#OtakusContraAGlobo ou contra si mesmos?

UPDATE: Declaração do autor sobre todo o caso “ Eu não pretendo falar sobre Otakus na minha próxima novela.Mas se fosse falar, agora estaria com uma péssima impressão depois das agressões!”

UPDATE2: Eu sei que nem todas as lolitas foram agressivas no caso Shoujo Café X Lolitas. Mas pelo que eu pude ver da situação, quem se mostrou errado foi o lado das lolitas que interpretaram de maneira errônea um post. Não sou contra lolitas, acho até um estilo bonito, por isso, espero não comprar brigas com ninguém, o que não foi o caso do exemplo. Só serviu para mostrar como a desinformação pode gerar agressão por parte do fanatismo de algumas pessoas de alguns grupos.

Olá leitores. Estranho ver um post em uma terça-feira, não? A verdade é que eu só pretendia escrever amanhã sobre mais um anime que terminou recentemente, mas ao chegar em casa e ver algumas coisas no Twitter me senti obrigado a escrever o post que segue. Para quem não tem Twitter, nele existe uma certa lista, a “Treding List”, onde os termos mais recorrentes são colocados em ordem de quantidade.

Hoje, final do Big Brother Brasil, era de se esperar que a Trending List Brasileira estivesse repleta de termos sobre o reality show, o que de fato aconteceu. Mas ali no meio um termo diferente surgia: “#OtakusContraAGlobo“. Não é de hoje que os otakus brasileiros gostam de fazer algazarra e reclamar por pouca coisa, mas por que comprar briga com a maior rede de comunicações nacional? Muito simples, por causa desse cara:

Se você não faz nem ideia de quem é essa pessoa, não tem problema, nem eu sabia antes disso tudo. Na verdade se trata de Walcyr Carrasco, escritor de livros, peças e mais conhecido por suas novelas pela rede Globo; “Chocolate com pimenta” e “Caras e bocas” (da qual eu mesmo gostei bastante) são algumas. De acordo com a informação do blog Japan Pop Cuiabá, o autor esteve no Japão e declarou no seu twitter que o enredo de sua próxima novela tratará justamente de coisas nipônicas, sem dar  maiores detalhes.

O medo de ver seu hobby/gosto retratado em uma novela da Globo, especialmente em um horário onde as novelas tendem mais para um lado cômico/slice of life, fez os fãs criarem a tal hashtag no Twitter para mostrarem sua raiva e contrariedade ao canal. O que, infelizmente eu tenho que dizer, é algo inútil. É claro que quem é fã do entretenimento pop japonês (ou mesmo de qualquer outra coisa que saia do “normal”) sabe como é complicado se livrar de preconceitos e estereótipos que são criados em cima daquilo que os outros desconhecem. Mas a grande questão é, como levar a sério um grupo que ao menor sinal de exposição midiática que saia da sua redoma comum (eventos de anime, fóruns, orkut, Twitter ou internet em geral) levantam um movimento de isolamento e agressão?

Comentando sobre o tema no meu Twitter, coloquei alguns pontos que quero destacar:

(1) Estamos falando da Rede Globo, simplesmente o cérebro da mídia nacional, a tal “Grande Influenciadora de mentes”, que infelizmente não tem um passado muito bom com animes, apesar de já ter exibido vários. Uma novela que explore de maneira cativante (o que o autor já mostrou saber fazer em outras obras) não teria um poder gigantesco de jogar luzes sobre o cenário otaku (e aqui eu generalizo para qualquer coisa do entretenimento pop japonês)? Assim como a novela “O Clone” trouxe uma onda sobre a dança do ventre, será que uma exposição tão grande como essa não se reverteria em mais mangas, mais animes, mais artistas japoneses vindo ao Brasil de uma maneira direta (feita pela própria Globo) ou indireta (feita pelo efeito que o canal tem no país inteiro)?

Se bem usado, isso poderia ser um catalizador gigantesco para que produtos originais e que dificilmente chegariam por aqui. Ou alguém duvida que uma parceria entre Globo e Yamato (ou mesmo sem a Yamato) poderia trazer uma banda como L’Arc~en~Ciel ou uma cantora como a Yui para o Brasil após estar na trilha sonora da novela?

(2) O preconceito advém muito daquilo que se desconhece. É fato dentro da Psicologia que a exposição prolongada de um grupo com algo que antes lhe gerava preconceito pela falta de conhecimento pode vir a diminuir. Não seria uma oportunidade interessante de você mostrar pros seus pais que suas roupas de Gothic Lolita não são coisas de maluca? Que sair com uma bandana na testa pode ser um estilo? Que cantar músicas em japonês é uma escolha de gosto e que é possível gostar do diferente? Eu acredito que sim.

(3) No Twitter eu usei a expressão “infantil” pra qualificar esse movimento pelo simples fato de que ele será inútil, principalmente por se tratar de uma novela que ainda nem foi confirmada e que se for, irá ao ar somente no fim do ano. Mas não só por isso, muitos vêem a ideia com maus olhos pela possível dispersão de conhecimentos errôneos acerca de assuntos que nós conhecemos. Não seria esse então o melhor momento para que grupos se unam, entrem em contato com o autor para lhe passar informações e tentem minimizar ao máximo esses possíveis erros? Afinal, todos aqui conhecem perfeitamente bem a cultura do entretenimento pop de Bangladesh? Creio que não, ninguém sabe tudo, erros são sempre possíveis, cabe aos que se preocupam com eles buscar sana-los.

Isso me remete muito ao caso Shoujo Café x Lolitas, que foi outra discussão infantil por parte de um grupo que não procura ver o mundo além de dois lados. Vários foram os xingamentos e ironias em cima da Valéria Fernandes (dona do SC) por algo que ela nem afirmou. Ao invés de correrem para tacar pedras, seja no Shoujo Café, seja na Globo, por que não se unir e buscar usar esse meio para melhorar em muito a situação dos fãs aqui no Brasil?

Por fim, quero deixar minha mensagem de que a internet e a união entre os fãs pode ser usada para coisas maiores do que rixas virtuais sem sentido. E somente um addendum, o autor esteve no Japão, o que mostra no mínimo uma boa vontade de explorar bem esse mundo que nós tanto gostamos.

Fotos retirados do Twitpic do autor: http://twitpic.com/photos/WalcyrCarrasco

UPDATE: Declaração do autor sobre todo o caso “ Eu […]