Corrente de Reviews – Porco Rosso

hidroavião porco rosso

Chegou a minha vez, que emoção. Para os desinformados está rolando um projeto de autoria do blog Anikenkai que se chama “corrente de reviews”. A ideia é simples, porém divertida, quase um amigo secreto de blogs onde o presente é um anime que deve ser assistido e depois feito um review.

No nosso caso a indicação veio da fofíssima Suzi dono e seu blog Abstrações. O “presente” também não poderia ter sido melhor, assistir e comentar sobre o filme Porco Rosso do mestre Hayao Miyazaki.

História: hidroaviões e vingança

Primeiro acho importante explicar que o filme originalmente seria um média-metragem feito exclusivamente para passar nos Vôos da Japan Airlines e que devido ao apego de Miyazaki pelo filme e pelo tema (a aviação) acabou se transformando no que estamos analisando.

Marco Pocellino

E que fique claro, não é por ter começado de maneira despretensiosa que temos uma produção ruim, o filme é muito interessante. Nele acompanhamos Marco Porcellino (o Porco) um ex-piloto da força área italiana que possui a aparência de um suíno e que leva a vida como um caçador de recompensas. Ele mora em uma pequena ilha e vive bebendo e fumando enquanto passa o dia arrumando seu hidroavião vermelho.

O máximo de trabalho que ele tem é impedir os planos de piratas dos céus, como o bando Mamma Aiuto, que sempre estão tentando causar confusão pela região do mar Adriático. Vemos também que em seus momentos de folga ele visita uma de suas poucas amigas a cantora Gina, dona de um luxuoso hotel na região.

Os problemas de Marco começam mesmo quando um piloto americano chamado Donald Curtis é contratado pelo bando Mamma Mia para dar um fim no invocado porco. Após se enfrentarem nos céus o nosso herói acaba levando a pior e fica desaparecido, o que leva Donald a crer que deu um fim nele. O que o antagonista da história não esperava era que Marco fosse encontrar abrigo na oficina de seu amigo e mecânico Piccolo.

Lá a história realmente começa, vemos a reconstrução de seu hidroavião e o começo de uma amizade com a neta de piccolo a jovem e decidida Fio. Por sinal, é ela que fica com a missão de reconstruir o avião e que depois acaba por partir junto de Marco para a vingança dele contra Donald.

Daqui em diante eu recomendo que você assista ao filme, mas não se engane sua história em um primeiro plano pode parecer simples e aventureira, mas sabendo olhar melhor podemos achar várias outras camadas.

Ambientação em homenagem a época de ouro do cinema

Tratando de Miyazaki é de se esperar um filme bem animado, com ótima trilha sonora e uma excelente ambientação. E fiquem tranquilos porque todas essas qualidades já estavam presentes em Porco Rosso mesmo o filme sendo de 1992, bem antes de o animador japonês ter virado o queridinho de 10 entre 10 fãs de animação.

O que eu gostaria de destacar principalmente são os detalhes, consegui sentir a essência da década de 20 enquanto assistia ao filme. Cenários rebuscados e condizentes, personagens com traquejos e vestimentas dignas dos grandes astros de cinema da época. A trilha sonora composta por Joe Hisaishi está na medida, emociona, faz rir e também engrandece as cenas de ação.

Em termos técnicos e levando em conta a época em que foi produzido Porco Rosso consegue superar suas limitações e entregar um produto que não deixa nada a desejar em relação aos filmes mais recentes do estúdio Ghibli.

“Melhor ser um porco do que fascista”

Já disse que a história chega a ser simplória em sua camada mais superficial, mas agora entraremos em nuances do filme que o tornam uma grande obra audiovisual (pelo menos na minha humilde opinião).

Durante todo o filme Marco é retratado como um porco e isso deve ser visto de forma metafórica, por mais que Miyazaki o mostre visualmente como um suíno é a sua alma que se tornou isso.

Descobrimos que ele saiu da força área italiana por não concordar com os rumos que o país estava tomando (o facismo estava em seu auge) e ele ainda por cima vivenciou na pela os horrores de uma guerra. Marco perdeu sua crença na humanidade e nas pessoas, suas experiências ruins o moldaram de uma maneira a fazê-lo se afastar do mundo, por isso ele mora isolado, por isso não cai nos encantos da bela Gina e por isso que todos o enxergam como um porco.

E nesse contexto que entram as personagens femininas Gina e Fio. A primeira é a representação das pessoas que seguem em frente, por pior que o mundo esteja ela da um jeito de sobreviver é o famoso dançar conforme a música. Durante todo o filme vemos que ela tem uma paixão não correspondida por Marco, justamente porque ele vê nela esse conformismo que o incomoda.

Já Fio é o oposto, uma jovem de 17 anos que ainda acredita ter muito a agregar ao mundo, ela é otimista e ingênua. Porco consegue criar uma afinidade com a jovem e se deixa levar por esse sentimento, ela é algo que ele perdeu e que provavelmente nunca mais irá encontrar. Os dois são contrapontos de um mesmo mundo e por isso se completam.

O final do filme por mais aberto que seja mostra uma chama de esperança surgindo em Marco, ele finalmente entende que talvez seja possível ter esperança na humanidade.

O simbolismo humanista

Ao contrário de outros filmes do estúdio Ghibli onde vemos a força da natureza como elemento questionador em Porco Rosso a grande pergunta é sobre como nós humanos tratamos os outros humanos.

Acredito que esse seja o filme mais adulto de Miyazaki (pelos menos dos que eu assisti, ele tem pouco dos elementos “mágicos” que tornaram o diretor famoso) e ao mesmo tempo o com mais camadas a serem descobertas. Em uma época onde pensar cansa esse filme é uma boa forma de treinar nosso olhar crítico para com nossos semelhantes e para com o mundo. Não vamos nos tornar porcos!

corrente de reviews

Bom essa foi a contribuição do Troca Equivalente para a corrente de reviews, recomendo fortemente que você busque pelos outros textos feitos exclusivamente para o projeto.

O próximo participante é o blog nbm² que vai falar sobre o pirado, retardado e polêmico OVA Puni Puni Poemi. Adoro esse anime e ele é tão nonsense que sempre fico curioso para saber o que outras pessoas acharam dele, por isso o escolhi.

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

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