Análise parte 1 – Evangelion e a Instrumentalização Humana

Evangelion é uma obra muito cultuada e polêmica, o texto a seguir é uma tentativa de deixar mais claro os acontecimentos existentes no anime original.

Introdução Evangelion

Neon Genesis Evangelion é uma animação japonesa de ficção científica produzida para a TV no ano de 1995. A série atingiu grande sucesso assim que foi lançada, não somente no Japão, mas em vários países ao redor do mundo por abordar temas complexos que até então dificilmente eram explorados por desenhos animados. O diretor Hideaki Anno, junto de sua equipe, conseguiu construir uma narrativa envolvente mesclando questões filosóficas e psicológicas com o popular subgênero Mecha (robôs gigantes) onde à medida que a história se desenvolve somos transportados para uma densa análise a respeito das relações humanas.

O anime

A história do anime começa no ano de 2015, grande parte da população do mundo foi extinta por um acontecimento que ficou conhecido como o Segundo Impacto. Os protagonistas da história nasceram exatamente no ano desse acontecimento e devido a isso tiveram suas vidas modificadas para sempre. Aos 14 anos de idade Shinji Ikari, Asuka Langley e Rei Ayanami têm a difícil missão de, a mando da organização NERV, combater uma série de ameaças intituladas Angels (monstros gigantes que passam a surgir após o Segundo Impacto). Para essa tarefa cada um deles recebe um EVA, uma unidade de combate gigante com forma humanóide que é controlada através da taxa de sincronia entre o piloto e sua unidade.

Ao longo dos episódios acompanhamos as batalhas entre os EVAs e Angels e assim vamos descobrindo mais sobre a verdade por trás do Segundo Impacto e os reais motivos que levaram a NERV a querer proteger o mundo de um possível Terceiro Impacto. A trama que começa amena e parece remeter aos clichês de séries de robôs gigantes com o passar dos episódios se transforma em uma grande trama conspiratória onde os limites psicológicos dos personagens são levados ao extremo e o envolvimento da NERV com os acontecimentos catastróficos vai muito além daquele que aparenta.

Do mangá para a TV

Além do anime que já foi concluído há alguns anos Evangelion possui um mangá ainda em publicação no Japão com uma historia um pouco diferente, já que alguns acontecimentos são inéditos e também porque detalhes da trama principal do anime são mais explorados na versão mangá. Muitos fãs acreditam que possivelmente o mangá tenha um final diferente do anime e que até o termino do mesmo todas as pontas soltas da série de TV sejam esclarecidas. Ainda não a indícios de quando o mangá irá terminar e até o presente momento ele possui 12 edições tendo uma periodicidade anual (na teoria).

A Instrumentalização humana

O projeto de instrumentalização humana pode ser considerado o grande foco da SEELE (organização privada composta por lideres de diversos países) durante toda a série, para a organização a humanidade tinha se tornado imprestável causando apenas destruição no mundo e estava na hora de alguém forçar uma forma de evolução dos seres vivos. O nome do projeto é uma homenagem do diretor Hideaki Anno ao escritor de uma série de pequenos contos, Cordwainer Smith.

A idéia do projeto é de induzir a raça humana a um processo de evolução artificial onde nos transformaríamos em um “ser perfeito”, sem conflitos, capaz de compreender a própria existência, já que para a SEELE são os questionamentos que temos durante a vida como “quem somos?”, “para onde vamos?” que fazem os seres humanos serem tão destrutivos.

Assim, isso seria possível a partir da quebra das barreiras entre os seres, chamadas AT Fields (Absolute Terror Field). O AT Field é o que possibilita suportar a separação de nossa existência a de outros, mas apesar disso, nos causa solidão e dor, o que na série é apresentado como o “dilema do porco-espinho”, que é querer estar próximo a outros, mas ao fazer isso se ferir. O fato da raça humana não conseguir compreender a si mesmo é o que leva a SEELE a iniciar o Projeto de Instrumentalização. Esse acontecimento na realidade é o Terceiro Impacto e só poderia acontecer após a junção do EVA-01 com o Angel Lilith.

Lilith é considerada a mãe de todos os seres humanos, seria a partir dela que a humanidade recomeçaria e o EVA-01 por ter comido um Angel e ter passado a possuir o fruto da vida (presente nos Angels) e o da sabedoria (presente nos EVAs), se torna assim um instrumento da evolução final. Após os dois se tocarem, a instrumentalização começou, ou seja, todos os serem humanos começaram a virar LCL (o líquido usado para conectar mentalmente o piloto ao Evangelion, é constituído pelo sangue de Lilith) e um grande rio de líquido vermelho começa a se formar no mundo. Nesse líquido é onde estão todas as almas das pessoas, funcionando em perfeita cooperação, sem ter que se preocupar com nenhum problema.

Os finais: Série x Filme

Podemos considerar que Neon Genesis Evangelion possui dois finais, ou, como alguns gostam de encarar, tenha um final com duas perspectivas diferentes. O final da série é mais psicológico e se passa dentro da cabeça do personagem Shinji Ikari onde todas suas angústias e temores são explorados através de outros personagens que ficam dizendo a ele que não é tão fraco como pensa e que tudo depende do modo como encaramos as situações. Como um personagem mesmo diz a ele, até um dia chuvoso pode ser um bom dia se assim quisermos.

Esses acontecimentos ocorrem nos episódios 25 e 26 e para muitos fãs acabam por confundir já que muitas cenas parecem desconexas e nada do que é referente ao mundo exterior é mostrado deixando assim a obra incompleta. Para satisfazer esses fãs mais inconformados e assim concluir de forma mais clara a série foi lançado o filme The End of Evangelion onde os acontecimentos finais, como os referentes ao projeto da instrumentalização humana, são colocados em prática pela NERV. Alguns acontecimentos esperados como o Terceiro Impacto, explicações mais conclusivas sobre os EVAs e o segundo anjo Lilith também são explorados nesse filme.

Ao final do filme descobrimos que o projeto da instrumentalização humana nada mais era do que uma crença dos membros da SEELE a partir de escrituras do Mar Morto que diziam que os seres humanos deveriam se tornar um só, evoluindo assim para um ser perfeito. O que eles não esperavam era que Shinji, ao ser questionado por Lilith, mudasse de opinião e começasse a perceber que é da natureza humana ter angústias, medos e problemas para nos relacionar.

Sua atitude de negação à união de todas as almas em um único ser superior foi o que conseguiu impedir o processo de instrumentalização e também foi o que possivelmente levou a raça humana a um novo começo, quem sabe, dessa vez em um mundo mais justo onde os humanos que ele sempre odiou se tornariam melhores. Essa mudança de perspectiva de Shinji em relação aos humanos só ocorreu devido aos acontecimentos presentes nos episódios 25 e 26 que até podem ser encarados como um momento simultâneo ao do acontecimento da instrumentalização no filme e foi graças a essa reflexão que a raça humana teve a chance de um novo genesis.

Parte 2: Os Filmes de Evangelion

Parte 3: Evangelion e seus personagens

Sobre Wagner

Wagner é o manda chuva do Troca Equivalente. Formando em algo sem relação alguma com o universo dos animes e mangás, está sempre por aqui dando seus pitacos. Pelo nome do blog já dá para imaginar qual é o seu mangá/anime favorito.

Evangelion é uma obra muito cultuada e polêmica, o texto […]