Análise – anime Noragami

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Com uma premissa incomum, o anime Noragami do estúdio Bones surpreende ao entregar o básico com pinceladas de qualidade.

Noragami é originalmente um mangá escrito e desenhado por Adachitoka e publicado desde 2010 na revista Monthly Shōnen Magazine. A obra atualmente se encontra no volume 11 e já é uma das histórias mais populares da editora Kodansha. Uma das apostas do estúdio Bones para 2014, o anime dirigido Kotaro Tamura estreou em 5 de janeiro e ao longo de seus 12 episódios adaptou os primeiros arcos do mangá.

História com clichês, mas bem executada

Na história acompanhamos Yato, uma divindade menor do Japão que está em busca de novos fiéis e de ter seu próprio santuário. Para conseguir isso ele anda pela cidade pichando muros com seu número de celular e informando que ajudará as pessoas no que elas precisarem, com a condição de receber 5 ienes pelos seus feitos.

Durante um desses seus trabalhos como “deus delivery” ele é salvo de ser atropelado por um caminhão pela jovem Hiyori Iki, que acaba sendo atropelada em seu lugar e fica entre a vida e a morte. Após o atropelamento Yato decide salvar a vida da menina e essa ação acaba mudando o destino dos dois para sempre, já que após isso, Hiyori começa a sair de seu corpo as vezes, podendo assim andar entre os dois mundos, o dos humanos e o dos mortos (Yu Yu Hakusho feelings).

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Após esse começo interessante, porém um pouco genérico, o anime parte por explorar a busca de Yato por uma nova arma. No mundo de Noragami os Deuses usam Shikis (armas) que na verdade são feitas de pessoas mortas, então, Yato sai à procura de um espírito poderoso que possa ser sua nova arma. Durante essa procura ele encontra o jovem Yukine e a partir disso o anime passa a explorar a relação de Hiyori e Yato com o garoto, que possui muita dificuldade em aceitar sua morte e sua nova condição de ser usado como uma arma.

Com os personagens principais estabelecidos o anime começa a ampliar seu universo apresentando outros deuses, o passado de Yato e os vilões da história que, de início, são os ayakashis (espíritos malignos). O bom da narrativa de Noragami é que tudo soa bem equilibrado, em todos os episódios temos a história evoluindo um pouco, mas sem esquecer das cenas de batalhas, afinal, estamos falando de um shonen.

A favor da história também está o fato de todos os personagens terem o seu momento, apesar de ter apenas 12 episódios, Yato, Hiyori e Yukine possuem seus próprios arcos muito bem amarrados, todos cheios de muita emoção e ação. Se você levar em conta que o arco final, com o vilão Rabō, na verdade é uma história criada só para o anime, o feito da equipe de criação do estúdio Bones é maior ainda.

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Muito estilo visual e ótima sonoridade

Se tem algo que Noragami realmente possui é estilo, a abertura é muito bem executada graficamente, os episódios são muito bonitos como um todo e cada elemento separado (personagens, cenários, iluminação e CGs) também mostra um capricho acima do esperado para um anime mediano. Não vou dizer que a qualidade é a mais alta possível, mas dentro do que o estúdio se propôs a fazer, o resultado foi surpreendente. O design das roupas também é um elemento a ser comentado, dando um ar contemporâneo e despojado para os personagens.

A abertura e o encerramento do anime são marcantes, principalmente a abertura embalada pela música Goya no Machiawase da banda Hello Sleepwalkers. É tudo bem pop e dentro do esperado de animes shonens, mas a canção fica na cabeça. O restante da trilha sonora não se destaca tanto, mas ajuda e bem na composição da obra.

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Personagens fortes e às vezes irritantes

Acredito que esse seja o ponto mais crítico do anime, apesar dos protagonistas serem bem desenvolvidos muitas vezes eles irritam. Yato nem tanto, porque é um personagem carismático, mas a dificuldade da Hiyori em entender os acontecimentos e as crises existências do Yukine incomodam bastante. Se o Yukine não tivesse um arco tão interessante, ele seria totalmente irritante, o que salva o personagem é sua grande importância na história.

Outro fator ruim são os personagens secundários mal explorados, principalmente os deuses, que nessa primeira temporada praticamente servem de apoio para o Yato. Entendo que por ter poucos episódios a atuação deles dentro da história seja reduzida (e que no mangá nos primeiros arcos eles não apareçam tanto), mas gostaria de saber mais sobre eles em uma futura continuação do anime, caso ela venha a existir.

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Sem reinvenções

Noragami não tenta reinventar a roda e sua qualidade está justamente em ser honesto com os fãs e entregar um bom anime de ação. Alguns elementos da trama podem parecer cópias de outros animes, mas ao mesmo tempo eles são colocadas na história de maneira natural  e funcionam com eficácia. O universo do xintoísmo também não é explorado em sua plenitude, mas deve agradar os interessados nessa bonita tradição japonesa que envolve muito mais espiritualidade do que religião.

Longe de ser um anime esquecível, mas também longe de ser uma obra prima, Noragami é mais casca do que conteúdo e deve ser encarado como puro entretenimento. Acredito que o Yato já possa comemorar, com o sucesso do anime não deve demorar muito até ele conquistar uma legião de novos devotos.

 

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

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