Análise – anime Isshuukan Friends

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Isshuukan Friends (One Week Friends) mostra como uma amizade pode ser bonita mesmo com as adversidades que a vida impõe.

Publicado nas páginas da revista Gangan Joker (Square Enix), o belo mangá de Matcha Hazuki ganhou sua adaptação para anime em Abril de 2014 pelo estúdio Brains Base. Com direção geral de Tarou Iwasaki, que está mais acostumado a dirigir episódios e fazer storyboards, o anime chega com a missão de emplacar um novo sucesso para estúdio que andou derrapando em suas últimas apostas.

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Memórias apagadas

A história mostra o estudante Yūki Hase tentando se aproximar de sua colega de sala Kaori Fujimiya, que por algum motivo misterioso evita fazer amizades e está sempre isolada. Um belo dia o inseguro garoto consegue criar coragem e falar com Kaori, que acaba não dando muita atenção a ele em um primeiro momento, mas após muita insistência de Yūki os dois começam a almoçar juntos e a conversar escondidos do restante da sala. Nesse meio tempo um sentimento de amizade começa a surgir entre os dois e Kaori revela que possui um sério problema de perda de memória, avisando que toda semana suas lembranças referentes aos amigos é apagada. Com essa descoberta Yūki decide que irá reconquistar a amizade de Kaori semana a semana e pede para que ela anote tudo que eles fazem juntos em um caderno de memórias.

Após esse começo bem interessante, apesar do clichêzinho, o anime passa a explorar essa nova amizade surgindo entre eles, dando maior destaque para a Kaori reaprendendo o que é ter amigos e vendo que sua vida triste e solitária poderia ser animada e alegre. Ao longo dos episódios é óbvio que nem tudo será as mil maravilhas e os dois jovens vão aprendendo que uma amizade é feita de conflitos e de saber entender um pouco os sentimentos dos outros.

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Foco em poucos personagens

Por ser um anime mais intimista a história não tenta explorar muito outros personagens, todos os conflitos principais acabam ficando por conta da relação de Kaori e Yūki mesmo, além deles, só o calado Shōgo Kiryū e doidinha Saki Yamagishi possuem alguma relevância para história, mas muito pequena, esperava que o roteiro explorasse mais esses dois na verdade. Ainda assim os papeis deles se destacam, Shōgo funciona bem como conselheiro para Yuki e Saki serve para mostrar um lado mais afetivo para Kaori, que devido ao seu problema acabou se tornando uma garota um pouco fria.

Um quinto personagem é inserido mais para o final do anime, na tentativa de explorar mais afundo o passado de Kaori, mas ele é totalmente dispensável para trama, acho que esse arco final foi um erro da forma que exploraram. Apesar do erro, não chega a comprometer tanto a qualidade do anime, que no último episódio volta aos eixos e entrega algo que todos gostariam de assistir. Afinal é uma história sobre dois amigos e o que queremos assistir é justamente eles sendo amigos, quando essas cenas acontecem, o anime cresce muito em qualidade, cada demonstração de afeto entre eles é muito bonita e ao mesmo tempo desajeitada (o que evidencia uma falta de costume dos dois nesse quesito).

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Visual e músicas que funcionam

O estilo visual do anime me agradou bastante, acredito que ele acabou funcionando como elemento narrativo, não acharia a história tão bonita e meiga se o design de personagens e cenários não fosse esse (que por sinal lembra bastante o visual do mangá).

No lado da trilha sonora não senti nada muito marcante, mas ajudou na composição da obra como um todo. As canções de abertura e encerramento apesar de estarem dentro da proposta “meiga” do anime, não foram algo a ser lembrado no futuro também.

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O poder de uma amizade

Nunca escondi meu apreço por animes mais sentimentais, onde o envolvimento dos personagens conta muito e posso falar que essa obra consegue ter essa entrega emocional. Não chega a ser super dramático, está mais para um slice of life padrão, o que torna a experiência muito mais prazerosa e fácil de ser digerida por diferentes públicos.

Está bem longe de ser um anime marcante e o final em aberto, muito por culpa do mangá ainda não ter acabado, também não ajuda a melhorar essa impressão. Mas ao final do último episódio tive o sentimento de missão cumprida em relação aqueles personagens, a jornada de crescimento e conhecimento deles foi inteligente e elegante, não precisando apelar para um final romântico (algo que eu gostaria que acontecesse, eles seriam um casal interessante, mas não era necessário deixar isso explicito mesmo).

Isshuukan Friends acabou sendo um anime despretensioso e que conseguiu me agradar utilizando um artifício simples, porém muito poderoso, a amizade.

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

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