Dragon Ball – Curiosidades level master

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Yo!

Fazia tempo que eu queria fazer um post deste tipo, juntando curiosidades sobre séries famosas. Pra começar, um dos maiores hits da Shonen Jump, o alpha e ômega da publicação: Dragon Ball!

Todos conhecem Dragon Ball. A série começou como uma aventura misturada com boas doses de comédia. A história nos apresenta Son Goku, um pequeno orfão que vive em uma floresta, distante do mundo, mas que viaja o mundo depois de conhecer Bulma e descobrir sobre as Dragon Balls, pedras místicas que concedem um pedido para quem reunir as sete. Depois, se tornou uma série de intensa porradaria, primeiro com artes marciais como base, depois foi indo cada vez mais além, até o ponto em que podiam destruir planetas com uma mão só.

A primeira curiosidade é simples: Dragon Ball é baseado, levemente, em Jornada ao Oeste, uma lenda chinesa. O nome Son Goku também saiu desta lenda, é um príncipe macaco que faz parte do grupo da história.

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Goku é o de amarelo.

Mas Dragon Ball nasceu antes mesmo da série. Na época em que o autor, Akira Toriyama, publicava com sucesso a comédia Dr Slump, ele pediu para acabar com a série, não aguentava mais a vida de publicar semanalmente. Ele só conseguiu isso prometendo que voltaria depois com um novo título. Sem muita vontade de pensar, ele usou duas histórias soltas que ele havia feito anteriormente, Dragon Boy e Tompu Daibouken, misturou e com ajuda de seu editor, criou Dragon Ball, que já nasceu com muita má vontade de Toriyama, que sempre pensava em um jeito de terminar com a série.

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FUUUUSION!

Os finais, aliás, são tantos que fica difícil enumerar. O primeiro admitido é ainda antes de Goku ter um filho, quando ele derrota Piccolo Daimaoh. Foi convencido pelo editor a continuar. Depois da história de Raditz, ele pensou em fazer a série perder popularidade, matando Goku. O tiro saiu pela culatra, foi um dos maiores crescimentos da série, que motivou até a Toei a transformar o anime em uma fase distinta, Dragon Ball Z. Depois de Cell, já com outro editor, ele tentou acabar com a história também, com um final em que Goku se sacrifica e passa a responsabilidade para a nova geração, assim como Toriyama desejava que acontecesse na Shonen Jump. Infelizmente, o sucesso foi tanto que seu antigo editor, promovido a editor-chefe na época, foi pessoalmente pedir para que ele continuasse. Depois da fase de Majin Boo, ele finalmente conseguiu descansar, desde que se comprometesse a ajudar com Dragon Ball GT, a continuação que só aconteceu no anime e da qual ele não fez muito além dos designs de personagens.

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O editor original de Dragon Ball, aliás, é o lendário Kazuhiko Torishima, um dos mais respeitados editores de mangá de todo o Japão. Ele não só ajudou com Dr Slump e Dragon Ball, mas foi responsável direto pela Era de Ouro da Shonen Jump, foi pioneiro do multimídia nos mangás quando negociou Dai no Daibouken (No Brasil, Fly, o Pequeno Guerreiro), usando o nome de Dragon Quest como moeda de troca por ceder Toriyama para fazer os designs dos jogos antes. Como editor-chefe, ele sustentou Yu Yu Hakusho, One Piece, Rurouni Kenshin, Naruto, entre outros.

Cell, criado por Toriyama para ser o vilão definitivo de Dragon Ball, foi ridicularizado pelo editor na época, substituto de Torishima、Yu Kondo. Kondo vinha de uma grande experiência em uma revista feminina e usava isso para aumentar o público feminino em Dragon Ball. Depois de fazer Toriyama transformar Cell sem muita cerimônia, ele também ridicularizou a segunda forma de Cell. “Parece um imbecil agora. Acho melhor pular logo para a forma perfeita.” E é por sua exigência que Cell fica mais “bonitão” em sua forma final. É dele ainda os pitacos que criaram Trunks. Sua frase favorita é “Não. Refaça“.

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Apesar de Dragon Ball ser uma série de porrada e aventura, é engraçado ver que seus dois principais editores tem uma veia para o romance. Torishima era apaixonado por comédias românticas, obrigou Toriyama a criar um par para Arale em Dr Slump e queria que Goku e Bulma formassem um par romântico de qualquer jeito. Já Kondo, saído de uma antologia shojo, pensava muito em público feminino e interferia muito na história, fazendo ele criar personagens que atraíssem garotas, e situações que funcionassem melhor com elas do que piadas sobre pinto do começo da série.

Existe um boato que o próprio Toriyama não admite, mas tem fundamento: os maiores vilões de Dragon Ball são imagens praticamente espelhadas de seus editores. Torishima é Piccolo Daimaoh, Kondo é Freeza e Majin Boo é o último editor, Fuyuto Takeda, que lhe dava mais liberdade e não parecia muito interessado em controlar a história como os outros.

