Boku Dake ga Inai Machi – análise do mangá

Olá, meus caros leitores desse blog! Estou de volta e com energias renovadas das férias para falar sobre o mangá Boku Dake ga Inai Machi!

Sei que muitos leitores estão esperando um texto do tipo Mangás e Tendências, mas como não é muito fácil produzir um texto assim, peço para que aguardem um pouco. Eu prometo que ainda trarei neste mês um texto bem legal para vocês.

Eu sei que muitos leitores estão acostumados com as análises ao estilo dos meus colegas do Troca Equivalente, no entanto vou tentar fazer um trabalho diferente do que estão acostumados.

Pessoalmente, não sou fã de análises do jeito que é feito hoje em dia nos blogs. Nos meus reviews, vou seguir a linha do amigo que está te recomendando um anime ou mangá ao invés de tentar ser impessoal. Faz meu estilo ser franco e honesto com os leitores.

Eu também só vou tentar falar o necessário para que tenham uma ideia geral da história. Notei que a maioria das sinopses não ajudava a despertar meu interesse pelo mangá. A correlação entre gostar e ter lido algum review/sinopse era muito baixa.

Vou tentar contar aqui do mesmo jeito que explico para meus amigos oralmente. Claro que não é muito fácil, mas vamos lá.

Se vocês gostarem ou não, me avisem nos comentários.

Muito mais o mangá do que o anime

Boku Dake ga Inai Machi

Para quem não sabe o anime lançou em 07 de Janeiro deste ano. Obviamente, não dá pra fazer uma análise profunda da animação com apenas um episódio, mas a minha análise é mais sobre o mangá do que o anime.

Eu reconheço que o anime e mangá são obras distintas e cada um têm seus méritos na hora de transmitir narrativas. Sou fã preferencial dos mangás normalmente, pois acho que nem sempre as adaptações transmitem a essência do autor na obra.

Bom, eu costumo recomendar esse mangá sempre que alguém me pede alguma sugestão de leitura, mas fico surpreso com a pouca quantidade de pessoas que acabaram lendo realmente depois da minha dica.

Isso aconteceu com Shingeki No Kyojin, Death Note e outros, mas quando o anime dessas respectivas obras acabam lançando, essas mesmas pessoas que recomendei me perguntam se eu já tinha visto como se fosse a mais nova novidade do pedaço.

Não vou ficar nem um pouco surpreso se daqui alguns meses esse mangá estiver entre os mais lidos. O lançamento do anime ajuda bastante a divulgação dos mangás undergrounds que mereciam mais destaque.

Vou colocar o PV logo abaixo para você darem uma conferida.

Um pouco de slice of life e muito monólogo

O nosso protagonista é Satoru Fujinima. Satoru é um mangaká que ainda está tentando conseguir seu espaço no mundo dos mangás, muito embora já tenha estreado em algumas publicações.

A obra, no começo, lembra um mangá slice of life, pois temos o nosso herói em situações do dia a dia trabalhando como entregador de pizza ao mesmo tempo em que divide seu tempo trabalhando nos mangás.

Na real mesmo, achei que ia ser mais daqueles personagens “emos”, porque ele passa a maior parte do tempo se remoendo por lembranças difusas do passado e frustrações da vida. Pegue isso e some ao fato dele ser bem fechado para as pessoas ao seu redor, inclusive a mãe dele. Isso pode parecer chato no começo, mas acaba fazendo sentido mais para frente na obra.

img3

(Satoru rasgando mais um mangá rejeitado)

Um ponto de destaque da obra são os monólogos do personagem principal. Diferente de muitos mangás, isso é algo bem frequente na narrativa e a maior parte do tempo você está lendo pensamentos ao invés de diálogos. Isso é tão marcante que o próprio protagonista, muitas vezes, acaba falando os seus pensamentos em voz alta. Então acaba sendo frequente a fusão de diálogo e pensamentos do protagonista no mesmo quadro.

img4

(Monólogos do protagonista)

Efeito borboleta e loops temporais

Provavelmente, você deve estar se perguntando o que torna essa obra interessante. Afinal, até agora não mencionei nada de surpreendente.

Calma aí! Já chego aí.

O ponto de destaque é o poder do Satoru. Ele tem um poder que o faz voltar minutos antes de eventos perigosos forçadamente. Acrescente isso ao fato dele não controlar e nem saber como é ativado esse poder. Como se isso não bastasse, o autor fica preso em um loop temporal em que só consegue sair se resolver a situação perigosa.

img5

(O poder de Satoru sendo ativado)

Devido ao fato do Satoru ser forçado a resolver a situação para não ficar preso no loop, ele passa a resolver problemas das pessoas que correm perigo ao seu redor, mesmo que não queira.

img6

(Satoru sofrendo um acidente ao tentar evitar um caminhão desgovernado)

Interessado pelo mangá? Ainda não? Então aguenta que a história nem começou ainda.

