Shonen Jump – 1968 – O Início de uma Era

Tudo tem um início! Conheça um pouco sobre o primeiro ano da Shonen Jump: 1968!

Bem-vindos às sexta-feiras do Gyabbo! onde a história é viva!

No dia 2 de julho de 1968, sob o selo da editora Shueisha, chegou nas bancas de jornais do Japão uma revista que faria história. Em suas páginas, grandes nomes dos quadrinhos japoneses surgiriam, recordes seriam quebrados, cifras gigantescas conquistadas e milhões de páginas de quadrinhos produzidas.

Estou me referindo à nossa já notória Shonen Jump!

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Primeiríssima Shonen Jump, lançada em 1968!!!

E hoje vamos conhecer um pouco do seu primeiro ano de vida, no agitado e contestador ano de 1968! O ano da Ofensiva Tet pela guerrilha vietnamita que invadiu a embaixada dos Estados Unidos em Saigon. O ano da morte do cosmonauta soviético, Yuri Gagarin e do fundador da TV Tupi, o empresário Assis Chateaubriand. O ano do lançamento do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço. Da Revolução de Maio de 68 que foi iniciada por estudantes da Universidade de Paris. O ano do lançamento do White Album dos Beatles, do primeiro disco do Raul Seixas e da criação da banda Led Zeppelin. O ano da Passeata dos 100 mil pelas ruas no Rio de Janeiro contra a ditadura militar – e da criação da lei que foi um verdadeiro terrorismo de estado do presidente Costa e Silva que fechava o congresso e proibia a livre expressão: o A-I5. O ano em que Richard Nixon tornou-se presidente dos Estados Unidos… enfim, muita coisa aconteceu neste explosivo ano de 1968!

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Quase 50 anos depois AINDA temos que lutar por mais paz e amor e menos racismo!

Mas voltando à nossa Jump, que naquela época ela ainda não tinha o “Weekly” antes do nome, pois a sua periodicidade variava, ela foi lançada para ser uma concorrente das já bem estabelecidas Shonen Sunday e Shonen Magazine. A Shueisha também queria aproveitar o crescente boom de consumo que o Japão estava começando a viver no final daquela década.

Para iniciar, as primeiras edições da Shonen Jump não traziam apenas mangas, mas também algumas obras ocidentais, como Flash Gordon e Mandrake! E a grande maioria das séries originais da Jump eram mangas de comédia, dos quais muitos ficaram esquecidos pela baixa qualidade e similaridade entre eles, mas alguns conseguiram ganhar destaque e se tornaram sucessos na época.

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Irei listar aqui os principais títulos da revista lançados em 1968. Lembrando, é claro, que muitos destes títulos acabaram se perdendo completamente por diversas razões e poucas informações podem ser tiradas deles.

Também não iremos comentar os one-shots que eram publicados ocasionalmente na revista – até porque é bem difícil ter informações sobre eles. Agradecimentos ao colega Leonardo do blog Analise It. Vamos lá:

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Kujira Daigo, de Sachio Uemoto, foi da edição 1 à 11.

Apesar de ter tido a honra de aparecer na primeiríssima capa da Jump, a obra foi uma dessas que acabou rápido – na época poucas séries de quadrinhos eram feitas “para durar”. Contava a história de um aluno do fundamental que tinha uma altura exagerada e vivia aventuras com seus colegas de sala. Como a maioria dos títulos da revista, era uma comédia.

Não consegui muito mais informações sobre ela. Se alguém souber mais, fique à vontade para comentar.

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Chichi no Tamashii, de Hiroshi Kaizuka. Foi um dos primeiros grandes sucessos da revista, estreando na primeirísisma edição e sendo encerrado na 44 de 1971!

Uma série das beisebol irada, mas que muitos que lessem hoje iriam estranhar, pois certos clichês chaves para mangas de esporte ainda não existiam naquela época. Mesmo assim, serviu para mostrar o quanto esse esporte, importado do país que os humilhou, fazia sucesso no Japão.

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Ore wa Kamikaze, de Toshio Shouji. Estreou na edição 4 de 1968 e se encerrou na 13 de 1969.

Série com um conteúdo mais “sério”, citando as guerras e os kamikazes. Não consegui muitas informações sobre o título, mas fica claro que o tema do nacionalismo japonês era o destaque da série.

