Os 10 animes/mangás que fizeram parte da minha vida

Yo!

Todo mundo que lê mangá, curte algum seriado, lê livros, etc, tem sempre as obras que marcaram sua vida de alguma forma. Independente de ser uma obra de outro mundo, super inteligente ou com qualquer valor, sempre temos aquelas histórias com as quais temos um certo laço afetivo. Essa lista tem as obras que fizeram parte da minha vida, dentro dos mangás e animes.

10 – Chibi Maruko

Quando eu era criança, meu pai alugava as fitas piratas de programação japa, quem é de São Paulo conhece as lendas (anos depois, eu trabalhei em uma locadora dessas). Como tinham 4 crianças, era inevitável pegar um anime, algum tokusatsu. E na maioria das vezes, era Chibi Maruko. A história é autobiográfica e conta a infância da autora Sakura Momoko em Shizuoka, cidade famosa pelo chá. O divertido é que as crianças não eram idealizadas ou pequenos adultos como se costuma ver. As histórias variavam de engraçadas, nostálgicas, dramáticas até algumas mais doidas. Um episódio que eu lembro de cara é o dos cachorros na escola, em que Maruko é cercada por cachorros de rua e sua irmã, um ano mais velha, vence o medo pra salvar ela. Assisti depois de adulto esse episódio e ainda é muito bom, a forma que é construída a história.

9 – Doraemon

Clássico absoluto nos infantis, presença constante nas fitas piratas da minha infância. Na história, os descendentes de Nobita Nobi decidem enviar um gato-robô ao passado para mudar o preguiçoso e covarde Nobita. O destaque são sempre as coisas que saem do bolso de Doraemon. Lanterna que faz encolher, porta que vai para qualquer lugar, helipóptero individual, espelho para um mundo revertido. Tem muito material pra sonhar ai. Já citei dois capítulos especiais em outro post, mais um final alternativo (e um oficial), mas tem uma outra história que eu sempre me lembro, que envolvia robô gigante, um mundo inabitado e uma invasão alienígena. O som das peças do robô caindo ainda tá na minha cabeça, muito mais do que o capítulo, um especial em longa metragem.

 

8 – Love Hina

Quando eu estava no colegial, já trampava e tinha minha grana, vez ou outra eu comprava mangá na Liberdade, numa época que isso só era possível se você lesse japonês, antes da Conrad publicar Cavaleiros e Dragon Ball. Costumava comprar tankohon, mas vez ou outra eu comprava as antologias. Uma vez, por acaso, comprei um bloco mensal (4 edições) da Shonen Magazine. Era certinho os quatro primeiros capítulos de Love Hina e eu curti pra caramba. Na época, era raro os mangás serem pintados por computador, apesar de nos comics americanos e até entre os fãs mais dedicados isso já ser comum (eu pintava com mouse no PS4!). Quando cheguei no Japão, no primeiro dia, ainda com as malas no carro do meu pai, eu parei em uma loja de livros usados e comprei quatro volumes de Love Hina, que eu li durante os primeiros dias sem nada o que fazer lá. Li e reli, já que nem tinha internet, celular, videogame… Acho que foi o primeiro mangá que eu peguei um dicionário pra poder ler e entender 100%.

7 – 20th Century Boys

Na época, Urasawa era alardeado só no Japão. Lá, tivemos um boom de Monster entre leitores adultos, alimentado por atrizes de renome, como Matsushima Nanako, falando que não lia muito mangá, mas devorou Monster. Até ali, Urasawa era conhecido como o autor de Yawara!, uma série leve de spocon. Quando saiu 20th Century Boys, as críticas pareciam confusas. Ninguém sabia direito o que achar da série (também, ninguém achava que Urasawa iria se focar em histórias de mistério e conspiração) e o hype não acontecia. Até o fim da primeira parte. Lembro de ler em uma notícia sobre esse momento e decidi ler. Não sou fã de séries de mistério, nem tinha lido nada do Urasawa até aqui. Na época, estava viciado em mangakissa, os Cafés Mangá, onde você paga por hora e pode ler mangás e beber café, suco, refri à vontade. Varei noites lendo coisas que não tinha coragem de comprar a coleção (tipo Hokuto no Ken, JoJo…) e li de uma tacada todos os volumes até aquele momento de 20th Century Boys. Uns 6. Passei a ler a série sempre que saia, alternando entre ler no mangakissa ou comprar os volumes. Por isso, eu tenho só uns volumes da série, todos fora de ordem. Foi uma das séries que me fez pensar em voltar a fazer mangá, quando eu tinha desistido dessa vida.

