O começo, o fim e o filme de Bleach

Já faz algum tempo que queria falar sobre esse assunto, desde quando o já esperado e merecido fim de Bleach foi realmente anunciado. E agora com a volta aos holofotes do filme hollywoodiano da franquia acho um bom momento para investir no assunto.

Uma história que poderia ter diversas camadas

Para mim Bleach sempre foi um mangá com potencial, não no tema especificamente em si, já que é algo trabalhado a exaustão pelo mercado japonês sempre interessado em assuntos sobrenaturais. O diferencial de Bleach no começo de sua trajetória lá no ano de 2002 (e é importante frisar esse “no começo”) era contar sua história de uma maneira “cool” e logo no inicio já dar indícios que uma mitologia estava sendo criada ali, que existia algo por trás de todos os acontecimentos e não digo por trás dos acontecimentos do arco inicial e sim dos acontecimentos que ligavam a vida daqueles personagens e a maneira como essas vidas estavam sendo interligadas.

O arco do shinigami substituto conseguia prender minha atenção, ele era mais que apenas luta e conseguia levantar alguns questionamentos relacionados ao que acontece após a morte e como o ser humano encara isso (representado ali pelo próprio Ichigo que havia perdido sua mãe), tudo isso de uma maneira leve afinal é mangá shonen, mas tinha uma história ali.

O problema é que quando se trabalha em uma história muito longa ou pelo menos que se espera que seja longa, não se pode esquecer de planejar os argumentos mais triviais e o maior problema que Tite Kubo mostrou ter foi justamente não saber improvisar nos arcos menores, ao contar pequenas frações de história de seus personagens e de suas motivações.

Motivações vencidas por lutas baratas

Bleach começou como um shonen que abordaria a experiência de um garoto que consegue transitar entre dois mundos, o dos humanos e dos mortos e agora o mangá vai terminar como mais um shonen de luta que mal conseguiu evoluir a história de vida do seu personagem principal. Nem mesmo uma das coisas mais legais da franquia que são as Zanpakutous (as espadas dos personagens) tiveram uma explicação digna.

Até Naruto consegui retomar o caminho de sua história e hoje mescla a história do personagem principal e as cenas de luta.

Não questiono Bleach ter lutas, afinal mangás shonen tem isso e as de Bleach são bem bacanas, o problema é que o arco principal de todos os personagens foi esquecido, tudo passou a girar em cima dos vilões e suas motivações, tudo parece filler.

A renovação estética

Se por um lado Bleach prometeu muitas coisas e poucas conseguiu entregar, por outro ele se mostrou bem antenado, ainda mais para um mangá mainstream, ao usar bastante tipografia para compor suas capas e páginas internas.

Também soube trabalhar muito bem os títulos de seus capítulos sempre com frases inspiradas e remetendo a termos da língua inglesa e espanhola. Agora o que eu sempre gostei mesmo foi dos pequenos poemas presentes em cada tankobon e que sempre faziam analogia a história contada naquela compilação.

Torço para que mais mangás ousem tanto estética quanto narrativamente Bleach tentou ousar e que os editores japoneses deixem isso acontecer de fato, sem amarras. Infelizmente só o mercado underground permite esse tipo de experimentação em larga escala, talvez Tite Kubo devesse investir nele.

O famigerado filme

Tudo bem que a produtora envolvida é a Warner Bros. e eles normalmente fazem bons filmes, mas assim como no caso de Akira esse filme de Bleach tem um grande potencial em ser ruim.

O produtor Peter Segal (Get Smart) e o escritor Dan Mazeau (Wrath of the Titans) terão que se esforçar muito para a trama não soar forçada e muito mirabolante, talvez se eles abordarem justamente o começo que citei no início do texto o filme tenha êxito, afinal ali existe uma história a ser trabalhada e só.

Será que os americanos conseguiram salvam o que nem o autor do mangá conseguiu? Eu duvido muito.

 

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

Já faz algum tempo que queria falar sobre esse assunto, […]

5 thoughts on “O começo, o fim e o filme de Bleach”

  1. Pode criticar o bleach o quanto quiser,mais eu sempre achei que Kubo pode fazer uma saga final explendida e magnifica,como o arco da Soul Society mangá,Bleach é meu mangá preferido mais não é por isso que eu Chingo naruto(que eu adoro),e One Piece(que eu nao gostei),se vcs nao gostaram de Bleach vai lá na shonen e faz melhor crianças.Lol,apesar de bleach ter seus defeitos que pra min é poco pra parar de ver o mangá,Esse mangá vende muito e é um dos melhores da jump.

  2. Bleach tinha que ter terminado na luta do Aizen…
    Isso foi o grande erro do mangaká….
    Essa nova temp será uma merda tb..

    Sobre O naruto eu outro ferrado…
    ficou o tempo todo com Sasuke direto,agora corre atras do tempo perdido colocando o Naruto forte cada manga que passa

    cara fala uma coisa #OnePieceForever

  3. Eu acho que bleach fico ruim quando o Ichigo enfrento o Aizen pela última vez, essa deveria ser a última saga do mangá, ele poderia ter colocado Aizen como o vilão principal que faria a estória de Bleach seguir e assim colocaria outras sagas e outros vilões ao longo do caminho, mas ele queria que o mangá fisesse sucesso rápidamente e para isso ele coloco uma saga que poderia se a última logo no comecinho do mangá e depois que essa saga do Aizen acabo bleach fico sem graça, eu estou botando fé nessa última saga de bleach, mesmo achando que bleach já acabo na saga do Aizen eu ainda ponho fé, só não quero que essa última saga me decepicione pois se isso acontecer infelizmente vou para de acompanhar bleach.

    Ultimamente os animes e mangás que eu vejo são:

    Fairy Tail
    One Piece
    Naruto
    Bleach

    até mais.

    1. Eu não boto muita fé nessa nova temporada não, só esse lance de guerra santa, mil anos e sei lá o que já achei muita falta de criatividade. Bleach precisa dar uma repaginada geral, ainda está mais do mesmo.

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