Primeiras Impressões – Gin no Saji – Silver Spoon e o *

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Yo!

Um capítulo inteiro que culmina em um *. E muito bem, por sinal! Bora ver!

Silver Spoon ou Gin no Saji para os nipófonos (existe essa palavra? o corretor diz que sim…) é o mangá que a Hiromu Arakawa fez para: 1 – satisfazer uma ambição pessoal. 2 – mostrar ao público que dá pra fazer mangá bom de praticamente qualquer coisa, mesmo que digam que não. 3 – e sem batalha, nem conspiração. Trabalhando apenas ritmo e interação, além do crescimento pessoal do protagonista, Silver Spoon se mostrou um mangá muito bom, levando prêmios como o Manga Taisho de 2012, maior premiação da categoria.

Pessoalmente, eu sempre estive curioso quanto ao direcionamento e nunca pude conferir pra ver como a autora trabalhou o tema, um tanto inusitado: o ensino agrário e a vida no campo. E o resultado é de deixar o Chico Bento de cabelo em pé. Silver Spoon é muito interessante e seu ritmo mostra que Fullmetal Alchemist, obra que fez a autora ser conhecida no mundo todo, não era o seu limite. Claro que temos que dar créditos ao diretor Tomohiko Ito, de Sword Art Online (mas que trabalhou como assistente em Monster, Death Note, Persona, Madoka…). Seu trabalho foi competente, traduzindo a cara dos mangás de Arakawa (já que nunca li Gin no Saji, vou pelo que conheço de FMA), a velocidade das cenas, as tiradas…

A história deste primeiro capítulo consegue tornar um * em algo genial, por ser o * a representação de toda uma cultura da cidade se chocando com a vida do campo. No Japão, a faculdade ainda é muito mais vista como um preparatório pra vida profissional do que uma gráfica de diplomas para arranjar emprego e esse anime deixa isso bem claro. Ah, nem é uma faculdade ainda, né, é um colégio preparatório para ser agricultor. Isso soa alienígena para um país que depende tanto de sua força agrária quanto tem mão de obra estudada para seus campos, como é o Brasil. Eu sei porque eu achava bizarro quando um dos presidentes da firma que eu trabalhei quando era moleque ser formado em agricultura. Pensava “Que diabos qualifica um cara que tirou diploma de peão a ser presidente regional de uma multinacional?” e “Quem diabos faria curso superior de cortar cana?”. Preconceitos de quem cresceu ouvindo que ser advogado ou médico é que era honrado e que achava que seguir seu sonho era necessariamente ser contra o sistema. Só quando o sistema é o que elege o trabalho que é digno ao invés de dignificar aquele que trabalha…

Voltando ao anime, todo o choque que o protagonista, Yugo Hachiken, sofre no começo da história, é aquele mesmo choque que todo mundo que cresceu na cidade sofre ao se deparar com a primeira galinha com penas. De repente, até a primeira que viu inteira e sem cozinhar. Os odores fortes da natureza contrastando com o mundo estéril e higienizado desse universo urbano. Não tem como não se identificar.

Mas um ovo cru mexido no arroz e todo o dilema social por trás dele é que protagonizam a trama. E como um * (leiam como preferirem) pode criar as barreiras que o impedem de ter um simples prazer: comer.

Resultado:

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É, tenho que bater palmas para tudo nesse anime. Arte boa, história envolvente, direção impecável. A música é MÉÉ, mas até combina, relevo. Teve muitos momentos legais e a trama envolvendo o * foi algo genial, chocante e ao mesmo tempo, corajosa. Fico muito inspirado a ver mais pra conferir o talento da autora em contar outro tipo de história. E como eu falei, a direção e todo o empenho da equipe da animação transparece um desejo de fazer um bom trabalho.

Se é um bom anime? Claro. Vai valer assistir? Depende. Acho que depende de você e do que você espera. Não que seja uma trama para poucos, mas simplesmente tem o limite do que você espera para o seu “momento anime”. Se você quer só ver ação, pena, não rola. Mas se o negócio é mais procurar um bom momento de diversão, acho que é uma boa escolha. Entretem, te faz reagir às cenas. E mesmo os que tem nojinho de ovo cru, dóvidó não ficar com água na boca no final.

Tá entre os favoritos da temporada? Craro, né! Assista, nem que seja pra ver tudo acabar em *.

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Bônus: minha receita pra um Tamago Kake Gohan.

Arroz japonês bem quente. Sirva na tigela. Tigela, não prato. Abra um buraco no meio, para que o arroz quente envolva o ovo por todos os lados. Quebre um ovo bem fresco, já que vai ser cru. Quebre a gema e misture um pouco. Shoyu salpicado, até o ovo ficar alaranjado, não preto, bem pouco. WASABI! Se for ralado, melhor, se for da bisnaga ou o desidratado, ok. Um pouco de Shichimi, aquela pimentinha japonesa. Misture o arroz, cobrindo o ovo primeiro e depois batendo um pouco para o ovo pegar todo o arroz. Pronto!

O segredo disso aqui é o ovo. Quanto mais gostoso ele for, melhor. Então, ovos bem frescos, de boas granjas, sempre vão melhorar o Tamago Kake Gohan, já que é um prato feito para se apreciar o ovo.

Esse aliás, é o trunfo do capítulo. Não tem ovo mais fresco que o que acabou de sair do *. E não tem sabor melhor do que o da comida que você lutou pra fazer.

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