Nichijou – Primeiras impressões

E começa a onda de posts com as primeiras impressões dos animes da temporada de primavera 2011! Como essa temporada veio com um número grande de animes interessantes, vou (provavelmente) postar em dias um pouco não usuais aqui no blog para dar conta de tudo em um tempo que não deixe os posts sem muito sentido. E para começar, vamos começar com estilo, do jeito mais louco possível: Nichijou.

Nichijou, o mais novo anime do estúdio Kyoto Animation, chega sem pedir licença para ninguém, assim como fez Lucky Star há alguns anos. Baseado em um manga de Arawi Keiichi lançado desde 2006 na revista Shonen Ace e contando atualmente com 5 volumes, Nichijou não lembra Lucky Star apenas pelo non sense e extrema divisão de gostos entre o público, a nova adaptação da KyoAni trás de volta a marca de um anime nitidamente dividido em pequenos sketchs humorísticos baseados principalmente em piadas rápidas, sejam elas visuais ou por diálogos sem muita noção.

Sendo assim, não há como falarmos aqui de uma história. Mesmo em K-ON!, outra obra slice-of-life do mesmo estúdio, tínhamos um núcleo estruturante que poderíamos chamar de história, ainda que a evolução fosse à passos lentos. Já em Nichijou, pelo menos nos episódios 0 e 01, o máximo que podemos estabelecer são núcleos de situações e personagens.

De um lado temos uma casa simples onde moram um gato falante, Sakamoto, aparentemente muito sério, mas com instintos de gato fofo que entregam seu verdadeiro ser, uma garota andróide, Shinonome, que apesar de ter um gigantesco parafuso nas costas ainda tenta esconder do mundo seu “segredo” e Hakase, aparentemente uma cientista (que criou Shinonome) em forma de garotinha.

Em outra parte temos o núcleo da escola, inicialmente bem mais rico de personagens, mas que tem como foco três garotas: Yuuko, Mai e Mio. Poderia citar aqui o peculiar diretor da escola com suas piadas sem graça ou o filho de fazendeiros que se acha bom demais para gastar energias com coisas como andar, então vai de bode para a escola.

Dando uma lida no primeiro capítulo do manga, é fácil perceber que a KyoAni foi bem fiel em muitos pontos, sem deixar de colocar o seu dedo ali, o que é mais do que bem-vindo. Nichijou é um grande desafio por parte de quem assiste pois a mera lembrança de que você pode refletir irá estragar toda a diversão. A questão aqui é se desligar de tudo e rir absurdamente das coisas mais non sense possíveis. O problema é que além de esse ser um formato complicado de se aplicar em uma animação, nem todas as piadas são de fácil acesso. Quando você tem que ir no Google pesquisar o que significa “Selemat Pagi” (“Bom dia” na Indonésia) para entender uma piada, as coisas não ficam tão divertidas.

Apesar de pessoalmente eu ter gostado muito dos dois episódios apresentados até o momento, é fácil prever que não será um anime com muita atenção pelos brasileiros. Lucky Star, de longe o menos “pop” do trio Star-Haruhi-K-ON por aqui, se segurava principalmente pelas referências ao mundo otaku, o que não deve ser muito frequente (se é que aparecerá) em Nichijou.

Algo muito importante a ser destacado é a ótima produção do anime. É importante ressaltar que o diretor desse anime é basicamente o principal do estúdio, Tatsuya Ishihara, muito responsável pelo sucesso que Haruhi Suzumiya goza hoje. A animação é muito bonita, com as cores levemente apagadas, mas com os contornos dos personagens mais fortes. Sendo um anime que se baseia muito no visual e em expressões exageradas, uma animação menos competente poderia facilmente comprometer toda a obra. Felizmente ela só engrandece (achei as cenas do primeiro capítulo do manga melhores em suas versões no anime).

Entre as personagens principais é interessante notar a participação de seiyuu inexperientes. Temos Mariko Honda e Misuzu Togashi nos seus terceiros papeis e Shizuka Furuya em seu primeiro. É para ficar de olho já que as três se mostraram bastante consistência nesse primeiro momento, em especial Honda no papel da mais agitada Yuuko.

Nichijou pode não ser do agrado de muita gente, sendo percebido como cópia de Azumanga Daioh e Lucky Star, mas com um pouco menos de pretensão, temos possivelmente aqui uma ótima comédia para se desenvolver em 26 episódios. Confiram!

PS: Não achei espaço para encaixar no texto, mas Nichijou tem uma abertura bem divertida, a melhor da temporada até o momento.

E começa a onda de posts com as primeiras impressões […]