Memórias de um fã: Love Hina

No último domingo eu cuidei novamente da parte de exibição de animes de um evento aqui em Manaus, o SOS CON. Lá, antes de tudo começar, conversando com uma pessoa do grupo de compartilhamento de animes aqui da cidade de Manaus Anime Sharing Day, o Kitsune25x, acabei aproveitando para pegar alguns animes com ele, incluindo um que há anos atrás eu havia assistido até o episódio 19, sem lembrar do que porque ter parado. Esse anime foi Love Hina.

 Eu não sei se isso vai virar uma coluna constante (depende do feedback de vocês a esse post), mas após assistir ao episódio 20 agora de madrugada, fiquei com vontade de falar um pouco das minhas memórias que tenho com esse anime.

Sim, talvez você ache estranho eu estar falando com tanto carinho de um anime harém, mas minha aversão ao fanservice era bem menor (pra não dizer nula) quando eu ainda era um pré-adolescente.

Se lembro bem Love Hina foi um dos primeiros títulos que eu assisti, ali pelo ano de 2001, 2002. O vício foi rápido: o anime era hilário, com muitas garotas bonitas em situações sensuais, a animação era boa (olhando hoje dá pra ver muitos problemas com ela, mas não chega a ser algo muito datado para um anime de 2000), a abertura pela saudosa Megumi Hayashibara me empolgava todas às vezes que começava um novo episódio. Eram tempos mais simples onde animes mais simples traziam uma diversão maior.

Havia nisso tudo toda a experiência de estar vendo um anime pela internet (não lembro de baixei ou peguei os CD’s gravados com algum amigo), diretamente em japonês e com elementos que eu nunca havia visto nos animes que chegavam ao Brasil pela televisão.

O meu vício era tão grande que lembro bem que um dia as caixas de som do meu computador simplesmente pararam de funcionar e eu fui obrigado (mentira, não fui) a continuar assistindo apenas pelas legendas, esquecendo completamente das vozes das seiyuu e perdendo aquela tão boa abertura.

Mas Love Hina não está guardado na minha memória afetiva simplesmente por seu ineditismo. Os primeiros anos da década 00 foram o auge do mIRC para mim (Ah! Saudades da Brasnet!) e algo relacionado ao anime tomou um rumo que marcou parte da minha vida como ela é hoje. Lembro que ao final de 2002, quando eu acho que já devia ter parado de ver Love Hina por motivos que eu realmente não lembro, vagando por canais aleatórios entrei em um chamado #Animes_e_Mangas. Apesar do nome incrivelmente simplório (em uma época em que o #AnimeNet e o #Inuyasha eram reis das área de animes da Brasnet), ali eu encontrei pessoas incríveis – até porque o mIRC ajudava nisso, conseguir a amizade de alguém por lá era realmente rápido e prazeroso -, mas infelizmente poucos dias depois de eu entrar neste canal ele foi fechado, sendo substituído pelos usuários que não queriam perder um lugar de encontro com aquelas pessoas pelo mais que saudoso #Garotas_Hinata.

Nesse lugar eu vim conhecer duas pessoas também de manaus que se tornaram grandes amigas e que até hoje estão ao meu lado. Uma delas acabou sendo minha namorada por sinal, apesar de não ter durado muito. Nesta último sábado, quase 10 anos depois de tudo isso por causa de um simples (apesar de acima da média até hoje) anime harém, estive presente da formatura de uma dessas minhas amigas que acaba de se transformar em médica, um sonho compartilhado entre conversas abertas no canal e em pvt no canal que procurava emular o sentimento pueril de amizade da pensão Hinata.

Mais ou menos um ano foi a duração do #Garotas_Hinata, até seu infeliz fechamento. Porém, novamente na vontade de não perder os laços com bons amigos, eu e outra grande amiga conquistada naquele canal, resolvemos criar no dia 22 de Novembro de 2003 um novo lugar que viria se chamar #Sake, cuja mascote viria a ser justamente a Mitsune de Love Hina entornando saquê,  um grupo que foi crescendo, agregando pessoas de vários lugares, vários amigos que vejo no meu dia a dia até hoje e que fizeram minha adolescência, marcando muitas das melhores memórias que tenho. Ainda que muitos tenham sumido no processo natural do tempo, muitos continuam até hoje me acompanhando nesta dura vida.

Eu sei que muitos de vocês podem achar isso tudo bobo, ingênuo, infantil. Talvez eu mesmo viesse a achar se não fosse a minha própria história. Mas a verdade é que, deixando de lado a discussão da sua qualidade, Love Hina indiretamente me levou para caminhos que moldariam meu grupo social e parte de quem eu sou por isso. Fico imaginando o que teria acontecido se eu não soubesse o que era a “Pensão Hinata” e nunca tivesse entrada naquele novo canal. Certamente tudo hoje seria bem diferente na minha vida.

Gostaria de ouvir de vocês nos comentários histórias assim, memórias de fãs envolvendo animes e manga. Na verdade, gostaria que aqueles interessados enviassem um texto para o email [email protected] contando algo semelhante para que essa seja uma nova coluna no blog, aproximando-se mais do leitor.

No último domingo eu cuidei novamente da parte de exibição […]