Fest Comix – Coletiva da editora JBC – Detalhes do relançamento de Rurouni Kenshin e mais

Como eu havia avisado aqui, passei a última semana na cidade de São Paulo entre uma programação que juntou muito turismo, um bom congresso de Psicologia e a famosa Fest Comix. Foi uma semana corrida, cansativa, mas certamente muito divertida e proveitosa para mim e para o blog. Foi um período ótimo para comprar muitos mangas (que irão aparecer por aqui), conversar com pessoas do mercado, outros blogueiros, enfim, muita coisa boa vem por aí.

Para começar vou passar aqui sobre tudo que foi tratado na coletiva feita pela Editora JBC para falar um pouco do seu 2012 e do planejamento inicial para o ano que virá, confiram!

Iniciando aproximadamente às 14:30 no último dia do evento, a coletiva certamente era bastante aguardada, lotando completamente o auditório improvisado no Centro de Eventos São Luís na chama Arena Banco do Brasil com Edi Carlos (Gerente de Comunicação), Cassius Medauar (Gerente de Conteúdo) e Renata Garcia (Assistente Editorial) na mesa.

A apresentação começou com um vídeo institucional contando parte da história da editora – mesmo vídeo usado na coletiva feita em Junho deste ano na FNAC para apresentação de Medauar depois da saída de Marcelo Del Greco.

Após isso Cassius tomou as palavras para se apresentar novamente, aproveitando para falar do trabalho de Renata, a quem classificou como seu “braço direito” dentro da editora. Sua entrada marcou uma série de mudanças que já estavam começando a acontecer, principalmente com um foco maior na interatividade total com o leitor e a imprensa especializada (juro que senti falta de alguém falando “pff” após ele usar esse termo), seja pelos sites institucionais e contas oficiais nas redes sociais ou mesmo pelos perfis pessoais do próprio Cassius (algo que eu mesmo posso confirmar pois vivo enchendo ele por lá para verificar alguma informação, sempre muito bem recebido). Essa interatividade também está acontecendo dentro dos próprios mangas onde – sempre que possível – são colocados textos informativos sobre o título e aquilo que está acontecendo com ele para que os leitores estejam sempre bem informados (por exemplo, quando um manga alcança o Japão e precisa entrar em hiatus).

Essa mudança também perpassa por diferenciar os formatos dos mangas da editora de acordo com o público que se quer atingir. Dessa forma, hoje a editora trabalha com basicamente três formatos, dois mais simples, diferenciados pelo tamanho, e outro com um acabamento mais caprichado.

Os exemplos mais simples para entender os três seriam Nura: A ascensão do clã das sombras e Soul Eater (ambos com papel pisa brite 52g – mais grossos que o da Panini como Cassius frisou) para as edições mais simples, sendo diferentes no formato já que o segundo (e outros do mesmo estilo, como RG Veda) vem em menor tamanho, 12 x 18 cm, mas sempre em tankohon. O terceiro seria o “formato Sakura” com páginas offset, 75 gramas, aquele papel branquinho.

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Mas com certeza o momento mais aguardado da coletiva era quando ou se iriam falar algo do relançamento da Samurai X, ou como devemos nos acostumar a ver daqui para frente, Rurouni Kenshin – uma exigência da editora japonesa Shueisha que quer centralizar a marca em um único termo, principalmente após o sucesso do filme em live-action.

E se alguém estava curioso, a coletiva serviu para matar todas as dúvidas, então vamos lá: Rurouni Kenshin está programado para ser o último lançamento da editora em 2012, sendo prometido para Novembro. A ideia da editora era ter lançado o título ainda em Setembro, mas a demora para que os japoneses aceitassem tudo acabou levando o projeto para essa nova data: foram pelo menos três meses para a aprovação do novo logo a ser usado por aqui e mais um mês para aprovar a capa (ambos belíssimos, diga-se de passagem) que agora usa a imagem da capa original “em pé” para diferenciar do produto lançado há mais de 10 anos pela editora.

E apesar de não ser a versão kanzenban, pelo menos podemos ficar felizes em saber que Rurouni Kenshin virá no mesmo formato de Sakura: 13.5 X 20.5cm, 200 páginas, papel offset de 75 gramas, capa cartonada, mensal, 28 edições, além de estar sendo realizada uma ampla revisão dos termos originais para que tenhamos um produto mais fiel ao original.

Quanto vai custar? R$13.90, um real a menos que Sakura pelo fato da obra originalmente publicada na Shounen Jump não possuir páginas coloridas.

