Bleach – O Shonen Mais Shoujo de Todos os Tempos

Olá tchios e tchias. Mibshiny aqui, em seu post super inaugural, no nosso lindo, gostosinho e perfeitinho Nahel Argama. Sei que vocês devem estar esperando um post sobre algo meio…yaoi! Só que não agora. Decidi iniciar compulsoriamente com o “não esperado” por mim. Por isso, comecemos os nossos trabalhos.

Falemos um pouco sobre Bleach. E sim, antes que alguém pergunte: eu fiz o favor de começar com um dos mangás/animes mais hateados e amados da otakusfera.


Bleach começou inicialmente como mangá, no ano de 2001, e até hoje, conta com fãs e haters, por todo o mundo, sendo considerado, ainda, um dos grandes mangás da Shonen Jump. O mangá, de autoria de Kubo Tite o mangaká mais troll de todos os tempos, conta atualmente, com mais de 50 volumes lançados, uma série de TV com 366 episódios, 4 filmes, diversos OVAS, e  os variados musicais, denominados de Rock Bleach Musical.

É inegável o sucesso de Bleach, mas o post não irá tratar desse assunto em específico. Não mesmo. Vamos abordar um assunto mais “viadinho”: o fato de que, segundo MINHA HUMILDE opinião, claro Bleach é um anime/mangá voltado ao público feminino. Sim, digo isto como boa leitora de shoujos, que já está acostumada aos elementos dos romances voltados ao público feminino.

Kubo Tite, apesar das opiniões em contrário, não é tão asno como a maioria dos indivíduos da galáxia pensam. Ele tem sim, um certo teor de inteligência, pois conseguiu transformar em sucesso, um mangá (teoricamente shonen) de luta, voltado às mulheres. E isso não é tarefa para qualquer um.

Contudo, você, leitor do Nahel, deve estar se perguntando de onde eu tirei essa ideia de que Bleach é para mulheres!?

Vários são os fatores que levam a essa conclusão, seja a presença permanentemente, de insinuações amorosas, de todos com todo mundo; até mesmo ao fato dos personagens masculinos terem traços mais bishounen. Todos os elementos trazidos ao mangá e ao anime, corroboram a um acompanhamento maior do público feminino. Aliás, é certo dizer que Bleach ainda é um mangá shonen com grande participação das mulheres (posso até mesmo dizer que, enquanto a maioria dos homens reclamou da saga Fullbring, por exemplo, as garotas que acompanharam, endeusam até hoje a saga, e explicarei os motivos,  a seguir).

O que torna, a princípio, determinado mangá, convidativo para as mulheres? Digamos que o que chama mais atenção, seria o traço, e a beleza dos protagonistas. Não quero dizer com isso que nós, mulheres, nos deixamos levar pelas aparências, apenas que a beleza do “mocinho e da mocinha”, interferem bastante no momento de escolher que mangá ou que anime acompanhar. Não à toa que nos mangás shoujo, temos o termo bishounen, para denominar aqueles personagens masculinos com uma beleza superior à do homem médio (e outras coisitchas mais).

Nesse ponto, Bleach dá um banho nos concorrentes. Kubo Tite nasceu para desenhar personagens bishounens, e o faz com perfeição (não entrarei no mérito do início de Bleach, por motivos óbvios). E não apenas isso, mas todos os personagens, além de serem bem desenhados, são donos de um perfil carismático. O que dizer da beleza de Byakuya, Ishida, Hitsugaya, Urahara, Ukitake e, até mesmo, do próprio Ichigo?! Eles são personagens feitos para mulheres olharem. Até mesmo porque, se for analisar bem, a maioria dos homens não liga muito para a beleza de personagens masculinos, vide exemplos em DBZ, Toriko, Slam Dunk, YuYu Hakusho, Hunter x Hunter, Super Campeões (rs), e tantos outros. Aliás, de Bleach mesmo, os únicos personagens que acredito serem realmente e puramente shonen, são Kenpachi, Yamamoto e Chad e este último é o saco de pancadas de plantão e, realmente, não precisava ser bonito.

Já em se tratando exclusivamente dos mangás de Bleach, Kubo nos brindou com os poemas em cada volume lançado. Para a maioria dos homens, não passam de páginas gastas, mas para as garotas do fandom, os poemas são motivo de análises atrás de análises e discussões existenciais barraco, fofoca, confusão. Claro, poemas são, fundamentalmente voltados às mulheres, e isso desde que mundo é mundo. E este é outro ponto para o mangá supracitado. Por que o mangaká sentiria a necessidade de colocar em um shonen, em que os homens não se focariam em tantas minimezas, religiosamente um poema por tankobon? A resposta é simples, ele coloca não apenas porque goste de escrever tais textículos, mas porque Bleach busca o público acostumado a ler shoujo.

Vários são os poemas, que possuem uma conotação romântica e fazem alusão a algum momento importante do mangá. Escolhi os considerados mais “shoujo” pelo fandom, como um todo:

“Me pergunto se eu poderei acompanhar a velocidade…De um mundo em que você não está.” – Volume 49.

