FREE!: O Acerto Esperado. Será?

free01

Finalmente nossas preces foram atendidas.

Pra quem é mais ou menos informado do que acontece nas redes sociais, sabe a balbúrdia causada por aquele simples comercial da Kyoto Animation, apelidado – poucas horas depois – de swimming anime. Para aqueles que não tiveram acesso ao comercial, restou apenas a confusão diante de um fandom vindo do nada, de coisa nenhuma e com sentimentos mais do que à flor da pele.

Pense bem, em pouquíssimas horas se criou todo um fandom, com milhares de mulheres, baseado em 30 segundos de comercial. Isso, por si só, demonstra duas coisas: o público feminino – falando de maneira genérica – estava sentindo falta de um anime mais voltado para suas vontades, necessidades e gostos e… Esse público específico se sentia negligenciado pelas produtoras, que privilegiavam outros determinados públicos, sem dar uma chance ao diferente e desejado.

Dessa forma, foi convocada uma grande petição assinada por pessoas do mundo inteiro, blogs foram criados, comunidades no Facebook, grupos de discussão, fóruns e centenas de Tumblr – com conteúdos de cool a bizarro, num respiro -, todos eles com um único pedido, quase um grito de protesto: “queremos o anime da natação!” E para ontem!

free02

E assim surgiu Free!, produto de uma onda de excitação generalizada, quase em toda parte feminina, que precisava ter suas vontades atendidas e ter em concreto, um anime lançado por uma grande produtora apenas para si. De fato, desde o comercial se pôde ver as críticas masculinas com relação ao “conteúdo” exigido para o anime de natação. Para tais, era praticamente blasfêmia se pretender construir um anime com 4 garotos moe: “Isso não se faz”. “Ridículo, anime de natação. Coisa de bichinha. Coisa de mulherzinha” , era fácil de se ler.  O preconceito, no entanto, era devidamente ignorado, apesar de entendido.

Fato é que a indústria japonesa privilegia o moe para homens. Por causa disso, para alguns – mais avessos à mudanças, nem que sejam daquelas que não lhe afetem diretamente – se construir um anime moe para mulheres é simplesmente heresia. E isso que não se pretende entrar nas diversas discussões acerca da conceituação final e definitiva de moe, pois ela não cabe aqui e nem seria a pretensão deste post adentrar neste mundo obscuro de conceitos e definições, posto que o mesmo é entendido de várias formas, se modifica de acordo com quem o interpreta e, não bastasse isso, ainda há aqueles que o chamam de subjetivo e outros de objetivo.

free06

Por isso, devido a esta divergência, considere-se, para o propósito do presente, o moe como forma generalizada, que não é a mais justa de se tratar do tema, porém a mais prática e direta. Assim, o que se pretende mostrar é a dificuldade de determinadas personas, que não participam do nicho ao qual se volta Free!, em aceitar um anime que pegue os mesmos elementos genéricos do moe tradicional e o transponham para um modelo voltado ao público feminino.

Nesse ensejo, há dois textos publicados pelos parceiros Gyabbo e Anikenkai, que trazem as duas faces em torno de Free! e todas as reflexões levantadas a partir disso. Pessoalidade à parte, ambos os textos demonstram como o famigerado swimming anime é visto com opiniões super divergentes, o que não deixa de ser uma coisa boa, pois a partir do debate é que grandes ideias são criadas, desenvolvidas e postas em prática.

