Análise – Kamisama Dolls

Quando peguei Kamisama Dolls, eu não sabia o que esperar. Comecei assim o texto de primeiras impressões. Em dois episódios, não dava pra ter a menor noção do que Kamisama Dolls tinha nas mangas. E já adianto, que as mangas estavam(e ainda estão) lotadas de coisas. Tentando evitar spoilers, mas passando minhas impressões até o final da série, escrevi essa análise, então, clica ali, e lê o resto.

Mas, começaremos do começo. A abertura é a minha favorita dessa temporada(e em muito tempo), e é daquele tipo de abertura que ganha cada vez mais sentido quando você vai indo mais fundo na série. Não tem como não vibrar quando você percebe os padrões dos Kakashis em seus Sekis, e isso não é algo que se perceba no começo da série, apesar de sempre estar lá.

O que me leva para a evolução da série. Nesse aspecto, dá pra perceber claramente no que o shounen difere do seinen, vendo que a trama se desenvolve mais lentamente, as personagens ganham espaço para se desenvolver em cenas que seriam consideradas “filler” em um shounen, mas que aqui, dão maior profundidade e algumas vezes fazem personagens crescerem. E sempre puxando mais informações sobre a vila Karakami, mas ao mesmo tempo levantando novas perguntas, uma distância dos Kakashis que é sistematicamente diminuída, mas mantida até o final do anime, e seus nomes de deuses(kamis) xintoístas, as histórias violentas trabalhadas de um jeito mais maduro e o principal: um número pequeno de cenas de lutas. Lógico, pequeno pra um anime focado nisso, mas as estruturas montadas para a história não estavam tão preocupadas com lutas de Kakashis.

Kakashis, que foram muito bem construídos, na minha humilde opinião. Davam a ideia visual de “mechas” orgânicos, mas ainda sim alienígenas para qualquer pessoa que não esperasse ver algo do tipo. Nomes com base no xintoísmo, que parecem fazer sentido com as origens e domínios das deidades correspondentes[baseado na minha pequena pesquisa sobre o assunto], explicações quasi-satisfatórias de manutenção, motivo de existência, relação com os Sekis, e efeitos que o Seki tem no Kakashi e vice-versa.

Porém, nem tudo foram flores, provavelmente a minha maior crítica é também do desenvolvimento de personagens; apesar do desenvolvimento da Utao e do Kirio[e a relação entre os dois] ter sido desenvolvida de maneira primorosa, o protagonista Kyouhei[isso é discutível] parece terminar onde começou. Pouco crescimento como personagem dele, e de todas as personagens mais velhas. No máximo passam da ignorância para o conhecimento, como no caso da Hibino, mas em geral, parecem estacionadas, apesar de isso fazer algum sentido já que essa primeira temporada parece mais um prelúdio.

Prelúdio para uma segunda temporada que já aparece no teaser do final do último episódio. 13 episódios para deixar a gente com gostinho de quero mais para uma segunda temporada, e que cumpriram perfeitamente seu papel. Essa temporada mostra a quê a série veio, constroi o mundo com Kakashis, vilas opressoras, famílias tradicionalistas que dominam as ditas vilas, tratados questionáveis por motivos desconhecidos, problemas mentais por conta de traumas ou poderes sobrenaturais, mas também amizade, família e amor. Coisa demais, que provavelmente tomaria tempo pra história, se ela tivesse de ser contada em apenas 13 episódios, por isso, acho justo essa primeira temporada ser “incompleta”.

Resumindo: história interessante, mistérios bem desenvolvidos, uma história paralela extremamente boa[Utao e Kirio], desenvolvimento de personagens bom para alguns e terrível para outros, ótima abertura, foco na história, e não nas lutas, mitologia própria interessante, cenas divertidas, contraste entre personagens, relacionamentos bem-explorados, mas com ênfase no passado, final que não é final.

No geral, acredito que Kamisama Dolls cumpriu seu papel, mostrou um ótimo seinen nessa temporada e criou uma expectativa alta pra próxima temporada. E você? O que achou dessa série, ou espera da próxima temporada?

Quando peguei Kamisama Dolls, eu não sabia o que esperar. […]