Cencoroll

Todos os anos temos as quatro temporadas onde saem dezenas e dezenas de animações novas e ficamos buscando as melhores para assistir. Mas mesmo com o avanço da internet e dos blogs de informação, nem sempre conseguimos ver todos aqueles títulos que merecem ser vistos. Buscando algo novo para comentar aqui no blog, fucei meu computador atrás do que ainda não havia sido explorado e dei de cara com uma pequena jóia: Cencoroll.

Criado e produzido basicamente pelas mãos de uma única pessoa, Atsuya Uki, esse pequeno curta-metragem de meros 26 minutos conseguiu me empolgar mais do que 80% dos animes que assisti nos últimos anos. Baseado em um manga chamado Amon Game, Cencoroll merece ser visto por conseguir de maneira tão simples fundir elementos tão icônicos das produções japonesas.

Usando-me daquelas fórmulas que às vezes ofendem as pessoas quando eu uso, Cencoroll poderia ser deduzido como a soma de um Godzilla, a base de um Pokemon e a simplicidade de um Makoto Shinkai.

Temos aqui o colegial Tetsu Amamiya, com sua personalidade extremamente pacata e pragmática, como um qualquer, destacando-se como protagonista por ser “possuidor” de uma estranha criatura com o poder de se transformar em qualquer coisa (de um carro a um grampeador gigante), o peculiar Cenco.

Para sobreviver, Cenco preciso se alimentar de outros monstros como ele, ainda que o curta não se proponha em momento algum – e isso é parte do seu charme – explicar quem são essas criaturas, de onde vem e por que são ligadas a um humano que pode controla-las. Assim, Cenco e Tetsu acabam encontrando Shuu, também um “treinador pokemon”, mas que possui duas criaturas e quer Cenco para aumentar seu poder.

E no meio de tudo isso surge Yuki, garota do mesmo colégio de Tetsu que acaba descobrindo por acaso a existência de tais criaturas, enrolando-se nos conflitos consequentes do conflito entre Shuu e Tetsu. Aqui começa a beleza e o diferencial do anime; as reações das pessoas e do próprio mundo ao redor são totalmente opostas àquilo que esperaríamos. Yuki não fica assustada com a criatura peculiar, mas logo se acostuma com ela e acaba vendo-a mais como um bichinho de estimação, mas com todo o perigo ao seu redor.

Isso acontece em tudo de Cencoroll e pode ser exemplificado na fala de uma personagem aleatória que ao conversar com sua amiga colegial fala do surgimento de um grande monstro na cidade como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Mesmo o enfrentamento dos mesmos pelas forças de defesa japonesas são tão minimizadas em tela que inexiste um senso de urgência. Ao contrário do terror dos cidadões de Tóquio ao verem um Godzilla, aqui tudo isso é banalizado de forma planejada.

Essa banalização de ícones do entretenimento japonês é tão bem feito que o espectador passa a acreditar muito mais na forma que as coisas são passadas do que nas coisas que acontecem na tela em si – veja o exemplo da transformação do grande monstro em um pudim gigante. Não funciona como ridículo, funciona como uma pseudo-crítica. E isso é um reflexo da própria arte do estúdio Anime Innovation Tokyo (muito provavelmente criado para dar um lugar onde Atsuya Uki), com cores bem claras e com predominância do branco e cores apagadas.

Mas Cencoroll não é um curta-metragem pseudo cult, no sentido de querer parecer mais profundo do que é. Ele é honesto dentro da proposta e da ideia do seu autor que procurou realizar tudo quase que sozinho.

Ainda sim, temos um título com personagens carismáticos e boas cenas de ação embaladas por uma animação que dá inveja a tantos títulos (apesar da covardia dessa comparação pela possível diferença de financiamento) e pequenas reviravoltas que fazem os personagens fazerem diferença no rumo da pequena história.

Se neste final de ano você quiser um anime diferente e bom, minha recomendação é Cencoroll. Serão os melhores 26 minutos de um anime não vindos de uma série que você verá em 2011 pelo menos. Agora é esperar por Cencoroll 2, já anunciado!

Todos os anos temos as quatro temporadas onde saem dezenas […]