Primeiro Episódio: Sword Art Online

O anime mais hypado da temporada correspondeu as enormes expectativas depositadas? É o que veremos depois dos comerciais no próximo parágrafo!

Sword Art Online é uma light novel escrita por Reki Kawahara e ilustrada por abec que conta a história de um mundo que mistura realidade virtual [VR] e jogo de interpretação de personagens online e em massa para múltiplos jogadores [em suma, os famosos MMORPG], Aincrad – e é através do jogo conhecido como Sword Art Online que o protagonista, Kirito, irá viver uma aventura que vale o maior prêmio de todos: sua sobrevivência.

Kawahara, autor também de Accel World [com adaptação em anime pelo estúdio Sunrise que estreou em Abril/2012], sabe muito bem trabalhar nesse nicho de realidades virtuais e jogos para termos uma boa construção de mundo que suporte uma obra de fantasia otaku – sim, teremos ação, aventura e todos aqueles clichês adoráveis aonde um protagonista banana, sem objetivo e nem lugar inicialmente consegue através do roteiro uma verdadeira vida de wish-fulfillment na medida a agradar seu público-alvo.

Accel World torna-se medíocre ao aliar isto, sem nenhum pingo de novidade, a um mundo que possui mais potencial do que a série acaba mostrando e a uma adaptação totalmente mecânica, feita em piloto automático. Sorte que são justamente nestes dois pontos que SAO consegue se sair muito bem para ser a grande série pipoca – ao menos para os otakus de plantão, e até para um ou outro fora do nicho – desta, sim, fraca temporada de Julho/2012.

O primeiro – e mais importante passo – foi contratar um bom time para executar o ambicioso projeto das produtoras ANIPLEX e GENCO; como em THE [email protected], do mesmo genérico mas bom A-1 Pictures, uma boa animação nos momentos mais importantes acaba sendo compensada com certos momentos em algumas imagens paradas de baixa qualidade – mas o resultado é apesar de genérico, bem acima da média e o traço já típico de Shingo Adachi [Working!!] funciona muito bem, sendo simples e ao mesmo tempo conseguindo tornar cada personagem marcante.

A música, pela renomada Yuki Kajiura, acaba sendo eficiente – SAO não exige o clima gloriosamente épico típico das trilhas compostas por ela, portanto temos aqui um trabalho claramente acima da média e que sem dúvida sabe trabalhar o clima medieval típico destes jogos mas nada que realmente atinja o coração de quem está assistindo. Mesmo a abertura [colocada neste Primeiro Episódio como encerramento], crossing field [por LiSA], é mais feita para vender singles do que é a música ideal para Sword Art Online.

Então o grande destaque é mesmo a direção de Tomohiko Ito [Seikimatsu Occult Gakuin], que consegue – claro, com alguns percalços – introduzir o protagonista e o mundo que acompanharemos pelos 2-cour de duração da obra e integrá-los de uma bela forma.

Diferente do suposto pela abertura da série, temos aqui principalmente um episódio – que lembra o primeiro de The Walking Dead pela presença de um drama bem pessoal e vivido junto com um amigo que partirá somente para ser retomado [claro, em outro contexto] muito depois – preocupado em mostrar [rapidamente] o mundo em que nosso heroi vive para logo depois mostrar como ele lentamente o perde até o ponto em que precisará começar sua Jornada.

E desde a introdução de Klein, seu primeiro amigo neste mundo VR+MMORPG, vamos acompanhando calmamente pela primeira metade do episódio algo clichê e familiar, propositadamente alegre, clichê e familiar, feito na medida para o impacto da grande revelação aqui ser sentido pelo espectador.

E o modo como esta é feita, gradual e na medida, é o ponto alto do episódio, o que mostra que temos uma obra com muito potencial para abordar de forma sobretudo divertida uma aventura com certo grau de perigo neste mundo fantástico [e aqui o fato de termos um MMORPG, que possibilita inúmeras referências, piadas e mesmo situações interessantes, é um ponto positivo para a obra].

Infelizmente a transição entre mídias não foi perfeita e temos muita explicação e exposição sobre as regras do mundo sendo jogadas artificialmente na cara do espectador, mas toda a parte que envolve o drama dos personagens em se descobrirem em uma situação de perigo [o que, de novo, é um defeito do citado Accel World] é eficiente demais – sendo que os minutos anteriores servem aqui para torná-los carismáticos; e claro, apresentar o mínimo de ação com o protagonista derrotando um javali.

Sword Art Online nem pretende ser um clássico, algo que seja para todos os públicos poderem apreciar em diferentes camadas, que tenha por trás mentes criativas trabalhando ao máximo para extrair algo novo, diferente, impactante. É feijão-com-arroz bem-feito e algo genérico, interessante o suficiente para ser um sucesso, ser muito assistido e garantir a diversão em milhares de casas mundo afora.

Ação/aventura, drama, romance: é isso que encontraremos em Sword Art Online, a mesma história de sempre em trajes novos. Se tratado da forma redonda que temos aqui, por que não assistir? Tem – e não é pouca gente – quem goste. Recomendado se estiver a procura dos elementos citados acima.

O Bom: Parte técnica sólida; direção competente; história na medida para ser popular.
O Ruim: Longos diálogos com explicações chatas; animação instável.
A Sumida: Asuna – não se iluda pela imagem acima, ela não aparece neste episódio.

O anime mais hypado da temporada correspondeu as enormes expectativas […]