Review: Digimon Adventure Tri – Episódios 1 – 4 (SEM SPOILERS)

Pode ter demorado mais do que o previsto, mas finalmente estreou Digimon Adventure Tri, série produzida pela Toei para comemorar os 15 anos da franquia Digimon, trazendo consigo uma enorme onda de nostalgia: Seis anos após os eventos da primeira série da franquia, um digimon enlouquecido escapa do Digimundo para o mundo real deixando caos e destruição por onde passa. A notícia de seu aparecimento chega aos digiescolhidos originais, que há muito estão desconectados de seus digimons, e estes se sentem na obrigação de fazer alguma coisa. Com o auxílio de uma organização misteriosa, eles se reencontram com seus digimons e partem para enfrentar o inimigo. Porém, é claro que o problema era muito maior do que eles esperavam.

Assistir Digimon Adventure Tri foi uma verdadeira viagem de volta à minha infância. Poder rever esses personagens com quem passei diversos bons momentos criou uma identificação imediata entre mim e a série. Quando apareceram as cenas de digievolução com aquela música clássica não consegui conter as emoções. Pra ficar mais nostálgico só se fosse dublado em português. A Toei realmente acertou em cheio no tom dessa continuação e entregou uma verdadeira carta de amor à franquia e, por conseguinte, aos fãs mais antigos. Porém, ela foi além, apresentando novos elementos, conflitos e mistérios que fazem com que Digimon Tri não seja apenas um spin-off fanservice, mas sim uma série que vale a pena ser acompanhada.

digimonadventuretri_02Temos aqui o mesmo grupo de personagens de antes, mas que não são os mesmos. Eles estão mais velhos, mais maduros, com mais problemas, dificuldades, objetivos divergentes. O Tai já não é mais aquele menino inconsequente, disposto a ir às últimas consequências se isso lhe fizer vencer. Ele agora é um Tai que pondera mais suas atitudes e como elas afetam a vida das pessoas ao seu redor. Curiosamente, quem assumiu essa postura mais confiante foi o Matt, que antes era quem mais se preocupava com a segurança dos outros, mas que agora age de maneira mais “livre”. Muito disso se deve ao fato de seu irmão, o T.K., já estar mais crescido e, por isso, menos dependente dele. Ainda temos casos como o do Joe, o mais velho do grupo, que se distanciou um pouco pois precisa focar em seu futuro, em passar no vestibular, etc. Isso o deixou mais frio e mais afastado de seus antigos amigos ao ponto dele quase não aparecer nesses primeiros episódios.

Essa fase final da adolescência já é naturalmente conturbada e, sem dúvida, possibilita um amplo campo narrativo. Colocar esses personagens cientes de seu amadurecimento foi uma decisão que me agradou bastante. As mudanças no design dos personagens também ajudou nessa percepção de amadurecimento. Ao mesmo tempo você consegue identificar quem é quem com facilidade e também notar como eles cresceram e mudaram.

digimonadventuretri_10Por outro lado, a animação foi um ponto que já não me agradou tanto. Sim, sem dúvida ela não está sofrível como outras obras recentes da Toei, mas ainda assim tem quedas consideráveis de qualidade demais para um produto com apelo comercial tão grande e que teve tanto tempo para ser produzido. A maioria das lutas está muito bem animada e fluida, mas há outros momentos em que a quantidade de quadros estáticos e o uso de traços simples demais fica exagerado. Sem contar erros grotescos mesmo como esquecerem de animar a boca do Izzy em uma cena na primeira metade do episódio 3. Eu cheguei a achar que havia algum problema no áudio pois a voz dele continuava, mas a boca estava “fechada”.

Felizmente toda a ambientação e a história me fizeram relevar esses problemas e pude curtir, assim, o anime. Gostei especialmente de como optaram por seguir uma pegada de mais ação e menos exposição, deixando vários mistérios no ar para serem resolvidos no decorrer da série. Mistérios esses que já motivaram e motivarão ainda muitas teorias e discussões internet a fora. Adoro quando animes conseguem causar esse tipo de reação nas pessoas. Quando algo me motiva a querer sair e discutir, teorizar e buscar entender melhor o que eu assisti, é sinal de fizeram algo certo e, sem dúvida, a Toei acertou, e muito, com Digimon Adventures Tri.

digimonadventuretri_01Se você estava com medo achando que Digimon Adventures Tri seria apenas um spin-off caça-níquel, pode relaxar e assistir sem medo. Pelo menos ao que deu pra perceber por esses primeiros episódios é que teremos sim uma boa história sendo contada. Digna da homenagem que se propõe a prestar, mas também trazendo novos elementos e situações.

Digimon Adventures Tri terá seis OVAs, cada um deles divididos em quatro episódios para exibição no Crunchyroll. O segundo OVA já está com previsão de lançamento para a Temporada de Primavera 2016 no Japão.

ATENÇÃO: Para comentários mais aprofundados, com direito a SPOILERS, aguardem o Anikencast que sairá na quarta-feira!

Sobre Diogo Prado

Tradutor, professor, host do Anikencast, apaixonado por quadrinhos, apreciador de jogos eletrônicos e precoce entendedor de animação japonesa.

Você pode me achar no twitter em @didcart.

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