Uta no Prince-Sama Maji Love 1000%

Are you ready?

Um anime que reúne homens lindos, muita música, diversão, um belo harém, candidatos a idols e uma escola de sonhos não pode ser ruim. Certo? Err….

Uta no Prince-sama Maji Love 1000%, ou Utapri para os íntimos, conta a história de Haruka Nanami, uma colegial que tem o sonho de compor músicas para seu grande ídolo, Hayato. Para tanto, ela se inscreve para a renomada escola de ídolos e compositores, Saotome Academy. Esse é o pontapé inicial do anime, mas não se engane achando que você acabou de entrar em um mundo parecido com Nodame Cantabile, pois Utapri é uma obra cujo principal objetivo é entreter de maneira fácil e rápida, sem que o telespectador tenha de refletir sobre questões  mais profundas e complicadas.

Fato que os personagens até tem um plano de fundo – uma história pessoal – interessante, mas a forma como tudo foi abordado de maneira superficial – primando pela romantização e não pelo drama ou realidade -, prejudica quando se tenta analisar o anime de uma forma mais séria e objetiva. E é por esse motivo que, apesar dos dramas-não-dramas dos personagens, se pode afirmar que Utapri tem compromisso com o entretenimento, mais do que com as reflexões que aqueles outros animes mais pretensiosos buscam em seu roteiro sem, no entanto, conseguir. Assim, se você busca uma obra que te faça refletir sobre a origem da vida, sobre questões filosóficas, se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha, passe longe de Utapri.

Dito isso, necessário afirmar que Uta no Prince-sama é um dos animes mais divertidos dos anos de 2011 e 2012, pelo menos para quem gosta do tema e de muita música. Mas isso se você não tiver preconceito e conseguir passar do momento vergonha alheia que são os primeiros minutos, com os personagens dançando em um show. Se tem algo que a animação, pelo menos japonesa, ainda não conseguiu realizar bem, é a dança. E com Utapri não foi diferente. Os movimentos dançados são estranhos e te dão vontade de desviar o olhar. Claro que isso não é motivo o suficiente para desistir de ver a obra apesar de eu quase ter desistido ali mesmo, mas é um ponto negativo.  

A verdade é que o anime é bastante agradável de assistir. Possui personagens super divertidos, que dão o ar de quero mais à obra, músicas pop bonitinhas e chiclete e bishounens super chamativos, que, querendo ou não, são o principal chamariz de Utapri. E apesar dos pesares, o anime tem um carisma forte, que te faz ficar vidrado até o último episódio. Acredito que esse é o maior mérito da série: conseguir com que os telespectadores contem os minutos até o próximo episódio. 

Como estamos falando de personagens, vamos dar uma olhada melhor nos participantes do harem da Haruka: Tokiya Ichinose – é o elemento misterioso do grupo, ele cria antipatia imediata pela heroína do anime e, como era de se esperar, acaba caindo nos encantos inigualáveis da mesma; Otoya Ittoki é o hiperativo, simpático e amado por todos. É o primeiro personagem a se tornar amigo da protagonista e um dos personagens mais  fofos do anime, se me perguntarem;  Masato Hijirikawa é o sério, fechado e responsável, que tem uma história de amizade terminada e conflitos com  Ren;  Ren Jinguuji é o mulherengo do grupo, que anda sempre com várias mulheres a tirar colo. Como tem todas as mulheres que quiser aos seus pés, o fato de ficar encantado pela sem graça da Haruka é bastante estranho; Shou Kurusu é o esquentadinho e impulsivo, que é levado pelas loucuras de Natsuki e se encrenca sempre, por causa disso; Natsuki Shinomiya é aquele que, em primeira impressão, se acredita que deva ser o sério e responsável do grupo, mas o buraco é muito mais embaixo, porque ele é completamente louco e faz coisas inimagináveis. e geralmente faz de Shou o cobaia de seus experimentos. 

Necessário destacar que as partes mais engraçadas e divertidas do anime, são aquelas em que Shou e Natsuki aparecem juntos. Eles roubam a cena – literalmente – e nos brindam com várias risadas e momentos de WTF?! que valem muito a pena ver e rever. 

Já a nossa heroína é um clichê mais do que batido dos haréns. Em primeiro lugar, o que chama a atenção para ela é a decisão, no mínimo inusitada, de colocar os olhos daquela cor. Ficou feio, estranho e definitivamente, sem personalidade. A personagem em si já não tem tanta personalidade, coisa bem comum nas heroínas/heróis de haréns e ainda colocam uma cor de olhos que não corrobora com uma imagem boa, já que ela é meio morta e sem sal. Ou seja, clichê da mocinha boazinha, bobinha, que todos amam por algum motivo desconhecido, sem atrativos e sem sal, que faz os maiores e melhores ídolos da escola caírem de amores por ela.

