Perfect Blue (Perfect Blue, 1997) – Nunca é demais falar de Satoshi Kon

— O que? Isso não é verdade! Eu não escrevi isso!
— Claro que não. A verdadeira Mima é que está escrevendo.

Satoshi Kon é um dos grandes diretores da história da animação japonesa. Sua pequena, porém excelente, filmografia é recheada de pequenos clássicos. Dentre eles, o primeiro filme de sua carreira como diretor, Perfect Blue, de 1997. A escolha por esse filme foi curiosa. Eu queria falar de alguma obra de Kon e pensei em pegar obras mais… obscuras… para comentar, mas esse filme ficava sempre na minha cabeça. Desde que comecei com o Anikenkai, um filme que gostaria de falar sobre era Perfect Blue. Queria dizer para os meus leitores o que eu acho, o que eu vi, o que eu senti vendo esse filme. Claro que milhares de outros sites/blogs já comentaram sobre esse filme. Por que ele merece. Mas ainda assim, eu gostaria de deixar registrado aqui meu ponto de vista sobre esses fantásticos 81 minutos de filme.

A História

Mima Kirigoe é uma idol que decide largar sua carreira na música para se tornar uma atriz. Sua carreira cresce em meio a cenas de sexo e ensaios eróticos. Seus antigos fãs desaprovam tais atividades, principalmente um stalker chamado Uchida. Traumatizada pela perseguição de seus fãs, inclusive através de uma página/diário na internet onde são postados acontecimentos detalhados do seu dia a dia, e a cena de estupro, Mima começa a ter diversas alucinações. Tudo piora ainda mais quando pessoas ao seu redor começam a ser brutalmente assassinadas.

Comentando

Eu acho esse filme incrível. Sem dúvida, um dos melhores que eu já assisti. A incerteza que permeia a cabeça do espectador ao acompanhar a história de Mami é muito bem desenvolvida. Você fica o filme inteiro se indagando o que é verdade e o que é mentira. Afinal, o filme é narrado pelo ponto de vista da própria Mami, que está sofrendo com severas alucinações. Não dá pra confiar em NADA que é mostrado. Mesmo após o final do filme você ainda fica pensando o que de fato ocorreu e o que era invenção da cabeça da personagem.

Outro ponto interessante é a imagem formada do fandom de idols no Japão. Pessoas obcecadas por essas jovens cantoras. Obcecadas ao ponto de moldarem a realidade em prol de sua obsessão. Faz a gente pensar sobre como algumas dessas meninas devem sofrer com a perseguição de doidos como o Uchida. Este, por sinal, caracterizado como um ser humano de aparência deplorável. Uma pessoa que gera completa repulsa.

Uma coisa que é dita no filme e que a mais pura verdade, é que a indústria de idols hoje é algo de nicho no Japão. Apesar delas serem bem populares, o grande lucro vem dos idol-otaku. São eles que compram infinitas copias de um single, são eles que estão ligados em todos os programas de TV, compram todos os DVDs, etc. Por causa dessa devoção, esse idol-otaku se sente dono do seu objeto de admiração. Essa questão é posta bem em evidência durante o filme.

Durante toda a história, eu fiquei tentando fazer conexões e correlações para tentar amarrar toda a história antes dela acabar. Normalmente eu consigo fazer tal coisa, mas em Perfect Blue, confesso, o final foi uma surpresa. O fato deu até hoje não conseguir saber o que de fato aconteceu e o que não aconteceu, colaboram para essa sensação de surpresa. Não há como negar a bela forma como esse filme foi conduzido pelo diretor.

Considerações Finais

Eu tive que me segurar nesse post. Ao mesmo tempo que eu queria falar sobre todos os aspectos presentes nessa obra, eu me seguirei. Fiz isso pois acredito ainda que muitos de vocês que estão lendo esse texto agora nunca viram esse filme. Espero que eu tenha conseguido o meu objetivo de fazer vocês enxergarem de que se não viram ainda, tratem de arranjar um jeito de ver! Eu acho exagero quando as pessoas dizem que algo é essencial para qualquer fã de animação japonesa, mas olha, no caso de Perfect Blue, isso se aplica bastante.

Deixo aqui um post pequeno, se comparado ao meu desejo de escrever (nem na parte da história eu quis detalhar muito), mas que passa bem o que eu senti ao assisti-lo e o por quê eu acho que vocês devem assisti-lo.

Se quiser mais informações sobre o filme, recomendo FORTEMENTE o texto da minha querida colega @beta_blood no Elfen Lied Brasil: Perfect Blue: Um eletrizante thriller psicológico!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

— O que? Isso não é verdade! Eu não escrevi […]