Skull Man – Por Shotaro Ishinomori

Em uma série de posts especiais no no Portal Genkidama, iremos conhecer um pouco a história e obra de uma das lendas dos quadrinhos japoneses: Shotaro Ishinomori, nascido em 25 de Janeiro e falecido em 28 de Janeiro de 1998, apenas três dias depois de completar 60 anos.

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Para quem não reconhece o nome, Ishinomori foi o criador de Cyborg 009 que teve sua primeira versão animada exibida nos anos 70 pela Tv Tupi e seu o remake de 2001 pelo Cartoon Network em 2004. Responsável pelo primeiro grupo de super sentai (sim, estilo Power Rangers) e também da franquia Kamen Rider, o autor foi um dos pupilos do mestre Osamu Tezuka com quem trabalhou na produção de Astro Boy. Devoto da arte sequencial, foi reconhecido em 2008 pelo Guinness Book – o livro dos recordes – pelo maior número de publicações de um mesmo autor, totalizando 770 histórias individuais compiladas em 500 volumes.

Aqui no Gyabbo! irei comentar uma de suas séries, Skull Man, que acabou servindo como base de uma das suas obras mais importantes, Kamen Rider.

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Publicado em 1970 na revista semanal Shounen Magazine (casa de obras como Ashita no Joe, Hajime no Ippo, Love Hina e mais recentemente Fairy Tail), parte da ideia de criar uma história voltado ao público infanto-juvenil, mas com um tom mais negro que pudesse assusta-las.

Compilada em um único volume narra a história de um dos primeiros anti-heróis da história dos mangas, Skull Man, um jovem de 18 anos em busca de vingança do homem que matou seus pais quando ele ainda era um bebê. Junto de Garo, um poderoso mutante com a habilidade de se transformar em diversas criaturas como lobos, morcegos e crocodilos gigantes, o rapaz inicia uma série de assassinatos, eliminando todos que tivessem qualquer ligação com o tal homem. Enquanto isso, o detetive Tachiki trabalha junto da polícia com o objetivo de parar as atrocidades do protagonista.

Skullman_061Ler Skull Man foi um grande misto de impressões e sentimentos. É difícil inicialmente se acostumar com o traço cartunesco de Ishinomori, ainda muito carregado de semelhanças com o traço de Tezuka, prejudicando o clima de horror que a série tenta imprimir na sua narrativa. E mesmo desconsiderando essa discrepância entre tom e visual, não seria difícil dizer que o desenho é realmente mal feito em diversos quadros.

No entanto, essas observações são logo desviadas para a história, que se hoje não é nenhum grande assombro, mostra marcas de uma originalidade interessante, mantendo uma dinâmica página após página que prende o leitor que até a última página não é capaz de escolher um lado. Antes de qualquer coisa, Skull Man é uma obra cinza, onde por mais que queiramos polariza-la como uma disputa entre o bem (força policial) e o mal (assassino Skull Man), logo percebe-se que isso não é apenas impossível como inútil.

Skullman_093Skull Man, ou Tatsuo Kagura quando está sem seu uniforme, mostra uma crueldade quase sociopata, algo interessante de se ver em um protagonista shounen se compararmos com o que vemos nas principais obras hoje. Porém, mais do que isso, Ishinomori coloca em sua obra um carga social muito mais palpável que os ideais de lealdade, fraternidade e trabalho em conjunto que prevalência nos shounen modernos.

Olhando por um viés sócio-histórico, Tatsuo Kagura representa a juventude japonesa dos anos 60~70 em sua inquietude presente na geração pós-guerra de um país em franco crescimento econômico, mas em crise nacional. Da mesma forma que Shogo Chikaishi da obra Apollo’s Song de Osamu Tezuka (conheça mais dessa obra-prima nesse artigo do Gyabbo!), também de 1970, a história de Skull Man é uma busca por sua origens de um jovem vazio.

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É verdade que essas características interessantes da obra possivelmente não iriam saltar aos olhos de quem tiver interesse em simplesmente ter um bom entretenimento. Para um leitor atual a obra não só parece visualmente datada como soa clichê. No entanto, podemos encontrar em Skull Man pontos que marcaram o início do manga – ainda mais pela fortíssima influência de Tezuka sobre Ishinomori – e para os fãs dos quadrinhos japonesas a obra se torna um prato cheio para entendermos como chegamos até o que temos hoje.

Essa foi a minha primeira leitura de uma obra do autor e mesmo com seus diversos defeitos, conseguiu me fisgar para procurar outros títulos, especialmente a franquia 009, obra máxima de Ishinomori. Além disso, recomendo a todos, até para mim mesmo, que irei reler algumas vezes para pensar bem em todas as reviravoltas do roteiro e seu final tão direto e impressionante.

PS: Para quem ler, gostar, mas querer algo mais “moderno”, Skull Man recebeu um anime pelo estúdio Bones em 2007, além de dois remakes em manga, um de 1998 até 2001 e outro em 2007, além de um filme live-action no mesmo ano.

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