Seria realmente interessante- lê-la e ver qual a visão que a juventude japonesa devia ter (ou que os editores gostariam que eles tivessem…) sobre a Segunda Guerra Mundial que mal tinha completado vinte anos na época que a obra foi lançada.

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Manga Konto 55-go de Naoya Kusumoto. Estreou na edição 8 de 1968 e se encerrou na edição 30 de 1970.

Série de comédia no estilo caricato e nonsense que se tornaria icônico no Japão até os dias de hoje. Vamos para o próximo.

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Otoko no Jouken , de Ikki Kajiwara e Noboru Kawasaki. Estreou na edição 10 de 1968 e se encerrou na 19 de 1969.

Brace yourselves! Vem aí uma obra de um dos maiores mestres do quadrinhos contestadores dos anos 60 e 70, mestre Ikki Kajiwara, um gênio que teve uma vida problemática, conhecido pelo seu temperamento difícil e por sua visão bem dura da realidade: que homens deveriam, literalmente, dar sangue para conquistar seus objetivos. A tradução do título deste manga não poderia ser mais moralista: Condições para se Tornar um Homem. Eww…

Esta obra pode ser considerada o avô de Bakuman. Uma série bem exagerada que queria mostrar que a vida de um mangaka poderia ser terrível naquela época. Contava a história de Hata Ichitarou, um destes trabalhadores em regime semi-escravo nas fábricas japonesas que, depois de ler um manga onde uma prensa de fábrica aparece desenhada errada, sente-se ofendido e vai tirar satisfações com este mangaka que “nunca deve ter trabalhado para valer na vida”. Ao chegar no apartamento do artista, vê que ele está sendo atacado por bandidos. Depois de salvá-lo e ficar com a cabeça sangrando, o trabalhador usa o próprio sangue para desenhar a máquina de fábrica do jeito correto no asfalto da rua!

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A série realmente apelava no seu discurso e nas situações da vida dos artistas. Em uma delas, Hata e seu amigo mangaka precisam bolar juntos um manga engraçado o suficiente para fazer um chefe Yakuza rir ou serão mortos. Bakuman teve a quem puxar…

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Harenchi Gakuen, do mestre Go Nagai. Estreou na edições 11 de 1968 e terminou na 41 de 1972.

Hora de falarmos da obra de outro grande mestre, Go Nagai! Este título foi outro dos primeiros grandes sucessos da Shonen Jump e foi uma tremenda dor de cabeça para os editores, pois era bastante politicamente incorreto para a época. Só pela tradução do título já dá para notar: “Escola Sem-Vergonha”.

O enredo girava em torno de uma escola bem safada, onde alunos viviam no clima de Woodstock, tirando a roupa, fazendo amor livre, falando bobagens e vadiando. Até os professores acabavam entrando nas festinhas animadas! Pode ser considerado um dos percursores do Ecchi.

Apesar da sua popularidade arrebatadora (foi o maior sucesso da revista em sua época), as associações de pais e mestres ordenaram que a editora cancelasse o título em 1972. Indignado, Nakai encerrou a trama com um dos finais mais icônicos da história dos mangás: fez o colégio ser invadido pelo Exército! Em páginas cheias de violência, sangue e tripas!

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We don’t need education!

Mas isto não foi suficiente para ofuscar a série, que, na época, chegou até a ganhar live-actions de tão incrível que era! Não que fossem filmes com graaandes enredos, mas ainda eram divertidos como aquelas comédias de sessão da tarde dos anos 80.

Felizmente, mestre Nagai ainda daria e muito as caras por aí! Inclusive na Jump!

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Otoko Ippiki Gaki-Taishou, de Hiroshi Motomiya. Estreou na edição 11 de 1968 e foi até a 13 de 1973.

Outra série que foi um grande sucesso na Jump. História sobre delinquentes juvenis com muita porrada. Trazia o personagem Mankichi Togawa, delinquente que queria se tornar o numero um das gangues da sua escola. Época em que os delinquentes ainda não usavam os icônicos “topetões” – ou pelo menos não nos mangas.

Esta série também ficou conhecido por ser o manga preferido de um futuro autor de sucesso da Jump: Masami Kurumada. Mas sobre eles falamos em outra ocasião…

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E estas foram as séries da Jump daquele seu primeiro ano de vida. Espero que tenham curtido!

Shonen Jump, um filhote de 1968, o ano que ainda não acabou!

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