6 –  Hagane no Renkinjutsushi (Fullmetal Alchemist)

O anime, que evitei assistir no hype, quando passava na TV aberta japa, nos sábados à tarde. Decidi dar uma chance, acho que foi quando passou no Animax, que eu deixava ligado direto enquanto tava no meu quarto. A densidade da história e a construção dos personagens me pegou de jeito, me empolguei e assisti até o fim num sistema meio religioso. Passava um capítulo por dia, sempre no horário que eu chegava em casa e eu sempre assistia ele antes de fazer qualquer coisa. Até hoje, nunca li o mangá completo, só pedaços dele aqui e ali e por isso, a minha imagem de Hagaren é a do anime, de preferência o primeiro, já que o segundo foi em outra vibe.

5 – Gundam (UC)

Sabe quando você quer assistir por um ou outro motivo besta e acaba ficando viciado? Eu sempre curti robôs, não nas besteiras de ficção científica e blá blá blás que eu nunca dei atenção. Os robôs precisam ser bacanas e ter armas bacanas. Eu também sempre fui um fã da série de games Super Robot Taisen e um dos principais robôs da série é o Gundam, ao lado do Mazinger Z e do Getter Robot. Eu conhecia muita coisa das histórias só por causa do jogo e dos livros sobre os jogos. Mas decidi começar pelos três longas que adaptam a primeira série de Gundam, não queria ter que ver uma série longa como é Gundam, ainda mais uma série mais velha que eu! Mas os filmes eram muito bons. Viciei e decidi seguir a história, alugando os DVDs de Zeta Gundam, ZZ e assim por diante. Minha história favorita até hoje é Stardust Memories, o OVA com Kou Uraki, que era um dos meus favoritos no SRT, mas já montei três versões de modelos do Zeta Gundam, meu gundam favorito.

4 – BECK

Não lembro muito bem como comecei a ler BECK, mas lembro que estava muito viciado em bandas indie japas. Assisti primeiro o anime, tenho certeza disso, mas cheguei no CD da trilha sonora por causa de Beat Crusaders, que eu curtia desde que ouvi o Best Crusaders, compilação da fase amadora deles. Quando o anime acabou, eu busquei o mangá pra saber a continuação da história, mas era impressionante a qualidade da narrativa e quando o autor, Harold Sakuichi, finalmente chegou a um ponto de narrativa onde ele colocava som sem fazer onomatopéia nem balões, eu ficava louco. Nessa época, eu lia muito sobre mangá, livros técnicos de narrativa e coisa assim, e BECK era uma boa aula, uma história sem grandes pretensões, apoiada em personagens marcantes e referências perfeitas. Tem até uma participação do Wanderlei Silva!

3 – Crows/Worst

Comecei a ler pra falar mal. Meus amigos japas liam e falavam que valia a pena ler. Mas eu tinha um certo preconceito com mangá de gangue, mesmo Rokudenashi Blues. Pra mim, não tinha como ser legal, japoneses pagando de gangsta. Então, tanto fazia eu ler do começo ou do fim. Preferi ir do fim, pra ver o que era mais recente e não ter aquela desculpa de “melhora com o tempo”. Peguei do começo de Worst, que na época estava com uns cinco volumes, no máximo. E li muito rápido! A história me pegou, a simplicidade dela esconde muito mais complexidade do que sagas infinitas e seus personagens humanos são muito mais fodas do que qualquer Bankai que Bleach possa fazer. Eles não são os mais fortes do mundo, no máximo, são os mais fortes de seu colégio, do bairro ou da cidade. As vezes, nem isso. E no entanto, eles cativam tanto que você se sente amigo deles e pode até respeitar alguns deles, de uma forma que você não respeitaria nenhum de seus amigos.

