Editorial #04: Quinhentos Episódios de Naruto

Editorial #03: Quem Tem Medo de Mamilos?

Cinquenta episódios por ano, dez anos. E o Anime Mais Popular no Brasil chega a esse marco verdadeiramente histórico. Bem, vou contar aqui a história de mais um fã – bem relapso, para falar a verdade – de Naruto.

Lá pelos idos de 2007, era um menino sério que tinha largado essa vida de assistir desenhos e até mesmo jogar – tanto que tinha acabado de vender meu segundo e até aqui último console, um PSOne, pela bagatela de R$ 150 – quando dois amigos da vida real, que mal se conhecem, recomendaram que visse a nova sensação dos desenhos japoneses. E da terra do Dragon Ball Z que marcou minha adolescência veio Naruto.

E como sabemos, poucos começaram nesse hobby lendo os quadrinhos orientais, em sentido de leitura ao contrário – muitos assistiram na TV aberta de Patrulha Estelar aos Cavaleiros do Zodíaco até mesmo ao Super Onze para depois conhecer as maravilhas da internet. E se Goku e seus amigos fizeram a minha alegria enquanto moleque, chegava a hora de ler legendas e ouvir japoneses dando vida ao galego e a literalmente centenas de outros personagens que apareceram ao longo de todos esses anos.

Claro que dá certa nostalgia lembrar de tempos em que estava descobrindo algo novo e não sabia de temporadas, cours, seiyuus, blogs, todas essas palavras complicadas que usamos para facilitar a comunicação sobre o hobby que acaba tomando um tempo ao menos razoável de quem chega a ler este cantinho da internet.

Simplesmente [AVISO: CONTEÚDO EXPLÍCITO só que não A SEGUIR] ia no YouTube e via, em três partes, mais um episódio daquela série divertida que mescla bem ação, aventura, comédia [tá, meio pueril, mas bem válida], drama e romance – sim, os principais elementos valorizados pela maioria das pessoas que procuram simplesmente entretenimento.

E claro, a curiosidade quanto a animação japonesa despertou-se como uma fagulha dentro de mim, o que levou a ver Bleach, Code Geass, Chobits… mas isso é assunto para outra conversa.

O que interessa é que Naruto não é simplesmente um anime que fez sucesso por simplesmente agradar a todos. Fez sucesso por ser bom, sabendo agradar a todos. A animação do Studio Pierrot é muito boa para uma série de longa duração – a maioria dos episódios está na média quando os que realmente merecem destaque conseguem ser excelentes, mesmo quando são polêmicos; já a trilha sonora, assim como o elenco de dublagem, está repleta de belas peças que reunidas dão origem a um resultado realmente acima da média.

Claro, o anime se perdeu-se razoavelmente rápido ao entrar em literamente um ano e meio de histórias paralelas, fillers, construídas na medida para dar-se algum respiro, alguma distância do original para a adaptação – afinal, é necessário primeiro vender muita Shounen JUMP e depois muito volume [tankohon] antes de podermos animar algo cuja renda é mais indireta, dos anúncios televisivos ao licenciamento quase ilimitado, de jogos a bonecos.

E a mistura do choque com a passagem de tempo somada com a lerdeza constante do primeiro ano de Shippuuden fez com o que o feeling de Naruto se dissipasse um pouco, o suficiente para o momento de One Piece, com o arco mais eletrizante em quinze anos deste manga somado com um filme que é exemplo de marketing, fosse bom o bastante para que, ao menos na internet, passasse Naruto como o anime a ser assistido pelas pessoas, erm, normais.

E vale lembrar de One Piece, que junto com Dragon Ball – e agora Naruto – são os três animes derivados de mangas da Shounen JUMP a terem ultrapassado essa marca portentosa de 500 episódios. Cada um com sua mistura, é claro que há mais motivos do que o resumo genérico rabiscado acima; quanto ao caso deste artigo, podemos explicar valendo-se das palavras carisma, estilo e mundo.

Carisma natural, imprescindível a este tipo de obra – mas que aqui atinge proporções maiores pelo elenco mais inchado que a média [principalmente após a escolha de realizar um arco como o Chuunin Shiken]; estilo por que os personagens podem ser desenhados de forma simples e mesmo sem influências da moda como em Bleach, mas do seu jeito Naruto é cool [One Piece também o é, mas acaba sendo caricato demais para alguns levarem a sério] e mundo por que a construção deste é, de uma forma simples, interessante o bastante [tanto que nesta fase final da obra estamos vendo isto efetivamente ser aproveitado].

E falando no momento atual da obra, nem toda história tem um final feliz: e a minha com Naruto terminou há um bom tempo, quando simplesmente deixei o anime para lá após mais uma temporada de fillers inúteis; passei, como muitos, a ler o manga para saber dos SPOILER [isto rende outro artigo, mas é assustador o número de pessoas que só lê manga pelos acontecimentos deste estarem mais avançados, e não por efetivamente gostarem desta mídia] até que, pelo nobre motivo de não ser uma pessoa que consegue acompanhar direito mangas, parei por volta do capítulo 550.

Claro que lerei até o fim, até verei alguns episódios mais interessantes pela versão animada – que quando quer ainda tem o brilho, a chama do começo, quando, podendo trabalhar puramente com o material de qualidade fornecido pelo mangaka Masashi Kishimoto fez sim, uma obra que definiu uma geração. Um agradecimento pessoal pelos quinhentos episódios por que devemos ter um post daqueles sérios e cheios de fru-fru quando formos comemorar oficialmente os dez anos de estreia da série de animação japonesa que deu origem a alguns milhares de fãs da décima primeira arte.

Editorial #03: Quem Tem Medo de Mamilos? Cinquenta episódios por […]