Já se encaminhando para o final da coletiva, foram anunciados oficialmente (já que os nomes haviam vazado dias antes da Fest Comix) os dois títulos que vão iniciar o ano de 2013 na editora, são eles: 

  • Mirai Nikki: Obra shounen de horror/sobrevivência onde os personagens recebem um diário capaz de prever o futuro próximo e com isso devem buscar matar uns aos outros até que o último irá virar um novo deus. A obra foi publicada originalmente em 12 volumes e é muito elogiada, apesar de contar com uma adaptação desastrosa para desenho animado (um dos piores animes que assisti na minha vida).
  • Burn-Up: Excess & W: Obra em um único volume lançado em 1996 do início da carreira do famoso mangaka Oh! Great (o mesmo de Air Gear e Tenjo Tenge) que é basicamente mais um manga com lutas e peitos, grandes peitos.

Após isso foi aberto ao público a oportunidade de fazer algumas perguntas. Entre as poucas feitas, uma interessante foi quando um dos espectadores afirmou que Sailor Moon já poderia ser negociado para o Brasil de acordo com o site SOS Sailor Moon, algo que Cassius negou, afirmando que sim, a editora tem interesse na obra, mas que mesmo ela já tendo sido publicada nos EUA recentemente, não há nada aberto para as empresas brasileiras. 

Aproveitando a oportunidade fiz algumas perguntas (emendei três em uma pela falta de tempo) também. A primeira era sobre a falta de investimentos da editora em shoujo e josei, qual seria o motivo para tal. Cassius foi bem enfático e direto ao afirmar que isso se dá simplesmente pelas baixas vendas que esses produtos apresentam – algo que confirma uma informação que eu havia recebido de um contato da Panini no mesmo sentido, com exceção para títulos maiores como Kimi ni Todoke.

Outro ponto questionado por mim foi sobre a situação atual da parceria da editora – ou mais precisamente do grupo JBGroup da qual ela faz parte – com o site de streaming de animes Crunchyroll. Apesar do que foi afirmado ano passado em press release e no site da editora, eles não estão mais trabalhando com o CR, tendo servidos apenas como assessoria no início da vinda do grupo para o país.

Por último, sobre o filme live-action de Rurouni Kenshin recentemente anunciado para ser lançado em diversos países – com o Brasil incluso – Leo Lopes afirmou que a editora entrou em contato com os representantes da marca no Japão que afirmaram que a distribuição estava a cargo da Warner. Em contato com a Warner do Brasil, a mesma simplesmente disse não ter informação alguma sobre isso, o que pode ser um belo banho de água fria para quem está esperando poder ver o retalhador em uma telona.

A coletiva, apesar de chover bastante no molhado, acabou sendo interessante principalmente no que se referiu ao relançamento de Rurouni Kenshin. Poder ver a capa ali foi muito bom, especialmente por ela ter ficado tão bonita (algo que a editora vem acertando bastante recentemente)! Ainda houve o sorteio de alguns brindes para os presentes, além da imprensa ter recebido kits com os mangas Nura e RG Veda.

Apesar de rapidamente – pois precisava correr para o aeroporto onde iria voltar para Manaus naquela tarde – pude conversar um pouco com Cassius, sempre muito solícito, onde ele afirmou que hoje o manga que mais venda no catálogo da editora é Soul Eater, algo que ele explica pelo fato de ser um lançamento recente – além, claro, do alto potencial da obra.

E é isso, espero que tenham gostado do post, busquei salvar e passar as informações mais importantes. Gostaria de agradecer a todo equipe da JBC que me tratou muito bem, especialmente o Cassius e Caíque Guirão, assistente de comunicação. Também é bom lembrar dos amigos Leo Kusanagi do Mithril. e Diógenes Diogo do Chunan que além da boa companhia ajudaram com as fotos e as perguntas.

E vocês, o que acharam das novidades da editora JBC? Preveem um bom 2013? Os comentários são de vocês!

Como eu havia avisado aqui, passei a última semana na […]

31 thoughts on “Fest Comix – Coletiva da editora JBC – Detalhes do relançamento de Rurouni Kenshin e mais”

  1. Estou ansioso para ter em mãos Rurouni Kenshin, amei a capa, a JBC esta sempre fazendo um bom trabalho nesse quesito, pena que não teremos mais Shoujos no mercado, sobre 2013 os dois títulos anunciados não me chamaram atenção mas acho que será um bom ano. Gostaria de informações sobre a Nova Sampa. Apenas sei que saiu na Fest Hitman e o outro manga dela mas não vir ninguém comenta sobre.

  2. Josei é meu gênero preferido, pena não poder colecionar mangás no estilo pela falta de investimento das editoras.
    Adoraria ver Chihayafuru por aqui.

