Hinomaru Zumou e o sumô

Cai dentro, magrinho!

Conheça o novo calouro-estrela da Shonen Jump: Hinomaru Zumou!

“Não tropeçamos nas grandes montanhas, mas nas pequenas pedras”

Augusto Cury

Há mais de dois mil anos atrás, os deuses xintoístas Takemikazuchi e Takeminakata lutaram pelo controle das ilhas da costa de Izumo, no Japão. Sem armas ou armaduras, as divindades se bateram até que um derrubasse o outro. Essa é a lenda que explica a origem do sumô.

Mesmo para quem vive no lado ocidental do planeta, o sumô não é um esporte tão desconhecido – podemos até não entender as regras, mas já ouvimos algo sobre ele em livros, filmes, games ou simplesmente zapeando pelos canais a cabo e caindo, sem querer, numa emissora japonesa. Claro que, para nossos olhos, pode parecer uma modalidade no mínimo bizarra: dois gordos seminus se agarrando e tentando derrubar o outro. Mas como aqui no Gyabbo! as segundas-feiras são os dias em que os bizarros são normais, vamos explicar mais sobre o esporte. E vamos fazer isto através do novo mangá sensação do semanário Shonen Jump: Hinomaru Zumou, do autor Kawada!

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Mangás shonen, especialmente os da Jump, possuem uma formulinha básica para serem apresentados ao público. No primeiro capítulo conhecemos o personagem principal que, na maioria das vezes, parece aquele carinha que você não dá nada. Ele se vê diante de um primeiro desafio, que consegue suplantar facilmente, e acaba fazendo seu primeiro inimigo ou rival. Também quase sempre temos um ‘sidekick’, geralmente um personagem de personalidade mais frágil, para fazer par com o protagonista e, se possível, alguma menininha bonita para suavizar o ambiente. Adicionamos um tempero qualquer (folclore japonês, ninjas, piratas, deuses gregos) e pronto: está formada a base da série.

Quando Hinomaru Zumou estreou na Jump (como um one-shot, em agosto de 2013, e como série regular, em maio de 2014) eu acredito que a surpresa dos leitores deve ter sido grande. Mangas de baseball existem aos baldes no Japão. Futebol também. Basquete e tênis são muito populares. Até mangá sobre Go já foi publicado. Mas um mangá sobre sumô é bastante raro, principalmente dentro do demográfico shonen. O que pode parecer estranho, pois em termos de popularidade no país, o sumô fica confortavelmente com o terceiro lugar (atrás apenas do baseball e futebol). Mais do que isto: de tradição xintoísta, ele é quase que um ritual religioso além de uma arte marcial – sendo muito respeitado. Então por que existem tão poucos mangás sobre sumô?

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Acredito que a resposta está logo no primeiro capítulo de Zumou: somos apresentados ao “sidekick” Ozeki Shinya, capitão (e único membro) do clube de sumô do colégio Daichi. Gordinho, desastrado e constantemente zoado pelos colegas, que acham o sumô um esporte idiota. Aparentemente os mais jovens no Japão parecem não ter a mesma reverência pela modalidade que seus pais e avós. A única razão do sumô ainda possuir tantos adeptos é justamente por causa da população mais velha do Japão.

Porém o jovem calouro Ushio Hinomaru não apenas ama o esporte, como deseja alcançar o mais alto ranking da modalidade: Yokozuna. Um feito que parece ser impossível, haja vista que Ushio é baixinho e sequer pesa mais de oitenta quilos. Mas o garoto está determinado a não apenas ser um Yokozuna, mas como quer ser o melhor do Japão (típico…).

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Prosseguindo na história, conhecemos o bad boy do colégio, Gojou Yuuma, que logo no primeiro capítulo toma um pau de Ushio. Abismado ao conhecer a força de um lutador de sumô ele decide entrar no clube também. Nos capítulos seguintes conhecemos outros personagens, garotos de um colégio rival que serão os primeiros antagonistas. E é curioso como muitos deles não possuem o padrão corporal gordinho. De fato, no sumô isto não é obrigatório, mas ser mais pesado que o oponente realmente é uma grande vantagem, especialmente porque nesse esporte não existe divisão por peso – não é incomum um “magrinho” de 110 quilos ter de lutar com um “fortinho” de 220…

Hinomaru Zumou é um mangá com um roteiro ainda em desenvolvimento e que, estruturalmente, não apresenta grandes novidades. Mas ele faz o feijão-com-arroz com capricho! O tempero do sumô é o que está diferenciando-o até agora. A arte é boa, embora dê para sentir que seu autor, Kawada, é competente e ainda vai se desenvolver muito.

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Personagens femininas, pelo visto, serão muito poucas, uma vez que o sumô é um esporte muito tradicional e machista. “Ei, mas já ouvi dizer que existem mulheres sumocas!” Sim, existem. De fato a federação japonesa de sumô decidiu criar uma modalidade paralela chamado onnazumo (que, para todos os efeitos, não é considerado o mesmo que o sumô tradicional) onde mulheres podem participar. O motivo é justamente tentar popularizar um pouco mais a modalidade para que ela não desapareça. No entanto ainda não sabemos se os estilos “amadores” de sumô pelo mundo serão retratadas na obra.

Gosto de pensar que uma das razões do mangá ter atingido rankings tão altos no semanário logo de cara (além da óbvia qualidade) é justamente pela novidade de abordar esse esporte tão pouco representado nos mangas shonen. A personalidade “quero-ser-o-melhor-do-Japão” do personagem principal ainda é genérica demais (embora seu cabelo estilo fogo seja legal). Sem falar que esses primeiros capítulos estão caminhando para o bom e velho plot dos torneios. Vamos ver se o título vai segurar a peteca nas próximas semanas.

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De qualquer modo, em prol da pluralidade do shonen, fica aqui o meu desejo que Hinomaru Zumou alcance grandes vôos; para a alegria dos adoradores do sumô – e também das chubby chasers! :D

Cai dentro, magrinho! Conheça o novo calouro-estrela da Shonen Jump: […]