Análise – anime Kill la Kill

Um anime épico, lunático, emocionante e que apresenta personagens com pouca roupa, calma, isso ainda é pouco para definir o nível de loucura em Kill la Kill.

Kill la Kill é um anime original, de 24 episódios, produzido pelo estúdio Trigger e que começou a ser exibido no ano de 2013 no Japão. É o primeiro projeto para televisão do estúdio criado por Hiroyuki Imaishi e Masahiko Ohtsuka, ambos ex-funcionários da Gainax (Evangelion) e que estiveram envolvidos na produção do anime Tengen Toppa Guren Lagann.

Charles Bronson feelings

A história é basicamente envolvida por vingança, esse é o grande motivo por trás da maioria das ações tanto no primeiro, quanto no segundo arco do anime. Buscando vingança pela morte de seu pai está a personagem Ryuko Matoi, ela carrega consigo uma arma em forma de uma metade de tesoura e está atrás da outra metade (que estaria com o assassino de seu pai). Ryuko acredita que a outra metade está com a presidente do conselho estudantil da Honnouji Academy chamada Satsuki Kiryuuin e para conseguir subjugar a assassina ela parte em direção a escola.

O que ela não esperava era descobrir que na escola os alunos recebem “uniformes goku”, que são roupas de alta qualidade e que possuem as misteriosas “fibras de vida” que dão poderes especiais as pessoas. Até conseguir sua aguardada revanche com Satsuki, a protagonista precisa vencer diversos estudantes da escola que possuem esses uniformes, incluindo a temida “Elite Four” que são os 4 membros mais fortes do conselho estudantil. Após perder uma dessas batalhas a protagonista acaba indo parar em uma construção abandonada e descobre um uniforme escolar que pode conversar com ela, essa roupa se chama Senketsu, e ao vesti-lá Ryuko passa também a ter poderes incríveis.

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Inconsistência vs. Diversão

Como vocês já devem ter percebido Kill la Kill é um anime escolar com batalhas, mas isso pode ser considerado apenas a ponta do iceberg e ao longo de seus 24 episódios muitas outras revelações são apresentadas, tornando o anime um grande shonen sobre a liberdade que todos nós devemos ter em nossas escolhas, seja elas quais forem. Não focando apenas na ação o anime apresenta também um lado cômico muito forte graças a Mako Mankanshoku (amiga de escola da Ryuko) e aos integrantes da organização Nudist Beach (sim, o nome é genial).

O equilíbrio entre a rixa de Ryuko X Satsuke e as cenas cômicas é muito bem dosado, o que atrapalha mesmo o anime e o torna cheio de altos e baixos é a inconsistência do fio condutor da história, que demora bastante pra engrenar. Passando os primeiros episódios, que podem parecer cansativos, o anime evolui de maneira considerável e vai se tornando cada vez mais épico e emocionante. Com uma trama pirada e cheia de referências ao mundo da moda o anime consegue desenvolver uma estética única e muito divertida.

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Visual retrô, música moderna

Essa estética única de Kill la Kill é muito curiosa e merece uma atenção especial, porque ao mesmo tempo em que apresenta alguns filtros e um estilo de animação que lembra desenhos japoneses antigos, o anime vem com a proposta de subverter o gênero “garotas mágicas”. Para isso o designer de personagens e diretor de animação Sushio opta por mostrar personagens que sofrem transformações mágicas, usam roupas de colegiais, mas que são sexualizados ao extremo e possuem um comportamento mais rude, incomum aos animes clássicos desse gênero.

Essa dualidade de olhar para o passado e ao mesmo tempo tratar de temas contemporâneos é que fazem as escolhas para a composição do anime tão interessantes e únicas. Todas as animações são exageradas, a câmera pega closes indiscretos e tudo possui mais movimento do que realmente deveria ter, é nesse exagero que o anime brilha e consegue se destacar em relação a tantas produções que vemos surgir a cada temporada.