É, parece legítimo mesmo.  

Utapri é um shoujo do tipo harém e como um anime com esse elemento particular, temos alguns componentes que os produtores insistem em ser essenciais para um bom harém, nesse caso se tratando do invertido: uma heroína sem personalidade; bishounens praticamente perfeitos que se apaixonam, sem motivo, pela protagonista; episódios individuais de apresentação de personagens;  um sem número de ângulos amorosos; membros do harém com personalidade diferentes entre si e que refletem as diversas formas de personalidade existente – o alegre, o irritado, o calado, o mulherengo, o misterioso, o louco e etc -; personagens secundários pouco interessantes e dispensáveis; histórias pessoais e individuais rasas e irrelevantes, entre tantos outros elementos de harém.  

Utapri tem bastante de todos esses elementos, mas o mais visível é a forma em que os indivíduos do harém são apresentados. A escolha pela apresentação individual, episódio a episódio, deixa tudo muito chato e previsível. Quase como: ah, episódio que vem é o episódio do fulano de tal e o próximo é daquele outro lá. E isso sem contar que, como cada episódio pertence a um personagem diferente, a impressão que se fica é a de que o desenvolvimento ocorrido na etapa anterior, nunca existiu. Essa forma de tentar levar o plot à frente, delimita demais as situações e o próprio desenvolvimento dos personagens. Não considerar a história que foi contada nos episódios anteriores é um desserviço à quem está acompanhando a série.

Uma forma contínua, sem episódios fechados, seria o mais condizente nessa situação. Infelizmente não foi assim que foi apresentado Utapri e quem mais perdeu foram os fãs. 

As músicas são todas bonitinhas. Principalmente o tema da banda, que é bem chiclete. As vozes escolhidas para cada música também são bem condizentes e belas, mas, nem tudo são flores. A voz de Hiro Shimono – que interpreta Shou Kurusu – nas músicas é de matar.  Talvez seja apenas uma questão de gosto, mas cada vez que ouvia o Shou cantando, ficava com a nítida impressão de que, em algum lugar, um gato estava sendo escaldado. Fora esses momentos, a trilha sonora de Utapri é um reflexo fiel do anime: diversão, alegria e alto astral. 

Um certo elemento que foi inserido em Utapri e com o qual não concordo, é a aparição de Cecil Aijima, suposto príncipe que serve ao deus da música: Muse. Veja bem, esse componente destoa bastante do plot tratado em TODO o anime. A impressão que deixa no telespectador é a de que os produtores apenas tiveram a vontade de inserir um bishounen a mais na história e, não tendo mais ideia de como fazer isso, tiraram o príncipe da cartola. Restou assim, uma informação deslocada, que nada ajudou no desenvolvimento do enredo e muito menos se encaixou em tudo que foi falado até então na obra. Prova disso é que, ao terminar de se assistir Uta no Prince-sama, você pode refletir e perceber que o príncipe Cecil não influiu nem contribuiu em nada, e sequer é uma figura memorável que passou pela história. 

Digamos que o final da série foi tudo aquilo que deveria ser. Talvez o resultado esperado pelas fãs não tenha sido alcançado, mas acredito que caso o aspecto romance fosse mais explorado, o foco da obra seria, de certa forma, perdido e essa atmosfera colorida, divertida e livre, seria extraviada pra uma discussão que eventualmente não fosse tão interessante de ser abordada num primeiro momento.

Quem sabe o que aguarda a próxima temporada  prevista para abril? Provavelmente outros pontos tão esperados sejam desenvolvidos e algumas questões que ficaram em aberto, possam vir a ser respondidas em Uta no Prince-Sama Maji Love 2000%. O que ficou bastante claro é que, para uma primeira temporada de anime que pretende uma continuação, o final foi o ideal para abrir ganchos futuros.

Uta no Prince-Sama é um anime divertido, gostoso de se assistir. Recomendado para aquelas horas em que o espírito não esteja muito alto e tudo o que você precise seja uma história bonitinha, simples e alegre, para levantar o astral. É uma obra boa para se fazer passar o tempo, mas não espere que sua vida seja mudada por ela, porque esse não é o objetivo do anime.

Are you ready? Um anime que reúne homens lindos, muita […]