Ano Natsu de Matteru – Primeiras impressões

Ano Natsu de Matteru – algo como “Esperando naquele verão” – foi o anime mais aguardado dessa temporada de inverno 2012 (possivelmente junto de Another) por alguns motivos especiais. O anime estreiou no dia 10 de Janeiro de 2012, exatos 10 anos após a estréia do anime Onegai Teacher, um clássico dos animes de romances voltados para o público masculino.

Se você não viu a série – e aqui deixo a minha recomendação, pois, apesar de ser algo que eu vi há quase 7 anos atrás, ainda me deixa marcado na lembrança os bons momentos que tive com essa obra – vou tentar resumir rapidamente: Uma meio-humana, meio-alien chamada Mizuho Kazami vem à Terra para estudá-la. Aqui ela acaba virando uma professora, onde conhece o Kei Kusanagi, um garoto tímido que apesar de ter um corpo de 15 anos por causa de uma doença, possui na verdade 18 anos. Tudo se passa em uma cidadezinha interiorana do Japão onde o romance dos dois será confrontado não só pelas questões da ficção científica, mas também pelas amizades e paixões dos amigos que Kei.

Voltando para Ano Natsu, você pode estar se perguntando o que essas duas obras tem em comum além das datas de estréia. A verdade é que o título aqui em questão é uma grande homenagem à franquia Onegai – queria teria posteriormente o mais fraco Onegai Twins! lançado -, possuindo em sua staff boa parte das pessoas envolvidas no anime de 2002.

Assim temos o script de Ano Natsu por Yousuke Kuroda, o mesmo que escreveu Onegai Teacher. O character design original dos personagens ficou por conta de Taraku Uon, também da outra série. E se a diretor não é igual, temos aqui Tatsuyuki Nagai, o mesmo de Ano Hana, que consegue dar um sentimento muito similar ao da série anterior, equilibrande muito bem o desenvolvimento da interação de um núcleo de personagens dentro de um cenário que nos dá uma sensação nostálgica e bucólica.

Temos na história o jovem Kaito Kirishima, que se não é exatamente tímido, se mostra bastante introspectivo, ainda que bem sociável. Um dia, ao experimentar sua câmera de filmagem nova, Kaito presencia um estranho fenômeno que quase o mata, sendo salvo pelas mãos de uma jovem muito bonita. O garoto acorda no dia seguinte, já em seu quarto, sem memórias do acontecido.

Ao chegar a escola, ele fica intrigado pela nova estudante – Ichika Takatsuki, uma garota transferida com belos e chamativos cabelos vermelhos. Percebendo a atração de Kaito pela garota, seu amigo Tetsurou Ishigaki acaba convidando ela para participar de um suposto filme que Kaito pretendia fazer, no meio de tudo isso entram para o grupo também as garotas Lemon Yamano, Mio Kitahara e Kanna Tanigawa, esta última claramente apaixonado pelo protagonista.

Apesar de tudo soar um pouco clichê, como o fato de Ichika acabar indo morar na casa de Kaito que convenientemente não possui mais seus pais vivos e terá sua irmã mais velha viajando pelos próximos três meses – duração exata do verão que está começando na série -, a verdade é que Ano Natsu consegue subverter essas possíveis falhas com seu bonito character design, sua ambientação realista e confortável de acompanhar (baseada em locais reais do Japão como você pode ver AQUI, algo feito pelo próprio Onegai Teacher!) e a boa direção que vai fazendo com que aquele grupo, que para muitos poderia soar como quase um harém, cresça como deve, como um grupo de amigos adolescentes aproveitando uma verão que em pouco tempo não poderão mais ter, visto as dificuldades da vida adulta que se aproxima.

Uma das poucas ressalvas que eu faço quanto à Ano Natsu é até onde vai a homenagem à Onegai Teacher! e onde começa um anime original. O primeiro episódio, principalmente, tem tudo para agradar aos fãs da antiga série (e também agradar quem não conhece), mas soa muitas vezes como uma cópia. Temo que o desenvolvimento do enredo não passe de um Onegai Teacher! disfarçado, ainda que muito bem executado. Se, ao tomar os temas da série homenageada eles conseguirem se desgrudar dela para criar algo novo, certamente teremos aqui um ótimo anime, principalmente por estar ligado um estúdio de maior qualidade que o antigo estúdio Daume, o que pode ser percebido no ótimo uso das variadas expressões faciais.

Qualidade técnica do estúdio J.C. Staff em 12 episódios para criar um anime de romance com um pouco de sci-fi e um pouco de fanservice (algo que quem assistiu Onegai Teacher! já esperaria, ainda que não seja nada agressivo) nós sabemos que existe. Ao unir isso com um time que já provou conseguir criar uma ótima obra podemos esperar pelo melhor.

Se você quiser acompanhar com mais detalhes a série, o blog Nahel Argama está fazendo posts episódio por episódio, recomendo. Além disso, você também pode ler outra opinião sobre a série no blog Mithril, de onde eu retirei os vídeos de abertura e encerramento

Ano Natsu de Matteru – algo como “Esperando naquele verão” […]