A trilha sonora composta por Hiroyuki Sawano ajuda a completar essa estética peculiar de Kill la Kill, as músicas são bem temáticas (com um apelo pop)  e possuem uma agressividade que combina muito com a história apresentada.

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Loucura desenfreada

O estúdio Trigger está de parabéns, Kill la Kill antes mesmo de estrear já possuía um hype gigantesco e muitas vezes isso pode ser o motivo de fracasso de uma série, é muito difícil atingir as expectativas quando elas já começam muito altas e Kill la Kill conseguiu atingir essa meta. A primeira metade da história realmente não faz jus a fama da equipe envolvida no anime, mas a segunda parte consegue ter momentos de empolgação intensas e reviravoltas surpreendentes.

Kill la Kill é a história de duas garotas duronas em busca de seus objetivos, é também um anime cheio de fan-service e ação desenfreada, mas acima de tudo é entretenimento puro que consegue prender a atenção dos telespectadores nos momentos certos.

 

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

Um anime épico, lunático, emocionante e que apresenta personagens com […]

17 thoughts on “Análise – anime Kill la Kill”

  1. Se não fosse pelo fan service exagerado, eu diria que esse anime teria potencial a níveis extremos, como SnK. A história começa escondendo seu maior potencial, para mim, foi genial, porque desse modo eles trabalharam em temas subjetivos que encaminharam para o trama central do anime lá pelo décimo sexto episódio, e neste percurso já é possível entreter com as confusões da Ryuko e da família da Mako, o humor foi uma dessas consistências do espectador e quando chegou a hora o estúdio apresentou toda a obra, o que ela realmente é. Infelizmente isso mancha para quem indicamos, pois dependendo do gosto pessoal, os primeiros episódios podem não agradar. Inclusive lembro que os 3 primeiros episódios eram altamente dinâmicos, conforme o quinto episódio, eles amenizaram esse recurso. O anime é show, quando tiver tempo eu reassistirei para encontrar diálogos já subentendidos. Boa análise, abraço.

  2. Achei Kill la Kill simplesmente Masterpiece. O anime pega umas abordagens e apresenta de forma insana e marcante, principalmente a tirania de um governo e como ele controla as massas. A cena da família Makanshoku só se preocupando com a comida enquanto perto deles estava havendo uma “revolução”, que era a luta contra a mãe da Satsuki, mostra claramente a política do Pão e Circo e a alienação sendo criticada. Também achei fantástico como ele aborda a questão do feminismo e como elas se impõem muito acima dos personagens maculinos de forma marcante, o que não é comum na maioria das obras de hoje. Resumindo, um exemplo de anime MASTERPIECE que todos deveriam ver 🙂

  3. Eu comecei acompanhando os 3 primeiros episodios achei bacana no primeiro episodio mas os que vei em seguida foi me desanimando, realmente cheguei a fala e até mesmo postar em alguns comentarios meus sobre ele como não havia mostrado oque o hype sugeria, parei de ver KLK depois do 3 episodio e so voltei assistir novamente quando estava no episodio 11 foi bem dificil assistir ele em maratona quase desisti de assistir de novo até que vei a segunda metade da animação e todas as revelações por tras do enredo, realmente KLK mereceu o hype que houve sobre ele muito mais pela segunda metade do que pela primeira, pra mim foi um anime mediano no inicio e foda no meio pro final, recomendo fortemente eles para meus colegas que curtem anime e estou tentando fazer o cosplay do Sanageyama do Elite four para o proximo animefriends 2014, to correndo atrás de costureira mas ta foda.

    1. Se conseguir fazer o cosplay nos avise Bruno, estaremos lá na Friends esse ano também.

      Agora falando de Kill la Kill, aconteceu parecido comigo, comecei a assistir, não me interessei tanto e parei. Mas depois que voltei a ver e entrou na segunda metade do anime, não parei mais!

