Swimming anime da KyoAni e a expansão do moe para o público feminino

Swimming-anime-kyoto-animation-gyabboEstou preocupado. Muito preocupado.

Há poucos dias você viu no post Moe reverso? Os nadadores da KyoAni do blog Anikenkai como um comercial de trinta segundos do famosíssimo estúdio Kyoto Animation (Lucky Star, Haruhi Suzumiya, K-ON!, Hyouka) gerou um barulho gigantesco e um impressionando grupo de pessoas que acreditaram, quiseram acreditar ou simplesmente querem que esse comercial (prática comum do estúdio, esse já é o nono do tipo, como você pode ver bem no post “Os Comerciais do Kyoto Animation” do blog Argama) vire uma série animada de verdade!

Aproveitando as palavras do Diogo no post citado:

(…) no caso do anime de “Natação Sexy”, não foi um bom roteiro que chamou a atenção, mas sim o explícito fanservice diferente do modo como estamos acostumados. Diferente porque, simplesmente, não tem como o público alvo os homens, mas sim as mulheres. Pode parecer qualquer coisa, mas significa muito.

E por que significa muito? Conforme citei mais acima, o estúdio KyoAni é quase um símbolo daquilo que conhecemos como um “movimento moe” moderno. Ainda que a capacidade criativa e técnica do estúdio sejam praticamente inquestionáveis, não podemos tirar dele pelo menos parte da responsabilidade de temporadas e mais temporadas entupidas de animes com garotas kawaii fazendo absolutamente nada, apenas sendo fofas.

Muita gente me pergunta (ou mesmo já afirma por ler o que escrevo por aqui) se eu detesto o moe. A verdade é que não. Entendo o moe como um elemento da indústria de entretenimento japonesa que pode ser usado de forma positiva. Faço uma divisão muito clara entre um moe “sadio” e um moe “ruim” (ok, já estou prevendo as pedradas que vou levar nos comentários, mas tudo bem). Tomando Lucky Star como exemplo, você enquanto expectador pode aproveitar a série – que é pautada em uma gigantesca pedra de moe – independente de gostar desse elemento ou não. As qualidades técnicas da série vão além de um único elemento. E nessa categorização eu colocaria várias outras obras do mesmo estúdio. Hyouka faz isso de forma brilhante! K-ON! é mais escancarado, mas também atinge esse objetivo. O moe está lá, mas você não é obrigado a gostar do anime por ele.

No entanto, sabemos como hoje a indústria de animes está cada vez mais se fechando para um público que injeta dinheiro nela, mas em troca de obras meramente pautadas em explorar esse lado fofo e ingênuo, vendendo uma imagem irreal de personagens, sem se preocupar em ser uma indústria que conta boas histórias. O que eu vejo de problemático é que se fortaleça uma lado da indústria da animação japonesa voltada para criar produtos em sua grande maioria rasos e com um teor questionável (sexualização de jovens para o deleite de adultos).

O quanto o moe tem culpa em uma possível retração do mercado de animes no Japão é relativo, mas o que isso pode causar de mudanças à longo prazo é algo que podemos discutir com mais facilidade. Que futuro carregam os animes se continuarem focando apenas em públicos hardcores que exigem a mesma coisa uma depois da outra?

E se até agora esse fenômeno se limitava ao público masculino – algo que eu não defendo, que fique claro, a atenção deve ser voltada para todos e não somente para homens – ao ver algo como esse comercial da KyoAni ter essa repercussão, com milhares de pessoas assinando petições para tentar tornar o anime de 30 segundos em um de 30 minutos por episódio, me assusta pensar que ao invés da bolha do moe explodir ao não ter mais para onde expandir pelo seu público reduzido, ainda que fiel, ela consegue inchar ainda mais procurando abarcar o público feminino!

E antes que alguém corra para os comentários, eu sei que esse foco em um nicho de mercado voltado para mulheres já acontece com os BL ou yaoi, mas estamos falando de algo diferente. A questão não está em histórias de cunho homossexual feitas por e voltadas para mulheres. Estamos falando de uma possível onda de obras feitas principalmente por homens para levar o moe a um público que antes não era focado, principalmente no que tange os animes.

Não estou aqui para tocar a trombeta do apocalipse e dizer que o moe vai matar a indústria de animes, mas nesse exercício de imaginação eu fico realmente preocupado em ver algo que eu esperava apenas diminuir conseguir expandir seus tentáculos para sobreviver e expandir.

Tanto faz se voltado ao público masculino ou para o feminino, isso não importa, a questão é: o que queremos para os animes (ainda que enquanto público brasileiro nossa opinião não conte a mínima para os produtores japoneses) é uma expansão ainda maior do moe? 

Quero ouvir sua opinião nos comentários: Exagero? Temos realmente algo a ficar preocupado? O comercial dos nadadores deveria virar anime mesmo? O moe é apenas uma moda que vai passar em alguns anos? Enfim, quero saber o que você tem a dizer sobre isso.

 

Estou preocupado. Muito preocupado. Há poucos dias você viu no […]