Tudo que eu falei anteriormente, não passa de um preparatório. O ponto de virada da narrativa acontece quando um crime acaba envolvendo a mãe do Satoru. Só que diferente dos outros crimes ao invés de voltar alguns instantes no tempo, ele acaba voltando para o passado no ano de 1988.

img7

(Quem será o criminoso? Leia e descubra!)

Já viram o filme Efeito Borboleta?

A partir desse ponto, o mangá começa a lembrar desse filme. Para mim é aí que começa realmente a história do mangá.

O mangá acaba dando um gás bem forte a partir daqui. Nessa parte, a trama acaba indo para o lado de investigação criminal. Satoru acaba em várias partes da história alternando entre o presente e o passado para tentar resolver crimes do presente que estão interligados aos eventos do passado.

img9

(Satoru chocado ao descobrir que está no passado)

A simplicidade do protagonista

img10

Diferente dos romances policiais, Satoru está longe de ser um cara genial para resolver crimes. A meu ver, ele acaba resolvendo muitos desafios na base da tentativa e erro. Não vá lendo com a esperança de encontrar um personagem gênio com altos insights. Boa parte dos problemas é resolvida de forma bem simples e é realizada de uma forma que pessoas normais fariam.

O que eu curti bastante foi a conexão que o autor faz dos lapsos de lembranças com as viagens ao passado. Quando você estiver lendo, vai notar situações no começo do mangá que pareciam soltas e no ar, mas que ajudam a explicar as faltas de lembranças de eventos e inclusive a personalidade do personagem.

Devo ver o mangá ou o anime de Boku Dake ga Inai Machi?

img11

Eu só vi o primeiro episódio até agora e a impressão que ficou é de o anime ser mais corrido além de pular algumas partes do mangá. Se você gostou do anime e não leu o mangá, recomendo não ler, pois talvez possa acabar preferindo a obra original. Pelo menos isso é o que acontece comigo na maioria das vezes quando acho o mangá melhor que o anime.

Agora fica a dúvida de o quão fiel vai ser. Temos 12 episódios para esse anime, mas estou com a ligeira impressão de que precisará de mais do que isso para passar bem a história. Espero estar errado.

Detalhes interessantes

img12

Uma coisa que pode passar despercebido para os leitores é o título dos capítulos. Os títulos contêm os anos dos eventos. Embora possa parecer insignificante, isso ajuda a situar os fatos e os eventos. Eu, por exemplo, nem tinha reparado que em um período a história estava em 2003 e não 2006. Vale a pena dar uma conferida para se situar.

Quero mencionar o título da obra também. Boku Dake ga Inai Machi significa a cidade em que apenas eu não existo ou estou sumido. Não sei qual a tradução mais correta, mas quem souber japonês dá um toque nos comentários. O título faz muito mais sentido depois que você lê o mangá e deixa o leitor interpretar. Assim acaba sendo mais interessante.

Quero também destacar a atenção de Sanbe Kei, autor da obra, com os cenários e ambientação no mangá. Como exemplo, gosto de mencionar as diferenças tecnológicas entre os períodos. Se em um momento vemos VHS e telefones de disco, em outros vemos o uso de celulares e ambientes mais modernizados.

Ok, eu confesso! Bateu uma nostalgia sim! Quando falaram do Famicom (Nintendinho no ocidente) no mangá, bateu uma saudade forte. Ainda mais que boa parte se passa em 1988, talvez quem for leitor novo não vai entender isso. O leitor, nascido entre os anos 80 e 90, irá reparar em alguns objetos de infância. =)

img13

(Já faz um tempo que não vejo uma vitrola desse tipo)

Considerações Finais

Na minha opinião, esse é um daqueles mangás que deveria estar na sua lista de leitura. Para quem estiver acompanhando pelo animes, vale a pena dar uma conferida depois para ver as coisas que foram cortadas da obra original.

Simplicidade e ternura são palavras que acompanham esse mangá em várias cenas. O mangá em várias partes consegue ter aquela sensação de adulto e ao mesmo tempo infantil. Eu gostei tanto do mangá que nem ligo de assistir o anime. Isso é uma coisa rara para mim. Normalmente, não consigo assistir quando já sei os acontecimentos da história.

Fica aí a dica de leitura e diversão.

Sobre Wesley Chen

Wesley é um tinker por emoção, programador sem noção e escritor de coração. Amante da cultura nerd, geek e otaku; está sempre buscando alguma história nova ou desconhecida.

Olá, meus caros leitores desse blog! Estou de volta e […]