Se podemos ou não chamar Free! de moe para mulheres ou se vão dar um nome específico para esse novo tipo de anime, isso realmente não modifica muito o entendimento do grande público, que se guia pelo que vê e sente. E o que se sente é que Free! é um anime nosso, para o público feminino. Se tem fanservice? Se tem plot pouco desenvolvido? Se os personagens tem corpos de homem, mas agem como crianças? O que isso interessa?  É finalmente um início para que venham mais e mais animes voltados para o público feminino e assim ele deve ser visto, como uma conquista, como um abre caminhos, para que venham mais, para que a ideia em cima disso se desenvolva e que derivem animes com plots mais bem estruturados, diversificados e etc..

free03

Não se pode negar, no entanto, a importância que o “acato” da KyoAni em trazer o anime da natação à tona, trouxe. Em que época se veria um fandom se fortalecendo a ponto de que um estúdio conhecido por disseminar animes mais voltados para o gosto masculino – tais como K-ON! e Suzumiya Haruhi no Yuutsu – colocasse suas forças a promover o fanservice voltado particularmente ao público feminino? Há quem diga, no entanto, que Free! seria um projeto antigo da Kyoto Animation, datado de 2011 e que teve seu teste no lançamento do comercial de 30 segundos, como um medidor de águas. No entanto, as informações – até após o lançamento do anime – são divergentes: alguns afirmam que era um projeto antigo, outros dizem ser um anime que nasceu do brado do fandom extasiado. Seja o que for, isso ensinou uma coisa bem importante ao fãs de anime: estúdio algum está imune ao clamor público – e principalmente ao dinheiro que esse público poderia lhe proporcionar – e pode, não só como vai, modificar seus principais objetivos a fim de atender a tais pedidos.

Há muito do mesmo no segmento de animação japonesa, mas não se pode negar que existem muitos animes com foco, personagens, enredos e temas diferentes. Contudo, é de se estranhar que, em um universo tão vasto de animações, até o advento do anime da natação, não tinha se visto esse tipo específico de visão.  É claro que se trata de uma análise altamente subjetiva, posto que há quem tenha divergência com relação à novidade que Free! representaria.

O swimming anime, pessoalmente falando, trouxe algo diferente à animação japonesa, não se compara o mesmo com outros animes tão visados pelo público feminino, tais como Utapri – mestre em momentos vergonha alheia – ou até mesmo Kuroko no Basket – que apesar de ser um shounen, é tido como anime para fujoshi. O anime é diferente sim, no que diz respeito ao público feminino. Geralmente, em títulos voltados para esse nicho, não se vê os mesmos elementos de Free!. Sempre há algum harém, alguma personagem feminina puxando o foco para si, problemas amorosos, cerne nos mesmos assuntos de sempre, sem buscar fazer algo que saia daquela zona de conforto e daqueles batidos e repetitivos temas.

free07

Natação é sim um tema pouco abordado, o que já torna a ideia em si bastante tentadora. Junte a isso um anime com 5 jovens como protagonistas – e quase nenhuma mulher -, que passam praticamente todo o tempo utilizando sungas mínimas – ou trajes de natação – um plot fácil e direto, com o único objetivo de entreter sem maiores comprometimentos e você está diante de algo simples, bonito e desejado pelo público-alvo. Sim, em linhas gerais estaríamos diante de um moe para mulheres. E isso, infelizmente, felizmente para alguns, não é algo comum.

Mas qual a graça em ver 4, 5, 6, 7, infinitos garotos, seminus, fazendo praticamente nada? A mesma graça em se ver garotas tomando chá e tocando em bandinhas de escola. Free! não tem a pretensão de mudar vidas, de desvendar paradigmas sociais, fazer questionamentos filosóficos ou te levar a refletir acerca dos acontecimentos da vida. Seu objetivo é claro: entreter. Trata-se de entretenimento puro, voltado para um público específico e que consome esse produto com avidez e desejo por mais.

free04

O anime de Free! abre um novo parâmetro, que pode ou não, ser seguido. Se esse novo tipo de fazer anime terá uma grande aceitação ou se será aprovado de maneira definitiva pelo público, isso é algo a ser visto futuramente, mas o que atestam as redes sociais é claro e concreto: é um sucesso. Um grande sucesso. Afinal de contas, que mulher não gostaria de ver, frequentemente, adolescentes lindos, com corpos perfeitos e cara de homem, agindo como crianças de 12 anos de idade? Tem coisa mais fofa que isso? Até tem, mas quem se importa?

Finalmente nossas preces foram atendidas. Pra quem é mais ou […]