    1. Eu só acredito nessa balela que shoujo e Josei vendem pouco com um ranking sério e não papo furado de editor.E Sailor Moon já era pra ter sido negociado pra ONTEM aqui no Brasil,já que eles dizem que só meia dúzia de shoujo mainstream vende aqui então porque raios não trazem Sailor Moon que tem uma legião de fãs?
      O mercado de shoujo e Josei não tem expressão aqui porque nenhuma das duas grandes editoras quer saber de investir neles,não vou nem começar a falar de Seinen e BL porque é praticamente chover no molhado.

    1. Como eu disse no post, eu acredito porque já tinha ouvido a mesma coisa de uma pessoa da Panini. A questão é o quanto se quer investir para que se tenha retorno com esse público.

      Gyabbo!

      1. Larissa, eu também não acredito nessa conversa de que “shoujo não vende”. Ao invés de “Shoujo não vende”, o certo seria “Não vendem shoujo”, a mesma coisa para josei, BL, e tals. É aquele mentirada de oferta-demanda. Será mesmo que os shounens só vendem porque o público prefere/compra mais shounen, ou porque SEMPRE só se vendeu isso, e nunca ouve um interesse real em outros públicos?
        É muito cruel que outros estilos sejam tratados quase a nível de “cotas”, lançam um ou dois diferente dos outros estilos, e acham que assim há um equilíbrio, ou uma atenção devida ao público destes…

        1. Também não acredito nessa de que shoujo não vende.
          Quantos títulos foram descontinuados? Quantos mangás shoujo eles trazem para cá? A JBC é ridícula nesse sentido. Só traz mangá da clamp! Qual foi o shoujo que eles lançaram que teve venda baixa?? Sakura card captors? Fruits Basket…? Ah, me poupem.
          E josei, então? O que eles lançaram de josei pra dizer simplesmente que não vende??

          O descaso com os fãs de shoujo, josei, BL e Yuri não se nota só pela falta de títulos, mas pela demora para os mangás chegarem nas bancas, pela falta de propaganda, pela falta de variedade, etc.

          Vou em mais de quatro bancas várias vezes na semana ou mês para garantir que não vou perder de comprar os volumes dos mangás que eu acompanho (e yo moro em Bsb)! E Mesmo Assim ainda tenho casos que eu tenho de ir na Livraria Cultura encomendar o maldito volume porque ele simplesmente não apareceu por aqui!!

          É ridículo! Você que tem que correr atrás dos produtos!
          Agora, isso, só se você for fã, né?

          Conheço várias garotas (escola/faculdade) que começaram a se empolgar com os mangás, várias pararam de comprar porque não conseguiram comprar números, não achavam alguns volumes, as bancas demoravam tanto para receberem os próximos (principalmente no NE)…

          Bom, você acaba perdendo o interesse, né? É assim em qualquer negócio. Trate mal os clientes, e você fica sem nenhum.

          As editoras são muito cara de pau. Querem retorno sem fazer nada.

  3. Pena que não pude estar no evento, concerteza deve ter sido ótimo, agora sobre os anúncios da JBC (mais especificadamente Mirai Nikki):
    – O mangá em volumes de Mirai Nikki tem páginas coloridas?

  4. Realmente esta situação de SAILOR MOON é muito estranha. Em METADE do mundo os direitos etão liberados, pois tem MUITO país publicando o título e na maioria deles o sucesso de vendas é garantido.
    Considerando que a fanbase no Brasil é grande, e o título é um dos mais aguardados, COMO SÓ AQUI QUE NÃO ESTÁ LIBERADO OS DIREITOS? O QUE ACONTECE?
    Tem alguma coisa muuuuuuuuito estranha por trás de tudo isso.
    Acho que teremos realmente que comprar o titulo via USA que está dando um tratamento especial a obra, e devido aquele BOX maravilhoso que foi/será lançado.
    Mas o fato é que a Editora que conseguir o terá de certa forma uma galinha de ouro nas mãos!!!

    1. Tem uma coisa estranha sim, a própria Naoko Takeuchi, autora do mangá. Ela fica empatando a foda, e não quer negociar o Sailor Moon.

      Vamos ver se ela muda de opinião, depois de o lançarem nos Estados Unidos.

  5. Ai está um exemplo de capa refeita, de forma simples, mas que ficou muito boa sem excessos.
    Com esse preço e prometida qualidade fico bastante tentado a comprar Kenshin.
    Imagino agora o sucesso que a série ainda pode fazer com o público de hoje que não conheceu o mangá nem o anime.

    Josei acho que vende sim, é mais questão de encontrar a obra certa.
    Falam de Kimi ni Todoke (que é shoujo), que não vende o esperado, mas será que é algo que realmente agrede a nós brasileiros? Pode ser bonitinho no início mas a longo prazo vai se tornando desinteressante. Talvez algo com um apelo mais amplo, e um tema de fundo cotidiano mas menos bobinho como um “garantido” Nodame Cantabile faria mais sucesso.