“Nós… Primeiro, não estamos misturados. Segundo, não temos a mesma aparência. Terceiro, não temos pupila. Quarto, diante de nós, não há esperança. Quinto, é onde está o coração” – Volume 27.

“Pelo seu coração, eu invejo. Pelo seu coração, eu devoro. Pelo seu coração, eu destruo. Pelo seu coração, eu me orgulho. Pelo seu coração, eu odeio. Pelo seu coração, eu enfureço. Pelo seu coração…Eu desejo tudo que seja seu”. – Volume 40.

“Seu eu fosse a chuva poderia eu me conectar ao coração de alguém assim como ela pode unir os eternamente separados, terra e céu?” – Volume 03.

É mais do que óbvio que não vou analisar aqui, poema por poema, vez que a intenção do presente post não é esse. Pretendo apenas demonstrar que os poemas são mais um atrativo para o público feminino, e que constituem, sim, um certo elemento de mangá shoujo.

Além desses aspectos mais gerais, que caracterizam um shoujo, ainda temos a presença de diversos casais subentendidos e explícitos, na história. E isso representa um alto índice de shippagem por parte do fandom, até mesmo porque, em Bleach, não há limites para o shipp. Exemplos de casais shippados são: Ichigo x Rukia, Ulquiorra X Orihime, Urahara x Yoruichi, Renji x Rukia, Ichigo x Orihime, Ishida x Orihima, Rukia x Byakuya, Kenpachi x Yachiru, Soi Fong x Yoruichi, dentre tantos outros.

No entanto, apesar de tanto material de shipp, o único realmente comprovado é o casal Gin x Matsumoto. Mas isso não impediu o Kubo de trollar o fandom, e colocar diversos fatos que corroborassem com vários shipps, ao mesmo tempo. Com toda certeza ele vai arrastar todos esses casais até ao final do mangá, e isso se realmente desenvolver completamente algum deles.

Uma das cenas consideradas mais shoujo no mangá é a cena do capítulo 423, Farewell Swords, em que acontece a despedida entre Ichigo e Rukia. Para muitos, a falta de plano de fundo no quadros finais, é apenas mais uma mostra de que Kubo é ótimo desenhando personagens, mas péssimo em se tratando de backgrounds. No entanto, ao analisar o contexto das cenas, percebe-se que o fundo branco utilizado, nada mais é, do que o artifício que as mangakás de shoujos, usam em momentos cruciais. De fato, o plano de fundo branco, serve para destacar os personagens, deixando o leitor à par do fato de que, o que importa àquele momento, são  as personas, e somente elas. Ou vai dizer que, ao ver esta imagem abaixo, não se sabendo ser de Bleach, não se pensaria tratar de mangá shoujo?

Outro elemento bastante forte, com relação ao assunto, se encontra no episódio de despedida, correspondente do capítulo 423 do mangá, do episódio 342 do anime de Bleach. O episódio foi construído, basicamente, com fanservice para as fãs da série. Com direito a patinação no gelo, fogos ao luar, declarações de amizade eterna, e despedida emotiva, ao som músicas tocantes e emotivas, ao melhor estilo shoujo de ser. Não houve quem assistiu ao episódio, que não afirmasse que Bleach, então, virara, finalmente, um anime shonen, para mulheres.

Por fim, mas não menos importante, temos a saga mais odiada pelos fãs de Bleach, e uma das mais adoradas pelo público feminino: A saga Fullbring. Toda a saga é pautada na vida normal de Ichigo, e em como o tédio, em não ter mais seus poderes, o atinge. No entanto, tal tédio, é demonstrado com diversas alusões à Rukia, pautadas com fundo branco, e frases de meia página.  Reafirmo, que, para alguns, a falta de plano de fundo pode representar o puro desleixo e descaso de Kubo Tite, mas para a maioria das mulheres que acompanham o mangá, não passa de uma demonstração maior, dos sentimentos do personagem, e uma forma de contar, além das palavras, o que representa aquele momento de sua vida.

Ademais, as relações havidas entre Ichigo, Inoue, Riruka e tantas outras alusões à Rukia, que, querendo ou não, em nada acrescentam ao plot principal, são correntes e servem para um único fim: arrecadar fãs do gênero feminino. Como por exemplo, a cena do pão e do chá, que de nada servem ao andar da história, mas que foram colocados ali, como elemento de possível shipping, e fanservice, para as fãs mais afoitas da obra.

Em síntese, acredito plenamente, que Bleach é sim um shonen, com vias a atingir o público feminino. Talvez alguns não concordem com tal opinião, mas, apesar da decadência atual da obra, as mulheres que acompanham, ainda se demonstram serem bastante fiéis à Kubo Tite, e à sua história, muito mais devido àos elementos já mencionados, do que pelo lado shonen de tudo.

Olá tchios e tchias. Mibshiny aqui, em seu post super […]