Coordenando uma sala de exibição de animes

Nesta última terça-feira (11/01) aconteceu em Manaus a 1º Amostra Cosplay realizada pelo grupo Zona Negativa e pelo SESC. A ideia do evento era possibilitar de forma gratuita um lugar para que os fãs desse hobbie se reunirem, se divertirem e conhecerem mais. Apesar de ser realizado em uma terça-feira marcada por uma forte chuva na cidade, o público compareceu em ótimo número (cerca de 1000 pessoas no dia inteiro) e pelos comentários que surgiram posteriormente, parecem ter se divertido.

Mas não é sobre isso que venho comentar hoje no blog. Juntamente com as atividades voltadas para o cosplay, havia na Amostra uma exibição de animes, algo obrigatório em eventos do tipo, da qual eu e o grupo Anime Sharing Day ficamos responsáveis.

Como fã de animes e mangas já fiz várias coisas que poderiam estar em uma daquelas listinhas para seu nível de fã, mas nunca havia feito parte de um evento por dentro. Acho que nunca comentei isso por aqui, mas tenho uma grande vontade de realizar meu próprio evento, muito para sanar a falta de certos elementos voltados realmente para animes e mangas que infelizmente não se vê nos chamados “Eventos de anime” hoje em dia.Ao ser convidado pelos organizadores do evento para cuidar da sala de exibição, mil ideias pipocaram na minha cabeça, mesmo que eu soubesse que não pudesse realizar todas. A primeira era fugir do óbvio: Não, nada de Naruto, Bleach, One Piece, Soul Eater ou outros shounens muito populares. Não que eu tenha algo contra eles, na verdade sou muito fã da maioria, mas eu entendo que a exibição de animes em um evento, principalmente quando se tem apenas uma sala e pouco tempo como foi o meu caso, deve ser voltado para mostrar as possibilidades que os animes possuem.

Claro, com isso em mente eu gostaria de ter passado coisas como Cencoroll, Giant Killing, Paprika, para citar alguns. Mas algo importante que eu logo percebi, é que em uma exibição de animes você não pode pensar no que você gosta, você precisa pensar no seu público, sem perder a ideia central de abrir os horizontes de quem for lá conhecer animes. Assim, minha proposta de lista inicial era: Ponyo, Sengoku Basara, Tiger & Bunny, Seto no Hanayome, Kimi ni Todoke, Usagi Drop, Ouran Host Club e Summer Wars.

Percebam que apesar de serem todos animes elogiados (alguns pela crítica, outros pelo público, alguns por ambos), não são obras grandiosas demais ou que puxassem excessivamente para quem já conhece esse mundo (com exceção de Ouran, é verdade). Além disso, primei por expandir nos mais diversos gêneros: aventura, ação, histórico, comédia, romance, drama e familiar (que não é um gênero, mas vocês entenderam). Além claro, de balancear as coisas por demografia também, mostrando que animes podem alcançar homens e mulheres. A ideia também foi não só jogar os animes na tela, mas antes de cada exibição falar um pouco sobre cada um para que as pessoas pudessem conhecer mais.

Isso, claro, no papel, pois na hora da exibição as variáveis sempre surgem e tudo precisa ser mudado. Primeiro o atraso inicial para começar eliminara o espaço de tempo para um episódio. Tivemos problemas com o projetor, com o cabo de som, com a caixa de som, com o computador, enfim, tudo que poderia dar errado, deu. Vocês não conseguem imaginar a minha frustração de ver uma sala inteira indo embora no meio de um filme do Miyazaki porque o notebook usado resolveu esquentar demais e se desligar.

No fim, o que conseguimos passar foi Ponyo, Tiger & Bunny, Sengoku Basara, Kore wa Zombie Desu Ka? (sim, apesar de eu ter odiado o anime, sabia que o primeiro episódio era hilário e iria agradar ao público jovem presente. Nessas horas que é bom ter visto de tudo um pouco, mesmo as coisas ruins). Frustrado? Um pouco, mas satisfeito por ter conseguido passar alguns animes que eu gostaria que outras pessoas conhecessem e que muitas vezes desconhecem justamente pelos eventos repetirem o mais do mesmo.

Foi gratificante ver mães e seus filhos chegando e rindo com Ponyo, foi satisfatório ouvir no final as pessoas perguntando o nome dos animes novamente para que pudessem ir atrás, mas principalmente, foi ótimo saber que ainda é possível ir para um evento e fazer as pessoas conhecerem mais animes.

Provavelmente participarei de outros, com outras ideias (ninguém vai me impedir de fazer uma amostra Satoshi Kon e outra do Mamoru Hosoda) e com mais preparo. Muito se reclama dos eventos atuais de anime, mas a verdade é que às vezes só reclamar não adianta, você precisa por a mão na massa. Quem é fã sabe como é divertido conhecer outros fãs ou mostrar algo que você gostou para os outros, foi pra isso que eu criei o blog!

Esse meu primeiro contato só me fez perceber algumas coisas que eu não via antes e ter mais certeza de que aquilo que nos deixa insatisfeito no mercado brasileiro de animes e mangas pode sim mudar se os fãs cobrarem e os responsáveis tiverem vontade e retirarem suas bundas da maldita zona de conforto.

Gostaria muito de ouvir a opinião das pessoas que já fizeram parte de um evento, ou quem não fez, que ideias vocês acham que poderia ajudar (principalmente no caso dos animes) e as experiências semelhantes que tiveram. Aguardo vocês nos comentários!

Nesta última terça-feira (11/01) aconteceu em Manaus a 1º Amostra […]