro à maio de 2014, tendo 20 episódios e adaptando os primeiros 6 volumes do mangá.

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História Familiar

Quando digo que a história é familiar, ela é familiar mesmo, primeiro porque utiliza vários elementos famosos de outros harém animes e segundo porque envolve duas famílias mafiosas.

Na história o estudante Raku Ichijou, filho do líder de uma facção da Yakuza, é obrigado a namorar Chitoge Kirisaki, filha do chefe de uma família de mafiosos estrangeiros. A ideia dessa falso namoro partiu dos pais deles como uma maneira de melhorar a relação entre as duas “gangues” e evitar que uma guerra começasse. O problema é que antes desse anúncio repentino, Chitoge e Raku já haviam se conhecido na escola, devido a uma casualidade, e logo a primeira vista passaram a se odiar.

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Depois desse começo bem manjado, de briga entre famílias, o anime parte para explorar uma outra trama já muito utilizada em outra obra famosa (Love Hina quem?), que é a do protagonista que prometeu se casar com alguém ainda na infância. Quando era pequeno Raku ganhou um pingente do seu primeiro amor, com quem fez uma promessa de se casar quando crescesse. Esse pingente na verdade é um cadeado e apenas a pessoa amada por Raku teria a chave para abri-lo.

A partir desse momento a história começa a caminhar para um harém anime, porque apesar de começar a namorar Chitoge, Raku está apaixonado por sua colega de escola Onodera. O problema é que as duas possuem chaves e para complicar ainda mais outras personagens femininas aparecem e também se apaixonam por Raku (e acabam tendo alguma ligação com a promessa da infância).

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Garotas prometidas

Com os personagens estabelecidos o anime começa a abordar a relação interpessoal deles e é nessa hora que a história se sobrepõe a outras produções desse estilo. Todas as garotas possuem personalidades marcantes, o diretor Akiyuki Shinbo não esquece de dar uma cena interessante para cada uma delas e isso faz uma diferença muito grande na relação que acabamos criando com Kirisaki, Onodera, Tsugumi e Tachibana.

O legal da narrativa de Nisekoi é que tudo parece bem equilibrado nessa questão “tempo de tela para cada garota”, mesmo sendo óbvio que a Kirisaki e a Onodera possuem um apelo maior perante o público. E apesar dos arcos de cada personagem apresentarem situações forçadas, é possível se emocionar e se envolver com que está acontecendo a cada uma delas. Muito desse envolvimento que acabamos tendo é mérito das dubladoras de cada garota, elas estão muito bem em seus papéis.

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Visual Shaft, músicas Shaft

Quem está acostumado a assistir animes do estúdio Shaft, principalmente os do Shinbo, sabe que eles possuem uma identidade bem marcante. O diretor adora exagerar nas cores e nas texturas de cenários e roupas. O problema é que no começo de Nisekoi  eles pesaram demais nas texturas, não gostei muito da alternativa que eles propôs para as texturas usadas em primeiro plano, que tentam emular uma sensação de profundida nas cenas. Tirando esse fato, que considero um deslize, de resto a qualidade visual sempre vista nos trabalhos deles está lá.

Sobre a abertura do anime não tenho muito o que falar, mas a escolha do duo ClariS mais uma vez funcionou, parece que a voz delas foi feita para ser trilha de uma produção do estúdio Shaft (elas também cantam a OP de Madoka Magica). O que eu gostei mesmo foram os encerramentos, o estúdio inovou e concedeu uma animação de encerramento para cada protagonista feminina do anime, com a música sendo cantada pela própria dubladora da personagem. O visual de cada encerramento ficou bem conceitual e diz muito sobre a personagem apresentada.

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Sem final?!

Como vocês já devem ter percebido Nisekoi se aproveita de conceitos velhos e tenta usá-los de uma nova forma, conseguindo trazer novos ares ao gênero harém, mesmo ficando longe de fazer algo que possamos chamar de inovador. Apesar de irritar bastante o encadeamento de acasos que a história apresenta, consegui me divertir enquanto assistia ao anime. Não o recomendaria para alguém que não goste do gênero harém, porque o anime não foge mesmo de suas origens e a cada episódio entra mais a fundo nessa questão.

Vale lembrar também que a história não possui desfecho, o último episódio parece um episódio normal, nem da para perceber que a série acaba ali. Isso pode ser um incomodo para algumas pessoas, então pense bem nessa questão antes de começar a assistir.

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Óbvio, cheio de clichês e bem resolvido seria o suficiente para definir a obra de Naoshi Komi, mais a verdade é que a adaptação do estúdio Shaft consegue ter uma algo a mais e deve agradar quem não se importar com sua simplicidade narrativa.

 

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

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