Análise – Suzumiya Haruhi no Yuuutsu

Hoje vou falar “daquela que não deve ser nomeada”, a garota amada por muitos e odiada por outros muitos, a deusa, a insuportável…a Suzumiya Haruhi.

Antes de entrarmos no é bom ou não é bom preciso contextualizar o fenômeno que foi e continua sendo essa tal de Haruhi. Tudo começou em uma light novel publicada em 2003 na revista The Sneaker pelo autor Nagaru Tanigawara e ilustrada por Noizi Ito. Com o sucesso da novel, que hoje já passa da marca de 8,5 milhões de cópias vendidas, no ano de 2006 Suzumiya Haruhi teve sua primeira adaptação anunciada para a TV Japonesa. Em pouco tempo o anime de 14 episódios se tornou um fenômeno em vendas de DVD, de músicas tocando nas rádios e de milhares de subprodutos relacionados aos personagens.

Com esse sucesso todo não demorou para o anime ser relançado no ano de 2009 com 14 novos episódios e em seguida ganhar um filme. Claro que isso foi acompanhado de mais lançamentos, como um box completo em Blu-ray (que vendeu mais de 35 mil cópias), muitas outras músicas e produtos licenciados. Agora a pergunta que fica é, porque todo esse sucesso?

Suzumiya Haruhi

Uma breve história de ficção

O anime acompanha Kyon um jovem que tem sua vida completamente mudada a partir do dia que conheceu uma garota invocada, metida e doida chama Suzumiya Haruhi. Logo na primeira aula ela fala para a sala inteira que acredita em extraterrestres, viajantes do tempo, pessoas paranormais e que deseja que eles sejam seus amigos, já que para ela pessoas normais não eram interessantes. Após ouvir esse discurso Kyon se sente atraído pela menina, não atraído fisicamente, mas sim atraído por sua personalidade e a partir de então ele começa a sempre tentar puxar conversar com ela. Em pouco tempo ela cede às tentativas de diálogo dele e os dois ficam amigos. Se sentindo mais solta, já que normalmente ela não se relacionava com outros colegas, Haruhi decide que eles devem montar um clube (algo bem comum nas escolas japonas) e é exatamente nesse momento que Kyon passa a se envolver em situações que jamais imaginou que fossem possíveis.

Em cima desse plot básico o anime passa a explorar muitas situações do gênero slice of life (turminha na escola se divertindo) e em outros momentos parte para situações ligadas a ficção cientifica. Kyon é o encarregado por trazer essa parte mais contemplativa, do dia a dia da escola, já os personagens Yuki Nagato, Mikuru Asahina e Itsuki Koizumi são os encarregados de trazer à parte mais ligada a ficção cientifica. Haruhi é o elo de ligação deles, ela acaba por misturar as situações em que eles se envolvem colocando os três em situações do cotidiano escolar, enquanto Kyon acaba envolvido em uma trama com conspiração, viagens no tempo e personagens com poderes especiais.

Suzumiya Haruhi

É importante ressaltar que os elementos de ficção estão pulverizados na história, eles são de grande importância para a trama principal, mas acabam ganham menos destaque do deveriam. Na maior parte dos 28 episódios acabamos vivenciando a relação dos personagens com Haruhi e com o clube em geral, enquanto informações sobre de onde esses personagens vieram e para onde estão caminhando acabam ficando em segundo plano ou nem sendo explicados. Infelizmente o anime deixa de trabalhar fatos importantes como: afinal o que seria o poder de Haruhi? Porque Mikuru voltou para o passado? Quem é a entidade que enviou Nagato? Ou o que é a organização de Koizumi? Para mostrar eles tomando sorvete ou viajando. Até um arco bobo como o que eles precisam gravar um vídeo escolar ganha CINCO episódios de destaque, quanto à trama principal que é superinteressante e poderia ter sido mais complexa é condensada em apenas SEIS episódios.

Acaba parecendo que eles querem tanto agradar ao nicho otaku, colocando personagens clichês e em situações muitas vezes de fetiche que falta motivação para realmente contar a boa história que o anime possui. A única coisa bem aproveita é o pobre Kyon, o único personagens com sentido e que tem um crescimento ao longo da história.

Suzumiya Haruhi

Personagens para agradar otakus

Digo que o Kyon é o único personagem interessante porque nele sim vemos uma motivação, um ideal a ser atingido, além disso, ele é o único que tenta impedir a Haruhi de fazer algumas de suas atrocidades. Quem assistiu ao anime inteiro, mais ao filme sabe do tremendo salto como personagens que ele sofreu, passando de alguém que não entende direito se quer aquilo e se aceita aqueles situações, para alguém com plena consciência de seus atos e do mundo em que vive com aquelas pessoas estranhas.