  4. Acho que KlK tem um feeling muito mais de Tarantino e em algumas partes de Go Nagai (principalmente nas piadas de cunho sexual, que também estavam em TTGL, só que em menor nível).
    E quanto ao ponto de inconsistência do fio condutor do enredo, eu realmente não entendi seu ponto. Essa demora pra chegar no ápice da série é necessário para a construção da curva dramática, para que você esteja hiper-empolgado com o final. Dá pra ver isso em Senhor dos Aneis, nos livros do Stephen King, ou mesmo em TTGL. E mesmo que demore pra chegar no ápice, cada episódio de KlK constrói algo e é frenético o suficiente para te manter na obra.

    1. Meu ponto é que esse fio condutor demora para ser apresentado, os primeiros episódios de Kill la Kill são algo próximo a Fillers se você parar para ver o que acaba sendo construído depois. Em TTGL desde o começo já temos elementos importantes da trama sendo apresentados.

  5. Eu tive uma discussão sobre o ”Fan service ” de Kill La Kill com um dos meus amigos mais próximo , eu acabei chegando a discussão se o que está apresentando lá é realmente fan service ou uma forma diferente, MUITO DIFERENTE ,de passar a mensagem da alienação humana, usando o tema das roupas O.o acabei por chegar na conclusão que o ”fan service ” em KLK pode não ser considerado um fan service pois a serie acaba precisando dele para passar a mensagem desta forma. O que você acham dessa ideia que acabei pegando ???

    1. Pra mim, no fim das contas, a questão da roupa e o corpo da mulher ficou mais com um ar feminista, de que não tem problema a mulher usar aquelas roupas, do que como uma crítica aos valores. Meio que subverteu o conceito de fan service tbm né, já que a partir de certo o ponto o que víamos ali dava nem pra ser considerado mais “ecchi” ou “fanservice”, até porque, este, é mais coisa “adicional”, ou seja, voltada ao fã daquilo do que recurso de roteiro mesmo. No caso de Kill la Kill, fazia parte da série, era um meio de passar a mensagem como você falou, então não dá pra vê-lo como “fanservice”, essencialmente falando.

      1. O Fan service em Kill la Kill existe, mas acaba em segundo plano, porque ele tem um motivo pra existir! Não é um ótimo motivo, pode até soar como desculpa para alguns, mas funciona.

  6. Aos episódios finais da série deu a entender que a equipe tinha planejado muito mais coisa para o enredo mas que infelizmente estavam limitados à pequenos 24 episódios de anime. Particularmente acho que deveria haver um filme como aconteceu com TTGL explorando mais os pontos que a equipe queria explorar e não pôde no anime, devido ao número limite de episódios. Percebe-se que os episódios iniciais, e principalmente os do meio pro fim, foram corridíssmos, queriam mostrar muito em pouco tempo… Pensando assim fico triste um pouco pela staff que, talvez, não puderam mostrar toda a grandiosidade que queriam.

    Maior parte da crítica da série foi centrada no design e o estilo da animação, pelo que vi. Alguns reclamaram do roteiro “louco demais”, mas os próprios autores comunicam pelo anime “Não fazer sentido é o nosso estilo”. Isso que dá singularidade às obras do Imaishi, é o jeito único dele e, sendo bom ou não, tem mérito por si só apenas por ser original e inovador.

    1. Eu particularmente gosto do roteiro do anime, apesar de achar que demora pra engrenar. E sim, a marca do Imaishi é justamente essa loucura toda, que já tinha em TTGL também.

  7. Kill La Kill é um anime bola de neve, ele começou pequeno e conforme foi rolando, virou uma avalanche. Eu não concordo muito que o seu inicio foi tão fraco assim, ele só não foi espetacular como o hype sugeria ou comparado a sua segunda metade. Mas o fato de um anime que começa tão comum se tornar o que se tornou conforme se desnvolvia, é o um dos pontos que fazem ele ser incrivél. Você não espera que ele chegue aquele apice.

    Kill La Kill e Nagi No Asukara foram minhas melhores apostas do ano passado. Animes simplesmente inacreditaveis 😀

    1. É bem por mesmo, ele começa comum e depois consegue se tornar algo memorável. Mas o começo me desanimou muito, demorei pra querer continuar assistindo.

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