    Depois eu fiquei pensando, nessas coletivas perguntar se haveria possibilidade de um dia os mangás vierem com algum brinde.
    Pergunto isso porque 20th Century Boys tem um personagem músico, que em um ponto da história toca uma música própria que foi composta pelo próprio autor Urasawa, e fiquei pensando na possibilidade de um dos volumes vir com essa música em quem sabe, LP.
    Apenas uma curiosidade.

  6. Olá!!

    Boa forma como você apresentou o Fest Comix, em especial a palestra com a Editora JBC, da qual eu estiva presente também!!

    Infelizmente eu não sai na foto ali de cima, somente a minha luva (a luva branca com listras pretas ou preta com listras brancas) rsrsrsrsrs…

    Não sei se é porque a JBC é minha editora favorita, mais gostei muito do jeito que foi exposto as questões, inclusive sobre a tradução de Soul Eater, bem como explicando várias outras coisas. Isso mostra que a JBC não está somente interessada em vendas, mais no público para qual ela vende…

    Até mais…

    http://naty-land.blogspot.com.br

  7. Ótimas informações, já vou partir pra dar uma olhada em Mirai Nikki e ver se vale a pena comprar o mangá, e é isso mesmo Soul Eater é o mangá mais vendido da editora!? Parabéns pra essa incrível obra, superando Fairy Tail e sua penca de fãs :O

  8. Realmente é uma pena ainda não ter se iniciado as negociações sobre sailor moon, espero que 2013 seja bom para a sailor. Realmente shoujo não vende tanto, mas com a legião de fás de sailor moon podemos ter uma esperança maior de vendas, desde que se tenha um bom marketing. É uma série que pode vender.
    Os fãs de sailor não podem desistir ainda, têm de continuar unidos, sailor virá ao Brasil eu acredito nisso.

    Muito bom a volta de Rurouni Kenshin, estava esperando. Show JBC.

  9. Acho que Shoujo(e Yaoi,como comentaram assim) infelizmente só vendem se forem famosos. Shoujos como Sakura,Kimi ni Todoke,NaNa,Sailor Moon e etc concerteza vendem/venderiam muito bem,BL acho que venderia sim dependendo do título,algo como Loveless,etc,uma prova disso é como Black Butler tá vendendo,não precisa nem dizer que é por causa das fujoshis loucas né? Mas,depois daquele mangá lá da NewPop,acho que a mesma pode lançar mais,NewPop adora lançar mangás “exóticos”

  10. Black Butler é shounen, apesar de todos os mangás da G Fantasy terem um apelo enorme com o público feminino. E outra: quero provas de que shoujos vendem pouco, salvo os tops, e shounens, não importa quais sejam, vendem muito. Quero números! Já passou da hora de ter um ranking pra isso, de números de vendas serem divulgados, para que saibamos se tá sendo cancelado por vender bem ou mal. E divulgação de verdade, parar com a palhaçada do boca-boca + imprensa especializada + redes sociais que são levadas na brincadeira. Acho que dá pra fazer uma divulgaçãozinha em revistas, não só as especializadas, jornais, comerciais na TV e no rádio, sites em geral. Má vontade das editoras que acaba com shoujo, josei, BL e yuri (tô falando do gênero yuri mesmo, não hentai).

  11. Quanto a Sailor Moon, bem, Naoko já devia ter ido num psiquiatra. Ou ela acha que o mangá vai vender tanto quanto o DVD de Sailor Moon S. Ou a JBC perdeu e tá de recalque…

  12. Boa Viviane, afinal coitadinha da JBC e das outras editoras, depois de anos dando “atenção” aos shoujos, resolvem desistir porque no final das contas não vendem, sim porque elas investem desde SEMPRE, tipo de quinze, um é shoujo, noossa, que tratamento, vip hein?

    Para quem acredita que shoujo só vende se for famoso, ué e os shounens que passam por aqui? são todos desconhecidos? Mirai Nikki vem e tem uma base forte, não de fãs do anime, e sim do mangá mesmo. Conhecem a obra e vão comprá-la, então não é o shoujo que tem ser famoso, não é preciso pegar uma lupa para enxergar os fãs, e sim olhar para os lados mesmo.

    1. Nem vamos chegar na parte que sai mais shoujo curtinho do que longo. Aí a Panini lança um de 2 volumes agora, anuncia mais uns 4 durante o ano e começa o “Tem que sair mais seinen e shounen! Vocês só lançam shoujo!”, como se tivesse muitos nas bancas e devessem lançar uma pancada de shounen “semi-eterno”.

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