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A única contribuição conhecida de Takeda como editor é o papel de Mister Satan. Ele só fez um comentário breve “Muito bom este personagem, hein?” e Toriyama passou a usar Satan com mais frequência e até lhe dar papel de importância.

Falando em Mister Satan, sabia que ele é o único… ÚNICO!!! personagem de Dragon Ball que jamais morreu? Pois é, todos já morreram pelo menos uma vez na série, menos o todo poderoso campeão do Tenka Ichi Budokai, Mister Satan.

E pensar que ele tem a mesma idade de Kuririn, que é um pouco mais velho que Goku…

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Toriyama não gosta muito do mundo do mangá. Tem poucos amigos no ramo. O mais conhecido é Masakazu Katsura, autor de Video Girl Ai e I”s, que o ajudou a compor o visual do Cell em sua forma final, o Fusion e ainda desenhou um roteiro seu no one-shot Sachie-chan Guu!!, que teve continuação, e em outro one-shot, Jiya, este mais sério. Além de Katsura, ele é amigo de Riichiro Inagaki, roteirista de Eyeshield 21, liberando o uso de Vegeta na série dele.

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A tara de Toriyama é por modelos militares e armas. Em uma loja de Nagoya, cidade de Toriyama, podemos ver alguns autógrafos dele pendurados na parede. Aparentemente, ele trocou autógrafos, que não gosta de dar, por peças de modelismo que ele queria de qualquer jeito. (Este, boataço, ouvi de um amigo, conheci a loja e realmente tem os autógrafos, mas a história ninguém confirmou).

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Dragon Ball não teve muito sucesso no começo. O editor na época dizia que Goku não era um protagonista carismático e os outros personagens tinham mais personalidade que ele. Então, Toriyama criou a regra de “protagonista que acumula poderes” a partir do primeiro Budokan, e deu certo, alavancando Dragon Ball.

Voltando à Kondo, ele já fez Toriyama refazer uma arte onde um Dragão aparecia com muitos detalhes, com cada escama de sua couraça detalhada. Como foi seu editor a partir de Raditz, você pode perceber como ele obrigava Toriyama a tirar detalhes e limpar cada vez mais sua arte.

O final da série, no mangá, tem duas versões. A primeira, que saiu na Shonen Jump e nos primeiros encadernados e uma segunda, feita em 2002, quando Dragon Ball ganhou sua versão Kanzenban, a Edição Definitiva. Ali, Toriyama refez diversos quadros da última edição, incluindo ainda mais quatro páginas, que mudam sutilmente a nuance da história. Ele considera esta a versão ideal do final.

Dragon Ball é considerado a série em quadrinhos mais vendida em todo o mundo, ao lado de Peanuts, a série do Snoopy. Não só o mangá mais vendido.

Claro que não é segredo que Dragon Ball GT não existe no mangá e foi criado pela Toei, com roteiristas da empresa e não é considerado parte da trama. No entanto, sabe-se que em certo momento, a ajuda de Toriyama foi solicitada, mas não se sabe até que ponto ele escreveu algo ou só deu o nome para eles ganharem dignidade. Seu trato com eles era de só fazer design de personagem e arte promocional, ele até abriu mão de direitos de autor.

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E, claro, temos Dragon Ball AF. Criado na internet, o boato de uma nova série não tardou a acontecer. Logo com o fim de Dragon Ball GT, em uma época muito mais nebulosa da rede mundial, artes conceituais e sinopses começaram a rodar o mundo. Mas nem Toriyama e nem a Toei tem ligação com isso, coisa que diversas vezes eles precisaram negar. Aparentemente, AF seria a sigla para Alternative Future ou After Future. Mas existe a versão de que tudo não passou de uma grande trollada pré-redes sociais. O AF seria de April Fools (Primeiro de Abril) e casa com uma das versões, que dizia que em Abril de 1998, logo após o fim de GT, estrearia no Japão esta nova série. Parece que o único consenso era de que haveria uma transformação com cabelos brancos ou prateados.

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Mas uma grande curiosidade brasileira é esta aqui. Esbanjando um acabamento invejável até para os mangás oficiais da época, Dragon Ball Milênio contava uma história com os netos de Goku e Vegeta. A revista derivou do site de mesmo nome, que era referência em Dragon Ball na língua portuguesa. O fanzine vendeu muito, tanto que recebeu cartão vermelho dos detentores do direito da série na época. Um dos autores foi o meu chefe na NewPOP, o Júnior Fonseca. A qualidade do acabamento do fanzine era a mesma de K-ON! por exemplo, em uma época em que Conrad e JBC ainda colhiam seus primeiros frutos com os mangás, mais de dez anos atrás.

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