Pensemos, otakus, pensemos!

Nesse tempo de fabricação de ideias enlatadas e distribuição de opiniões pré-cozidas venho bradar um grito de liberdade: Pensemos!.

Há não muito tempo atrás foi publicado no canal do YouTube do site Omelete um vídeo dando o seu veredito sobre o mais recente filme do Quarteto Fantástico com uma opinião, mas não tão negativa quanto as pessoas esperavam. Isso acabou gerando uma série de críticas por parte dos espectadores e também acusações de falta de critério em suas análises e até mesmo de terem aceitado suborno da FOX para falarem do filme de forma mais amena.

O problema em todas essas acusações é que quando foi publicado o vídeo sobre o filme, este ainda não havia entrado em circuitos abertos de cinema. Ou seja, as pessoas estavam expressando suas opiniões sobre o filme somente a partir de críticas de terceiros, sem nem ao mesmo terem assistido ao mesmo por conta própria.

Em um primeiro momento isso parece estranho, mas levando em conta a realidade da internet brasileira, se torna “até” plausível. Hoje esse território que parecia ser um local de liberdade e diversidade, onde todos nós poderíamos compartilhar e debater (civilizadamente) ideias e pensamentos mais parece um campo de batalha onde pobres soldados lutam entre si empunhando o escudo da ironia e a espada do xingamento, guiados cegamente por ditadores de inflexíveis que geralmente apresentam pensamentos contrários, como o “esquerda” e o “direita”. Essa batalha é praticamente sem fim, pois não existe nenhum tribunal que possa julgar qual dos dois é melhor e ao mesmo tempo convencer o outro lado disso, coisa que é um pouco diferente quando a questão em debate está ligada a uma produção cultural e de entretenimento.

Quando se trata sobre um filme, manga, série ou anime ser bom ou ruim temos a quem recorrer para tirarmos nossas dúvidas sobre qual lado seria o “pensamento correto”, convocamos a crítica especializada em cada área. A questão é que alguns de nós estão levando a opinião da crítica especializada mais em conta do que a sua própria. E é nesse ponto que digo: Precisamos pensar por nós mesmos!

Essa frase significa basicamente duas coisas, não podemos ser simplesmente levados pelas opiniões dos outros, e também devemos ter uma visão crítica quando consumimos algo. Em um primeiro momento isso de se analisar defeitos e qualidades de maneira mais criteriosa soa chato, algo que comprometeria o nosso momento de lazer, mas é justamente o contrário.

Quando passei a escrever para o Gyabbo! implementei um novo “modo” de assistir aos animes, passei a buscar qualidades, defeitos, tentar analisar os personagens, quais eram os temas abordados e qual a importância deles (afinal quando eu fosse escrever um post, teria que colocar algo mais do que um “me diverti”).

Confesso que com a primeira série que fiz isso foi meio chato. Parecia que eu estava fazendo um trabalho para a faculdade, porém aos poucos fui percebendo que esse ato de analisar e tentar criar uma opinião própria sobre aquilo que estava assistindo acabou melhorando o meu divertimento. Conforme ia me aprofundando naquilo, mais eu ria (com as comédias), mais eu ficava triste (com os dramas) e mais eu entendia o que o autor realmente quis passar com a sua obra. Em suma, mais eu me emocionava e me sentia feliz por ter consumido aquele anime ou manga.

É por isso que eu chamo todos vocês para que pensemos, tanto para não ser alguém levado pelas opiniões alheias sem ser críticos, como também para aproveitar melhor a obra de arte que consumimos. Caso você já pratique essa atitude em sua vida então a divulgue, seja alguém que não luta pela autocracia de uma ideia fechada e pré-concebida, mas sim pela liberdade da reflexão própria.

Nesse tempo de fabricação de ideias enlatadas e distribuição de […]