2 – One Piece

Na época, eu lia só Love Hina e I”s, dois que eu já acompanhava os tankohons de alguma forma. Um dia, quando eu tava sem nada pra fazer num domingo à tarde, liguei a TV e estava passando um anime. Era One Piece, em alguma parte do início da saga do Baratier, quando Sanji oferece um prato de comida para um criminoso faminto. A cena me prendeu pra assistir e acho que é assim que eu defino One Piece. Talvez com o tempo, você esfrie, não se empolgue mais tanto quanto no começo. Mas vale ler para esperar essas cenas. Essas pequenas lições de vida no meio da história. De certa forma, virei um incentivador de One Piece e recomendava pra todo mundo. Certa vez, um tiozinho caminhoreiro, cabeça dura e cheio de marra, me viu lendo mangá e puxou papo. Ele falou que não tocava em um mangá desde Ashita no Joe e não tinha interesse nenhum nessas coisas de hoje em dia. Eu falei de One Piece e contei sobre a cena da saga de Arlong, quando Nami, em lágrimas, pede ajuda para Luffy. O tiozinho decidiu ler, só de curiosidade. Alguns dias depois, quando eu encontrei com ele de novo, com seus mais de cinquenta anos, ele veio com um sorriso enorme, falando que tinha lido todos os volumes e queria discutir. Depois disso, ele passou a comprar a Jump toda semana só pra ler One Piece e me dar spoilers. Caminhoneiros podem comprar na auto-estrada, onde liberam a Jump no sábado, enquanto eu só podia comprar de segunda, o dia oficial de lançamento.

1 – Video Girl Ai/I”s/DNA²

Em primeiro, eu precisava colocar essas três obras de Masakazu Katsura. Pra mim, ele é o autor que mais influenciou, seja na narrativa, o desenho, expressividade… Video Girl Ai foi o primeiro mangá que eu li depois de aprender japonês, ainda com muita dificuldade de entender e sem saber ler tudo. Até aqui, eu só lia X-Men, gastava meus trocos comprando os gibis de heróis da Abril e desenhava meus fanzines de cópias de Marvel e DC. Meu elo com o Japão era só sanguíneo e por conta de alguns animes, que assistia como público comum (ou seja, tanto faz se é japonês ou mexicano, se é profundo, inteligente ou se é o He-Man). Meu tio comprava e colecionava as três grandes japonesas, Shonen Jump, Shonen Magazine e Shonen Sunday e vez ou outra, quando eu ia na casa dele, ficava fuçando, tentando entender. Minha tia, que queria se livrar dos mangás, sempre me deixava levar alguns pra casa, me dava uns… Como meu tio colecionava isso há anos, tinha coisa da década de setenta, oitenta, até o começo de noventa. Como eu desenhava, procurava coisas pra copiar. Copiei muito Cavaleiros, Hokuto no Ken, Dragon Quest, Dragon Ball, tudo sem nem saber o que era (ou ligar pra isso). Foi quando eu vi Video Girl Ai, que era um dos mais bem desenhados na época. E era um páreo duro, tinha muita coisa boa na época, era a Era de Ouro da Jump. Li (ou melhor, vi os desenhos) até onde encontrei e depois que tinha mais idade, passei a comprar os tankohons. Eu ia sempre na lojinha da Livraria Sol que ficava na Brigadeiro, dentro de uma galeria. O tiozinho de lá era muito gente boa comigo, eu comprava pelo menos três tankohon por mês com ele. Completei tudo que eu consegui do Katsura na época: Video Girl Ai, DNA², Shadow Lady e um dia, encontrei o primeiro volume de I”s. Como eu já era fã, sabia que tinha começado a série e tinha visto ela na Jump, que eu folheava e comprava só de vem em quando. Acompanhei completamente apaixonado pela série e quando fui pro Japão, comprei o último volume de I”s junto com aqueles de Love Hina. Devorava sem parar. Quando voltei pro Brasil, descobri que meu irmão se desfez dos meus mangás. Se eu soubesse disso, tinha comprado de novo lá no Japão, em kanzenban…

O que eu lembro mais da séries, é o começo de Video Girl Ai, por exemplo, até o terceiro volume, onde deveria acabar (Katsura dizia que não queria fazer séries longas na época, mas fez sucesso e foi obrigado a continuar) que foi bem marcante. Lembro da cena da escada de vidro e de como eu li aquilo na primeira vez. O contraste que fazia com o inicio leve e engraçado também era chocante. As obras de Katsura foram muito importante pra eu começar a me interessar por mangá e acho que se não fosse isso, talvez eu nunca teria sequer publicado.

 

Gostaram da lista? Conseguem pensar nas suas? É incrível como elas são dificeis de começar, mas vão aparecendo uma por uma depois, deixando 10 um número tão pequeno. Se pudesse incluir mais umas, colocaria Hunter x Hunter, Jarinko Chie, Meitantei Conan, Juushin Liger, Ookiku Furikabutte, Slam Dunk, tem tantos, mas acho que esses dez eu tenho um elo afetivo muito grande e até tive que me controlar no texto, porque poderia falar muito mais. Boas histórias são como boas músicas, você consegue associar elas a momentos da sua vida.