Já o oposto dele é justamente a Suzumiya Haruhi, ela passa o anime inteiro sem crescimento nenhum, ela não toma consciência dos seus atos e do perigo que o mundo pode correr caso ela fique chateada ou acorde com o pé esquerdo. Outro problema é justamente esse, todos outros personagens tem medo dela, medo que ela possa acabar com o mundo que eles conhecem então todos simplesmente bajulam e fazem o que ela deseja. Enquanto a personalidade de Kyon é interessante (de alguém observador e que tenta agir da maneira correta) a de Haruhi chega a ser irritante ao extremo. Claro que ela possui certo carisma também, mas acho que sua personalidade acaba mais desvalorizando do que elevando sua popularidade.

Suzumiya Haruhi

Se por um lado Kyon e Haruhi pelo menos possuem características marcantes, por mais que as dela não sejam louváveis, os outros três personagens principais infelizmente são muito superficiais. A Mikuru tem todo aquele papo de viagem no tempo, mas na realidade nada dela é explicado, ela parece estar lá apenas para ser o par de seios a ser apertado. A Yuki também é muito mais a personificação dos fetiches otakus loli do que qualquer outra coisa, o filme até consegue dar um background interessante para a personagem, mas infelizmente isso não é o suficiente para salva-la como algo relevante. O coitado do Koizumi então parece ser o grilo falando do Kyon, está lá só para dizer o que ele não deve fazer, geralmente em situações que ele magoaria a Haruhi.

De uma maneira resumida acredito que Kyon seja o personagem principal e a Haruhi esteja lá apenas para ser a força motriz que move a trama (já que tudo acontece ao redor dela e por culpa dela)  enquanto os outros três membros do SOS Brigade são apenas peões para agradar fãs hardcore.

Suzumiya Haruhi

Cronologias e endless fillers

Acredito que a essa altura do texto vocês já devam estar percebendo a resposta para minha pergunta lá do começo, o anime de Haruhi é cheio de polêmicas que vão desde a trama interessante trabalhada de maneira superficial, até os personagens escolhidos a dedo para agradar um público em especifico. Agora você se engana se pensa que a parte mais intrigante desse estranho sucesso seja isso.

Como foi dito anteriormente o anime original passou no ano de 2006 e o curioso é que nessa sua primeira exibição ele teve a ordem dos seus episódios misturada. Quem procurar assistir o original vai reparar que os episódios estão em ordem anacrônica e que muita coisa vai parecer sem sentido. Esse fato é muito elogiado por alguns fãs do anime, enquanto outros preferem dizer que na verdade esse foi um artificio utilizado para prorrogar mais a trama principal. Pessoalmente prefiro não julgar esse méritos e eu nem assisti o anime nessa ordem, optei por ver a ordem cronológica que foi a que lançaram anos depois em dvd e blu-ray, mas acho valido a equipe de criação do estúdio Kyoto Animation tentar sair do lugar comum e passar o anime de uma maneira não tão mastigada, apesar de acreditar que não seja isso que torne algo mais ou menos interessante de assistir.

O que já não acho tão válido assim é o artificio do estúdio em estender o sucesso de sua franquia até o nível vergonhoso de colocar oito episódios seguidos contando um mesmo acontecimento. Esse caso é bem conhecido dos fãs de anime e leva o nome de Endless Eight, que é justamente o nome desses oito episódios repetidos. O acontecimento na trama que leva a história a ficar se repetindo é até interessante, mas poderia ser bem resolvido em quatro episódios no máximo. Estender esses episódios e encher o anime de fillers é a prova que falta ao estúdio e ao criador da novel capacidade em explorar a parte forte da história. A única vantagem desses episódios é poder apreciar o excelente design de personagens e de cenários do anime, por sinal, um dos pontos fortes dessa produção.

Suzumiya Haruhi

A marca Kyoto Animation de qualidade

Se existe algo que o estúdio Kyoto (Lucky Star, K-On) faz bem são personagens e cenários bonitos. Tudo dentro daquilo que o público deles já espera e gosta de ver, mas não tem como falar que não agrada aos olhos. Em Haruhi temos dois tipos de animação e de design distintos, o do anime original e o da continuação de 2009 e posso dizer que os anos fizeram muito bem a Haruhi e sua turma, deixando a animação bem mais fluida e bonita. Fuja do anime antigo e busque assistir as novas versões remasterizadas lançadas em dvd ou blu-ray.

Outra marca do estúdio que está presente em Haruhi e com certeza agrada muitos os fãs são as aberturas e encerramentos sempre cantados por seiyuus famosas (ou que ficaram famosas após fazer algum anime deles). Eu particularmente não gosto muito das músicas desse anime, mas sei ver que elas possuem um ritmo e uma energia que agradam e que não deixam quem esta assistindo ficar desanimado, por mais que em alguns momentos a história desanime.

