Chihayafuru – Primeiras impressões

O ano de 2011 parecia estar fadado ao quase esquecimento para os fãs do sempre elogiado estúdio Madhouse. Apesar da ótima continuação de Kaiji, pesava contra ele as três séries em parceria com a Marvel – Wolverine, X-Men, Blade. Já era possível ouvir dentro do fandom falas de que o estúdio havia perdido a mão. Mas depois da ótima estréia de Hunter X Hunter, Chihayafuru vem para confirmar que sim, ainda podemos esperar muito alto desse estúdio.

Baseado em um manga josei – para jovens adultas – atualmente com 14 volumes da autora Yuki Suetsugu, a mesma que anos atrás foi acusada de plágio em alguns títulos seus (mais detalhes do caso ver o post de apostas dessa temporada), Chihayafuru acompanha a estudante Chihaya Ayase e sua paixão pelo jogo de cartas Karuta.

Quando pequena, Chihaya era uma criança empolgada com a carreira de modelo da irmã mais velha, fazendo do sonho alheio, o seu próprio. É somente ao conhecer Arata Wataya, um garoto transferido do interior que acaba sendo alvo das gozações dos outros alunos, que a garota entra em contato com o Karuta (do português, “Carta”), tradicional jogo japonês onde é preciso “tomar” uma carta disposta que seja o complemento do que está sendo recitado.

Chihaya cresceu, separando-se de Arata e de Taichi, outro amigo de infância que também demonstra interesse pelo jogo de cartas. Por não ser uma atividade muito moderna, a garota tem uma grande dificuldade de conseguir outros jogadores no seu colégio para formar um clube ou simplesmente poder compartilhar sua paixão. Além disso, Chihaya é conhecida por sua personalidade não muito feminina, o que acaba fazendo dela uma “estranha”, mesmo que sua beleza chame a atenção das pessoas à primeira vista.

Dentro de uma temporada que para mim está sendo fraca até o momento (mas ainda falta assistir à estreias de peso como Persona, Fate e Guilty Crown), Chihayafuru se destaca principalmente por pegar um enredo simples e passá-lo ao público de uma maneira altamente habilidosa. Morio Asaka conseguiu nesse primeiro episódio apresentar as principais características da protagonista sem que perder a fluidez da história, mostrando tudo que precisamos saber para seguir em frente.

Esse equilíbrio entre desenvolvimento de personagem e desenvolvimento de roteiro ajuda o espectador a se importar com a protagonista (fator que é muito ajudado pela Chihaya ser divertida naturalmente), algo fundamental em um anime que em parte é esportivo, principalmente quando temos um esporte complicado de se relacionar com o público ocidental. Como bem disse o Panino do Subete Animes, em uma história com foco em um esporte, este na verdade é secundário, importando muito mais o que os personagens fazem dele e com ele.

 (Cortesia do Leo Kusanagi do blog Mithril)

A parte técnica do anime é muito competente, com um estilo que lembra o anime de Nana, mas com maiores detalhes e menos “plástico” (e sem aquelas gotas bizarras no meio do rosto dos personagens. Sério, Yazawa, o que era aquilo?). As cores seguem o esquema da tons pastéis que parece ter se tornado padrão para animes shoujo/josei. A animação em si também é bem executada, apesar de ser pouco explorada. Mas algo que deve ser bem destacado é a trilha sonora por Kousuke Yamashita, com belas peças que encaixam-se perfeitamente com as cenas.

Chihayafuru, mantendo a qualidade desse primeiro episódio, tem muito a mostrar nos 24 próximos episódios. Ficou claro nesse início uma tensão romântica entre o trio principal que deve ser bem desenvolvida até seu final, colocando as emoções do Karuta e da vida adolescente lado a lado. Em uma temporada cheio de animes de ação, acompanhar Chihayafuru será uma experiência única.

Para outra opinião sobre o começo de Chihayafuru (além do post do Panino que já comentei) você pode ler o post do Diogo Prado do Anikenkai.

E para quem achou a rápida partida de Karuta exagerada, dê uma olhada nesse vídeo:

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