O fim de Worst

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Yo!

Tudo que é bom tem um fim. Bora ver!

O mangá de Hiroshi Takahashi, Worst, continuação póstuma de Crows, encontra seu destino. A obra de vida do autor chega ao seu segundo fim na Gekkan Shonen Champion que saiu hoje, dia 6 de Agosto. O destino de Hana Tsukishima e sua gangue, a passagem final e o legado do Colégio Suzuran, o verdadeiro personagem de Crows/Worst, definidos ao fim de mais um ciclo que se fecha, com a formatura de mais uma turma.

Respeitado e adorado por vários fãs, a obra recebeu comentários de mais de 50 fãs famosos, de comediantes à músicos, outros mangakás, modeladores e estilistas. Pessoas que se influenciaram ou influenciaram o universo dos personagens de Takahashi, que trouxe à alma dos garotos sem futuro uma voz, uma imagem e um espelho verdadeiro, sem falso moralismo e nem discursos sociológicos.

Aos maiores fãs, a revista ainda disponibilizará uma toalha exclusiva. Basta enviar uma carta, todos que participarem ganham.

Para fechar, uma matéria longa sobre toda a história de Worst e uma longa entrevista com o autor, Hiroshi Takahashi.

Fonte: Comic Natalie

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O que eu acho? Worst e Crows são pra mim hoje uma das maiores influências. A simplicidade sincera do trabalho de Takahashi como um todo é algo que vai muito além do que a gente espera de um mangá. A história não tem tramas mirabolantes, não tem personagens profundos, não tem falas épicas, nem arte soberba, muito menos uma diagramação complicada nas páginas. O que tem no lugar é um retrato realista de um universo tão próximo e tão distante da gente, que sempre que tentamos ver, romantizamos ou apontamos o dedo acusador. Crows não tenta nunca dialogar com quem é de fora e não viveu a realidade de ser naturalmente desajustado para a sociedade. É um mangá falando diretamente para aqueles marginais. Que moram à margem do mundo certinho demais para ouvir algumas verdades.

Eu comentei Crows/Worst logo no começo do XIL, anos atrás. Comecei a ler só pra poder falar mal, já que eu tinha amigos que adoravam e eu não podia entender o que tinha de bom. Afinal, vendo de longe, realmente é uma arte feia, personagens visualmente parecidos, diagramação pobre, narrativa simplória e a trama, rasa como um pires, não inspira quem não tenha interesse prévio a ler alguma página. Mas isso acaba sendo um grande erro. Com dez parcas páginas, com pouquíssimo texto, em menos de um minuto, você não consegue mais parar. E eu, das dez páginas, passei em um instante para três volumes, que era o que eu tinha comprado. No dia seguinte, comprei mais três. Em uma semana, eu havia lido tudo o que tinha de Worst e passei a comprar os kanzenban de Crows, a série original. E só parei quando terminei de ler tudo. Dai comprei QP, uma história diferente do mesmo autor, com temática mais adulta, algo como “o que acontece depois da formatura”. E o vício só parou depois que eu terminei de ler tudo o que podia do autor, e não é pouco.

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Hiroshi Takahashi ainda cultiva uma rede de discípulos, ex-assistentes, amigos ou simplesmente fãs mais fervorosos que o seguem. Ele faz como em suas histórias, trata eles como família. Muitos artistas que cresceram sob sua asa tiveram uma primeira chance desenhando roteiros dele ou usando personagens de Crows. Outros tiveram capas feitas por ele para promover. Alguns, fizeram colaborações para valorizar o trabalho. E não é só no mangá. Takahashi ajudou um amigo a levantar uma marca de roupas com design mais agressivo, fazendo seus personagens usarem roupas da marca. Ele coloca pichações no mangá de letras de músicas ou nome de bandas de amigos. Você vê que ele escreve sobre o que ele vive, a camaradagem simples e sincera entre pessoas que estão no mesmo barco, do qual ele desfruta de uma posição um pouco melhor e tem consciência de que tem alguns deveres por isso.

Os personagens simples e todos meio parecidos são outro detalhe. A riqueza de cada um aparece da mesma forma que a dos seus amigos reais. Você conhece como qualquer um, eles não soltam bolas de fogo das mãos e nem voam ou quebram paredes com um chute. Mas eles gostam de jogar dardos, tem uma certa política quanto à brigas, fazem questão de ter o penteado em dia… São humanos, cheios de falhas e virtudes, mais falhas que virtudes na verdade.

10072069070E uma cena, entre várias, é a que eu mais gosto. Quando o líder da sexta geração da gangue de motoqueiros Busou Sensen vai até a base de uma gangue rival por um novato que desobedeceu ele. Na porrada, ele poderia causar um estrago. Se fosse com sua gangue, a briga seria feia. Ele foi sozinho e baixou a cabeça, pediu desculpas e saiu humilhado. Foi uma cena estranha, porque o personagem é briguento e nunca fugiu de uma briga. Mas naquela situação, com um membro de sua gangue, sob sua responsabilidade, estando completamente errado, o derramamento de sangue seria errado. O que ele fez foi se responsabilizar e pedir desculpas, evitando uma situação desnecessária e honrando o legado do Busou. E ele não precisou falar tudo isso pra você e os próprios personagens entenderem isso. E eu passei a respeitar um personagem mal desenhado, numa sequência simples… um pedaço de papel que inspira sentimentos.

O fim de Worst ainda não deve ser o fim. Takahashi sempre faz os gaidens depois, histórias do universo mas sem tanta ligação com a trama principal. Em uma de Crows, nasceu Tessho Kawachi, do trecho que eu comentei aí em cima. De outra, surgiu Guriko, o monstro temído e mulherengo de Worst. Dependendo do que surgir nos Gaiden de Worst, capaz de surgir mais uma série. Mas eu espero o volume derradeiro com o mesmo aperto no peito de quando li o fim de Crows, mesmo sabendo que tinha continuação.

 

Por que eu indico? -Crows/Worst =ATUALIZADO=