Entendendo o mercado brasileiro de mangas – A variação do brite 52g e preços

Por que está ocorrendo essa variação brutal no papel no mercado brasileiro de mangas e como isso ocorre? Confira aqui no Gyabbo!

Como muitos devem saber, estamos enfrentando uma crise econômica não só no Brasil, mas no mundo todo e, conseqüentemente, nossos mangás estão passando por transformações, principalmente quanto ao papel Brite de gramatura 52g (aquele que conhecemos popularmente como papel jornal).

Além disso, há algumas empresas de papeis falindo e outras deixando de fazer um número suficiente para suprir a necessidade das editoras e, por conta disso, as gráficas tiveram que utilizar outros fornecedores para repor essa lacuna. Entretanto, essa troca nem sempre equivalente de marca gerou uma variação brutal nos nossos queridos mangás, começando uma repercussão na boca do povo (otaku)! Muitos alegaram que as editoras trocaram para uma gramatura menor, diminuindo a qualidade, para aumentar os lucros.

Bom… não foi bem assim.

Quando falamos de papel, em geral, devemos levar em conta que não será a gramatura em si que irá influenciar a sua qualidade, pelo contrário, ela só determinará a massa, o peso do produto e, como podemos notar, todas as grandes editoras costumeiramente utilizam a gramatura 52g no Brite.

A gramatura continua a mesma, entretanto, cada fornecedora trabalha com uma marca que possivelmente executa um processo diferente para fabricar o papel, ocorrendo essa variação de qualidade. Quando falamos de papel, a ordem dos tratores altera sim o viaduto.

Então, que raios faz um papel de mangá parecer um jornal ou uma obra prima se não é a gramatura?

São os processos químicos e mecânicos na hora da produção. Dependendo desses fatores teremos uma alteração na cor e textura. Por exemplo, o que torna o papel mais lisinho, como o que vimos no primeiro volume de Tokyo Ghoul da editora Panini é a posição das fibras da celulose (material do qual o papel é feito), que, quanto mais alinhada e na mesma direção, mais harmonioso e menos áspero será o material. Diferente, por exemplo, de Bleach, que contém um papel mais poroso.

A posição das fibras também vai influenciar uma melhor impressão, pois quanto mais alinhado o papel, mais fácil será sua pigmentação, gerando cores mais nítidas, incluindo o contraste com o preto. Outro fator interessante que também influencia na qualidade é a forma que será comprimido esse papel. Quanto mais comprimido, maiores são as chances dele ser liso, pois acabará de certa forma alinhando essas fibras.

Já a cor do papel dependerá unicamente dos processos químicos da celulose e da quantidade de eucaliptos na sua composição. Quanto maior a quantidade de alcalino, mais claro será o papel. Todos esses processos geram custos e o que é mais caro normalmente é cortado, ou substituído por outro processo que cabe melhor no bolso dos importadores e empresas que trabalham nesse ramo em geral, resultando em mudanças que nem sempre agradam tanto aos leitores quanto às próprias editoras. Dessa forma, é assim, entre outros fatores que é comum um mangá custar mais caro que outros.

Referências

– CHERUBIN, M. J. Livro Celulose. 1. ed. São Paulo: SENAI, 2013.

– SKOLOS, N. O Processo do Design Gráfico: do Problema à Solução – Vinte Estudos de Casos. 1. ed. Rio de Janeiro: Rosari, 2012.

Sobre Karolina

Técnica em comunicação visual, 20 anos, mora em São Paulo. Desde
criança conviveu com animes na sua vida, mas só se interessou mais a fundo na 7ª serie do fundamental e está até hoje presente em sua vida. Fangirl de shoujo, animações clássicas e psicodélicas, também é fã de carteirinha de Evangelion e Noragami.
Twitter: @KarolFacaia

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