Suzumiya Haruhi

A Dissociação de Haruhi Suzumiya

Voltando a pergunta do inicio, do porque de tanto sucesso para Suzumiya Haruhi, podemos entender que muito do barulho em torno do anime está voltado às polêmicas que o cercam. Não acredito que a produção teria feito tanto sucesso em 2006 se não fosse à canção de encerramento e sua dancinha engraçada que levou milhares de pessoas a repetirem pelas ruas e eventos de anime do mundo inteiro. Ou se os episódios não tivessem passado em ordem aleatória, todos nós sabemos que aquilo que ainda é incerto para nós gera certa curiosidade e comentários, talvez se o anime tivesse passado já de cara na ordem cronologia, com toda a história boa contada logo no começo os fãs teriam achado sem graça. Tanto que na continuação o anime teve o Endless Eight, possivelmente para os fãs terem algo a comentar, já que a exibição estava na ordem correta e após os seis primeiros episódios se não fossem esses oito repetidos eles não teriam muito que falar, já que o restante do anime foi praticamente recheado de fillers.

Mas que fique claro, não estou aqui afirmando que o sucesso do anime está atrelado apenas às polemicas, ele possui sim alguns episódios muito bons, Kyon é um personagem interessante e o filme é excelente. O ruim foi pessoas endeusando vinte e oito episódios sendo que apenas oito deles são realmente bacanas e agregam algo à história, o ruim foi ver que o anime tinha potencial e tudo foi deixado de lado, mas isso é o mercado, vende quem pode e compra quem quer e nesse caso muitos compraram a ideia.

Suzumiya Haruhi

Se você quiser uma boa história é só assistir aos primeiros episódios da ordem cronológica e ao filme, do contrario assista a série completa e reze para ter uma dissociação como eu possivelmente tive, o que não será difícil já que o choque ao assistir o anime será grande e provavelmente você vai acabar gostando até das partes ruins porque alguns fatos serão ocultados de sua memória.

Suzumiya Haruhi é uma surpreendente sinopse de um livro que provavelmente nunca será aberto.

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

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3 thoughts on “Análise – Suzumiya Haruhi no Yuuutsu”

  1. A Haruhi não é irritante, nem insuporavél >.< *-*. Se for, esse é o charme dela. Para mim a Haruhi é defenitavamente um dos pontos mais fortes de todo o sucesso. O personagem é marcante.

    O mundo de Haruhi é grande, são muitas coisa relacionadas a obra e o artigo foi muito bem escrito, parabéns mesmo.

    Ainda considero toda essa obra algo genial, e eu nem gosto de psicológico, e acho que seu sucesso faz jus a tudo o que ela representa. O roteiro nem se fala. Claro que a novel é muito mais superior, normalmente são, é como um filme e o livro ao qual ele foi baseado. Mas ainda sim, Haruhi é marcante até mesmo para meu status Otaku (não sei se é algo bom ou ruim), pois antes, eu era só DBZ e ponto, haha.

    Eu recomendo, para quem gosta de um romance alá conto de fadas, só que versão dias de hoje, é ótimo. (Que descrição foi essA? O.o)

  2. Ei vi os 14 primeiros episódios (a versão de 2006) e não achei lá essas coisas.
    Na época que eu assisti o pessoal falava que tinha uma sequência para ver o anime, que assim faria mais sentido e consequentemente seria mais legal, que nem você comentou no post! Porém, na época eu só fui descobrir isso depois que assisti todos os episódios e quando fui procurar pela ordem “correta” no site que eu tinha baixado, eles não queriam passar pq seria mais legal descobrir sozinho (-_- affe…..). E não encontrei a informação em outro lugar (ou me desencantei, não me lembro mais).

    Não sabia que eles tinham refeito o anime e colocado ele na ordem cronológica! Acho que assim faça mais sentido e seja melhor… Quem sabe um dia eu revejo, não sei, não é uma prioridade.

    Pois é, não gostei muito das músicas de abertura e encerramento… agora “God Knows…” é diferente!! Muito show *-*
    Não recomendaria esse anime, pelo menos a versão de 2006 rsrs

  3. Eu assistir está serie a algum tempo mas pelo curiosidade de conseguir entende os motivos por trás do sucesso da serie, tanto o anime tanto sua ligth novels possuir elementos que são muitos apreciados pelo publico otaku, li pouco da novel mas o pouco me mostrou que a história da serie tem muito potencial que infelizmente não foi usado em maior parte do anime em apenas poucos episódios como foi dito em seu texto, o filme foi onde foi mostrado toda a qualidade da serie.

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